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Fertilização in vitro/Infertilidade/Reprodução

Extração testicular de espermatozóides e injeção intracitoplasmática de espermatozóide em pacientes com azoospermia permanente após quimioterapia

12/10/2008

Extração testicular de espermatozóides e injeção intracitoplasmática de espermatozóide em pacientes com azoospermia permanente após quimioterapia

Meseguer M e cols. Human Reproduction 2003, 18(6), 1281-5.

Pacientes com azoospermia persistente após quimioterapia têm sido considerados tradicionalmente como estéreis se não tiverem amostras de sêmen congeladas. Recentes avanços na extração testicular de espermatozóides (TESE – biópsia testicular) e injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) abriram uma nova alternativa para esses casais.

Em estudo realizado na Espanha, 5 de 12 pacientes (41,6%) tiveram espermatozóides na TESE. Conforme o tipo de câncer: 4/6 câncer testicular (67%); 1/5 câncer hematológico (20%). Se foram submetidos à apenas quimioterapia (QT) ou linfadenectomia retroperitoneal (50%); quimio e radioterapia (25%).

O volume testicular foi maior no grupo com TESE (+), o FSH (hormônio folículo estimulante) não diferiu entre os grupos.

Um total de 8 ciclos de ICSI foi realizado, incluindo espermatozóides previamente criopreservados, foram realizados em 5 casais. Não houve falha de total da fertilização. A formação de embriões com 2 pró-núcleo foi de 68%. Tiveram sete transferências embrionária, 1 gestação clínica, e o nascimento de uma criança saudável.

DISCUSSÃO
A maioria dos pacientes que se submetem à QT para tratamento de câncer se tornam azoospérmicos em 7-8 semanas. As terapias citotóxicas anti-neoplásicas agem principalmente na espematogônia tipo B. No entanto, o retorno a espermatogênese depende da sobrevivência da espematogônia do tipo A. Os maiores riscos de esterilidade estão nos pacientes que se submetem à RT > 40 Gy em linfonodos para-aórticos e pélvicos e QT alcalinizantes. Na prática clínica é impossível predizer quais pacientes irão retomar a espermatogênese e quais permanecerão azoospérmicos.

Pacientes com azoospermia persistente após QT é uma população heterogênea, diferente tipos de Ca, quimioterápicos utilizados. Desta forma, um prognóstico para TESE para tipos específicos de tumores após tratamentos específicos é ainda desconhecido.

Nenhum paciente deve ser excluído da TESE/ICSI, independente do FSH, volume testicular, tipo histológico da lesão. A taxa de recuperação de espermatozóides foi de 41,5% após TESE, que foi uma faixa esperada para todas as TESE da instituição.

Um importante motivo de preocupação é o risco genético potencial associado com o uso de técnicas de reprodução assistida em sobreviventes de câncer com azoospermia não-obstrutiva. Um aconselhamento genético é particularmente relevante com relação à possibilidade de um aumento na incidência de tumores nos filhos e as conseqüências dos efeitos mutagênicos da QT sobre células germinativas. Embora inúmeros estudos não acharam evidência de um aumento significante do risco de câncer não-hereditário entre filhos de pessoas que tenham tido câncer, rastreamento precoce para condições neoplásicas durante a vida destas crianças deve ser orientado.

Por outro lado, a possibilidade de dano genético em células germinativas causado por drogas citotóxicas é ainda controverso. Um aumento em anormalidades cromossômicas nos espermatozóides foi avaliado em pacientes imediatamente após a QT, mas foi considerado como um efeito citotóxico transitório.

Baseado em estudo experimentais, a recomendação é de não usar os espermatozóides até 6 meses após o término da QT. No entanto, um estudo recente mostrou que persistem aneuploidias nos espermatozóides por um período de até 18 meses após início da QT.

O impacto clínico deste aumento em anormalidades cromossômicas nos espermatozóides ainda não está bem definido, mas teoricamente pode levar à abortamento espontâneo, nascido morto, ou nascimento de crianças com anormalidades cromossômicas. Até o momento, já tiveram 14 nascimento em todo o mundo após TESE/ICSI em pacientes com azoospermia persistente pós-QT.
Avaliação cromossômica pré-natal é recomendado.

Em conclusão:
1- azoospermia pós-QT sem sêmen congelado Þ TESE/ICSI pode ser oferecido.
2- TESE/ICSI pode resultar em gravidez, mas o casal tem que está consciente dos riscos genético potencial.
3- congelamento do sêmen prévio ao tratamento quimioterápicos é a abordagem de escolha.

Fonte:

 

 

Alessandro Schuffner

 

colaborador do site: www.drashirleydecampos.com.br

 

 

Research Fellowship no Jones Institute for Reproductive Medicine, Norfolk, EUA.

Integrante da Comissão de Endocrinologia Reprodutiva da Soc. Brasileira de Reprodução Humana - SBRH    

Integrante do Comitê de Reproduçao Humana da Soc. Ginecologia e Obstetrícia do Paraná - SOGIPA
   

 

Conceber - Centro de Medicina Reprodutiva 

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