Imunologia/Imunidade - Imunidade
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Imunologia/Imunidade

Imunidade

28/09/2008
   Introdução

                                                                      Antígenos

                                                                 A Reação Imune  

                                                          Tipos de resposta imune 

                                               Funções imunológicas de um antígeno


 

 

Introdução:                                                                                                                   Voltar ao Menu

O termo IMUNIDADE é derivado do Latim immunitas que se refere as isenções de taxas oferecidas aos senadores romanos. Historicamente IMUNIDADE representa proteção a doenças, mais especificamente doenças infecciosas. A IMUNOLOGIA é o estudo da imunidade ou seja os eventos moleculares e celulares que ocorrem quando o organismo entra em contato com microrganismos ou macromoléculas estranhas. As barreiras físicas, células e moléculas responsáveis pela imunidade constituem o SISTEMA IMUNE.

Existem 02 tipos de imunidade: Imunidade Natural e Imunidade Adquirida.

Na IMUNIDADE NATURAL, a eliminação do patógeno ocorre por neutralização e/ou destruição. A neutralização ocorre por ação de muco, líquidos corporais e complemento presentes em locais estratégicos. A destruição é responsabilidade das células fagocitárias que fazem a lise inespecífica dos patógenos. Quando existe uma distinção especifica e seletiva as moléculas pertencentes ao seu próprio tecido de substâncias estranhas que são chamada antígenos temos a chamada IMUNIDADE ADQUIRIDA. Os receptores que reconhecem os antígenos são estruturas moleculares presentes em células especializadas que nos vertebrados são populações chamadas linfócitos. Estas são células que em cooperação com células não linfóides, como macrófagos, reagem com os antígenos, provocam uma multiplicação celular (proliferação clonal) e desenvolvem uma reação ou RESPOSTA IMUNE. Esta é caracterizada pela síntese de sub-populações de linfócitos chamados T e B com moléculas que reconhecem especificamente o antígeno que iniciou sua síntese. Os linfócitos B se diferenciam em plasmócitos e fazem uma RESPOSTA IMUNE HUMORAL e os receptores formados nos linfócitos T fazem uma RESPOSTA IMUNE CELULAR.

Os ANTÍGENOS são moléculas naturais ou sintéticas, inofensivas ou nocivas (toxinas ou outras substâncias agressivas) para o organismo, isolados ou constituídos por vírus, bactérias, organismos procarióticos ou eucarióticos que parasitam o indivíduo ou as células animais. Transplantes ou tumores provenientes de doadores da mesma espécie do receptor são chamados ALOANTÍGENOS e de espécies diferentes de HETEROANTÍGENOS. Eventualmente células do próprio organismo sofrem mudanças fisiológicas ou patológicas (reações auto-imunes) e são consideradas estranhas e são chamadas AUTOANTÍGENOS. A rejeição ao transplante é um exemplo típico de reação auto-imune. Considerando o aspecto global de reconhecimento específico de moléculas estranhas, Paul Ehrlich (1854-1915, microbiologista alemão, co-autor do prêmio nobel de 1908 com Elie Metchnikoff) em 1902 descreveu a importância do reconhecimento específico de moléculas estranhas pelo self e non-self.

Quando não existe reação a entrada do antígeno diz-se que o indivíduo é TOLERANTE a ele.

De maneira geral foi formulado que o sistema imune possui 03 funções fundamentais para a sobrevivência do organismo: (1) Definição do indivíduo; (2) Reconhecimento das moléculas estranhas (distinção do self e non-self); (3) Organização da defesa do self. Essas 03 funções são comandadas por genes localizados em pequenos fragmentos cromossômicos do complexo de histocompatibilidade maior (MHC), chamado sistema HLA (descoberto por Jean Dausset, prêmio nobel 1980) e H2 em camundongos. O polimorfismo desse sistema garante que o repertório antigênico de um indivíduo seja totalmente diferente de outro.

