Curiosidades da Dra Shirley - Saiba tudo sobre os tipos de umidade em paredes
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Curiosidades da Dra Shirley

Saiba tudo sobre os tipos de umidade em paredes

26/07/2008

UMIDADE EM PAREDES

 

 

NAPPI, Sérgio Castello Branco, M.Eng

 

Universidade Federal de Santa Catarina  - Departamento de Arquitetura e Urbanismo.

Caixa Postal - 470 - CEP - 88040-900 - Florianópolis - Santa Catarina.

e-mail: nappi@.arq.ufsc.br

 

 

RESUMO

 

            A umidade em paredes constitui-se num dos mais freqüentes problemas que acontecem nas edificações, ocasionando condições de insalubridade e o conseqüente desconforto pessoal, além de contribuir para uma acelerada deterioração dos respectivos materiais.

            Na grande maioria das vezes, os trabalhos de recuperação estão baseados em diagnósticos distorcidos, proporcionando soluções incompletas ou não eliminando as reais causas, provocando, muitas vezes, o retorno do problema.

            Portanto, o conhecimento das formas de manifestação das anomalias devidas a presença da umidade é um dado essencial que permite identificar claramente as respectivas causas e propor as soluções adequadas.

            Neste trabalho, pretende-se contribuir para um melhor conhecimento deste fenômeno com as possíveis soluções para resolvê-los ou minorá-los. Para facilidade de compreensão, está divido em três parte principais. Na primeira, tem-se as principais formas de manifestação da umidade. Em seqüência, apresenta-se elementos para o diagnóstico e, finalmente, são indicadas as possíveis soluções de reparação destas anomalias.

 

Palavras chave: umidade, umidade em paredes.

 

 

1. FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA UMIDADE EM EDIFÍCIOS

 

            Para a elaboração de um bom estudo sobre o problema de umidade é importante que inicialmente se produza um diagnóstico correto, o qual permitirá identificar claramente as respectivas causas e propor as soluções mais adequadas.

            São várias as formas sob as quais as anomalias devidas a presença de umidade podem se manifestar. Para cada tipo de caso podem se manifestar vários sintomas diferentes, os quais poderão ser dectetados visualmente, através de ensaios, análises ou cálculos específicos. Muitas vezes, apenas a observação visual poderá acarretar incertezas nas anomalias, devido ao fato de vários destes sintomas não serem específicos de um dado tipo de anomalia.

            Pode-se afirmar que a umidade em uma edificação se manifesta de várias formas diferentes, dentre as quais destaca-se:

                        - umidade do terreno;

                        - umidade de construção;

                        - umidade de precipitação;

                        - umidade de condensação;

                        - umidade decorrente da higroscopicidade;

                        - umidade provenientes de outras causas;

1.1. Umidade do terreno

            As águas do solo podem muitas vezes provocar problemas específicos de umidade nas paredes de subsolo e pavimentos térreos. A grande maioria dos materiais de construção existentes hoje possuem uma capilaridade elevada, fazendo com que a água possa migrar, na ausência de qualquer barreira que iniba este deslocamento.

            A ascensão da água nas paredes é inversamente proporcional ao diâmetro dos seus poros, ou seja quanto menor o seu diâmetro maior é a altura que a água poderá atingir. Estes condutos capilares são canais de diâmetro finíssimo, que serpenteiam através dos materiais com uma rede de conexões com ar entre si, saturando os materiais com água que avança vencendo a força da gravidade. Motivo determinante dos fenômenos de capilaridade é o diâmetro dos canais. A água sobe nestes condutos, segundo o seu diâmetro. De acordo com EICHLER (1973), a água pode atingir as seguintes alturas:

 

Diâmetro dos capilares

(mm)

Altura máxima

(mm)

1,00

15

0.01

1500

0.0001

150000

 

            Outros fatores também influenciam nesta altura. A sua quantidade d’água que está em contato com a parede, as condições de evaporação desta água através da própria parede. a espessura desta, a sua orientação magnética e a época da construção.

            De maneira geral, pode-se dizer que a ascensão de água numa parede acontecerá até o nível em que a quantidade de água evaporada seja igual a absorvida do solo. Razão disto, sempre que se impermeabiliza uma parede está se diminuindo as suas condições de evaporação e, por conseqüência, aumentando-se teoricamente o nível da umidade na parede, até o ponto em que o equilíbrio esteja restabelecido.

