Curiosidades da Dra Shirley - A pesca no Brasil
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Curiosidades da Dra Shirley

A pesca no Brasil

23/05/2008

P E S C A

Esta atividade proporciona aos esportistas momentos de muita paciência e grande prazer, porém o prêmio do grande troféu é assegurado pela variedade e quantidade de peixes dos rios do Pantanal matogrossense.

Conheça aqui alguns peixes existentes nesta região:

J A Ú

Maior espécie que habita os rios de Mato Grosso do Sul, jaú pertence à família dos Pimelodidae. Pode alcançar, segundo a literatura e relatos disponíveis, 2 metros de comprimento e pesar até 130 kg, Parece história de pescador, mas a captura de jaús de 40 a 60 kg era comum, nas décadas de 70 e 80 – em rios muito longe de Campo Grande.

Jáu é um peixe de couro, entre os inúmeros bagres existentes em nossas águas interiores. Os de tamanho avantajado dão muito trabalho ao pescador. Mesmo os exemplares menores, abaixo das medidas estabelecidas para a sua soltura (90 cm), quando pescados com material leve, trazem muita diversão ao pescador.

Tem a cabeça ampla e achatada e o corpo que se afina em direção à cauda. O pescador deve ficar atento aos espinhos existentes nas nadadeiras. Quando adultos, tem uma coloração de pardo para marrom escuro no dorso e o ventre esbranquiçado. Já o exemplar jovem tem a cor do dorso e dos flancos amareladas. São encontrados principalmente em poços profundos e junto às margens nas baías. Quando a água está limpa os jaús adquirem uma coloração escura. Os de maior tamanho preferem o canal mais fundo do rio para se deslocar.

Semelhantes a outros bagres de porte, preferem como iscas os peixes vivos (pacupeba, jejus, tuviras, piaus, piraputangas, ou então pedaços de peixes). A sua maior atividade se dá à noite. Já os exemplares menores, que também aparecem durante o dia, não resistem a um bom pedaço de minhocuçu. O material utilizado dever ser proporcional ao tamanho do peixe que se quer fisgar, podendo variar 0.33 mm a 0.90 mm.

Dicas

A pesca do jaú não sai barata ao pescador. A isca preferida é o minhocuçu mineiro, que custa de R$ 10,00 a 20,00 a dúzia. O pescador deve iscar um minhocuçu inteiro no anzol (formando uma bolota ou "encapando o anzol e o encastoado" por inteiro). O ataque dos animais à isca chega a ser irritante. Como o jaú caça no fundo do leito do rio, é preciso usar uma chumbada pesada, o que significa maiores possibilidades de enrosco. Mas o esforço começa a valer a pena quando o pescador consegue engatar o primeiro exemplar. Se prepare, porque o jaú nunca se entrega.

Modalidade – Pescadores sul-mato-grossense adaptaram algumas iscas para capturar dourados no fly. No lugar das tradicionais "moscas" e "besouros", usando comumente na pesca de trutas, apaiaris e piraputangas, um streamer – isca feita de pêlo que imita pequenos peixes utilizado na Argentina – foi adaptado para os rios do Estado. O segredo é lançar a isca sempre em águas rápidas, pois o streamer precisa de movimento. Os rios Aquidauana (nas águas rápidas), Miranda – na região de Vinte e Um e Salobrinha – e o rio Paraguai, na região de Albuquerque, são alguns dos melhores pontos para pescar o dourado com o fly.

D O U R A D O

O D ourado é o rei dos rios brasileiros. Considerado um dos mais belos espécimes que habitam os rios de água doce do País, o dourado é também um dos preferidos dos pescadores esportivos por causa da voracidade com que morde a isca e pela força e resistência na hora de tentar embarcar o peixe. O dourado que habita dos rios de Mato Grosso do Sul é imbatível em sabor (pode ser assado, frito ou fatiado cru para sashimi), beleza, voracidade e esportividade. Extremamente voraz, o dourado se alimenta de outros peixes menores, como corimbatás, lambaris e piranhas. O dourado passa ¾ da vida perseguindo os peixes menores em jornadas que chegam até a 10 quilômetros por dia.

Características – Como o próprio nome diz, apresenta coloração dourada por todo o corpo: cada escama tem um pequeno filete negro no meio, formando riscas longitudinais da cabeça à cauda. Normalmente, apanha-se exemplares com cerca de 70 cm de comprimento e 6 kg de peso. Mas existem registros de peixes com 1,40m e mais de 30 kg.