Para que ocorra o perfeito funcionamento do sistema imune é necessário que as informações sejam distribuídas. Assim uma série de células linfocitárias ativadas ou supressoras, assim como macrófagos e um número de mediadores específicos como interleucinas, são de grande importância para regulação do sistema. Estas reações estão diretamente ligadas a relação idiotipo-antidiotipo, e antidiotipo-idiotipo, etc. postulado por Jerne.

Antígenos                                                                                                                        Voltar ao Menu

Conceito de antígenos: Definição e propriedades gerais.

O termo antígeno ou imunógeno, significa toda espécie molecular de origem biologia isolada ou constituída por uma célula, vírus, liquido biológicos ou sintética que quando introduzida em um organismo vertebrado (chamado hospedeiro ou receptor) é capaz de produzir uma reação imune. Se o organismo for imunocompetente ele pode manifestar uma resposta imune ou uma tolerância.

Os antígenos são essencialmente macromoléculas não obrigatoriamente imunogênicas. As macromoléculas antigênicas (imunogênicas) são basicamente proteínas (vários polipeptídeos) e polissacarídeos. É importante lembrar que por definição é uma molécula, assim como o termo antígeno também é aplicado a uma suspensão ou extratos celulares que apresentam um complexo de antígenos, ou seja várias moléculas diferentes.

Conceito de determinante antigênico ou epítopo

Uma propriedade fundamental do antígeno é a natureza química da estrutura multiepitópica de suas moléculas. M.Heidelberger, K.Landsteirne e E.Kabat e um grande número de imunoquímicos definiram que a molécula antigênica é um edifício complexo apresentando em sua superfície uma variável estrutura distinta, chamada determinante antigênicos e que N.Jerne chamou de epítopo. A base experimental do conceito de epítopo surgiu de observações das macromoléculas, composto de polipeptídeos e proteínas, produziam sub-populações diferentes de moléculas de anticorpos que tinham especificidade a uma região específica da molécula e não a outras regiões.

É importante ressaltar que a fragmentação química do antígeno (C.Lapresle) permite isolar diferentes grupos de epítopos ou mesmo de porções da molécula não mais importantes que o epítopo.

O epítopo é constituído por um grupo de átomos, formando configurações específicas tridimensionais esterioespecíficas de tamanho limitado (em média na ordem de um tri a um hexassacarídeio ou de um tri a um decapeptídeo), na superfície da molécula imunogênica.

Ele pode ser imunodominante em razão da sua exposição privilegiada na superfície da molécula ou imunosilencioso se ele se apresentar escondido em razão de um desdobramento estérico.

Podemos dizer que os epítopos de um antígeno são reconhecidos separadamente por receptores linfocitários distintos. Cada classe de linfócitos portando possui receptores específicos. A resposta imune a um antígeno será então policlonal. As moléculas de reconhecimento sintetizadas serão distintas para cada epítopo homólogo.

Resumindo, determinante antigênico (epítopo) representa uma pequena configuração estrutural de uma molécula do antígeno capaz de se combinar com um local esterioespecífico complementar de uma imunoglobulina (1 mole do determinante/1 mole receptor), ou de se combinar com um receptor funcional análogo na superfície de um linfócito.

Conceito de hapteno

O termo hapteno, proposto por Landestiner em 1920, é designado a toda espécie molecular não imunogênica ao receptor, que se combina com uma macromolécula imunogênica carregadora ("carrier") sendo capaz de licitar uma resposta imune específica no hospedeiro.

Essas moléculas orgânicas, naturais ou sintéticas de baixa massa molecular (inferior a 1 kDa), penetram na epiderme, se conjugam na maioria das vezes com proteínas do corpo e assim são carreadas. O conjunto hapteno-carreador é chamado conjugado.

O conceito de hapteno se estende a toda molécula natural (lipídeos, nucleotídeos, etc...) não imunogênica por ele mesmo mais podendo manifestar sua especificidade quando conjugado.

O potencial de sensibilização do hapteno não pode ser previsto pela sua estrutura química. Existe uma correlação como o número de haptenos conjugados com o carregador e a sua capacidade de penetrar na pele. O conjugado forma uma espécie de antígeno específico novo. Ela se comporta como um epítopo novo (ou diversos epítopos conforme a dimensão).

Natureza química dos antígenos

Em regra geral os antígenos são macromoléculas e sua imunogenecidade é variável. Excepcionalmente algumas moléculas de baixa peso molecular (massa molecular < 2500 e as vezes 1000 daltons) são imunogências na presença de adjuvantes mais a intensidade da resposta humoral ou celular observada é baixa se comparada com a obtida com macromoléculas maiores. Podemos identificar 3 tipos de imunógenos: naturais, artificiais, ou sintéticos.

a. Imunógenos naturais

As substância macromoleculares naturais são as proteínas, os polipeptídeos e seus derivados glicídicos, lipídicos, poliosideos simples ou complexos (ligados a lipideos, peptídeos, proteínas...), os ácidos nucleicos e os lipídeos complexos de alto peso molecular. As proteínas e maioria dos polipeptídeos assim como os poliosideios são em regra geral imunogênicos e reagem diferentemente depedendo de espécie. Qualquer ácido nucleico e certos lipideos macromoleculares são também imunogênicos.

b. Imunógenos artificiais

O termo é aplicado a macromoléculas imunogênicas naturais ou modificadas quimicamente por fixação de um ou mais moléculas identicas ou não, geralmente de baixo peso molecular (haptenos). A fixação dos ligantes sobre macromoléculas carreadoras ("carrier") são na maioria das vezes ligações covalentes. Em um certo número de casos a associação ligante-molécula carreadora se efetua por ligações não covalentes (essencialmente eletrostáticas). A molécula mais utilizada é a soro-albumina bovina metilada, que possui carga positiva e permite a fixação de moléculas carreadas negativamente.

Esse mesmo processo ocorre com moléculas não imunogênicas (sucrose, esteróides, hormônios, antibióticos, pequenos polipeptídeos sintéticos, nucleotídeos, alcalóides, agentes farmacológicos diversos).

Os imunógenos artificiais são particularmente interessantes porque permitem o estudo de variações qualitativas e quantitativas do poder imunogênico por decorrencia da modificação da molécula nativa por um ligante de estrutura conhecida, tanto da transformação de uma molécula imunogênica em não imunogênica as vezes em associação com um hapteno.

c. Imunógenos Sintéticos

Os imunógenos sintéticos são essencialmente macromoléculas polipeptídicas formadas pela polimerização do ácido a -amino opticamente ativo (L ou D) ou racemico (LD). A polivinrrolidina e certos poliacrilamideos lineares conjugados ao DNCB (dinitroclorobenzeno) são os mais conhecidos imunógenos sintéticos.

A Reação Imune                                                                                                      Voltar ao Menu

Células envolvidas na resposta imune

Nos animais vertebrados a resposta imune é dicotômica (humoral e celular). O aparelho celular, que é base do processo imune é constituido essencialmente por células do sistema hematopoético:

os linfócitos que se distinguem em 02 grupos de populações chamados linfócitos T e B e diversas célula auxiliares não linfóides tendo como o mais importante os macrófagos. Essas tres populações celulares estão implicadas na resposta imune e na tolerância.

Ontogenese das células sanguineas dos vertebrados superiores

(Esquema simplificado)

tabela.jpg (216054 bytes)

1) Macrofagos:

Os macrófagos possuim em sua membrana receptores específicos com o fragmento Fc de imunoglobulinas e pelo composto C3 do complemento e não possuem receptores específicos para os antígenos. O papel dos macrófagos na resposta imune é vital pois quando ocorre a depleção do macrófagos existe a diminuição da resposta imune. Isso se deve ao fato dos macrófagos serem grandes apresentadores de antígenos (APC) além é claro de sua cooperação na resposta imune natural com a destruição de microrganismo inespecificamente.

