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Geriatria/Gerontologia/Idoso

Velhices: estudo comparativo das representações sociais entre idosos de grupos de convivência.

18/03/2008

Textos Envelhecimento v.7 n.1 Rio de Janeiro  2004

 

 

Aging: comparative study of the social representations between associations of  elderly
 

 

Ludgleydson Fernandes de Araújo 

Virgínia Ângela M. de Lucena e Carvalho

 

Resumo

 De acordo com dados do IBGE (2002), o número de idosos brasileiros representa 8,6% da população total, o que corresponde a 15 milhões de pessoas envelhecidas. Diante da relevância desse tema para a sociedade, buscou-se investigá-lo sob o prisma do conhecimento do senso comum, apreendido através das Representações Sociais formuladas por Moscovici (1961), que se caracteriza por um conhecimento elaborado e compartilhado por um grupo social. Objetivou-se verificar as representações sociais da velhice entre dois grupos de convivência – Juventude Prateada (alta renda) e Arco Íris (baixa renda) – , localizados na cidade de João Pessoa-PB. Participaram 20 idosos, de ambos os sexos, com média de idade de 65 anos. Utilizou-se a entrevista semi-estruturada, realizada de forma individual no âmbito dos grupos de convivência. Posteriormente, as entrevistas foram transcritas e analisadas de acordo com análise categorial de conteúdo de Bardin (1977). Encontraram-se, predominantemente, as representações negativas acerca da velhice, como também uma associação entre velhice e doença, em ambos os grupos.

PALAVRAS-CHAVE: velhice; idoso; doenças; representações sociais.

 

Introdução 

Os diversificados esforços para a melhoria das condições de vida, nas sociedades contemporâneas, têm como conseqüência o aumento da expectativa de vida, verificando-se o crescimento da população idosa em vários países. 

As diferentes áreas do conhecimento têm dado ênfase, em suas pautas de investigação e intervenção, à velhice e ao processo de envelhecimento, de modo a compreender melhor os múltiplos fatores intrínsecos a essa fase do desenvolvimento humano. Tem buscado, também, disponibilizar aparatos técnico-científicos para a melhoria das condições de vida na senescência. 

Dados do IBGE (2002) mostram que o peso relativo da população idosa brasileira, na década de 1990, era de 7,3%, ao passo que, em 2000, era de 8,6%. Isso equivale, de acordo com o último censo, a quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade, contrapondo-se aos 10 milhões do Censo de 1991. 

Nesse curto espaço de tempo houve um aumento de cerca de 4 milhões de pessoas velhas na população total brasileira. Não obstante, um fato merece destaque acerca do crescimento de gerontes em escala progressiva no Brasil, como em todos os países, sobretudo devido à diminuição da taxa de natalidade. Tendo por base projeções para o futuro, os dados apontam que em 2020 uma em cada treze pessoas estará com 65 anos ou mais – algo em torno de 16.224.000 pessoas – significando que a cada cem brasileiros em idade de trabalhar, teoricamente existe a responsabilidade por onze idosos (Berquó, 1998). 

De acordo com Moreira (2002), segundo se deduz das estimativas da ONU, as modificações estruturais na composição etária brasileira são de natureza tal que ,no espaço de 100 anos, entre 1950 e 2050, a proporção da população acima de 65 anos, inicialmente inferior a 3%, atingirá 18% ao final do período. Com isto, haverá também uma queda no contingente de pessoas com idade inferior a 15 anos, que em 1950 representava 41,6% e em 2000 28,8%, devendo chegar a algo em torno de apenas 19,9%, em 2050.  

Beltrão e Camarano (2002), ao dissertarem acerca do fenômeno do envelhecimento populacional, sobretudo no Brasil, apontam que essas mudanças nas estruturas etárias alteram as demandas por políticas sociais, com ênfase no campo da saúde e com maior peso em doenças crônico-degenerativas.

A teoria das representações sociais foi introduzida na Psicologia, em 1961, por Serge Moscovici, em sua tese de doutoramento, sob o título La Psychanalyse son Image et son Public, que objetivava avaliar a apropriação da teoria psicanalítica em diferentes grupos sociais parisienses. Segundo Vala (1996), o estudo de Moscovici propõe a análise dos processos em que os indivíduos, nas relações de grupos, constroem teorias sobre objetos sociais, cuja comunicação favorece a organização dos comportamentos. 