Na Bacia da Prata, na jusante de Foz do Iguaçu, há relatos de capturas de exemplares próximo aos 20 kg. Idênticos exemplares podem ser fisgados na Bacia de São Francisco.

Com a construção de diversas barragens nos grandes rios brasileiros, essa espécie teve o seu estoque populacional diminuído consideravelmente. Peixe que se reproduz durante a piracema, necessita da correnteza dos rios para completar o seu ciclo reprodutivo. Algumas empresas de energia elétrica vêm criando alevinos de dourado em cativeiro, numa tentativa de preservar a espécie, especialmente no alto da Bacia da Prata.

Locais para pesca: Rios, preferencialmente onde haja corredeiras, cachoeiras, águas rápidas.

Épocas para pesca: Durante todo ano, especialmente quando os rios entram em vazante.

Equipamento: Material médio e pesado, varo com molinete ou carretilha. Linha 0,50 a 0,80. Anzóis: 5/0 a 8/0.

Iscas Naturais: Pequenos peixes (cascudo, lambari, piau, piava, curimbatá, tuvira).

Artificiais: Colheres, jigs, spinners e plugs de superfície ou meia-água.


J U R U P O C A

Bastante comum nos rios de Mato Grosso do Sul que desembocam no Pantanal, a jurupoca é mais uma das muitas espécies de peixe de couro existentes em nossas águas interiores. Como todos os demais bagres, gosta de ficar em poços não muito profundos, nas saídas de corixos, igarapés e lagoas. A sua atividade aumenta ao entardecer e à noite, quando ataca iscas com mais vontade. As iscas mais utilizadas são pequenos peixes vivos (sauá, lambari, tuviras, jeju e pedaços de peixe). Outra isca que costuma dar bons resultados é o minhocuçu.

Da família dos Pimelodidae, a Jurupoca apresenta uma coloração esverdeada-escura no dorso, enquanto o seu ventre tem uma cor mais esbranquiçada. As características marcantes, de fácil identificação, são as pintas (de 2 a 4) que existem na lateral do corpo e uma adicional na nadadeira caudal. Pode atingir aproximadamente 60 cm de comprimento e 4 kg. de peso.

A jurupoca, cuja carne é de excelente sabor, pode ser pescada durante todo o ano (respeitando, naturalmente, o período de defeso). Contudo, é mais fácil de ser fisgada quando o nível do rio estiver um pouco alto e com a coloração mais propícia para os peixes de couro (suja).

Para pescar utilize material leve. Linha de aproximadamente 0,30 mm e vara de ação média. Utilize sempre um pequeno embate de aço para evitar surpresas com piranhas, os maiores "roubadores" de iscas.



P A C U

Bastante arisco por ser muito sensível ao barulho e muito valente no momento da fisgada, o pacu é um dos espécimes mais visadas pelos pescadores esportivos. Além de estar presente em praticamente todos os rios médios e grandes de Mato Grosso do Sul, pacu foi um dos primeiros espécimes introduzidos em lagoas e açudes por meio da técnica da reprodução artificial.

Hoje o pacu de cativeiro é um dos peixes mais populares em pesque-pagues do Estado. Contudo, é bom lembrar as técnicas para fisgar um pacu de cativeiro – que pesa em média 1,5 kg. – em tanques e fisgar um exemplar no rio – que pode chegar a pesar até 7 a 8 kg. – diferem substancialmente. Para cada situação existem iscas e apetrechos adequados.

As iscas mais utilizadas nos pesque-pagues são: massinha, minhocuçu, fígado, coração de boi, tripa de galinha, etc. As mesmas iscas podem ser utilizadas em rios onde não existem piranhas, como por exemplo, o rio Aquidauana. Nos rios Miranda e Paraguai as iscas mais utilizadas para o pacu são o caranguejo na pesca tradicional e, o tucum, na pesca de batida.

Peixe muito sensível ao barulho, pescadores profissionais preferem barcos feitos de madeira. Já entre os amadores existem àqueles que preferem forrar o piso do barco com material emborrachado para diminuir os pontos de barulho.