2) Linfócitos:

A aparente semelhança morfológica do linfócitos não demonstra sua extrema heterogeneidade. Isso constitui um importante obstáculo para uma compreensão aprofundada de suas funções, de sua regulação e da natureza química das substâncias por eles secretadas. A origem dessa diversidade depende de alguns fatores:

(1) Diferenciação em linhagens celulares distintas, representados por linfócitos B e T e suas Sub-populações.

(2) Heterogeneidade de estados funcionais (células em repouso ou ativadas, células memórias e efetoras)

(3) Heterogeneidade da especificidade molecular dos receptores induvidualmente expressos sobre células distinta.

O nome especificidade molecular distinta exprimido pelos receptores linfócitários é da ordem de dez milhões (Paul et al. Nature, 1981, 294:697). Desses dois tipos celulares pode-se estimar que existam aproximadamente 108 tipos de linfócitos diferentes sendo que a população global é de 1012 linfócitos em um homem adulto. É evidente que o estudo da especificidade de um linfócito é impossível. A abordagem experimental possível está no estudo da população de uma classe particular seleciona por diferentes meios de ativação, por estímulo policlonal como por lecitina ou certos produtos bacterianos separados por ação física ( trituração de células) ou imunológicas (onde são fixados anticorpos específicos de marcadores antigênicos).

Os linfócitos T e B portanto possuim em sua membrana receptores que demonstram um grau de especificidade de reconhecimento por um antígeno, similar ao encontrado nos anticorpos séricos. As célula B possuim como receptores de imunoglobulinas pertencentes seja ao isotipo m , seja d . A caracterização química dos receptores das células T é mais complicadas. Estudos recentes indicam que as moléculas são diferentes das imunoglobulinas, porem possuem idiotipos de partes variadas de imunoglobulinas.

Os linfócitos T são divididos em sub-populações especializadas, cada uma com um papel essencial na regulação da resposta imune (produção de anticorpos e células citotóxicas). Os linfócitos T helper podem amplificar e regular a resposta imune e os linfócitos T supressores inibem. Toda maturação dos linfócitos T (apresentação de receptores, diferenciação e seleclonal clonal) ocorre no timo, onde o contato das células imaturas com o epitélio especializado produz hormonios tímicos (isolado na França por J.F.Bach et al) que induzem a diferenciação.

Tipos de resposta imune                                                                                             Voltar ao Menu

Resposta imune humoral

As moléculas de reconhecimento são constituidas por anticorpos, globulinas glicoproteicas chamadas imunoglobulinas (Ig), secretadas no plasta e de inúmeros tecidos. A imunidade humoral, ao contrário da imunidade celular, pode ser transmitida pelo plasma ou soro.

Na espécie humana são encontradas 05 tipos de imunoglobulinas. São por ordem de concentração decrescente no plasma a IgG, IgA, IgM, IgD e IgE (tabela I e II). Sua estrutura geral é representada por 04 cadeias polipeptídicas: duas cadeias chamada de pesada (H - heavy) identicas de 50.000 daltons e dua cadeias leves (L-ligth) idênticas de 25.000 daltons ligadas entre elas por pontes de dissulfeto.

As IgG, IgD, e IgE possuem uma base única, enquanto a IgM possui 05 e a IgA de 01-05 domínios. As cinco classes de imunoglobulinas são caracterizadas pelas propriedades antigências de suas cadeias pesadas que se chamam respectivamente g , a , m , d , e e . Alguns ainda se subdividem em sub-classes antigênicas distintas:

Classe

Sub-classes

Cadeia Pesada

Cadeia Leve

IgG

IgG1

IgG2

IgG3

IgG4

g 1

g 2

g 3

g 4

Kappa/Lambda

       

IgA

IgA1

IgA2

a 1

a 2

Kappa/Lambda

       

IgM

IgM1 (?)

