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Endocrinologia/Glândulas

Marcadores da remodelação óssea

16/05/2008

Francis Albert Fujii
Patologista Clínico


Dra. Ana Letícia de Aquino Daher
Patologista Clínica
 

 

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   A remodelação óssea reflete a ação integrada de osteoclastos e osteoblastos, compreendendo as fases de reabsorção e de formação óssea, respectivamente. Nos últimos anos desenvolveu-se marcadores da remodelação específicos do tecido ósseo, utilizados para o diagnóstico e a monitoração do tratamento das doenças osteometabólicas. É importante ressaltar os cuidados com a coleta, já que fatores pré-analíticos podem influenciar nos resultados obtidos. Da mesma forma, como qualquer exame, a sua interpretação está relacionada ao conhecimento sobre os dados do paciente. Jovens que estão em fase de crescimento têm valores mais elevados e relacionados com a altura e maior compleição física. Fatores raciais são relevantes, tendo os indivíduos negros valores mais baixos do que os brancos. 


Marcadores da reabsorção óssea

São úteis para a previsão de perda de massa óssea, a indicação e escolha do tipo de tratamento e a previsão de resposta e monitoramento terapêutico das doenças ósseas, sendo especialmente úteis na avaliação do paciente com osteoporose. Quando o osso sofre a ação dos osteoclastos, durante o processo de reabsorção óssea, são liberados produtos de degradação na circulação. Os principais marcadores da fase de reabsorção são o C-telopeptídeo do colágeno (CTx), fragmento derivado da porção carboxi-terminal do colágeno tipo I, o N-telopeptídeo do colágeno (NTx), fragmento derivado da porção amino-terminal, a Piridinolina e a Desoxipiridinolina, ligadoras das moléculas do colágeno, sendo a última mais específica do colágeno tipo I. Os mais utilizados têm sido o CTx no sangue e o NTx na urina.

C-Telopeptídeo do colágeno (CTx)

O CTx corresponde ao fragmento C-terminal, da molécula de colágeno tipo I. O ensaio para a sua dosagem no sangue utiliza anticorpos dirigidos contra a seqüência que contém os interligadores C-terminais. É específico para o processo de reabsorção óssea, reflete bem a dinâmica do osso e não sofre interferência da dieta. É, habitualmente, dosado no sangue. Assim como outros marcadores ósseos, apresenta ritmo circadiano, com níveis maiores pela manhã e menores à tarde, sendo importante a padronização de sua coleta pela manhã, já que os valores de referência aplicam-se a esse período.

N-telopeptídeo do colágeno (NTx)

O NTx é o fragmento derivado da fração N-terminal do colágeno tipo I. É um marcador bastante específico do tecido ósseo e, como é relativamente pequeno, atravessa o glomérulo renal, sendo eliminado na urina. A sua dosagem é realizada através de anticorpos que reconhecem a seqüência, que inclui os interligadores N-terminais. É, habitualmente, dosado em amostra de urina, devendo ser coletada a segunda urina da manhã, a fim de excluir a participação do conteúdo vesical noturno que refletiria a maior reabsorção óssea nesse período.


Marcadores da formação óssea

Estes marcadores, apesar da limitada utilidade na avaliação do paciente com osteoporose, são úteis para a investigação de doenças que cursam com formação óssea aumentada. Os principais marcadores da fase de formação são a Fosfatase Alcalina Óssea, enzima produzida em grande quantidade pelo osteoblasto, e a Osteocalcina, proteína também produzida pelo osteoblasto, durante a mineralização óssea.

Fosfatase alcalina óssea

Enzima produzida pelo osteoblasto em quantidades elevadas durante a fase de formação óssea, sendo um indicador da atividade osteoblástica inicial. Tem maior sensibilidade e especificidade do que a dosagem da fosfatase alcalina total, sendo, por isso, a mais indicada para o estudo das doenças osteometabólicas. É dosada no sangue, apresentando baixa reação cruzada com a fosfatase alcalina hepática.

