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Pediatria/Criança

Osteoporose: Prevenção começa na infância

28/02/2008

Conseqüências da doença se manifestam com mais gravidade na idade adulta, mas o pico da massa óssea é atingido por volta dos 20 anos – por isso os cuidados com alimentação e estilo de vida devem ser tomados desde cedo

PAULO HEBMÜLLER

 

Associada geralmente à terceira idade, a osteoporose é uma doença que pode se manifestar já na infância e cuja prevenção deve ser feita nos primeiros anos de vida.

“Adquirimos o pico de massa óssea por volta dos 20 anos de idade. O problema acontece quando esse pico não é atingido”, diz a professora Rosa Maria Rodrigues Pereira, coordenadora do Laboratório de Metabolismo Ósseo da Faculdade de Medicina da USP. Uma dieta que tenha boa quantidade de cálcio – presente em alimentos como leite e derivados, peixes e verduras, por exemplo –, a prática de atividades físicas e a exposição ao sol, fonte de vitamina D, são fatores fundamentais para que crianças e adolescentes desenvolvam a melhor qualidade possível de massa óssea nessa etapa da vida. Essas medidas podem ajudar decisivamente a evitar fraturas na idade adulta.

A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pelo comprometimento da resistência óssea, predispondo o indivíduo a um risco de fratura. O esqueleto humano é um tecido vivo e complexo que dá suporte aos músculos e proteção a órgãos vitais. Ele também armazena o cálcio, mineral essencial para inúmeras funções. Ao longo da vida, os ossos são constantemente formados e reabsorvidos. Na infância e adolescência, a formação ocorre mais rapidamente que a reabsorção até que o pico de massa óssea seja atingido. A partir daí, a reabsorção lentamente vai excedendo à formação. O organismo usa o cálcio dos ossos quando não há ingestão suficiente ou quando há necessidade adicional – como na gravidez ou na lactação.

A mudança do estilo de vida e dos hábitos alimentares das gerações mais novas preocupa a professora. O consumo exagerado de refrigerantes, por exemplo, aumenta a reabsorção óssea. “Em alguns casos, a ingestão de leite, que é fundamental, praticamente não existe”, diz Rosa Pereira. Outros fatores também podem trazer prejuízos no futuro: sedentarismo, não exposição ao sol (“Muitas crianças não brincam mais na rua, ficam apenas com jogos eletrônicos em casa”, lembra a professora), tabagismo (a nicotina tem efeito sobre os osteoblastos, células que atuam na formação do tecido ósseo) e consumo de álcool.

A osteoporose pode afetar crianças como doença primária, embora sua ocorrência seja bastante rara. A osteogênese imperfecta tem origem genética e a osteoporose juvenil idiopática costuma aparecer de dois a três anos antes da puberdade. Na maior parte dos casos nessa idade, entretanto, ela é conseqüência de outras doenças crônicas, como leucemia, artrite reumatóide juvenil ou lúpus eritematoso sistêmico. O tratamento desses males muitas vezes inclui imobilidade, baixa exposição ao sol ou o uso contínuo de medicamentos como corticóides, causando interferências no metabolismo e perda de massa corpórea e muscular – que, por sua vez, podem favorecer o desenvolvimento da doença.

“É de responsabilidade dos pediatras a identificação de fatores de risco para osteoporose e a orientação de seus pacientes quanto a sua prevenção, tratamento e seguimento”, diz o recente artigo publicado pela professora Rosa e três colegas da Faculdade de Medicina no Jornal de Pediatria (edição nº 6, volume 79), da Sociedade Brasileira de Pediatria, onde podem ser encontradas mais informações sobre a doença na infância e adolescência.

Menopausa

Os principais problemas decorrentes da osteoporose se manifestam na idade adulta, principalmente nas mulheres após a menopausa. “A mulher tem uma perda importante de estrógeno em muito pouco tempo”, explica Rosa Pereira – o hormônio é indispensável para a conservação do osso. Ao redor de 20% de todas as mulheres na menopausa, nos países ocidentais, preenchem os critérios estabelecidos para a doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, não são muitos os dados confiáveis e atualizados. Uma iniciativa importante virá nos próximos meses, quando a Faculdade de Medicina da USP deverá começar uma pesquisa com o Hospital Universitário da USP. O estudo, que aguarda aprovação e liberação de verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vai investigar 900 mulheres acima dos 65 anos da região do Butantã, na capital, com relação ao mal de Alzheimer e à osteoporose.