Descrição

Espécie de água-doce, de corpo delgado e ovalado, tem uma certa semelhança com as piranhas. Já houve casos em que piranhas maiores já confundiram pescadores menos avisados. Contudo, as semelhanças são meramente físicas, pois desde o momento da fisgada o pacu mostra quem é quem. Com dentes afiados e uma forte mandíbula – capaz de destroçar um coquinho com uma dentada – pacu avança sobre a isca e nada velozmente em direção à mata ou tenta corrida em direção ao leito do rio. Não salta como o dourado, piraputanga ou tucunaré, mas briga como poucos e jamais se entrega até boiar, já próximo ao barco ou à margem do rio.

Existem no Brasil em torno de 20 espécies de pacu, sendo que os exemplares mais avantajados podem atingir 80 cm de comprimento, pesando até 20 kg. No Estado, os maiores pacus podem ser encontrados no rio Taquari e no rio Paraguai, na região do Carandazal.

É um peixe que come praticamente de tudo e é comum apanhá-lo debaixo de árvores frutíferas. Pescador experiente pode tentar fisgar o pacu com iscas artificiais com plug e meia água que imite – em cor e tamanho – as frutinhas nativas.

Esportividade

Pacu é um peixe comum em rios que desembocam no Pantanal. Pode ser encontrado em vários ambientes dependendo da época do ano. No período das cheias, nas matas alegadas, e quando o rio está na caixa, no leito do rio.

Sua coloração pode mudar de quase preto, quando está nas águas inundadas a amarelo, quando esta nadando nas cabeceiras dos rios para a reprodução. Trata-se de um peixe onívoro, que se alimenta de folhas, flores e frutos do Pantanal, além de outros animais, como caranguejos e caramujos.

Locais para pesca: leito dos riso, no período da seca; nas cheias nos rios e lagos marginais.

Época para pesca: durante todo o ano, principalmente no período das cheias.

Equipamento: material de categoria média e pesada, vara com molinete ou carretilha.

Linha: 0,45 a 0,70mm. Anzóis: 5/0 a 8/0 (mustad ref: 92676). É muito esportiva a pesca na modalidade de batida, com vara de bambu e linha (0,80 a 1,00mm) do mesmo tamanho da vara. Recomenda-se usar um pequeno empate de aço.

Iscas: caranguejo, filés de peixes (corimbatá e piau); frutas (jenipapo, melancia-do-pacu, laranjinha). No sistema de batida, usa-se muito o tucum e as bolotas de massa. A utilização de iscas artificiais para a pesca do pacu é uma técnica pouco difundida. A isca, um plug de meia água, deve ter a coloração de uma frutinha da época. Ela deve ser lançada em direção a possíveis pontos onde o pacu está se alimentando, geralmente debaixo de uma árvore.

Distribuição

Através de diversos peixamentos, oficiais ou não, o pacu também é encontrado em diversas represas, lagos, barragens e tanques de pesque-pagues.

Na cozinha

Um dos melhores modos de se preparar o pacu, é na grelha. Para tanto deve cortá-lo ao meio, na sua direção longitudinal. A melhor opção é utilizar uma serra elétrica de açougueiro. As duas parte do pacu devem ser então untadas com sal grosso. Com a parte da pelo e as escamas votadas para as brasas, deve-se deixar o peixe assar lentamente em sua gordura. Sirva com pedaços de limão.

P A L M I T O

O Palmito é um peixe relativamente pequeno, muito esportivo e abundante em rios do Pantanal. Quando fisgado, salta como a piraputanga e o dourado tentando se desvencilhar do anzol. O tamanho médio, comumente encontrado, gira em torno de 30 cm.

Apesar de não constar na lista dos peixes favoritos dos pescadores que visitam os rios de Mato Grosso do Sul, o palmito tem uma carne de excelente qualidade e sabor. Quando pescado com material leve, proporciona bons momentos ao pescador, principalmente se encontrarmos um cardume. Ele é encontrado em toda a extensão dos rios, mas principalmente em saídas de corixos e igarapés. Pedaços de peixes e minhocuçu são as iscas que proporcionam o melhor resultado.


P I N T A D O

Muito apreciado pelo sabor da carne e força e vigor na hora da fisgada, o pintado é um dos peixes mais visados pelos pescadores esportivos que visitam os rios de Mato Grosso do Sul. Conseguir captura-lo é sempre sinônimo de grande emoção para o pescador.

Encontrado em praticamente todos os rios médios e grandes do Estado, o pintado pode chegar a pesar até 80 kg., mas são raros os exemplares desse porte encontrados hoje.

Como todos os outros bagres similares, tem a cabeça achatada que chega a ter uma dimensão entre 1/4 a 1/3 do tamanho do corpo.

