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Nutrologia/Alimentos/Nutrição

A desnutrição calórico-proteica

15/12/2008

 

Entre a inanição e a nutrição adequada há vários estados de nutrição inadequada, como a desnutrição calórico-proteica, que é a primeira causa de morte infantil nos países em desenvolvimento. Esta afecção é causada por um consumo inadequado de calorias, que produz uma deficiência de proteínas e micronutrientes (nutrientes requeridos em pequenas quantidades, como vitaminas e oligoelementos). Um rápido crescimento, uma infecção, uma ferida ou uma doença crónica debilitante podem aumentar a necessidade de nutrientes, particularmente nos lactentes e crianças pequenas que já estavam desnutridos.

Sintomas

Há três tipos de desnutrição calórico-proteica: seca (a pessoa está magra e desidratada), húmida (o indivíduo incha devido à retenção de líquidos) e um tipo intermédio.

O tipo seco, denominado marasmo, provém de uma inanição quase total. Uma criança que tem marasmo consome muito pouco alimento, muitas vezes porque a mãe é incapaz de a amamentar, e está muito magra devido à perda de músculo e de gordura corporal. Quase invariavelmente desenvolve-se uma infecção. Se a criança sofre de algum traumatismo ou ferida ou se a infecção se propagar, o prognóstico é pior e a sua vida corre perigo.

O tipo húmido é chamado kwashiorkor, uma palavra africana que significa «primeira criança-segunda criança». Esta expressão tem a sua origem na observação do desenvolvimento desta doença na primeira criança quando nasce a segunda e substitui a primeira no peito da mãe. A criança desmamada é alimentada primeiro com uma sopa de aveia, de baixa qualidade nutricional em comparação com o leite materno, e a criança não se desenvolve bem. A deficiência proteica no kwashiorkor é geralmente mais significativa do que a calórica (energia), o que conduz a retenção de líquidos (edema), doenças da pele e mudança da cor do cabelo. Dado que as crianças desenvolvem o kwashiorkor depois de serem desmamadas, são geralmente maiores do que as que apresentam marasmo.

O tipo intermédio de desnutrição calórico-proteica denomina-se kwashiorkor marasmático. As crianças com este tipo de afecção retêm alguns líquidos e têm mais gordura corporal do que as que apresentam marasmo.

O kwashiorkor é menos frequente do que o marasmo e, na maior parte dos casos, apresenta-se como kwashiorkor marasmático. Este tende a surgir em determinadas partes do mundo (África rural, Caraíbas, ilhas do Pacífico e o Sudeste asiático), onde os produtos do país e os alimentos usados quando se desmamam os lactentes, como inhame, mandioca, arroz, batata-doce e bananas verdes, são pobres em proteínas e excessivamente ricos em amido.

Tanto no marasmo como na inanição o organismo desfaz os seus próprios tecidos para usar as suas calorias. Esvaziam-se os depósitos de hidratos de carbono do fígado; as proteínas dos músculos são utilizadas para sintetizar novas proteínas e a gordura é armazenada para produzir calorias. Como resultado, todo o corpo se atrofia.

No kwashiorkor, o organismo é menos capaz de sintetizar novas proteínas. Por conseguinte, os valores de proteínas no sangue diminuem, causando acumulação de líquidos nos braços e nas pernas (edemas). Os valores de colesterol também diminuem e o fígado torna-se gordo e aumenta de tamanho (por excessiva acumulação de gordura na suas células). (Ver secção 10, capítulo 117) A carência de proteínas dificulta o desenvolvimento do organismo, a imunidade, a capacidade de reparar os tecidos lesados e a produção de enzimas e hormonas. No marasmo e no kwashiorkor a diarreia é frequente. O desenvolvimento psicomotor pode ser acentuadamente lento nas crianças gravemente desnutridas e pode aparecer atraso mental. Em geral, uma criança pequena que tem marasmo está mais gravemente afectada do que uma criança maior que tem kwashiorkor.

Tratamento

Uma criança com desnutrição calórico-proteica é em geral alimentada por via endovenosa durante as primeiras 24 a 48 horas de hospitalização. Devido a estas crianças terem invariavelmente graves infecções, em geral acrescenta-se um antibiótico aos líquidos administrados. Mal o possa tolerar, dá-se-lhe por via oral um composto cujo constituinte básico é o leite. A quantidade de calorias é aumentada de forma gradual, de tal maneira que uma criança cujo peso é de 6 kg a 8 kg quando é internada no hospital aumenta à volta de 3 kg em doze semanas.

Prognóstico

Mais de 40 % das crianças que sofrem desnutrição calórico-proteica morrem. A morte durante os primeiros dias do tratamento deve-se em geral a um desequilíbrio de electrólitos, uma infecção, uma descida anormal de temperatura corporal (hipotermia) ou uma insuficiência cardíaca. Os sinais mais alarmantes são estupor (semi-inconsciência), icterícia, pequenas hemorragias na pele, baixa quantidade de sódio no sangue e diarreia persistente. O desaparecimento da apatia, dos edemas e da falta de apetite são sinais favoráveis. A recuperação é mais rápida no kwashiorkor do que no marasmo.

Os efeitos a longo prazo da desnutrição na infância são ainda desconhecidos. Quando as crianças são tratadas adequadamente, o fígado e o sistema imunitário recuperam completamene. Contudo, em algumas crianças a absorção de nutrientes no intestino permanece alterada.

O grau de deterioração mental está em relação com a duração da desnutrição, sua gravidade e idade de começo. Um leve atraso mental pode persistir durante a idade escolar e ainda mais tarde.

Fonte:

http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D160%26cn%3D1240

 

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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