IgM2 (?)

m 1

m 2

Kappa/Lambda

       

IgD

-

d

Kappa / Lambda

       

IgE

-

e

Kappa / Lambda

O efeito das Ig podem ser benéficas (anticorpos protegendo contra inumeros microrganismos infecciosos, toxinas...) ou maléficas (alergias, anafilaxia...). Os anticorpos podem recobrir certas células ou aindas agir em conjunto com o sistema complemente permitindo a distruição da célula (citólise)

B. Resposta Imune Celular

Na resposta imune celular, as moléculas de reconhecimento ficam aderidas a membrana dos linfócitos T. Os linfócitos sensibilizados são efetores nos casos de:

Hipersensibilidade do tipo tardia

Rejeição de transplantes (em parte)

Reação do transplante contra o receptor

Resistência por parte dos tumores

Imunidade contra inúmeros agentes bacterianos e virais (sobretudo intracelular)

Certas alergias medicamentosas

Certas doenças auto-imunes

Nos fenomenos de citotoxicidade e MLR

Esse tipo de imunidade pode ser transferida a um animal não imunizado através de injeção de células sensibilizadas e não através do soro ou plasma.

C. Desenvolvimento e Regulação da Resposta Imune

Quando a resposta imune for do tipo humoral ou celular esta se desenvolve em tres etapas sucessivas:

(a) Fase de reconhecimento ou indução:

Nesta fase o antígeno é pego e carregado pelos macrofagos que o apresenta de uma maneira apropriada aos linfócitos que possuem receptores na superfície de sua membrana citoplasmática reconhecendo separadamente as estruturas moleculares chamadas determinantes antigênicos, caracterizando o antígeno.

(b) Fase de proliferação clonal:

Ocorre quando o antígeno reconhecido pelo linfócito especificamente desencadeia a multiplicação das células e a síntese de moléculas de reconhecimento, a produção de anticorpos pelos linfócitos B (em sua forma diferenciada, os plasmócitos) e de seus receptores específicos na superfície doe linfócitos T funcionalmente similares a porção variável das imunoglobulinas.

(c) Fase efetora:

Corresponde a reação dos anticorpos ou dos receptores dos linfócitos T com o antígeno neutralizado e sua eliminação. Nesta fase outras células da linhagem multipotente podem intervir (mastócitos, polimorfonucleares, basófilos), podendo ocorrer o fenômeno da alergia.

Na medida que a resposta imune a um antígeno se desenvolve, diversos mecanismos reguladores são desencadeados em princípio como ativação, para evitar que esses mecanismos possam prejudicar o receptor. São essencialmente tres tipos:

(1) Degradação catabólica e eliminação do antígeno

(2) Processo de retro-inibição sobre os anticorpos neosintetizados e produzidos em excesso

(3) Intervenção dos linfócitos T supressores que produzem mediadores com o objetivo dos linfócitos T amplificando limitante ou predendo a intervenção desses linfócitos e o desnvolvimento da resposta imune.

(4) A intervenção da rede idiotipo-antidiotipo.

Na verdade os mecanismos da resposta imune são extremamente complexos. Os antígenos pertencem a classe de timo-dependentes e timo-independentes conforme a síntese dos anticorpos homólogos necessitando ou não a colaboração dos linfócitos T e B. As hipóteses mais recentes indicam que a cooperação da resposta humoral específica contra um antígeno está implicada na participação de dois tipos de linfócitos T helper (Th)

(1) Dos linfócitos Th específicos a um antígeno com restrição alogênica (MHC)

(2) Dos linfócitos Th anti-idiotípos e suas restrições (MHC)

Conforme as hipóteses a ação dos genes Ir é expressa por seu primeiro tipo de célula Th.

D. Tolerancia Imunológica

A tolerância imunológica é definida como a incapacidade específica adquirida total ou parcialmente por um indivíduo a desenvolver uma resposta imune humoral normal ou a mediação celular a um antígeno ou a diversos epítopos de um certo antígeno contra o(s) qual(s) ele normalmentes se desenvolveria uma resposta em outras condições. É importante sublinhar que em um indivíduo dito tolerante sua capacidade de responder a outros antígenos administrados ao mesmo tempo que o primeiro podem não ser bloqueado seu potencial de resposta imune. Em outras palavras a tolerância imunologica é também específica a um antígeno.