Iscas – As melhores iscas para fisgar o pintado são: o muçum, a tuvira, o minhocuçu e as iscas brancas como o sauás, lambaris e curimbinhas. Antes de comprar a isca é aconselhável perguntar ao ribeirinho – ou a um piloteiro de confiança – que tipo de isca o peixe está comendo. Dependendo da época, o pintado só cai no muçum. Outras vezes, só na isca branca capturada no rio.

Fisgar um pintado com isca artificial é muito difícil, mas não impossível. As iscas de meia-água e de profundidade são as mais indicadas já que o pintado passa maior parte do tempo no fundo do rio e dificilmente sobe à superfície para caçar. As iscas mais indicadas são: Chad Rap da Rapala, 16A da Bomber e 8A da Bomber.

Como a maioria dos siluriformes, tem hábitos noturnos, embora muitas vezes possa ser capturado durante o dia. A sua coloração é cinza-parda, com pequenas manchas presta arredondadas ao longo do corpo, que tem a forma cilíndrica. Tem longos barbilhões e o seu ventre tem uma coloração esbranquiçada.

Freqüentando os fundos dos rios e seus poços, alimentam-se de pequenos peixes, crustáceos, vermes, pedaços de peixes, etc. Respeitando os meses do defeso, normalmente de novembro a fevereiro, o pintado pode ser pescado durante o ano inteiro. Atinge tamanhos bastante avançados.

Entretanto, os exemplares de maior porte encontrados hoje pesam faixa que varia de 5 a 12 kg. com um comprimento em torno de 0,90 a 1,20 m. A sua carne é de excelente qualidade, principalmente quando o peixe é feito na brasa. Para pescá-lo, pode-se usar iscas naturais. Quando fisgado, muitas vezes procura abrigo embaixo dos camalotes, tornando assim a sua luta bastante exaustiva.

T R A Í R A

Até há pouco tempo chamar um pescador de "lobozeiro" podia acabar em briga. Hoje o lobó, ou a traíra, já conquistou o status de peixe esportivo por causa da voracidade com que ataca a isca e resistência na hora da briga. Com a aparência de um peixe primitivo e dentes afiados, a traíra habita em lagos, açudes, rios e qualquer manancial de água que tenha alimento disponível. Existem duas espécies reconhecidas: Hoplias malabaricus e Hoplies lacerdae.

As traíras são resistentes e de grande adaptação às condições locais. É um predador voraz acostumado a esperar pela presa. Ataca usando a camuflagem como elemento de surpresa. As traíras possuem um mimetismo que as torna invisíveis. Conseguem camuflar-se, entre vegetação do fundo e junto às estruturas. Como possui dentes pontiagudos consegue segurar a presa facilmente. Estes mesmos dentes são responsáveis por muitas linhas partidas. É aconselhável dotar o terminal da linha com um embate de aço ou de um líder. Além de linhas partidas, há freqüentes casos de iscas artificiais perfuradas e de pequenos acidentes (mordidas) com pescadores desprevenidos.

Iscas Preferidas – As iscas de superfície como poppers, spinners, spinner bait, hélices (que façam barulho), pequenos animais de material sintético representando sapos, salamandras, são os mais apropriados para a captura da traíra. O pescador deve lançar a isca em locais sombreados ou perto da vegetação subaquática. A ação das iscas deve ser concentrada em qualquer tipo de estruturas existentes e em regiões de densa vegetação que propiciam proteção e alimento, pois são locais que as traíras escolhem como habitat.

Não é difícil encontrar traíras em pequenos lagos, ou mesmo poças desde que constantes em nível de água e com possibilidade de encontrar alimento. Nos meses de procriação, há relatos de ataques a qualquer intruso ao seu local de desova. Sua reprodução já tem início no primeiro ano de vida. Em algumas regiões do Brasil este peixe tem a capacidade de reproduzir-se durante todo o ano, em outros apresentam períodos variáveis mais predominantes de novembro a janeiro. Em cada desova liberam de 2500 a 3000 ovos, que eclodem em um período de 38 a 52 horas.