Nos Estados Unidos, estima-se que 1,3 milhão de fraturas por ano são decorrentes da doença, o que custa ao país quase US$ 18 bilhões anuais em tratamento. Na Inglaterra e País de Gales, pacientes com fratura de quadril ocupam 20% dos leitos ortopédicos – 98% dessas fraturas ocorrem em pessoas acima dos 35 anos, 80% delas com mulheres. Com o crescimento da expectativa de vida, os gastos devem aumentar dramaticamente nas próximas décadas. A ausência de políticas públicas específicas para a terceira idade, especialmente na área da saúde, será cada vez mais sentida também no Brasil, onde o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acaba de mostrar que o envelhecimento da população é irreversível. Em 2020, o número de idosos no País será de 25 milhões de pessoas, 11% da população total – hoje o índice é de 9,3%. “Com o passar do tempo, surgem mais doenças que aumentam muito a chance de quedas e fraturas, como acidente vascular cerebral, Parkinson, problemas de labirintite, déficit de equilíbrio e outras”, explica a professora. Quanto maior a idade do paciente, maior a possibilidade de que não resista às conseqüências das fraturas: a imobilidade e o surgimento de infecções aumentam a mortalidade nesses casos.

Rosa chama a atenção para uma mudança recente em relação ao uso da terapia de reposição hormonal (TRH) com estrógeno e progesterona. O estudo “Women’s health initiative”, publicado pelo Journal of the American Medical Association em 2002, mostrou que a TRH tem resultado positivo na prevenção da osteoporose e na redução de fraturas vertebrais e de quadril. Entretanto, aumentou muito o risco do surgimento de doenças coronarianas e de câncer de mama nas mulheres que utilizavam a terapia. “No momento não se recomenda a TRH se for apenas para o tratamento de osteoporose”, diz a professora. “Há outras opções que tratam a doença com menor risco.”

Maior parte das quedas ocorre em casa  
A osteoporose é uma doença silenciosa, pois a perda óssea pode ocorrer sem sintomas – até mesmo fraturas vertebrais podem não ser notadas. Estudos já mostraram que uma proporção significativa de idosos com deformidades vertebrais, mesmo detectadas em exames de raio X, não é identificada clinicamente.
Prevenir as fraturas decorrentes de quedas é a principal medida para evitar as conseqüências da osteoporose, principalmente entre as pessoas mais idosas. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa. Por isso, medidas simples e práticas devem ser tomadas na própria moradia. Rever hábitos alimentares e de vida também é importante. Veja abaixo algumas recomendações:
- não ter pequenos tapetes soltos pela casa para evitar escorregões e tropeços;
- deixar alguma luz acesa à noite para o caso de precisar se levantar, e ter cuidado na hora de sair da cama;
- se possível, cortar o uso de medicamentos que provoquem sonolência;
- instalar corrimãos e barras, inclusive no box do banheiro, para ajudar no deslocamento;
- não deixar o piso da casa muito liso ou encerado; optar por pisos antiderrapantes;
- evitar subir em escadas ou cadeiras para pegar objetos em cima de armários ou lugares altos. Sempre que possível, pedir ajuda;
- usar sapatos ou chinelos confortáveis, com solado antiderrapante;
- na rua, usar sapatos sempre bem amarrados e só subir nos ônibus quando eles estiverem completamente parados;
- praticar alguma atividade física faz parte da prescrição médica – por exemplo, caminhadas de 40 minutos, três a quatro vezes por semana;
- a alimentação deve ser equilibrada e rica em cálcio, principalmente pela ingestão de leite e derivados, peixe e verduras;
- exposição freqüente ao sol (fonte de vitamina D); embora não necessariamente por períodos longos;
- abandono do álcool e cigarro. Estudos demonstram que mulheres que fumam um maço por dia atingem a menopausa com um déficit de 5% a 10% de densidade óssea, o suficiente para aumentar o risco de fratura. A mulher fumante tem a menopausa um a dois anos mais cedo e perde massa óssea mais rapidamente do que a não-fumante.
 

Fonte:

 

http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2004/jusp685/pag09.htm

 

 

 


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