            Considerando-se constantes as condições ambientes, pode-se afirmar que quanto maior for a espessura da parede maior será a altura atingida pela umidade, uma vez que maior é a quantidade de água a ser evaporada.

            Também os sais existentes no terreno e nos próprios materiais de construção são dissolvidos pela água e transportados através da paredes para níveis superiores. Ao evaporar esta água, provocará a cristalização destes sais que colmatarão os poros existentes, reduzindo a sua permeabilidade e aumentando o nível da umidade.

            Nas umidades provenientes de água do terreno, visualmente pode ser detectado o aparecimento de manchas nas regiões junto ao solo apresentando ,muitas vezes zonas eroditas no nível superior destas, acompanhadas de manchas de bolor, criptoflorescências ou eflorescências ou vegetação parasitária, principalmente nos locais de pouca ventilação.

            Existem basicamente dois tipos de fontes de alimentação de água às paredes, correspondendo cada um a diferentes sintomas e possíveis soluções: águas freáticas e águas superficiais.

            Nas situações em que a umidade é proveniente de águas freáticas os fenômenos apresentam-se inalterados durante todo o ano, em virtude do tipo de fonte de alimentação estar ativo no período inteiro, alem de que a altura das manchas de umidade ser constante em todas as paredes, sendo maiores nas interiores que nas exteriores em função das condições de evaporação serem menos favoráveis.

            Quando são as águas superficiais que acarretam a umidade os fenômenos apresentam variações durante o ano, a altura da umidade pode variar de parede para parede, sendo de nível mais alto nas exteriores que nas interiores na medida que são mais afastadas das respectivas fontes de alimentação.

 

1.2. Umidade de construção

            Quase todos os materiais utilizados atualmente nas construções necessitam de água para a sua confecção e/ou colocação. Também, nesta fase da obra os materiais e a própria edificação estão mais sujeita a ação direta da água da chuva o que amplia ainda mais o teor da umidade nos materiais.

            Parte desta quantidade de água evapora rapidamente, mas a outra parte demora muito tempo para faze-lo. Segundo HENRIQUES (1995), o processo de secagem de materiais porosos acontece em três fases distintas. Na primeira a evaporação somente da água superficial. A segunda fase evapora a água contida nos poros de maiores diâmetros, num processo muito demorado. Finalmente, a liberação da água existente nos poros de menores dimensão , cujo processo é extremamente lento podendo acontecer ao longo de muitos anos.

            De forma geral , as anomalias devidas a este tipo de umidade cessam num período mais ou menos curto de tempo, que depende das características e do tipo de utilização do edifício e da região climática em que o mesmo está inserido.

 

1.3. Umidade de precipitação

            A chuva em si não constitui-se em problemas para a construção. No entanto, quando está acompanhada pelo vento, gera uma componente horizontal tanto maior quanto maior for a sua intensidade.

            A ação da água da chuva sobre uma parede pode assumir diversas componentes. A energia cinética das gotas de água pode provocar penetração direta, sempre que haja incidência dessas gotas nas fissuras ou em juntas mal vedadas. Também esta ação continuada da chuva pode formar uma cortina de água, que ao escorrer pela parede, pode penetrar nela por gravidade, como resultado da sobrepressão causada pelo vento ou por ação da capilaridade dos materiais.

            As anomalias manifestam-se através do aparecimento  de manchas de umidade de dimensões variáveis nos paramentos interiores das paredes exteriores, em correspondência com a ocorrência de precipitações, que tendem a desaparecer quando cessam os períodos de chuva. No entanto, em períodos prolongados pode haver a ocorrência de bolores, eflorescências e criptoflorescências.

 

1.4. Umidade de condensação

            Na composição do ar existe, alem de gases, uma determinada quantidade de vapor d'água. A quantidade máxima deste vapor, chamado limite de saturação, varia em razão da temperatura, aumentando quando a temperatura aumenta e diminuindo quando esta diminue. Por conseqüência, quando uma massa de ar é arrefecida (diminue a sua temperatura) certa quantidade de vapor d'água se condensa dando origem à formação de nevoeiro.

            Chama-se pois, Umidade Relativa do Ar (Hr), o quociente entre a quantidade de vapor d'água que o ar contem (W) e a quantidade máxima que o ar poderia conter a essa temperatura (Ws).