Osteocalcina

Proteína produzida pelos osteoblastos durante a fase de mineralização da matriz óssea, sendo considerada um marcador do osteoblasto maduro. A maior parte é incorporada à matriz óssea e uma pequena parte entra na circulação, sendo posteriormente destruída durante o processo de reabsorção. É dosada no sangue e a sua interpretação deve levar em conta o horário de coleta, em função do seu ritmo circadiano.


Utilidade clínica dos marcadores ósseos


Os marcadores ósseos podem ser utilizados tanto para diagnóstico, como na monitoração do tratamento das doenças ósteo-metabólicas. Sua interpretação auxilia o diagnóstico diferencial e a orientação sobre a avaliação hormonal e bioquímica específicas a serem realizadas como complementação diagnóstica.

A sua principal indicação é no paciente que tem suspeita clínica de osteoporose, no que apresenta doença ou utilize medicamentos capazes de levar ou precipitar osteoporose e na monitorização do tratamento da mesma. Na osteoporose pós-menopausa observa-se aumento do risco de fratura quando marcadores de reabsorção se encontram elevados. Na monitoração do tratamento, pacientes tratadas com estrógenos, bisfosfonatos, raloxifeno ou ranelato de estrôncio apresentam redução do CTx e/ou NTx, após 3 a 6 meses, e esta redução é correlacionada com aumento significativo da massa óssea, após dois anos. Além disto, a diminuição dos níveis de marcadores de reabsorção está associada à redução do risco de fraturas, independente do ganho de massa óssea.

Na doença de Paget ocorre aumento importante, tanto da fosfatase alcalina total como da fração óssea, correlacionado com a fase de atividade da doença, em que a remodelação óssea está aumentada e desordenada. Da mesma forma, os marcadores de reabsorção estão aumentados e ambos mostram queda acentuada com o tratamento, associada à redução da dor, sendo esta queda indicativa da adequação terapêutica.

A fosfatase alcalina, tanto total como a fração óssea, é marcadora do raquitismo e osteomalácia não tratados. Os níveis elevados observados antes do tratamento, característicos da doença, apresentam redução com o tratamento específico da alteração subjacente, seja de ordem nutricional, genética ou secundária a outras doenças. Este exame é utilizado como marcador de resposta terapêutica adequada.

Os marcadores de reabsorção e de formação óssea podem ainda ser úteis na avaliação de outras doenças, como hiperparatireoidismo, osteogênese imperfeita, nas alterações secundárias ao tratamento com medicações que levem ao aumento da reabsorção óssea, como os glicocorticóides, na investigação da hipercalciúria e nas doenças sistêmicas, como neoplasias, entre outras.

Resumindo, na avaliação do tratamento das doenças ósteo-metabólicas, de um modo geral, os marcadores de reabsorção respondem mais precocemente ao tratamento - de um a três meses - do que os de formação - de três a seis meses - e do que a densitometria óssea - de um a dois anos - sendo a informação final, geralmente, equivalente.


Sugestão de leitura complementar:

Bonnick SL, Shulman L. Monitoring osteoporosis therapy: bone mineral density, bone turnover markers, os both? Am J Med 2006: 119 (4A): 255-315.

Greenspan S. Early changes in biochemical markers os bone turnover are associated with long-term changes in bone mineral density in elderly women on alendronate, hormone replacement therapy, ou combination therepy: a three-year, double-blind. placebo controlled randomized study. J Clin Endocrinol Metab 2005; 90 (5): 2762-7. 

Leder B et al. Racial and ethnic differencer in bone turnover markers in men. J Clin Endocrinol Metab 2007; 92 (9):3453-7.

auchenzauner M et al. Sex- and Age-Specific Reference Curves for Serum Markers of Bone Turnover in Healthy Children from 2 Months to 18 Years. J Clin Endocrinol Metab 2007; 92  (2): 443-9. 

 

Fonte:

http://www.jota3w.com.br/clientes/dasa/outubro/informemedico/informe_dasa_sp.htm

 

 


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