Coloração – Em locais de águas barrentas terão cores claras. Já em águas mais limpas apresentarão cores mais escuras. Em boas condições de alimentação as traíras conseguem atingir pesos ao redor de 4 kg. Habitam ambientes lênticos e têm hábitos preferencialmente noturnos. É um peixe voraz, briguento, completamente territorial, e muito esportivo. Possui dentes afiadíssimos e todo o cuidado é pouco no seu manuseio, pois além de tudo a traíra é extremamente lisa e escorregadia. A traíra está ativa quando a água está quente, com temperatura acima de 18ºC. Nos meses frios se enterram no fundo para suportarem a baixa temperatura da água.

Trairão – Espécie fluvial da mesma família da traíra, porém com o corpo muito mais avantajado: pode alcançar 1 m de comprimento, pesando até 18 kg. Sua colocação é quase negra no dorso, enquanto dos flancos são acinzentados e o ventre esbranquiçado. Ao contrário da traíra, que prefere água parada, o trairão gosta de águas correntes. Tem carne de excelente sabor, equiparada as vezes a carne de peixes nobres, como o dourado. Distribuição geográfica: Bacia Amazônica e rio Ribeira do Iguape (SP).

Iscas Artificiais – Para a captura de traíras utilizando iscas artificiais é recomendado varas de 1,70m a 2,15m de comprimento, de ação média e média pesada e linha de 0,30 mm. As iscas artificiais devem ser arremessadas em locais de águas lênticas, geralmente próximos a troncos e vegetação marginal. O ataque geralmente ocorre próximo da margem, onde o pescador deve estar atento. Uma boa dica é arremessar a isco paralelamente à margem e recolher, com leves toques, no mesmo sentido.

Iscas Naturais – A isca de melhor eficiência é o lambari, mas podem ser usadas outras espécies. A técnica de captura é a mesma descrita para as iscar artificiais. Como as iscas naturais tendem a ir para o fundo, o pescador deve trabalhar com pequenos toques e recolhimento com pequenas pausas. Uma observação deve ser feita: a traíra tem como hábito de capturar suas presas pela cabeça.

T U C U N A R É

Originário da Bacia Amazônica, o tucunaré se caracteriza principalmente pelo ocelo (mancha preta arredondada, cercada por um anel amarelo) que tem na nadadeira caudal. Outra marca são as três listas transversais de seu corpo (embora ausentes na espécie conhecida como paca). Também há uma variedade que tem apenas uma listra longitudinal em toda extensão do corpo.

Variedades - Pescadores identificam pelo menos três diferentes espécies de tucunaré (do tipo tukuna’ré). Além do paca, que tem pintas em seu corpo, há o tucunaré-açu (o maior da família) e o borboleta, com manchas em suas laterais. Na Bacia do Prata e do Paraná e no Pantanal (veja onde encontrá-los) os tipos mais conhecidos são o azul e o amarelo. Na Amazônia, o hábitat preferencial são lagoas durante a cheia. Procura a margem das lagos no início da manhã e final do dia, na hora do sol mais quente se dirige, em geral, ao centro das lagoas. Em rios que não possuem lagoas, ele se protege da água corrente atrás de obstáculos de pedras e galhos.

Proliferação - O tucunaré tem sido introduzido em outras regiões adaptando-se bem. Porém sua introdução em locais fora de seu habitat natural deve ser sempre acompanhada de um prévio e sério estudo do impacto no ambiente. O tucunaré vive em locais de águas calmas. Faz seu habitat entre galhadas e estruturas submersas. O casal cuida de sua prole até o estágio de alevinos quando então saem aos milhares, em cardume. Nesse momento perdem a proteção de seus genitores tornando-se por um espaço de tempo alimento de todos os peixes que mais tarde serão sua fonte de sustento.

Iscas – As iscas que proporcionam mais emoção na pesca do Tucunaré são de superfície. Poppers, sticks e zaras, entre outras, entretanto, praticamente qualquer tipo de isca poderá ser utilizada com eficiência nesta pesca, dando destaque para as iscas de barbela de meia-água. A agressividade de seu ataque na isca e a rápida corrida que dá em seguida é algo inesquecível. É capaz de arrancar o caniço da mão de um pescador desatento, abrir garatéias e arrancar pitões. Quando fisgados, sua primeira reação, é ir direto para a galhada mais próxima. Realizam verdadeiras acrobacias aéreas. Há casos em que o Tucunaré projeta-se contra pedras fora d’água na mais louca tentativa de libertar-se. Nesta hora, todo sistema de pesca é testado. Vara, carretilha, linha, e o pescador serão postos à prova, mas é preciso também contar com um pouco de sorte.