Hr = W/Ws

            Quando o ar se encontra no seu limite de saturação 100% tem-se os valores de umidade absoluta igual ao de umidade de saturação.

            Face ao dito anteriormente, é fácil perceber que a umidade relativa do ar varia conforme a temperatura que se encontre, aumentando quando a temperatura diminue e diminuindo quando a temperatura aumenta, porque, neste caso, aumenta o limite de saturação, sendo que em ambos os casos a umidade absoluta é constante, ou seja a quantidade de vapor d'água.

            Estas relações são representadas num diagrama psicrométrico, no qual pode-se visualizar facilmente estas variações.

            As condensações deste vapor acontecem normalmente no interior das edificações junto aos paramentos das paredes externas, pois estas faces, de modo geral , tem uma temperatura inferior ao do ar ambiente. Este fato dá origem ao aumento ao aumento da umidade relativa do ar na camada de contato com a parede, o que provoca estas condensações.

 

1.5. Umidade devido a fenômenos de higroscopicidade

            Muitos materiais de construção existentes no mercado possuem sais solúveis em água. Também os solos, especialmente aqueles ricos em matéria orgânica. Estes sais, quando depositados em ambiente secos não oferecem problemas. No entanto, quando existir umidade, os sais se dissolvem e migram juntamente com a água até a superfície, onde se cristalizam. Este processo de dissolução/cristalização gera um aumento de volume no sal que provoca a deterioração da superfície onde esta depositado. Quando esta cristalização se dá no interior da superfície o fenômeno é chamado de criptoflorescência e quando no ambiente exterior de eflorescência.

            Alguns destes sais, chamados higroscópicos, tem a capacidade de absorverem a umidade do ar dissolvendo-se, quando esta encontra-se acima do intervalo entre 65 e 75%, voltando a cristalizar-se quando abaixo deste intervalo, apresentando o significativo aumento de volume.

            Os sais que mais freqüentemente estão associados a manifestações patológicas são os sulfatos, os nitratos e os cloretos.

            As anomalias que tem por origem estes fenômenos decorrentes da higroscopicidade dos sais são caracterizadas pelo aparecimento de manchas de umidade nos locais com forte concentração de sais e, em determinados casos, associados a degradação dos revestimentos da parede.

 

1.6. Umidades devido a outras causas

            Por serem muitas as ocorrências deste tipo de umidade torna-se muito difícil sistematizar todas as causa possíveis. Mas de maneira geral, caracterizam-se pela sua natureza pontual, em relação a sua localização e decorrem normalmente em falhas de equipamentos ou defeitos de construção decorrentes de acidentes ou falta de manutenção.

            Dentre as causas mais freqüentes pode-se destacar roturas de canalizações de água, esgoto ou águas pluviais. Também provenientes de coberturas ou acabamentos desta.

 

 

2. ELABORAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS

 

Um método de diagnóstico deve ser completo e exaustivo, incluindo todas as determinações e análises que as situações possam requerer. Desde a análise de documentos, passando por observações visuais, analise do ambiente até a coleta de amostras para ensaios em laboratório.

Inicialmente a maior informação possível relativa aos projetos, sistemas construtivos, materiais, idade da edificação, etc... serão fundamentais para o início e um bom diagnóstico.

A visualização das anomalias e dos elementos sobre as quais ocorreram, podem em alguns casos serem suficientes para a confecção do diagnóstico.

No entanto, quase sempre é necessária a realização de exames mais completos, nos quais coletam-se amostras que, posteriormente, são levadas aos laboratórios para análises. Nestas amostras poderão ser realizados os seguintes ensaios: umidade do material, umidade máxima, grau de umidificação, adsorção de água, pH, presença de sais, capilaridade, passagem de vapor, etc...

 

2.1. Umidade do material

            O teor de umidade é a diferença percentual entre o peso do corpo de prova retirado e o seu peso seco. A umidade do material dos corpos de prova provenientes de profundidades diferentes nas várias alturas da parede, já permitem uma primeira indicação acerca da distribuição de umidade no edifício bem como sobre a origem desta umidade. Ressalta-se que imediatamente após a sua retirada, cada corpo de prova deverá ser embalado de forma adequada a fim de não perder suas características originais. Os núcleos de perfuração, uma vez que se utiliza a broca tipo “copo”, deverão ser primeiramente divididos em partes, de modo que seja possível a identificação de sua profundidade no interior da parede.

