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Biotecnologia/Tecnologia/Ciências

As Salmonelas : de vilãs a heroínas?

28/10/2008

Pesquisadores do Biodesign Institute, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), dirigidos pelo Professor Roy Curtiss, Diretor do Center for Infectious Diseases and Vaccinology, deram um grande passo no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados para o confinamento e a "entrega" de antígenos no corpo humano utilizando uma bactéria Salmonella viva para esse efeito.

A equipe de pesquisa compreende, ainda, cientistas da Universidade de Washington, Saint Louis, e Megan Health Inc., St Louis, assim como os do Biodesign Institute da Universidade do Estado do Arizona e da School of Life Sciences.

As bactérias Salmonella utilizadas como vetores em suas experiências são enterobactérias que estão na origem de gastroenterites, de toxicoinfecções alimentares e de febre tifóide e paratifóide. Os cientistas conseguiram modificar geneticamente essas bactérias, de modo a torná-las capazes de sintetizar o antígeno de interesse, tornando-as incapazes de causar uma patologia. De fato, não deve haver qualquer possibilidade para a bactéria de continuar in vivo ou de sobreviver, em caso de se espalhar no meio ambiente. Nesses trabalhos, a bactéria foi modificada para apresentar uma lise (processo de ruptura ou dissolução da membrana plasmática ou da parede bacteriana) após ter entregue o antígeno, em ausência da arabinose (tipo de açúcar).

As patologias que interessam os cientistas nesse estudo são as doenças provocadas pela bactéria Streptococcus Pneumoniae. A utilização de tais bactérias vivas, como vacina, conduziria à morte do paciente. O benefício da técnica aqui desenvolvida é que só uma pequena porção da bactéria S. Pneumoniae, produzida pela bactéria modificada, é introduzida no organismo e por isso não mais é letal. Em compensação, ela provoca uma reação imunitária forte no organismo, que o protegerá contra futuras infecções por essa bactéria.

A resposta imunitária obtida é comparável àquela obtida com vacinas clássicas, demonstrando assim a capacidade desse novo modo de confinamento da vacina. Resta agora determinar se a vacina será eficaz e sem nenhum risco quando for administrada a animais e humanos.





Wei Kong, pesquisadora do Biodesign Institute, na Arizona State University (EUA) segurando placas que demonstram o crescimento acelerado da Salmonella entérica. A placa à esquerda tem a presença de arabinose.

Créditos: Biodesign Institute



A capacidade de poder produzir o antígeno diretamente no organismo reduz de modo drástico os custos de produção da vacina e permite perspectivar sua utilização nos países em vias de desenvolvimento.

Biodesign Institute (www.biodesign.asu.edu), consultado em 19 de setembro de 2008 (Tradução - MIA).


Nota do Scientific Editor: o trabalho que deu origem a esta notícia, intitulado: "Regulated programmed lysis of recombinant Salmonella in host tissues to release protective antigens and confer biological containment", de autoria de W. Kong, S.-Y. Wanda, X. Zhang, W. Bollen, S. A. Tinge, K. L. Roland e R. Curtiss III foi publicado na revista PNAS, volume 105, número 27, págs. 9361-9367 (2008).

 

Fonte:

http://www.lqes.iqm.unicamp.br/canal_cientifico/lqes_news/lqes_news_cit/lqes_news_2008/lqes_news_novidades_1215.html

 

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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