Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O. - Os tumores ósseos da coluna
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Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O.

Os tumores ósseos da coluna

17/12/2008
TUMORES ÓSSEOS DA COLUNA



Os tumores ósseos são poucos comuns e suas manifestações iniciais são facilmente confundidas com patologias não neoplásicas. O esforço de realizar um diagnóstico precoce pode ser recompensado com a preservação da função, em particular devido a proximidade da coluna vertebral com os tecidos nervosos. Maj BM Méd José

TUMORES BENIGNOS DA COLUNA

Tumores primitivos da coluna vertebral são relativamente pouco freqüentes em comparação com os tumores ósseos de outras localizações. Schajowicz, em 1981, entre 4.193 tumores ósseos, encontrou 1,78% tumores benignos ou lesões pseudotumorais do esqueleto axial, 28,00% destes correspondendo a cisto ósseo aneurismático.

Apesar de raros, devem sempre ser suspeitados, principalmente em pacientes jovens, com dor loco-regional, com caráter progressivo, sem causa aparente, acompanhada ou não de deformidade ou alterações neurológicas. A anamnese cuidadosa e os exames físico e radiográfico são de suma importância, porém nem sempre suficientes para ditar conduta terapêutica.

OSTEOMA OSTEÓIDE É uma lesão osteoblástica, freqüentemente benigna ativa, caracterizada pelo seu pequeno tamanho (em geral menos do que 1,5 cm), com bordos claramente delimitados e a presença freqüente, mas não constante, de uma zona periférica de neoformação óssea reativa. Histologicamente é constituído por um tecido celular muito vascularizado composto por osso imaturo e tecido osteóide.

Aparecem sobretudo nas diáfises dos ossos longos, especialmente na tíbia e no fêmur e apresenta-se como um nicho radiotransparente oval ou arredondado, com uma zona reacional esclerótica densa ao redor da lesão.

 A lesão costuma ser dolorosa, provavelmente pela presença de fibras nervosas no tumor e não parece aumentar de volume com a evolução. A queixa clínica típica é uma dor persistente, vaga, que piora à noite e é aliviada pelos salicilatos.

Osteoma osteoide tem a tendência de afetar a porção posterior da vertebra durante a adolescência, podendo causar dor, escoliose, sintomas radiculares e é responsável por 10%  dos tumores ósseos da coluna.  As opções de tratamento incluem o uso prolongado de antiinflamatórios não hormonais e ressecção cirúrgica.

 OSTEOBLASTOMA É uma lesão benigna ativa com estrutura histológica semelhante à do osteoma osteóide, do qual se diferencia pelo maior tamanho (geralmente maior do que 2cm de diâmetro), pela habitual ausência de uma zona periférica de formação óssea reativa e pela maior agressividade.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

Acomete indivíduos na infância e na adolescência. Costuma acometer as vértebras (principalmente os segmentos do arco neural), e tende a ser mais agressivo que osteoma osteóide requerendo ablação cirúrgica.  Radiologicamente, a lesão é do tipo lítico    e expansivo com graus variáveis de de ossificação central.

O tratamento do osteoblastoma consiste na ressecção da lesão com margens amplas. Isso é necessário devido à agressividade local de algumas formas de osteoblastoma. Nenhum método adjuvante, seja rádio ou quimioterapia, deve ser utilizado no tratamento desta ou de outras lesões benignas do esqueleto.

O prognóstico é bom após a cirurgia realizada com margens amplas de ressecção. A taxa de recidiva é em torno de 10%. 

CISTO ÓSSEO ANEURISMÁTICO 

Lesão pseudotumoral, de características osteolíticas expansivas, constituídas por espaços de tamanho variado, cheios de sangue, separados entre si por tabiques de tecido conjuntivo onde se podem ver trabéculas de tecido ósseo ou osteóide e células gigantes osteoclásticas

O cisto ósseo aneurismático é uma lesão hipervascularizada, benigna, localmente destrutuiva pelo seu crescimento progressivo, de incidência maior na segunda década de vida. Costumam acometer os elementos posteriores  da coluna ou do corpo vertebral e com o aumento progressivo da lesão, provoca compressão das raízes e da medula, podendo causar sintomas como fraqueza e distúrbios sensitivos nos membros.

 

O tratamento recomendado é curetagem da lesão, descompressão dos elementos espinhais  e seu preenchimento com auto-enxerto.

