Infecto-contagiosas/Epidemias -
Esta página já teve 133.084.120 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.663 acessos diários
home | entre em contato
 

Infecto-contagiosas/Epidemias

Laboratório da UFSC é peça-chave na pesquisa e no controle da leishmaniose em Santa Catarina

13/03/2008

 

  

Lesões são confundidas com hanseníase, câncer ou micoses

Incluída pela Organização Mundial da Saúde entre as seis mais importantes doenças de origem parasitária no mundo, a leishmaniose vem se expandindo em Santa Catarina. Até o início da década de 80, o Estado não tinha registros da doença. De 1993 a 2004 foram confirmados 86 casos e, desde 2005, outros 200 foram diagnosticados no Vale do Itajaí, nas cidades de Itapema, Camboriú, Balneário Camboriú e Blumenau.

Além disso, estudo em andamento no município de Piçarras, litoral norte do Estado, mostrou que entre 583 estudantes investigados apenas um tinha passado de lesão compatível com a doença - mas 15,6% apresentaram teste cutâneo positivo. Isso significa que as pessoas estão sendo picadas pelo inseto infectado e portanto estão sendo infectadas, mas não apresentam as feridas provocadas pela leishmaniose. Recentemente foram também registrados os primeiros casos de co-infecção HIV-leishmaniose na região do vale do Itajaí.

Através de projetos financiados pelo CNPq e pela Secretaria de Estado da Saúde, os pesquisadores da UFSC desenvolvem ações de pesquisa e extensão nas áreas que têm apresentado os focos. “A leishmaniose ainda é uma doença negligenciada”, alerta o professor Mário Steindel do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFSC, coordenador dos trabalhos envolvendo a leishmaniose na UFSC. Segundo ele, o diagnóstico da doença não é simples e muitas vezes ela é confundida com hanseníase, câncer de pele e micoses, levando a tratamentos inadequados, o que agrava as feridas.

Diagnóstico apurado
O processo de diagnóstico da leishmaniose em Santa Catarina vem avançando graças a técnicas sofisticadas de biologia molecular usadas no Laboratório de Protozoologia, ligado ao Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFSC. Desde 2000 o laboratório é referência no Estado para diagnóstico da leishmaniose e da doença de Chagas, sendo o único a realizar testes moleculares para confirmação dos casos. Solicitações de exames de todo o Estado são encaminhadas para a UFSC, que verifica se o paciente está de fato infectado pelo parasito causador da doença.

O método molecular garante rapidez, confiabilidade do resultado e possibilita a obtenção de informações sobre qual parasito está determinando a doença e a que espécie pertence. A importância das técnicas moleculares está também diretamente relacionada no estudo de casos de recidiva ou de resistência ao tratamento fornecendo informações valiosas ao clínico que lida diretamente com o doente.

Panorama
Com dois projetos relacionados a esta problemática em andamento, a UFSC está também trabalhando no levantamento de um panorama atualizado sobre a situação da leishmaniose em Santa Catarina e na região norte do Paraná, em colaboração com pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Depois de realizado o diagnóstico, as amostras analisadas na UFSC são depositadas em um criobanco, em temperaturas extremamente baixas, para que estudos mais amplos sejam realizados. Estas pesquisas permitem verificar as linhagens mais virulentas do parasito, possibilitam estudos sobre a epidemiologia da doença e podem apontar os fatores de risco mais importantes na transmissão.

Os estudos no Paraná e Santa Catarina incluem a coleta, identificação e distribuição da fauna de flebotomíneos (o inseto que transmite a doença), a identificação de possíveis reservatórios e a avaliação do papel dos cães na epidemiologia da doença, entre outras ações.

Associados à avaliação das variáveis ambientais e climáticas, estes estudos deverão contribuir para o planejamento de atividades de diagnóstico, tratamento e controle da doença nos dois estados. A meta é criar um mapa detalhado da distribuição dos casos e identificar as áreas de maior risco de transmissão, possibilitando o desenvolvimento de estratégias de monitoramento e controle. “É importante mapear a distribuição dos parasitas e fazer correlações com os tipos de vetores. São informações epidemiológicas que podem ajudar a tomar medidas para controle e redução da doença”, explica o professor Mário Steindel. No caso de Santa Catarina, os projetos estão também colaborando com a capacitação de recursos humanos nas unidades municipais de saúde, permitindo a realização de palestras e atividades educativas nas escolas.