Uma das grandes pesquisadoras dessa teoria, Denise Jodelet (1984, 2001), afirma que "as representações sociais designam uma forma de conhecimento específico, um saber do senso comum, cujos conteúdos manifestam a operação de processos gerais e funcionais socialmente caracterizados" (p.474). Essa autora argumenta que as representações sociais constituem modalidades de pensamento prático, orientadas para a comunicação, para a compreensão e para o domínio do entorno social, material e ideológico, cujos conteúdos referem-se às condições e aos contextos em que surgem as representações, mediante as comunicações nas relações intergrupais. Essa teoria consiste em uma maneira de interpretar e de pensar a realidade cotidiana, uma forma de conhecimento social, que ocorre através do contexto concreto em que se situam os indivíduos e os grupos, sobretudo, da comunicação que se estabelece entre eles, pela bagagem cultural de cada um, pelos valores e ideologias (Jodelet, 2001). 

Em relação à estrutura das representações sociais, Moscovici (1961, 2003) afirma que ela tem duas faces indissociáveis – comparando-a uma folha de papel que possui frente e verso – correspondendo, respectivamente, a uma face figurativa e outra simbólica, havendo para cada figura um sentido, e para todo sentido uma figura. Desse modo, existem dois processos formulados por Moscovici – objetivação e ancoragem – que constituem as representações sociais. A objetivação consiste na forma como os elementos da representação se organizam, ou seja, o modo pelo qual os conceitos adquirem materialidade, tornando concreto o abstrato e cuja observação se transforma em realidade percebida. Nesse sentido, Moscovici (1961) diz que "objetivar é reabsorver um excesso de significações materializando-os (e adotando assim certa distância a seu respeito). É também transplantar para o nível de observações o que era apenas inferência ou símbolo"23. Já a ancoragem é o processo que atua na formação das representações sociais, e pode ser compreendida como o caminho inverso da objetivação. Através da ancoragem, os grupos sociais convertem o objeto social em evidência nos sistemas científicos, em valores e operações originadas no contexto social. Moscovici (1961) afirma que "a ancoragem transforma a ciência em quadro de referência e em rede de significados" . 

A presente pesquisa objetiva conhecer e comparar as representações sociais dos idosos participantes de grupos de convivência acerca da velhice.  

Método 

Participantes

Participaram 20 idosos, com média de idade de 65 anos,  de ambos os sexos, integrantes dos grupos de convivência Juventude Prateada e Arco-Íris (10 de cada grupo), todos domiciliados na cidade de João Pessoa-PB. 

Instrumentos

Utilizaram-se entrevistas semi-estruturadas, como também questionários acerca dos dados sociodemográficos. 

Procedimentos

O pesquisador fez contato com os idosos, explicitando-lhes o objetivo da pesquisa e a importância das entrevistas. Expôs a necessidade de as entrevistas serem gravadas e garantiu o anonimato do entrevistado. Foram realizadas entrevistas individuais, em locais reservados.  

As entrevistas foram transcritas e analisadas de acordo com a análise categorial de conteúdo de Bardin (1977), que diz respeito a um conjunto de técnicas utilizado nas comunicações, havendo construção e reconstrução contínuas, a todo momento da análise propriamente dita. 

Resultados e Discussões

Os resultados são apresentados em categorias e subcategorias, com suas respectivas freqüências simples das unidades de análise. Algumas subcategorias que têm valor zero são apresentadas, uma vez que essa pesquisa objetiva comparar os resultados de dois grupos de idosos –  Juventude PrateadaArco-íris.  

A presente pesquisa considera que Juventude Prateada  e Arco-íris, como grupos de convivência por suas características de trocas sociais, são formadores de representações sociais, uma vez que há um conhecimento que, é permanentemente elaborado e compartilhado, tendo os velhos como atores sociais e participantes efetivos na construção de uma realidade social (Jodelet, 2001). 

Partindo desses pressupostos, objetivou-se conhecer as representações sociais dos idosos acerca da velhice, levando-se em consideração dois grupos da cidade de João Pessoa-PB. O primeiro, Juventude Prateada, é formado por idosos que dispõem de maior poder aquisitivo e nível de conhecimento intelectual, tendo seu espaço de reuniões no bairro Miramar e sendo mantido pela contribuição financeira de seus associados. O outro grupo, Arco-íris, tem sua sede de reuniões e desenvolvimento de atividades no Centro de Cidadania de Mangabeira, estando inserido no programa É pra viver, da Prefeitura Municipal de João Pessoa-PB.                                          

Buscou-se comparar as representações sociais desses dois grupos, com o intuito de verificar se existem diferenças nas formas de representar a velhice e o processo de envelhecimento humano. Interpretou-se, assim, que, no transcorrer das discussões, serão confrontados os dados obtidos dessas construções psicossociais, dos quais emergem as representações sociais da velhice. 

 

Tabela 1

Representações sociais da velhice (RSV)

RSV

Juventude Prateada

Arco-Íris

Total

Subcategoria

f

%

f

%

f

%

Negação

235

62

160

59

395

60

Aceitação

146

38

112

41

258

40

Total

381

100

272

100

653

100

 Pode-se verificar na tabela 1, que a subcategoria mais destacada, tanto no que diz respeito ao total geral quanto nas análises específicas, para os dois grupos,  Juventude Prateada e Arco-íris, foi da Negação da velhice, com 395 unidades de análise (60%) no total, sendo 235 (62%) unidades de análise para Juventude Prateada e 160 (59%) para Arco-Íris. No que tange à subcategoria Aceitação da velhice, obtiveram-se 146 unidades (38%) provenientes do grupo Juventude Prateada e 112 (41%) do Arco-Íris. Os dados apontam para uma significativa negação da velhice, sobretudo do grupo de idosos de poder aquisitivo maior.  

Os resultados em foco corroboram a pesquisa realizada no contexto de Mar Del Plata, na Argentina, por Manchietti, Cabaleiro, Sanchez e Lombardo (2000) que realizaram estudo objetivando verificar as representações sociais da velhice, a auto-representação social dos idosos e a relação entre as duas. Os resultados indicaram uma tendência a considerar a velhice, principalmente, de forma negativa em ambos os grupos. Neri (1998), por sua vez, ressalta que o desconhecimento do que significa ser velho induz a práticas com foco ideológico, que contribuem para a manutenção e a propagação de mitos, estereótipos e preconceitos acerca da velhice.  

De forma a complementar as novas representações do velho na sociedade contemporânea, Debert (1998) diz que, devido às transformações do envelhecimento em problema social, postula-se uma nova denominação, tendo como pano de fundo o eufemismo, designando essa faixa etária de "terceira idade". Assim, as formas de pressão repercutem em maneiras de expressão, posto que não se trata mais de apenas resolver as dificuldades econômicas dos idosos, mas proporcionar cuidados culturais e psicológicos, contribuindo para uma representação positiva da velhice.

Na presente pesquisa pode-se observar que a negação da velhice vem atrelada a questão de que eles não possuem velhice, como se vê exemplificado a seguir, por ambos os grupos:

"Eu não tenho velhice não, agora outra pessoa que participa desse grupo, pode falar mais sobre isso, eu não tenho velhice não" (Grupo Juventude Prateada).

"A velhice, ninguém gosta de velhice não, ninguém gosta de ser velho, e ninguém gosta de ser chamado de velho" (Grupo Arco-Íris). 

Denotam-se nesses grupos de idosos que participaram deste estudo os termos ‘terceira idade’, ‘melhor idade’, ‘idade de ouro’. Estes já fazem parte de seu núcleo figurativo das representações sociais, de modo que são constantemente expressadas em seus discursos, talvez preenchendo as inúmeras perdas que estão associadas à velhice, como também  possibilitando uma melhor aceitação da velhice. 

Moscovici (1961, 2003) advoga que as representações sociais são uma modalidade de conhecimento partilhado por um grupo de pertença, compondo-se de questões simbólicas e afetivas. Deduz-se, portanto, que a velhice representada por esses idosos paraibanos está permeada de sistemas de conhecimento do seu cotidiano e, devido a tal processo de objetivação do conceito "velhice", ancorando-se na conotação de ser velho aquilo que não presta, por exemplo.  

Para demonstrar uma visão menos estereotipada da velhice, o termo "idoso" foi adotado para caracterizar tanto a população envelhecida, em geral, como aquela mais favorecida. A partir de então, os "problemas dos velhos" passaram a ser vistos como "necessidades dos idosos" (Peixoto, 1998). Por outro lado, Neri e Freire (2000) apontam que a substituição dos termos velho ou velhice por "melhor idade" já indica preconceito, pois, caso contrário, essa troca de conceitos não se faria necessária. Diante das representações negativas relacionadas à velhice, se estabeleceram conceitos sobre os termos velho, idoso e terceira idade. "Velho" ou "idoso" refere-se a pessoas idosas (com 60 anos de idade); "velhice" seria a última fase da existência humana e "envelhecimento" estaria atrelado às mudanças físicas, psicológicas e sociais. 

Tabela 2

Representações sociais do envelhecimento (RSEF)  

RSEF

Juventude rateada

Arco-Íris

Total

Subcategoria           

f

%

f

%

f

%

Senilidade

48

22

104

42

152

32

Desgaste Físico

85

38

80

32

165

35

Senescência

63

29

64

26

127

27

Negação

25

11

0

0

25

06

Total

221

100

248

100

469

100

Na tabela 2 destacam-se os seguintes dados percentuais totais relacionados às Representações Sociais do Envelhecimento Físico, quais sejam: Senilidade, com 152 unidades de análise (32%), sendo 48 unidades do grupo Juventude Prateada (22%), e 104 unidades (42%) do Arco-íris; Desgaste Físico, com 165 unidades, correspondendo a 65%, dos quais, 85 unidades (38%) para Juventude Prateada e Arco Íris com 80 unidades (32%), seguido de Senescência, com 127 unidades (27%), sendo 63 unidades (29%) do Juventude Prateada, e 64 unidades (26%) para o grupo Arco Íris; já a subcategoria Negação da velhice obteve 25 unidades de análise, totalizando apenas 5%, aparecendo, predominantemente, no grupo Juventude Prateada.                                               

Dessa forma, Garrido e Menezes (2002) mencionam que os idosos em geral  apresentam, com maior freqüência, problemas de saúde em relação à população total. Esses autores indagam que, em 1999, dos 86,5 milhões de pessoas que declararam ter ido ao médico, 73,2% são maiores de 65 anos, sendo o grupo com maior número de internação em hospitais, ou seja, de 100 pessoas internadas, 14 são idosas; dessas, 23,1% são portadoras de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, dentre outras).                                            

No entanto, os dados apresentados anteriormente não justificam o estereótipo, construído nos grupos sociais, do binômio velhice-doença, evidenciando-se a aproximação semântica e podendo-se inferir sinonímia. Sendo assim, Carlos, Maraschin e Cantergi (2000) argumentam que, infelizmente, a velhice, com freqüência, é interpretada pelas pessoas, como doença. É evidente que um ser mais velho encontra-se mais suscetível de adoecer, tendo em vista uma série de fatores de ordem genético-biológica, psicológica e social que, de forma interdependente, influenciarão no surgimento de patologias na velhice. No entanto, é válido mencionar que a morbidade não é algo inerente apenas a essa fase do desenvolvimento humano.                                            

Sendo assim, Da Cruz (2002) enfatiza que, além da genética do envelhecimento e da longevidade, existem fatores genéticos associados a doenças crônico-degenerativas que irão incidir sobre o ser humano. Os fatores da genética do envelhecimento e da longevidade, a qualidade de vida e até mesmo, o tempo de vida também podem ser desencadeadores de disfunções morfofisiológicas passíveis de provocar doenças relacionadas à idade. 

De modo consonante com os resultados encontrados entre os idosos paraibanos acerca das Representações Sociais do Envelhecimento Físico, Moreira (1998) argumenta que

"o aumento da longevidade na realidade brasileira trouxe consigo alguns problemas graves, já que, com o processo natural de envelhecimento, outra gama de doenças passaram a incidir mais nesta faixa etária (principalmente as cardiovasculares e as crônico-degenerativas), exigindo a disponibilidade maior de leitos hospitalares e um atendimento diferenciado para os idosos. Denota-se, também, que as aposentadorias aviltantes dos trabalhadores brasileiros impossibilitam a aquisição de elementos indispensáveis para garantia de sua qualidade de vida e, conseqüentemente, da  sua saúde".                                            

Para exemplificar o conteúdo relativo a subcategoria patologias, reportado por idosos do grupo Arco-íris, vejamos:

"Eu acho que fisicamente como diz a história a gente faz vista cheia, mas tem suas conseqüências , né porque tem as doenças; eu mesma sou uma que tenho pressão alta, problemas de coluna, tenho alergia".

Nesse direcionamento, o surgimento de doenças crônicas e a longevidade atual dos brasileiros são duas principais causas do crescimento das taxas de idosos portadores de incapacidades. A prevenção das doenças crônicas e degenerativas, a assistência à saúde dos idosos dependentes e o suporte aos cuidadores familiares representam novos desafios para o sistema de saúde instalado no Brasil. O envelhecimento com dependência e a figura do cuidador estão a exigir novas formas de assistência e novos enfoques por parte das políticas públicas de saúde (Karsch, 2003).                                            

Em pesquisa realizada por Giatti e Barreto (2003) com 2.898 idosos, pode-se verificar que as doenças crônicas prevalentes entre os participantes foram hipertensão arterial, artrite/reumatismo e doença do coração. Essas patologias coadunam-se com as representações sociais do envelhecimento físico mencionado pelos idosos na realidade paraibana.                                            

Por sua vez, o grupo Juventude Prateada destacou, significativamente, a subcategoria Desgaste Físico, com 85 unidades (38%), seguido de Negação do envelhecimento físico, com 25 unidades (11%), sendo uma subcategoria exclusiva desse grupo. O fato desses idosos de maior poder aquisitivo terem dado maior ênfase ao desgaste físico e negação denota que, talvez, isso seja devido à preocupação na manutenção de um corpo jovial, intrinsecamente atrelado ao culto à beleza imposto pela sociedade contemporânea, em que sobressai o corpo bonito em detrimento da experiência e da maturidade.                                            

Savater (2000) menciona que há uma busca desenfreada por comportamentos ditos juvenis, acima de qualquer coisa, para manter-se desejável, utilizando-se de sacrifícios os mais variados possíveis, tais como dietas e correções cirúrgicas, com o intuito de obter um corpo ágil e bonito. Ser velho assumiu, nas últimas décadas do século passado e início deste, uma conotação quase ou até mesmo obscena, que condena ao pânico da solidão e do abandono e que não deseja os idosos, nem eroticamente, nem para o trabalho.                                            

Segundo Neri (2001), senescência é um fenômeno que atinge todos os seres humanos, através dos mecanismos genéticos. É um processo que se caracteriza por ser progressivo e afetar gradual e acumulativamente o organismo, resultando em uma diminuição da capacidade de adaptação, a qual, todavia, não corresponde a uma doença. Alguns fatores são participantes deste processo, como: posição social, exercício de papéis, exposição a eventos estressantes, estilo de vida, educação e alguns fatores de personalidade. 

Tabela 3

Representações sociais do envelhecimento psíquico (RSEP)

 RSEP

Juventude Prateada

Arco-Íris

Total

Subcategoria

f

%

f

%

f

%

Esquecimento

116

55

75

39

191

47

Solidão

35

17

11

06

46

11

Demências   

20

09

35

18

55

13

Negação

0

0

52

27

52

13

Raciocínio lento

40

19

20

10

60

16

Total  

221

100

193

100

404

100

Na tabela 3, acerca das Representações sociais do envelhecimento psíquico, percebem-se os seguintes dados totais nas subcategorias: 191 unidades de análise (47%) para Esquecimento, das quais 116 unidades (55%) para Juventude Prateada e 75 unidades (39%) para Arco-íris; Solidão, com 46 unidades (11%), sendo 35 unidades (17%) para Juventude Prateada e apenas 11 unidades (6%) para Arco-íris; no que diz respeito à subcategoria Demências, há 55 unidades (13%), dos quais 20 unidades (9%) para Juventude Prateada e para o grupo Arco-íris, 35 unidades de análise (28%); Negação, com 52 unidades (13%), sendo predominante no grupo Arco-Íris; Raciocínio Lento, com 60 unidades (16%), 40 unidades do grupo Juventude Prateada (19%) e 20 unidades (10%) do Arco-Íris.                                             

Em consonância com os dados apresentados anteriormente, a Organização Mundial de Saúde – OMS –  realizou em 2002, em Madri, na Espanha, a 2a Assembléia Mundial das Nações Unidas para o Envelhecimento. Entre as pautas de discussões constou o envelhecimento psíquico. O documento editado da assembléia menciona que, no processo de envelhecimento, algumas capacidades cognitivas, tais como o tempo de reação, a velocidade de aprendizagem e a memória, diminuem de forma natural. Também, é freqüente o declínio do rendimento cognitivo, desencadeado pelo desuso, fatores comportamentais (como consumo de álcool), assim como fatores psicossociais (falta de motivação, falta de confiança, solidão e depressão).

Para exemplificar a subcategoria Esquecimento:

"O envelhecimento mental a gente esquece com facilidade, tem esquecimento de alguma coisa, troca nomes dos filhos, já um, quando na verdade era outro, as vezes deixa uma chave num canto e não lembra onde deixou, um dinheiro, coisas assim". 

De modo semelhante aos resultados da presente investigação com idosos paraibanos, Sousa, Galante e Figueiredo (2003) realizaram pesquisa com 1.665 idosos portugueses, podendo-se verificar a diminuição das competências cognitivas, no comprometimento das competências motoras e da autonomia, como fatores intrínsecos ao envelhecimento psíquico dos gerontes.  

Neri (2002) salienta que no envelhecimento cognitivo há um aperfeiçoamento da inteligência cristalizada e, ao mesmo tempo, o declínio da inteligência fluida, estando esta última relacionada a eventos biológicos que determinam relativo prejuízo do funcionamento do sistema de processamento de informação, ao passo que a cristalizada está ligada à possibilidade de especialização cognitiva em domínios selecionados, sob influências de variáveis culturais. No entanto, de acordo com a teoria Life Span, há um processo de "declíneo-compensação" na velhice, sendo moderado por experiências sociais que produzem capacidades socializadas estáveis ou até mesmo crescentes.

Tabela 4 

Representações sociais da velhice quanto à sua inserção social (RSIS)

 RSIS

Juventude Prateada

Arco-Íris

Total

Subcategoria

f

%

f

%

f

%

Políticas sociais para a velhice

25

22

25

15

50

18

Preconceito

55

50

75

44

130

47

Apoio familiar

15

14

10

06

25

09

Segregação social

15

14

0

0

15

05

Rejeição familiar

0

0

60

35

60

21

Total

110

100

170

100

280

100

Quanto à tabela 4, acerca das Representações Socais quanto à sua Inserção Social, a subcategoria mais realçada foi Preconceitos, com 130 unidades (47%) no total geral, sendo 55 unidades (50%) do grupo Juventude Prateada e 75 unidades (44%) para Arco-íris. As subcategorias Políticas Sociais para Velhice obtiveram 50 unidades (18%) no total geral, sendo 25 unidades (22%) para Juventude Prateada e também 25 unidades (18%) para Arco-íris. 

No que tange à subcategoria Segregação Social (intragrupo), obtivemos 15 unidades (5%) no total geral, aparecendo apenas no grupo Juventude Prateada. Não obstante, a subcategoria Rejeição Familiar, com 60 unidades de análise (21%) no percentual geral, apresentou-se apenas no grupo Arco-íris.                                            

Como aponta Dimenstein (2002), a maioria dos lares brasileiros é chefiada por pessoas com 60 anos ou mais, os quais arcam com boa parte do orçamento familiar e, às vezes, com sua totalidade. Em muitas cidades do Nordeste, o dinheiro dos velhos (aposentadorias) é mais do que apenas a fonte de recursos da família. Ele é o principal fator que impulsiona a economia local. Ainda de acordo com Caldas (2003), embora o idoso brasileiro nos extratos mais pobres da população contribua com sua renda para o sustento da família, nem sempre ele recebe o respaldo de que necessita.                                            

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apontada por Beltrão e Camarano (2002), verificou-se que dos 47 milhões de famílias brasileiras, 12 milhões são idosos que mantêm sua casa com a renda da aposentadoria. Os velhos estão pagando as contas dos mais jovens. A pesquisa ainda constatou que de cada 10 pessoas acima de 60 anos, seis sustentam a casa e três ainda trabalham. Portanto, os jovens estão à procura do seu primeiro emprego e, nesse espaço de tempo, os idosos são aqueles que dão apoio financeiro necessário à manutenção daquele grupo.                                            

Na presente pesquisa realizada nos grupos Arco-Íris e Juventude Prateada, pode-se verificar atitudes preconceituosas direcionadas para os velhos. Como argumenta Jordão Netto (1997), na verdade, além de caracterizar um contigente descartável, em termos produtivos, os idosos passaram a representar, para a família e sociedade em geral, um problema de graves proporções para o qual, mesmo nas sociedades desenvolvidas, não foi encontrada uma solução satisfatória. Esse preconceito, justifica o autor, está presente nas representações sociais do estar velho, com o mito de que o idoso representa um peso para a sociedade.