 

2.2. - Umidade de saturação

            Através da imersão total dos corpos de prova na água até que haja constância de peso, é definida a capacidade de retenção de água de cada material, em percentuais em relação ao peso seco do respectivo corpo de prova. Contudo os espaços dos poros muito pequenos não são atingidos, já que eles só se enchem de água com umidade de longa duração, sob pressão ou outras influências de forças externas. Portanto, o procedimento de imersão para determinação da umidade de saturação não precisa levar necessariamente a umidade efetivamente possível. No caso de alvenarias extremamente molhadas, pode ocorrer o caso raro, de que a retenção de água no laboratório fique abaixo da umidade dos materiais, sem no entanto, prejudicar a avaliação das medidas de recuperação.

 

2.3. - Grau de umidificação

            A razão entre o percentual da umidade do material e a umidade de saturação resulta num valor importante para se determinar a extensão da umidade. Somente a partir deste grau de umidificação nas diferentes alturas e profundidades pode ser definido, com precisão, o percurso da umidade na parede e a conseqüente solução para o problema. O grau de umidificação permite ainda uma comparação da umidade específica dos materiais com as diferentes porosidades.

 

2.4. - Adsorção d’água

            Os corpos de provas totalmente secos são colocados em ambientes com temperatura e umidade relativa do ar predefinidas. Nestes ambientes em que a temperatura deve estar em torno de 20 °C e com a umidade relativa de 97 %, o material só pode absorver água através de sua qualidades higroscópicas. Outro ciclo, à mesma temperatura e com a umidade relativa de 52 %, indica o grau de umidade mínimo esperado, no caso de todas as outras possibilidades de umidade terem sido excluídas. Esta absorção de água é determinada geralmente através da dimensão dos poros e pela sua distribuição. Os percentuais de umidade daí resultantes estão sempre abaixo da área de dano à construção. No entanto, se houver a presença de sais higroscópicos depositados, a absorção de água pode ser muito aumentada, ficando os materiais tão umedecidos, que mesmo sem umidade ascendente, provocarão danos consideráveis.

 

2.5. - Valor do pH

            Este valor informa sobre as características alcalinas ou ácidas dos materiais de construção. Tijolos e pedras situam-se na zona levemente alcalina (pH 7,5 - 8,5); argamassas são alcalinas quando frescas, neutralizando-se cada vez mais com o passar do tempo, com a carbonatação progressiva, para um valor de pH entre 8,0 - 8,5. Esta indicação permite, nos rebocos e argamassas, a comprovação da sua idade. Substancialmente mais importantes são, no entanto, as conclusões sobre agressões ácidas anteriormente ocorridas na parte do edifício com valores de pH abaixo de 7,0. Nestes casos é, por ocasião da execução de novas argamassas e rebocos e assim fortemente alcalinas, impossível evitar a nova formação de sais, geralmente danosos aos materiais de construção. Além disso, há a possibilidade que a justaposição de materiais de construção novos e antigos, com valor de pH muito diferenciado, em zonas úmidas (por exemplo saneamento de fundações em concreto), levem ao acréscimo do transporte de água na alvenaria devido ao efeito eletrocinético. O valor do pH também é significativo para a escolha de apropriados meios de proteção ao edifício.

 

2.6. - Análise dos sais

            A análise dos sais indica a espécie e a quantidade dos principais grupos de sais danosos aos edifícios. A comprovação parcialmente quantitativa indica as quantidades moleculares dos sais prejudiciais no material de construção, em quantidades aproximadas. Segundo ARENDT (1993), a ação dos sais pode ser divida em cinco categorias de danos:

            Categoria 0:      (0 - 2,5 mmol Sal/kg material de construção)

A alvenaria apresenta vestígios de sais; uma formação de danos pode ser excluída

            Categoria I:      (2,5 - 8 mmol Sal/kg material de construção)

A sobrecarga decorrente é pouca; quando muito, sob condições muito adversas (por exemplo grandes espessuras de parede, concomitantemente com adução de água por capilaridade), pode-se esperar uma formação lenta de danos.

            Categoria II:     (8 - 25 mmol Sal/kg material de construção)

A sobrecarga decorrente é média, que com as altas qualidades higroscópicas dos sais, já podem levar a um elevado depósito de água no material de construção proveniente da umidade do ar.

