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Pediatria/Criança

Estenose hipertrófica de piloro na criança

04/07/2008

Revista da Associação Médica Brasileira

 

Rev. Assoc. Med. Bras. v.53 n.6 São Paulo  2007

doi: 10.1590/S0104-42302007000600009 

CORRESPONDÊNCIAS

 

Estenose hipertrófica de piloro na criança

 

 

Acreditando que a medicina por nós praticada no dia-a-dia muito se beneficia da estratégia de divulgação adotada pela RAMB, ao solicitar que editores de renome e experiência analisem alguns artigos em destaque na literatura recente, tomo a liberdade de acrescentar que, às vezes, os assuntos são polêmicos e que conclusões muito enfáticas podem merecer alguns reparos.

A nosso ver é esse o caso dos comentários do Prof. Uenis Tannuri do qual me permito, respeitosamente, discordar. Assim resume seus comentários sobre trabalho randomizado sobre qual a melhor via de acesso para a piloromiotomia da estenose hipertrófica de piloro aberta ou laparoscópica: "conclui-se, pelo presente artigo, que a videolaparoscopia para a correção da estenose hipertrófica não deve ser utilizada" 1.

Esses comentários devem-se ao trabalho prospectivo e randomizado de Leclair et al. 2, realizado com 102 pacientes operados. Eles constataram que a via laparoscópica, embora com igual permanência hospitalar e número de complicações que na via aberta apresentam maior número (6% - 3 casos) de miotomias incompletas necessitando reoperação (laparoscópica).

Ora, Obina et al.3, em 2006, em 335 piloromiotomias realizadas ao longo de cinco anos (sendo 212 laparoscópicas) chegou à conclusões idênticas, mas somente nos primeiros dois anos da casuística. Nos últimos três anos o número de reoperações foi semelhante em ambos os grupos, o que atribuiu à "famosa" curva de crescimento do aprendizado.

Holcomb III 4., em 2006, em estudo também prospectivo randomizado, constatou, em 200 pacientes operados (100 por via laparoscópica), menos complicações na via laparoscópica e igual número de reoperações. Georgeson5, em 2004, com o expressivo número de 457 cirurgias (232 laparoscópicas) constatou maior número de complicações nas cirurgias abertas, porém com maior número de reoperações nas laparoscópicas.

Em conclusão, temos na literatura recente e séria, dados suficientes para apoiar a via de acesso cirúrgica que nos for mais simpática, sem estarmos autorizados a afirmar que a outra via não deva ser utilizada.

 

Prof. Manoel Carlos Prieto Velhote
Instituto da Criança HC-FMUSP

 

Referências

1. Panorama Internacional. Pediatria (comentários) Tannuri U. Rev Assoc Med Bras. 2007;53:198.         [ Links ]

2. Leclair MD, Plattner V, Mirallie E, Lejus C, Nguyen JM, Podevin G, et al. Laparoscopic pyloromyotomy for hypertrophic pyloric stenosis: a prospective, randomized controlled trial. J Pediatr Surg. 2007;42(4):692-8.         [ Links ]

3. Adibe OO, Nichol PF, Flake AW, Mattei P. Comparison of outcomes after laparoscopic and open pyloromyotomy at a high-volume pediatric teaching hospital. J Pediatr Surg. 2006;41(10):1676-8.         [ Links ]

4. Shawn D, Holcomb III GW, Murphy JP, Andrews WS, Sharp RJ, Snyder CL, et al. Open versus laparoscopic pyloromyotomy for pyloric stenosis: a prospective, randomized trial. Ann Surg. 2006;244(3):363-70.         [ Links ]

5. Yagmurlu A, Barnhart DC, Vernon A, Georgeson KE, Harmon CM. Comparison of the incidence of complications in open and laparoscopic pyloromyotomy: a concurrent single institution series. J Pediatr Surg. 2004;39(2):292-6.         [ Links ]

 


 

Comentário do autor

Agradeço os comentários do Prof. Dr. Manoel Carlos Velhote e inicialmente enfatizo que minhas conclusões foram baseadas no artigo publicado no presente ano por Leclair et al. e em minha experiência pessoal. Concordo com os autores que a via laparoscópica não deve ser utilizada por não trazer vantagens ao paciente com estenose hipertrófica do piloro e que deverá ser submetido à piloromiotomia. Apontei as vantagens da via aberta convencional, principalmente a praticidade, tempo de duração da cirurgia menor do que a via laparoscópica e a possibilidade de ser realizada em hospitais que não dispõem de equipamentos de videocirurgia. Finalmente, ressalto a premissa de que a via aberta requer apenas uma incisão que se confunde com a cicatriz umbilical e que a via laparoscópica requer três portas de abertura da parede abdominal.

 

Uenis Tannuri
Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Pediátrica FMUSP

 

 

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302007000600009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 


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