Para exemplificar as atitudes preconceituosas para com os velhos, faz-se necessário conferir as seguintes falas:

"Agora que o povo discrimina, discrimina; existe muito preconceito para com os velhos. Quando dizem "velha", eu digo: feliz meu filho se você chegar a minha idade". 

Ademais, a velhice é uma categoria social delimitada por dados de natureza sociológica e econômica, mas também por determinantes de cunho cultural e político. A visão preconceituosa da velhice aparece na vida cotidiana, com expressões que categorizam o velho como ineficiente, inútil. Dessa forma, faz-se necessário enfatizar que se trata de atribuições sociais, de construções ideais que partem da sociedade com seus interesses e pressões, com sua cultura e valores (Valle, 1998). 

Na subcategoria Rejeição Familiar, esse dado é algo exclusivo do grupo de menor poder aquisitivo, com 60 unidades de análise, correspondendo a 35% e sendo contraditórias às estatísticas apresentadas pelo IPEA, acerca da função do idoso como principal fonte de renda. Percebe-se, contudo, particularmente, que os filhos dos velhos são, em sua maioria, mantidos pela aposentadoria, que é a renda certa da família. 

Este fato significa que o idoso, apesar de, na atualidade, ser um fator sustentável de renda certa para a família, ainda sofre com a rejeição em seu próprio lar e, provavelmente, contribui para o surgimento da falta de motivação e ansiedade no velho, posto que muitas potencialidades que deviam ser aproveitadas no seio da família são desprezadas. Tanto pelo que já fizeram e são capazes de fazer para o crescimento familiar, os idosos merecem, no mínimo, o respeito enquanto seres humanos.

Como aponta Debert (1999),

 O fato de os idosos viverem com os filhos não é garantia de presença do respeito e prestígio nem da ausência de maus-tratos. As denúncias de violência física contra idosos aparecem nos casos em que diferentes gerações convivem na mesma unidade doméstica. Assim sendo, a persistência de unidades domésticas plurigeracionais não pode ser necessariamente vista como garantia de uma velhice bem-sucedida". 

Quanto à subcategoria Benefícios Sociais para a velhice, pode-se constatar, das 50 unidades de análise (18%), 25 unidades (22%) do grupo Juventude Prateada e 25 unidades (15%) do Arco-Íris. Nesse sentido, presenciou-se, com relativa freqüência durante as entrevistas, que ambos os grupos mencionaram as melhorias sociais garantidas, a partir da implementação da Lei 9394/94, que regulamenta a Política Nacional do Idoso e que assegura, dentre os benefícios, a preferência em filas para idosos (bancos e repartições públicas de um modo geral), passe livre nos ônibus, dentre outros.   

As entrevistas foram permeadas pelos conteúdos concernentes aos benefícios sociais da velhice, por exemplo:

"Hoje tem melhorado muito a velhice, pois tem os clubes da melhor idade; foi uma bênção, porque antigamente era os velhos sentados numa cadeira de balanço fazendo crochê e criando netos. Agora não, a velhice é diferente, já ocupamos um espaço, por exemplo, já temos direito a passe livre nos ônibus, já temos aquela entrada para cadeirantes". 

Os dados, aqui mencionados, corroboraram a importância fundamental que os grupos de convivências têm proporcionado aos idosos, de um modo geral, caracterizando-se, como um espaço, por excelência, do exercício de seus papéis de cidadãos, aproveitando  suas potencialidades, colocando-as em prática, contribuindo, com isso, para o aumento da auto-estima e da motivação das pessoas envelhecidas. 