Ao lado da tolerância adquirida, descrita anteriormente, existe a tolerância natural que resultou da regra de Ehrlich onde o organismo não desenvolve reação imune contra seus próprios constituintes. Na realidade a distinção entre o "self" e ou "não self" não é sempre absoluta (fenômeno auto-imune). Desde 1902 P.Ehrlich atraiu a atenção com as possibilidades do organismo de auto-destruição por intermédio de seu próprio siteama imune. P.Ehrlich supos que um "horror autotóxico" deveria proteger o organismo contra certas eventualidades, e por essa razão a tolerância foi posta em evidência experimental meio século mais tarde.

C. Memória Imunológica

A memória imunológica se caracteriza de um lado por uma reação imune mais intensa (síntese aumentada de imunoglobulinas Igs no plano humoral ) e mais rápida solicitação do sistema imune (reação secundária) por um antígeno que entrou no organismo em uma primeira vez (reação primária), e por outro lado por variações qualitativas de imunoglobulinas de reconhecimento, da mesma espécie de mamíferos (IgM -> IgG da mesma espécie). Esses parâmetros caracterizam a resposta amanistica??? . A merória imunológica se manifesta mais ao nível da resposta celular. O suporte citológicao da memória imunológica por seus dois tipos de resposta é constituida por suas sub-populações de linfócitos T e B especiamelnte chamados células memória.

F. Aspectos evolutivos do sistema imune.

O aparelho celular e as moléculas descritas anteriormente caracterizam o sistema imune que é encontrado nos vertebrados.

Este sistema imune é aprimorado em um aparelho mais rudimentar (ausência de Ig e memória eficiente) que progressivamente diminui nos degraus filogênicos dos metazoários invertebrados que precedem o filo dos cordata. Segundo Cooper, a evolução do sitema imune é provavelmente dividiade em 03 etapas. A primeira etapa, o reconhecimento, é a essencia da imunidade. Os tipos unicelulares, todas as células do sitema unume dos animais pluricelulares, apresentam propriedades que permitem a distinção do "self" e do "não self". Quando o corpo estanho é reconhecido como "não self" , ele é fagocitado por uma célula do sistema imune, sendo ingerido e digerido por esta célula. Nesta é primeira etapa (reconhecimento/fagocitose) existe tanto nos grupos de animais mais simples como nos mais evoluidos. Nos vertebrados, a fagocitose é realizada por uma categoria especial de glóbulos brandos, os macrófagos e os neutrófilos polimorfonucleares.

O degrau seguinte da evolução consiste na aquisição (mais reconhecimento e fagocitose) de respostas complexas permitindo a rejeição aos transplantes. Por observações da resposta, é possivel realizar transplantações de tecidos experimentalmente. Esta é somente uma parte da segunda etapa da história evolutiva do sistena imune, etapa geralmente conhecida como imunidade celular.

A rejeição dos transplantes, que é observada desde o nível dos invertebrados, se realiza por destruição direta de uma célula-alvo ("não self") por contato de uma célula imune chamada efetora (capaz de realizar esta destruição). Esta destruição de células se chama citotoxicidade. Quando os transplantes são rejeitados, um numeroso número de células do tecido do transplante são destruídos, sendo chamado neste caso de histotoxicidade. Nos vertebrados, são os linfócitos T que realizam a rejeição dos transplantes.

A terceira etapa é a secreção de substâncias humorais capazes de neutralizar os antígenos. Ela aparece nos invertebrados mais evoluídos, anelídeos, moluscos, artropodes (por exemplo crustáceos e insetos), equinodermes (por exemplo ouriços) e pequenos animais marinhos 0precursores dos vertebrados. Nos vertebrados temos a secreção de anticorpos na forma de imunoglobulinas produzidas pelos linfócitos B.