            Categoria III:    (25 - 80 mmol Sal/kg material de construção)

O tempo de permanência do reboco e pintura já é mais reduzido. Apesar de medidas eficazes de bloqueio contra a umidade ascendente, não é possível a secagem total da parede. Pode surgir a presença de manchas visíveis de umidade na parede.

            Categoria IV:    (acima de 80 mmol Sal/kg material de construção)

Em função desta sobrecarga extrema de sal, aparecem em pouco tempo novos problemas de umidades higroscópicas.

            Assim como na umidade do material, a análise do sal feita em pedaços da amostra retirada de alturas e profundidades diferentes da parede, dá indicações importantes para as causas dos danos e a subsequente evolução destes fenômenos. O interior da parede deverá ser avaliado criticamente até as mínimas concentrações de sais, já que estas, na difusão da umidade para a superfície, podem assumir grandes proporções.

            Se o objetivo for a definição da espécie do sal, mas não sua quantidade, o que na maioria dos casos de danos não será o bastante, é suficiente a definição das eflorescências dos sais (barbas de sal). Em outras situações, quando são retiradas apenas amostras superficiais, o grau de salinidade real poderá ser falseado, e assim, levar à orientações de recuperação não somente erradas como também desnecessárias.

 

2.7. - Partículas solúveis em água

            Esta comprovação física indica num primeiro passo, o percentual de sais solúveis em água e, consequentemente, sais prejudiciais ao material construtivo. Ela não seleciona entre os diferentes tipos de sais. Partículas solúveis em água até 0,1 %, em peso, não precisam ser consideradas, especialmente em materiais calcários. Se surgirem altos índices de partículas solúveis em água, apesar de pequena concentração de cloretos, sulfatos e nitratos, deverá existir ainda, no material de construção, uma sobrecarga adicional, que poderia ser por exemplo, acido carbônico ou ácido fosfórico.

3. SOLUÇÕES DE REPARAÇÃO DAS ANOMALIAS

 

3.1. Generalidades

            Existem diversas soluções que podem ser aplicadas para reparação das anomalias provocadas pela umidade. Tais soluções irão depender do tipo de anomalia, do tipo de construção e dos objetivos que se pretende atingir.

            De acordo com HENRIQUES (1995), existem seis grandes grupos de anomalias que podem ser objeto de intervenções:

                        - eliminação das anomalias;

                        - substituição de elementos e materiais afetados;

                        - ocultação das anomalias;

                        - proteção contra agentes agressivos;

                        - eliminação das causas das anomalias e

                        - reforço das características funcionais.

            A eliminação das anomalias não se apresenta como uma solução definitiva. Enquanto persistirem as causas as anomalias continuarão a ocorrer. Como exemplos pode ser citado a secagem de paredes umedecidas, a remoção de bolores, a fixação de revestimentos descolados, etc...

            A substituição de elementos e materiais afetados pode ser parcial ou total, conforme o estado dos mesmos. Salienta-se ainda, que esta solução somente será definitiva se forem sanadas as respectivas causas dessas anomalias.

            A ocultação das anomalias é uma solução de custo reduzido, onde os problemas continuarão acontecendo, estando apenas escondidos dos observadores. Um exemplo este tipo de solução é a construção de painéis de parede que ocultem paredes afetadas.

            A proteção contra agentes agressivos é uma metodologia que, sem eliminar as causas das anomalias, procura impedir a sua ação direta sobre os elementos construtivos. Podem ser citados como exemplo: corte e criação de uma zona estanque em paredes com umidade ascendente, impermeabilização dos paramentos exteriores de paredes introdução de produtos impermeabilizantes...

            A eliminação das causas das anomalias, sem dúvida, é o tipo de intervenção mais eficaz, embora nem sempre isto seja possível. Cita-se como exemplo, a drenagem de um terreno, o aumento da ventilação de ambientes etc...

            Finalmente, o reforço das características funcionais dos elementos de construção que tem como objetivo corrigir a inadequação desses elementos às respectivas exigências a que está submetido.