TUMOR DE CÉLULAS GIGANTES 

O tumor de células gigantes (TGC) é uma neoplasia óssea benigna agressiva, constituído histologicamente por células gigantes multinucleadas dispersas pelo tecido tumoral. Representa 4-5% dos tumores ósseos primários e 20% dos benignos. A maioria dos pacientes está na 3a. ou 4a. décadas (idades de 20 a 45 anos, esqueleto maduro), sendo o TCG incomum nos muito jovens e nos muito velhos.   A maioria dos TCG ocorre nas extremidades dos ossos longos, sendo a região em volta do joelho (fêmur distal, tíbia proximal), o rádio distal, úmero proximal e o sacro as localizações mais comuns nesta ordem. O sacro é a localização mais comum no esqueleto axial. Envolvimento da coluna acima do sacro é incomum. 

O tratamento é cirúrgico com ressecção em bloco. Em tumores grandes da coluna e sacro, pode-se recorrer àradioterapia para diminuir o volume da lesão precedendo a remoção cirúrgica

ENCONDROMAS

O encondroma é um tumor benigno produtor de tecido cartilaginoso, que geralmente se desenvolve na parte central do osso. Pode ser solitário ou fazer parte de doenças sistêmicas, como a doença de Ollier (encondromatose múltipla) e a síndrome de Maffucci (encondromatose múltipla associada a hemangiomas).

Acomete ossos longos, das mãos e pés, localiza-se na epífise (restos da cartilagem epifisária) e na metáfise ou diáfise onde se denomina encondroma.  É responsável por cerca de 90% dos tumores encontrados na mão. A faixa etária de ocorrência é variável, desde a segunda até a quinta década.

 São lesões benignas latentes que freqüentemente são diagnosticadas devido a radiografias realizadas por outros motivos. Nas falanges dos pés e das mãos, nos metacarpos e nos metatarsos, a presença do encondroma é freqüentemente descoberta devido a uma fratura patológica, geralmente após trauma leve.

As radiografias mostram uma área lítica, ovóide de rarefação, que afila e insufla a cortical adjacente.

Não costuma haver reação periostal. Nos ossos chatos e na coluna a tomografia axial computadorizada irá proporcionar a visibilização dos detalhes intrínsecos da lesão, entre eles o aspecto algodonoso da matriz do encondroma.

GRANULOMA EOSINOFÍLICO

Lesão benigna do osso  que acomete preferentemente crianças e representa forma localizada da histiocitose de células de Langherhans no esqueleto, antigamente denominada histiocitose X.

Radiologicamente o granuloma eosinofílico causa alterações líticas  e, na vértebra, o típico colapso do corpo vertebral (vértebra plana). Apesar do seu comportamento benigno e algumas vezes evoluir para a cura espontânea, a decisão do tratamento é individualizada, devendo  ser levado em conta, primordialmente, o grau de extensão e a localização da lesão e as possíveis complicações que possam ocorrer.  Muitos desses tumores podem ser tratados sem cirurgia, e em certos casos, com baixas doses de radiação.

HEMAGIOMAS

O hemangioma é lesão benigna dos ossos, constituída por vasos sanguíneos capilares, cavernosos ou venosos neoformados. Foi descrito primeiro, em 1867, por Virchow, que descreveu um hemangioma pulsátil do esterno em lactente de um mês de idade

As localizações mais comuns dos hemangiomas são o crânio e o esqueleto axial. Na coluna, a localização é mais freguente na transição toraco-lombar,  usualmente envolvendo uma única vértebra.

Tipicamente ocorre na meia idade, sendo mais freqüente em mulheres, na proporção de 3/2.

São tumores geralmente assintomáticos, descobertos incidentalmente no exame radiográfico. Quando produzem sintomas, estes se apresentam geralmente com dor vaga de início insidioso, podendo evoluir para dor constante e pulsátil, acompanhada de espasmo muscular.

As complicações neurológicas, quando presentes, se devem a extensão epidural do tumor ou a fratura-compressão patológica. Raras vezes, pode se apresentar como escoliose ou cifose, devido a fratura assimétrica.

TUMORES MALIGNOS DA COLUNA

METÁSTASES ÓSSEAS

Metástase é o termo utilizado em oncologia para designar a instalação de um ou mais focos do tumor distantes do local em que ele se originou (stasis = parar; meta = longe, distante).