Os trabalhos são desenvolvidos pela UFSC em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí, Universidade Regional de Blumenau (FURB), Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Fiocruz), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Têm apoio financeiro da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, da Finep e do CNPq.

Mais informações com professor Mário Steindel, fone               (48) 3721-5163       , e-mail: ccb1mst@ccb.ufsc.br

Por Arley Reis / Agecom

Saiba Mais

O inquérito intradérmico
Prevê o estudo em aproximadamente 1.500 estudantes de bairros com registro de casos de leishmaniose na região do Vale do Itajaí. Os participantes passarão por um exame dermatológico das partes descobertas do corpo, mucosa oral e das vias aéreas superiores. Será registrada a presença de lesões cutâneas compatíveis com a doença. Em seguida será aplicado um questionário epidemiológico e a realizado teste de Intradermorreação de Montenegro (IRM). As crianças positivas para o teste serão submetidas ao exame clínico para pesquisa de lesões e/ou cicatrizes e coleta de 5 ml de sangue para pesquisa do parasito através das técnicas moleculares.

Prontuário eletrônico
Uma das linhas de trabalho da UFSC é o desenvolvimento de um prontuário eletrônico, especialmente dedicado ao registro de casos de leishmanioses. A plataforma será utilizada via web e baseada no Laboratório de Bioinformática da UFSC, sendo que todos os envolvidos terão acesso, com diferentes permissões. A expectativa é de que o sistema permita acesso fácil e imediato às informações de cada caso, incluindo a caracterização dos parasitos isolados.

Histórico da doença em Santa Catarina

1989 / primeiro foco no oeste do Estado, em Quilombo, Coronel Freitas.
A partir da década de 90 / casos importados da forma cutânea e mucocutânea da doença são registrados nas diferentes regiões do Estado
A partir de 1997 / um novo foco de transmissão da doença envolvendo tanto indivíduos adultos como crianças, foi identificado na região do litoral norte do Estado, no município de Piçarras
No período de 1993 a 2004 / são registrados 86 casos em Santa Catarina, dos quais, 15 casos autóctones (adquiridos na própria região), provenientes de Piçarras
2005 / primeiros casos em Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau e Itapema
De 2005 para cá / mais de 200 casos da doença.Recentemente um novo surto da doença vem ocorrendo em vários municípios do Estado (Balneário Camboriú, Itapema, Aurora, Luis Alves, Blumenau e Itajaí.

Os causadores
A leishmaniose é causada por protozoários parasitas do gênero Leishmania. No Brasil são liberados no sangue pela picada de mosquitos fêmea do gênero Lutzomyia. Atualmente um estudo vem sendo desenvolvido nos focos na região litorânea de Santa Catarina para levantamento da fauna de flebotomíneos destes locais visando à identificação das espécies envolvidas na transmissão da parasitose. No ciclo clássico de transmissão o homem adquire a infecção ao entrar em contato com as áreas florestais.

A doença
- Há três tipos de leishmaniose: a visceral, que ataca os órgãos internos, cutânea que ataca a pele, e mucocutânea, que ataca as mucosas e a pele.

- Estima-se que 350 milhões de pessoas vivem em áreas de risco de transmissão da leishmaniose e que 2 milhões de casos novos ocorram anualmente

- A Leishmaniose Tegumentar Americana tem sido registrada em todos os estados do Brasil com 552.059 casos notificados de 1980 a 2003 (Ministério da Saúde, 2005). Na região Sul 99,3% dos casos notificados são provenientes do Estado do Paraná, onde essa doença ocorre em diversos municípios do Norte, Oeste e no Vale do Rio Ribeira.

- A doença apresenta um amplo espectro de manifestações clínicas podendo se manifestar através de lesões únicas ou múltiplas na pele, nas mucosas nasal e orofaríngea ou comprometer as vísceras (fígado, baço e medula óssea). As formas cutâneas e principalmente a mucocutânea podem gerar seqüelas graves ou mesmo irreversíveis.

Fontes:
Projeto: Eco-epidemiologia da leishmaniose tegumentar americana
(LTA) autóctone em municípios do médio e baixo Vale do Rio
Itajaí, Estado de Santa Catarina e do norte e Vale do Ribeira do
Estado do Paraná.

Projeto: Leishmaniose Tegumentar Americana na Região do Vale do Itajai, Santa Catarina: estudo clínico-epidemiológico e caracterização molecular do parasito

27-06-2007 

Fonte:

 

http://www.agecom.ufsc.br/index.php?secao=arq&id=5271

 

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos