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Endocrinologia/Glândulas

Terapêutica hormonal após a menopausa reduz a obesidade abdominal em mulheres não diabéticas com síndrome metabólica

07/07/2008

Revista da Associação Médica Brasileira

 

Rev. Assoc. Med. Bras. v.53 n.6 São Paulo  2007

doi: 10.1590/S0104-42302007000600003 

PANORAMA INTERNACIONAL
GINECOLOGIA

 

Terapêutica hormonal após a menopausa reduz a obesidade abdominal em mulheres não diabéticas com síndrome metabólica

 

 

Ana Carolina Schmitt; João Eduardo N. Salles; José M. Aldrighi

 

 

Metanálise elaborada por Salpeter SR et al.1 avaliou o efeito da terapêutica hormonal (TH) sobre os componentes da síndrome metabólica em mulheres não diabéticas após a menopausa. Os autores observaram que após oito semanas de uso dos esteróides ocorreu significativa melhora nos componentes metabólico, inflamatório e trombótico, com especial ênfase sobre a redução da obesidade abdominal.

 

Comentário

Após os estudos WHI2,3, que descortinaram maior risco de tromboembolismo no primeiro ano, e de câncer de mama no quinto ano de uso da associação estrogênio conjugado equino (ECE) e acetato de medroxiprogesterona (AMP), a indicação da terapêutica hormonal (TH) após a menopausa ficou restrita ao alívio dos sintomas climatéricos (ondas de calor), à prevenção/tratamento da atrofia cutâneo-mucosa e da osteoporose, apesar de, nesta última, o FDA não ter considerado a TH como a primeira escolha.

Com estes resultados do WHI, ocorreu expressiva queda na prescrição da TH; apesar disso, a literatura ainda tem desvelado estudos mostrando benefícios sobre o organismo feminino. Assim, um deles é uma reanálise do WHI, que concluiu que a associação ECE+AMP promove proteção contra a doença cardiovascular quando ministrada até dez anos após a menopausa, ou seja, dos 50 aos 59 anos, intervalo etário onde o processo de aterosclerose ainda é inicial, o que permitiria uma ação benéfica dos esteróides4,5.

O artigo aqui comentado Metanálise de Salpeter et al., quantificou os efeitos da TH sobre os componentes da síndrome metabólica em mulheres após menopausa. Nele foram selecionados 107 estudos randomizados, incluindo mulheres diabéticas e não diabéticas usuárias de TH oral e transdérmica por pelo menos oito semanas. Os resultados mostraram que nas não portadoras de diabetes ocorreu redução de 6,8% na gordura abdominal, 12,9% na resistência insulínica, 1,7% na pressão arterial, 5,5% no fibrinogênio, 15,7% na relação LDL- HDL colesterol, 25% na Lp(a), 17,3% na E-seletina e 25,1% no PAI; nas portadoras de diabetes constatou-se queda somente na glicemia de jejum (11,5%) e na resistência insulínica (35,8%). A via oral se mostrou superior à transdérmica, porém acarretou efeitos adversos, como aumento da proteína C reativa em 37,6% e redução da proteína S em 8,6%.

A redução da gordura abdominal determinada pela TH representa importante alternativa, não só estética, mas principalmente em relação à redução do risco cardiovascular em mulheres com síndrome metabólica, não diabéticas após a menopausa.

Alternativas têm sido indicadas visando a redução da gordura abdominal, como o orlistate, em que várias metanálises já demons traram redução da cintura abdominal, bem como a não evolução para diabetes nos portadores de intolerância a glicose. Outra alternativa é o rimonaban, bloqueador seletivo do receptor CB1 (sistema endocanabinóide), que, apesar de propiciar melhora nos diversos índices de risco cardiometabólico, exibe como efeito colateral quadros depressivos, devendo ser evitado em mulheres portadoras de história previa de depressão.

Ao finalizar deve ser considerado que como a terapêutica farmacológica da obesidade abdominal não é isenta de riscos, intervenções como a prática da atividade física regular e dieta equilibrada devem ser mais priorizadas; porém, em relação à TH, devemos aguardar mais estudos para confirmar se os resultados da metanálise em questão poderão representar uma importante alternativa na redução do risco cardiometabólico pela melhoria sobre os lípides, pressão arterial, moléculas de adesão e fatores de coagulação em mulheres sem diabetes. Além do mais, poderá também minimizar a desconfortável conseqüência estética da gordura abdominal em mulheres após a menopausa, principalmente se prescrita por um prazo inferior a cinco anos.

 

Referências

1. Salpeter SR, Walsh JM, Ormiston TM, Greyber E, Buckley NS, Salpeter EE. Meta-analysis: effect of hormone-replacement therapy on components of the metabolic syndrome in postmenopausal women. Diabetes Obes Metab. 2006;8:538-54.         [ Links ]

2. Writing Group for the Women's Health Initiative Investigators. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results from the Women's Health Initiative randomized controlled trial. JAMA. 2002;288:321-33.         [ Links ]

3. Women's Health Initiative Steering Committee. Effects of conjugated equine estrogen in postmenopausal women with hysterectomy: the women's health initiative randomized controlled trial. JAMA. 2004;291:1701-12.        [ Links ]

4. Manson JE, Allison MA, Rossouw JE, Carr J, Langer RD, Hsia J, et al. Estrogen therapy and coronary-artery calcification. N Engl J Med. 2007;356:2591-602. [cited 2007 out]. Avaliable from: http://content.nejm.org/cgi/content/short/356/25/2591?query=TOC.         [ Links ]

5. Mendelsohn ME; Karas RH. HRT and the young at heart. N Engl J Med. 2007;356:2639-41. [cited 2007 out]. Avaliable from: http://content.nejm.org/cgi/content/short/356/25/2639?query=TOC.         [ Links ]

 

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302007000600003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

 

 


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