 

 

3.2. Reparação das anomalias provocadas por umidade do terreno

            As soluções para estes tipos de anomalias deve estar apoiada num diagnóstico exaustivo, que permita determinar com precisão a procedência da água existente no terreno. Estas soluções podem estar divididas em quatro grupos:

            a) Impedir o acesso da água

                        - secagem da fonte de alimentação d’água

                        - tratamento superficial do terreno

                        - rebaixamento do nível do lençol freático

                        - drenagem do terreno

                        - execução de valas periféricas

                                    . com enchimento

                                    . sem enchimento

            b) Impedir a ascensão da água

                        - redução da seção absorvente

                        - introdução de barreiras estanques

                                    . substituição dos elementos de alvenaria

                                    . corte com serra

                                    . corte por carotagens sucessivas

                                    . introdução forçada de materiais metálicos

                                    . introdução de produtos impermeabilizantes

                                                produtos tapa-poros

                                                produtos hidrófugos

            c) Retirar a água em excesso

                        - eletro-osmose

                                    . passiva

                                    . semi-passiva

                                    . ativa

                                    . forese

                        - drenos atmosféricos

            d) Ocultação das anomalias

                        - execução de uma nova parede

                        - aplicação de revestimentos especiais

 

3.3. Reparação das anomalias provocadas por umidade de construção

            Este tipo de umidade é limitado no tempo, por conseguinte as suas soluções de reparação devem ser orientadas para eliminar os efeitos das anomalias, como por exemplo eliminar o excesso de água das alvenarias. As medidas propostas são:

            a) Reforço na ventilação interna

            b) Aumento da temperatura do ar

            c) Diminuição da umidade relativa do ar

            d) Reparação dos elementos afetados

 

3.4. Reparação das anomalias provocadas por umidade de precipitação

            As anomalias provocadas pela ação da água da chuva sobre as paredes são devidas a deficiências de estanquidade das próprias paredes. As possíveis soluções podem ser divididas em dois grupos:

            a) Eliminar as deficiências de estanquidade das paredes

                        - aplicação  de novos revestimentos de paredes

                        - aplicação de um hidrófugo nos paramentos exteriores

            b) Eliminar as infiltrações de água através das fissuras

                        - reparação de paramentos com fissuras de pequena largura (< 0,2 mm)

                        - reparação de paramentos com fissuras de largura significativa (> 0,2 mm)

 

3.5. Reparação das anomalias provocadas por umidade de condensação

            a) Evitar a ocorrência de condensações superficiais

 

3.6. Reparação das anomalias provocadas por umidade de fenômenos de higroscopicidade

            Este tipo de anomalia é, de uma forma geral, um dos mais difíceis de serem solucionados, sempre que não se pretenda alterar o aspecto das superfícies em que se encontrem as anomalias. Em geral existem quatro tipos de soluções a serem utilizadas.

            a) Remoção dos sais

            b) Substituição dos elementos afetados

            c) Ocultação das anomalias

            d) Controle da umidade relativa do ar

 

3.7. Reparação das anomalias provocadas por outras causas

            Estas soluções dependerão do tipo de anomalia que se apresenta

 

4. CONCLUSÃO

 

            Pelo exposto, vê-se a complexidade que representa este assunto. Desde a identificação das causas até a solução patológica mais adequada.

            O custo para elaboração de um bom diagnóstico também apresenta-se como um obstáculo para as pessoas menos esclarecidas, pois a coleta de amostra e a sua análise tem um preço relativamente alto, uma vez que envolve equipamentos sofisticados e pessoal especializado.

            Todavia, a execução de soluções paliativas que não resolvem definitivamente o problema, apenas combatem alguns efeitos num curto espaço de tempo, pois as anomalias voltam a aparecer é, certamente, um desperdício de recursos.

            O mais correto, sem dúvida, é prever-se, na fase de projeto, a execução de serviços que não permitam o aparecimento de umidade nas paredes da edificação ou que a construção seja executada dentro de padrões mínimos de qualidade.

 

5. BIBLIOGRAFIA

HENRIQUES, Fernando M. A. Humidade em Paredes, Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Lisboa, 1995

EICHLER, Friederich. Patologia de la Construccíon. Barcelona; Editorial Labor. 1973

INSTITUT FÜR GEBÄUDEANALYSE UND SANIERUNGSPLANUNG -IGS. Folha de Instruções Técnicas. Tradução Betina Adams. 1995.

ARENDT, Claus. Altbausanierungleitfaden zur erhaltungund modernisierung Alter Hauser. Saneamento de Edifícios Antigos -Um Guia para a sua conservação e modernização. Tradução Betina Adams. 1995.

 

Fonte:

 

http://www.labrestauro.ufsc.br/artigos/5.umidade%20em%20paredes.htm

 

 

 


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