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Fertilização in vitro/Infertilidade/Reprodução

Criopreservação de gametas - uma esperança para pacientes com câncer

10/10/2008

 

 

Long-term cryopreserved semen results in a live birth 12 years later.

Sêmen congelado por um longo período resulta em nascido vivo após 12 anos.

The Journal of Urology, v. 171, p.358, 2004.

Autores: Alessandro Schuffner, Sandra Stockler, Sérgio Costa, Lidio Centa.

Pacientes e médicos têm sido motivados a preservarem o potencial reprodutivo antes de submeterem a terapias adjuvantes devido não somente aos recentes avanços na abordagem de jovens com diagnóstico de câncer em anos recentes como também um melhor entendimento dos efeitos gonadotóxicos do tratamento quimioterápico. Muitos destes pacientes não começaram ou não completaram suas famílias.
Este fator combinado com criopreservação de sêmen, e desenvolvimentos no tratamento da infertilidade masculina, especialmente injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), proporciona a esses pacientes em terem seus filhos geneticamente relacionados.
Usando ICSI apenas alguns espermatozóides são necessários após o congelamento e descongelamento para o sucesso na fertilização dos oócitos. Então, em contraste com o passado, atualmente não há um critério mínimo para se criopreservar amostras de sêmen.
Um relato anterior, demonstrou uma gravidez conseguida através de ICSI, após 11 anos de criopreservação do sêmen prévio a quimio e radioterapia.
De acordo com a literatura pesquisada, este é o período mais longo de criopreservação do sêmen (145 meses) que resultou em nascido vivo usando a técnica de ICSI.

RELATO DE CASO


Um homem solteiro de 20 anos de idade apresentou em 1990 com câncer testicular que exibia 2 componentes – 60% carcinoma embrionário e 40% teratoma maduro/imaturo. Orquiectomia esquerda foi realizada naquele momento. Seis meses depois uma metástase pulmonar foi detectada e quimioterapia (carboplatina, ciclofosfamida e etoposide) foi prescrito.
O sêmen foi criopreservado antes da quimioterapia. Amostras seminais foram criopreservadas no Idant Laboratories (Nova York, EUA) e mostrava antes do congelamento uma concentração espermática de 40x106/ml, motilidade progressiva de 40% e morfologia de 30%. A espécime do sêmen foi diluída (1:1) com solução de 10% de glicerol. A solução de 10% de glicerol foi adicionada gota a gota, e a mistura agitada gentilmente continuamente para assegurar completa e homogênea mistura. As amostras foram então colocadas em palhetas de 0,5 ml e imediatamente resfriada num congelador a –700C. No final do dia as palhetas eram submersas e armazenadas em nitrogênio líquido a –1960C. A amostra foi mantida congelada por 12 anos.
Análise seminal foi realizada antes da estimulação do ciclo da esposa e revelou completa azoospermia após centrifugação em alta velocidade. A esposa com 32 anos de idade se submeteu à estimulação com uma combinação de agonista do hormônio liberador de gonadotrofina, gonadotrofina gonadotrofina coriônica humana. Aspiração folicular transvaginal e cultura embrionária foram realizados como descrito previamente. A amostra seminal foi descongelada e a fração de espermatozóides com alta motilidade foi selecionada usando gradiente de separação descontínuo e então lavado com meio de cultura (fluido tubário humano) com proteína, demonstrando uma concentração final de espermatozóides móveis de 0,8x106/ml. Apenas oócitos em metáfase II foram submetidos ao procedimento de ICSI. Dois embriões foram transferidos transcervicalmente 3 dias após a aspiração folicular guiada por ultra-sonografia transabdominal. Uma gravidez única se desenvolveu e um feto feminino saudável (peso 3.480g e altura 50 cm) nasceu por parto cesáreo com 39 semanas de gestação.

DISCUSSÃO


Este caso mostra que a criopreservação de sêmen 12 anos antes possibilitou um homem com câncer testicular em ter seu filho genético. Todo esforço tem de ser feito para encaminhar pacientes com câncer para a criopreservação de sêmen antes da realização de quimioterapia. A criopreservação de espermatozóides antes de iniciar o tratamento esterilizante permite que mesmo um pequeno número de espermatozóides esteja disponível para técnicas em reprodução assistida, incluindo inseminação intra-uterina, fertilização in vitro e ICSI.
É digno de nota que mesmo sêmen criopreservado por um longo período de tempo é capaz de produzir uma gravidez viável. Desta forma, nós devemos encorajar nossos pacientes que se submeterão à quimioterapia e radioterapia em considerar a criopreservação, ainda que eles não estejam pensando em ser pai. Assim, a criopreservação de sêmen deve ser parte da rotina do manejo terapêutico para preservar a fertilidade em homens jovens com doença cancerosa.
O consentimento informado deve incluir o que será feito com os espermatozóides em caso de falecimento do paciente, por exemplo afirmando que poderá ser doado para pesquisa ou destruído. Alguém pode também reivindicar para usa-lo para produzir embriões com gametas de seu parceiro, embora as limitações éticas e legais não são claras a esse respeito. No que se refere ao período de tempo que o sêmen deve ser rotineiramente criopreservado, isto dependerá principalmente da idade do paciente no momento do diagnóstico da doença maligna e do momento em que ele deseja ter o filho.

 

Fonte:


Alessandro Schuffner

 

Colaborador do site: www.drashirleydecampos.com.br

 


Research Fellowship no Jones Institute for Reproductive Medicine, Norfolk, EUA.
Integrante da Comissão de Endocrinologia Reprodutiva da Soc. Brasileira de Reprodução Humana - SBRH   
Integrante do Comitê de Reproduçao Humana da Soc. Ginecologia e Obstetrícia do Paraná - SOGIPA

Conceber - Centro de Medicina Reprodutiva

www.clinicaconceber.com.br
Av. República Argentina, 210/17º andar
Curitiba - PR
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