Contrariamente a imunidade celular, os os laços evolutivos entre a resposta humoral dos vertebrados e dos invertebrados não são estáveis.

Funções imunológicas de um antígeno                                                                       Voltar ao Menu  

Os dados experimentais e conceituais desenvolvidos nos parágrafos anteriores concedem ao antígeno um certo número de funções imunológicas que permitem a caracterização sobre o plano de sua reatividade a nível global (hospedeiro) ou moleculares (interações com as moléculas de reconhecimento).

Operacionalmente existem 06 funções imunológicas de uma molécula coexistente simultaneamente ou não.

1) A imunogenecidade (ou poder imunogênico)

Capacidade de indução de uma resposta imune humoral e/ou celular independente da especificidade das moléculas de reconhecimento (cara a cara com as estruturas epitópicas do antígeno), que aparecem no hospedeiro consecutivatimente a entrada do antígeno. Assim uma única molécula imunogênica, como mostram as experiências utilzando polipeptídeos sintéticos admistrados em 02 linhagens distintas (dirigidas contra epitopos imunogêncos diferentes) conforme a linhagem considerada. Diversos exemplos de expressão de especificidade diferentes de uma mesma espécie molecular em função do genoma do hospedeiro. Por outro lado, conforme a regra de Ehrlich, a resposta imune a um certo imunógeno não pode ser desencadeada por epítopos distintos que estão presentes sobre as moléculas dos tecidos do hospedeiro. Assim, para a molécula portadores dos epítopos a, b, c, d, e, f introduzida em 2 hospedeiros possuindo respectivamente os deteminantes a, b, e d, c sobre suas próprias moléculas tissulares, a especificidade dos anticorpos (ou dos linfócitos sensibilizados), não é dirigida contra os determinantes c, d, e, f no primeiro caso e a, b, e, f no segundo. Uma molécula intrinsicamente imunogênica em dois receptores distintos podem exprimir especificidade diferentes.

As estruturas que induzem a imunogenicidade de uma molécula (regiões ditas imunopotentes) e seus determinantes específicos antigênicos (epítopos ou locais conformacionais ou sequenciais) relacionam mais com zonas distintas da molécula.

2- Especificidade antigênica (ou antigenecidade por certos autores)

Capacidade de uma molécula de se combinar especificamente com uma molécula de imunoglobulina específica ou com os receptores (moléculas de reconhecimento ) funcionalmente similares presentes na superfície dos linfócitos específicos levando a resposta celular.

Esse antígeno depois define sua imunogenecidade (ou eventualmente tolerância) através de sua especificidade antigênica. No primeiro caso, é capaz de induzir uma reação imune (imunogenecidade) que é consideravel, então depois no segundo caso, ocorre a combinação específica com as moléculas de reconhecimento. Esta é a segunda propriedade introduzida no entanto uma certa ambiguidade do termo de antigeno que pode resultar no fato de que a imunogenecidade e a especificidade pode ser atribuida a uma mesma molécula (mas podemos marcar os motivos estruturais distintos) não estão sempre fortemente ligados. De outras moléculas podem possuir uma só ou duas propriedades, dependendo da especificidade antigênica. Essas moléculas são os hapteno. Por essa razão, na estudo do termo imunogenico pode designar uma molécula dotada de um poder imunogênico permanente assim como faz distinção entre as duas propriedade de um antígeno.