Hábitos – O tucunaré é um predador extremamente cuidadoso com suas crias. Seu principal alimento são peixes, que caçam no sistema de tocaia ou perseguição. As iscas artificiais para a captura do tucunaré mais emocionantes são os plugs (imitações de peixe) de superfície, devido aos botes que dão. Necessita-se de habilidade para não deixar o peixe levar a isca para as galhadas.

Pesca – A pesca do tucunaré exige paciência. Nem sempre o peixe está nos lugares mais óbvios. Assim, o pescador escolhe, de seu arsenal de iscas artificiais, a que parece mais promissora. Onde há muitos galhos submersos, as iscas de superfície são mais indicadas, para não enroscar. Além disso, são as que oferecem mais emoção, pois o peixe ataca a isca com fúria de predador faminto. Muito eficientes, as iscas de meia-água são usadas em áreas mais limpas. Mas importante, porém, é encontrar o peixe.

De pé ou sentado, o pescador joga a isca nos locais onde sua experiência diz que pode haver peixe. O arremesso preciso, certeiro, é fruto de aprendizado e treino. O diâmetro da linha, as características da vara, o peso da isca e a qualidade da carretilha influem no lançamento. Com muita freqüência, a isca mal bate na água e o tucunaré ataca. Por isso, a precisão é fundamental. Sem pontaria, a isca vai parar em qualquer lugar, no galho de uma árvore ou no meio das pedras.

Nesse tipo de pescaria, o barco não fica parado, vai se movimentando ao longo das margens, lentamente, com auxílio de um motor elétrico silencioso ou a remo. Enquanto se desloca, os arremessos são feitos, a distâncias médias de 10 a 15 metros. O alvo costuma ser um toco de árvore, sob uma árvore caída, entre galhos, no canal entre duas pedras. As tentativas se sucedem. Caso não estejam atuando bem, as iscas são trocadas por outras de ação ou de cor diferentes. Então, de repente, o tucunaré ataca.

Às vezes, com ajuda da sorte, a isca cai exatamente onde o peixe está. A ação é fulminante. O tucunaré se atira sobre a isca com um estrondo na água. Ao sentir a fisgada da garatéia (anzol com três pontas) e a resistência da linha, dá vários saltos no ar, tenta fugir, procurando o refúgio dos galhos submersos ou entre as pedras. Depois do susto, que eleva a adrenalina subitamente, a tarefa é evitar que o peixe se enrosque. A carretilha não pode estar travada, porque a linha pode se romper.

C A C H O R R A

Cachorra é um peixe de água doce que tem como principal característica a sua dentadura afiada, com dois dentes proeminentes na mandíbula inferior, que atravessam a mandíbula superior por duas aberturas existentes quando está de boca fechada. Existem duas espécies de cachorras: a facão (comprida e fina) que pode ser encontrada em praticamente todos os rios de Mato Grosso do Sul e a larga, encontrada apenas na Bacia Amazônica e que pode pesar até 20 kg.

A cachorra normalmente não consta em nenhum cardápio de culinária, já que a parte aproveitável (filé) é muito pequena pelo próprio formato do corpo, bem delgado. Contudo pescadores experientes, como Luiz Matsuo, dono de um pesqueiro em Miranda, afirmam que o filé de cachorra pode ser servido fatiado como sashimi.

Ruim na mesa, a cachorra é excelente na hora da fisgada. Muito apreciada pelos pescadores que utilizam iscas artificiais, a pesca da cachorra é uma sucessão de emoções. Geralmente onde se fisga uma, com certeza existem outras, já que ela sempre nada em cardume. É comum fisgar dezenas delas quando pescamos próximo ao cardume.

O seu manuseio deve ser cuidadoso, não só pelos dentes, mas também para não danificar suas escamas, que são bastante finas e sensíveis.

MS – As cachorras comumente encontradas em rios do Estado e medem, geralmente, em torno de 50 a 70 cm. Muito rápida, a cachorra costuma saltar como o dourado na hora da fisgada. As melhores iscas são as de superfície, já que a espécie costuma atacar a 10 a 20 cm da superfície.

Dependendo da região, os exemplares podem atingir tamanhos de mais de 1 metro e peso de 10 kg. As iscas naturais preferidas são pequenos peixes vivos como o lambari, piau e a tuvira, enquanto que as artificiais que dão melhores resultados são as Rapala e Bomber de meia-água.

 

Fonte.

 

http://www.festadopeixe.com.br/pesca.htm

 

 


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