Considerações Finais                                            

Esta pesquisa pretendeu contribuir, embora de forma parcimoniosa, para  a compreensão das representações socais da velhice, no âmbito de grupos de convivência. Principalmente, para que os gerontes possam exercer seus papéis de cidadania, como atores sociais na sociedade contemporânea, cujos espaços são privilégio da juventude, da sua beleza e da sua força produtiva.

A investigação aponta para três questões centrais que merecem a devida reflexão acerca dos dados aqui verificados. A primeira diz respeito à negação da velhice (60%), detectada em ambos  os grupos pesquisados. Sabe-se que o atual modelo de economia e de sociedade capitalista valoriza o indivíduo produtivo que dispõe de sua força de trabalho, conferindo-lhe maior status na sociedade. Nessa ideologia, obviamente, o velho é excluído e tratado como inútil.                                             

Nesse direcionamento, de acordo com Cortella (1998),

"na sociedade contemporânea o idoso disputa espaços com outros grupos excluídos, ou seja, as crianças, os desempregados, os portadores de HIV, as minorias raciais. Não é uma luta tranqüila; primeiro porque, quase sempre, quando se fala em programas de melhoria de qualidade de vida do idoso, se diz: temos outras necessidades; precisamos pensar nas crianças, nas mulheres, eventualmente, no idoso". 

Outra questão se refere ao papel exercido pela família em relação à velhice e ao processo de envelhecimento. Sabe-se que, sobretudo nessa fase da vida, o apoio familiar e social são fontes primordiais propiciadoras de motivação e auto-estima no idoso. Denotou-se que há, no grupo Arco Íris, uma rejeição familiar explícita (21%). Com isso, faz-se necessário indagar sobre o papel da família nessa fase do desenvolvimento humano, uma vez que os velhos representam para seus familiares, na maioria das vezes, uma fonte de renda e, em outras, preocupação e perda de tempo, como foi verificado nos conteúdos expressos nas entrevistas.  

E por último, o fato da segregação social (intragrupo) verificada no grupo Juventude Prateada, que reflete uma gama de fatores, tais como: diferenças socioeconômicas, disparidade intelectual e identidade grupal, por exemplo. 

As questões mencionadas, aprioristicamente, podem e devem ser objetos de futuras pesquisas, de forma a propiciarem o entendimento das questões que permeiam esse conhecimento construído das representações sociais dos gerontes. Também é necessário contemplar amostras diversificadas como: profissionais que trabalham com idosos, estudantes universitários de áreas afins à  Gerontologia, familiares e os próprios idosos. Convém, de igual forma, lançar mão de multimétodos (associação livre de palavras, desenho estória-tema, grupos focais, entre outros)  para o auxílio no conhecimento das representações sociais.                                             

A investigação desenvolvida aqui espera contribuir para compreensão das representações sociais da velhice enquanto algo dinâmico, multifacetado e construído socialmente.  

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Abstract

According to IBGE (2002), the number of elderly Brazilians corresponds to 8.6% of the total population, that is, 15 million elderly Brazilians. Aging is a very relevant matter in this country. Therefore, we investigated the aging process through Moscovici’s concept of Social Representations (1961). It consistis of the knowledge elaborated and shared by a social group. The objective of the investigation was to identify the social representations of aging in two associations of  elderly Brazilians: a) Juventude Prateada (high socio-economic status) and b) Arco-íris (low socio-economic status). Both associations are located in João Pessoa-PB. Twenty female and male elderly people with a mean age of 65 years old participated in the investigation. Individual semi-structured interviews were conducted with participants. Interviews were transcribed and analyzed according to the categorial nalysis of Bardin (1977). The main findings included negative representations of the aging process, which was associated with illness (aging-illness) in both groups of participants.

  Key words: aging; aged; illnesses; social representations.  

Recebido para publicação em 20/05/2003

Reapresentado em 02/02/2004

Aprovado em: 05/03/2004

Correspondência para:

Ludgleydson Fernandes de Araújo

Rua Antônio Leopoldo Batista, 172 aptº 306,  Edif. Ibirapuera – Bancários

58051-110 – João Pessoa, PB

E-mail: ludgleydson@ig.com.br

 

Centro de Referência e Documentação sobre Envelhecimento, da Universidade Aberta da Terceira Idade - UnATI, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 

http://www.unati.uerj.br/tse/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-59282004000100004&lng=pt&nrm=iso

 

 



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