A combinação antígeno-molécula de reconhecimento homológa (Ig ou receptor celular) pode ser colocada em evidência in vitro ou in vivo por diferentes técnicas de imunoquímica e de imunologia celular. Ela se efetiva por suas ligações não covalentes entre os epítopos do antígeno e de suas regiões igualmente limitadas de suas moléculas de reconhecimento (posição dos anticorpos como as Ig situadas na parte variável da cadeia pesada e leve) esterioespecificamente complementares aos primeiros. Todo determinante presente sobre uma molécula imunogência e reconhece parte do hospedeiro como estranho pode levar a síntese por estes de moléculas de reconhecimento capazes de se combinar com o determinante. Em outros termos, uma molécula antigênica é vista pelo hospedeiro como um conjunto de partes antigênicas. Cada parte produz uma família de anticorpo específico único (mais ou menos limitado) adaptados a uma parte (noções de diversidade, ou de afinidade do anticorpo). Os anticorpos podem diferrir igualmente por diversas caracterísitcas (classes, sub-classes, natureza da cadeia leve, carga de cada molécula, etc...) se esta for qualificada como hetrogênia. É fato sublinhar que em um hospedeiro os determinantes de um antígeno podem não ser expressos na sua totalidade. Em outros termos os anticorpos contra certos antígenos somente serão sintetizados. Quando a combinação emtre uma molécula de reconhecimento se efetiva com uma molécula diferente do antígeno indutor da resposta, dizemos que esta molécula apresenta reação cruzada com o antígeno. Essa reatividade se atribui a presença de um ou mais determinantes antigênicos estruturalmente identicos ou similares sobre as moléculas respectivas.

3- Alergenicidade (poder alérgico)

Capacidade de indução de reações alérgicas e de lesões tissulares de um hospedeiro dito sensível (que anteriormente entrou em contato com a molécula estranha) e possuidor de imunoglobulinas e ou de linfócitos podendo reagir especificamente com a molécula introduzida. Os antígenos parasitas ou de diversos organismos vegetais ou microbios, designados com alergenos que induzem preferencialmente a aparição de uma classe de imunoglobuinas (IgE) ou de certas sub-classes de IgG expressam o conceito de alergenicidade.

4-Tolerância

Capacidade de induzir certas condições de de um estado de tolerância de um animal\

5- Adjuvanticidade

Capacidade de um antígeno de ser seu próprio adjuvante (imunomodulação)

6-Mitogenicidade policlonal

Capacidade de um antígeno de ativar não especificamente clones linfocitários de quem as moléculas de reconhecimento que foram sintetizadas são distintas e dirigidadas aos epítopos do antígeno.

Classificação dos imunógenos naturais em função de suas proporções com os tecidos do hospedeiro.

São distinguidos quatro tipos de antigênos que representam esse critério.

Heteroantígenos ou antígenos heteroespecíficos quando o antígeno proveniente de um organismo sem parentesco biológico com o receptor. Os anticorpos produzidos por este antígeno são chamados heteroanticorpos.

Aloantígenos Contrariamente aos antígenos ditos específicos da espécie identifica todo os indivíduos de uma mesma espécie, um salto depois da descoberta dos tipos sangüineos, tecidos e da especificidade alotípica em geral, que os indivíduos de uma mesma espécie podem se diferenciar entre eles pelos antígenos que não são comuns dos grupos de indivíduos da mesma espécie. Esses antígenos (chamados antígenos de grupo sanguineo por se apresentarem sobre os eritrócitos ou nas secreções) dando origem aos aloanticorpos. Sua importância é vital nos transplantes (antígenos de histocompatibilidade ou de transplantação).

Auto antígenos esses antígenos podem ser retirados e reintroduzidos no mesmo organismo. A aparição de autoantígenos (fenômeno excepcional) pode ser produzida. Uma suposição é que os constituintes de um organismo podem se transformar em autoantígenos por modificações de natureza desconhecida (espermatozóides, crislino, rins, cérebro) dando origem aos autoanticorpos (doenças auto-imunes).

Antígenos Heterofílicos que são ao contrário dos antígenos portanto de especificidade comuns às espécies animais (ou mesmo vegetais) taxinomicamente distantes. Um dos mais comuns (mas existem também outros) é o hapteno dito antigeno de Forssman, ausente no homem, no coelho e boi, mas presente sobre os eritrócitos de numerosas espécies (cachorro, carneiro, cabra, cobaia, cavalo...) assim como nos microrganismos.

 

http://www.unicamp.br/cipoi/lic/overview.htm

 

 


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