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Curiosidades da Dra Shirley

Os jardins aromáticos

21/05/2008


Por Raul Cânovas*
Colaborador


1-Cebolinha; 2-Sálvia; 3-Salsinha; 4-Tomilho Rasteiro

Vamos falar um pouco sobre os jardins aromáticos; é interessante e até certo ponto perfeitamente lógico, como se dá importância àquilo que vemos e ouvimos, mas nem tanto para àquilo que cheiramos; a tal ponto que quando uma pessoa não consegue enxergar, é cega, e se não tiver uma razoável capacidade auditiva, será chamada de surda; mas se carecer do sentido olfato, não existe uma palavra que defina esta deficiência.

Olhem para as cores que temos no arco-íris, na música contamos com as notas e as oitavas, mas não tem nenhuma escala que expresse claramente a quantidade de cheiros que nos rodeiam; eu tomei o trabalho de procurar no dicionário as palavras que estão relacionadas a olfato e até que encontrei olfatologia, que segundo os autores é a ciência que se dedica ao estudo do olfato; mesmo assim, popularmente não se conhece nenhuma maneira especial que nos ajude a dividir os aromas de uma maneira precisa, o próprio Teofrasto que foi um dos maiores pesquisadores na área de botânica, classificava os cheiros como azedos, intensos, suaves, doces e fortes, o que aqui entre nós, não explica muita coisa; há muito tempo Lineu, aquele famoso naturalista sueco, tentava esclarecer um pouco mais, separando os odores das plantas em aromáticos, ambrosíacos; ou seja, deliciosos, uma espécie de manjar divino; alháceos, por causa do cheiro de alho, hircosos, quando a planta exala um cheiro ruim que lembrava bode.

Como vocês podem perceber, apesar da boa vontade de Lineu, ele não conseguiu deixar esta questão dos aromas muito clara. Mas também, nem eu vou poder elucidar melhor esta questão dos odores, mas pelo menos vou tentar dar um panorama para que vocês possam ter num cantinho da casa um jardim aromático. Um dos requisitos importantes quando se quer cultivar temperos, é o sol, e mesmo que você não disponha de um área externa ampla, se tiver um pátio ou uma janela na sua cozinha que receba sol, não é difícil cultivar em vasos estas iguarias, comece escolhendo recipientes originais, diferentes, não dê muita importância se ele originalmente não foi feito para este fim, seja audaz; apenas não esqueça se ele não tiver saída de água, faça uma boa camada drenante. Em um vaso grande, com um diâmetro de 40 cm dá para plantar mais de uma variedade, no centro pode por cebolinha, sálvia ou salsinha que crescem em altura, e nas bordas o tomilho que se desenvolve horizontalmente e que vai se tornar imprescindível nos preparos das carnes de cordeiro ou simplesmente por cima de um tomate cortado ao meio.

Lembre que o perfume destas plantas pode derivar tanto de suas flores, como também das folhas e até das próprias raízes. O interessante de tudo isso é que na sua evolução, as plantas desenvolveram as substâncias aromáticas a partir de suas próprias sobras; o motivo para que tudo acontecesse é fascinante, na medida que foram surgindo os insetos, certos vegetais criaram aromas para atrair borboletas, abelhas e até alguns morcegos que em troca do alimento ajudarão na polinização, perpetuando assim estas espécies. Vocês vejam que se não existisse este relacionamento entre flora e fauna, as plantas não teriam criado este artifício e nós estaríamos privados entre outras coisas de um bom "pesto genoves" para o nosso spaghetti ou até daquele perfume que usamos todos os dias. E estes insetos: abelhas, borboletas e outros possuem seus órgãos olfativos, seus narizes digamos assim, nas antenas; enquanto que nós e a grande maioria dos animais, temos este órgão sempre localizado acima da boca talvez porque a engenharia divina percebeu, que assim era mais fácil sentir o cheiro dos alimentos, instantes antes de levá-los para a boca; se não for bom, nosso cérebro.

* Paisagista, projeta jardins há mais de quarenta anos, leciona na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e na Escola Paulista de Paisagismo. Ministra palestras e tem dois livros publicados.




 

Fonte:

http://www.jornalmercadopaulista.com.br/colunas_fev2006_02.htm

 

 


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