A grande maioria das lesões tumorais vertebrais é constituída de lesões secundárias, principalmente nos pacientes adultos. Cerca de 50% a 70% dos pacientes que morrem devido a neoplasia maligna apresentam metástases ósseas na coluna vertebral.

MIELOMA MÚLTIPLOS


Mieloma Múltiplo é o tipo mais comum de tumor ósseo  primário, origina-se em células da medula óssea (tecido esponjoso que preenche o centro da maioria dos ossos), devido ao crescimento descontrolado de células plasmáticas, que são um tipo de glóbulos brancos. As células plasmáticas são células produtoras de anticorpos e normalmente estão presentes na medula óssea (< 5% das células). No mieloma essas células plasmáticas cancerosas,  aumentam em número (> 20% das células da medula) e em atividade caracterizada pela superprodução de imunoglubulina (Ig) monoclonal (de um só tipo) e secreção do fator de atividade osteoclástica, que conduz a lesões focais em ossos.

Malignant Tumors - Myeloma

É caracteristicamente uma doença de indivíduos idosos, sendo a idade mediana de 65 anos, estando a maioria entre 60 e 75 anos. Compromete determinados ossos do esqueleto: crânio, coluna vertebral, quadril e costelas, levando a sua destruição. O doente apresenta anemia, pode se queixar de dores ósseas, fraqueza e perda de peso.

  A lombalgia e a ciatalgia são sintomas comuns, geralmente devido à compressão das raízes nervosas devido a fraturas do corpo vertebral ou à penetração do tumor dentro do canal medular. A fratura patológica das costelas e de ossos longos como o fêmur e úmero são também achados freqüentes. A perda de peso costuma estar associada à enfermidade sistêmica.

SARCOMA DE EWING

Tumor maligno do osso  que se origina da medula óssea e afeta meninos e adolescentes na faixa de 5 a 15 anos de idade.  As localizações principais são a diáfise do fêmur, seguida da região proximal do fêmur, da diáfise da fíbula, da ulna e dos ossos da pelve e pode provocar metástase s a outros sítios   do esqueleto, incluindo coluna, sobretudo os corpos vertebrais e pedículos vertebrais. Este tumor acompanha de febre baixa, aumento da velocidade de hemossedimentação e de leucocitose, podendo ser confundido com osteomielite.

O tratamento do Tumor de Ewing é dividido em três etapas: quimioterapia pré-operatória, cirurgia e quimioterapia ou radioterapia pós-operatória.

CONDROSARCOMA 

Os condrossarcomas são tumores formados por células cartilaginosas cancerosas. Estas lesões são mais comuns na faixa etária entre 30 a 60 anos, aparecendo como tumor primário ou secundário a degeneração maligna de um encondroma e/ou osteocondroma. Se bem   que é mais comum nos ossos da pelvis, acomete também a coluna vertebral, especialmente os segmentos lombar e sacro.  No começo a enfermidade compromete o corpo vertebral com mais frequência  que os elementos posteriores. O condrossarcoma deve ser totalmente removido na cirurgia, haja vista ele não responder à quimioterapia nem à radioterapia. 

 

Spinal Tumors - Chondrosarcoma

 

 

 

 

 

 

 

OSTEOSSARCOMAS

O osteossarcoma  é o segundo tipo mais comum de tumor ósseo primário. É altamente maligno, com uma tendência a metastatizar aos pulmões, sendo mais comum entre 10-20 anos, com um segundo pico de ocorrência na vida adulta, associado a enfermidade de Paget. Devido a sua rápida disseminação, são mais frequentes as metástases ósseas  do que lesões primitivas  da coluna vertebral.

O aspecto radiológico do osteosarcoma  da coluna compreende destruição lítica e blástica de qualquer porção do corpo vertebral  ou dos elementos posteriores. Histologicamente, o tumor se caracteriza por estroma  sarcomatoso com formação de tecido osteoide.

CORDOMAS

Cordoma se desenvolve a partir de remanescentes da notocorda primitiva. Tem preferência pelas extremidades da coluna vertebral e usualmente está localizado no sacro ou próximo à base do crânio. A dor virtualmente é um quadro constante de um cordoma localizado na região sacrococcígea.

Malignant Tumors - Chordoma

Quando localizados na base da região occipital, os sintomas podem ser referidos a qualquer um dos nervos cranianos, mas os sintomas resultantes do envolvimento dos nervos para os olhos são mais comuns. A duração dos sintomas varia de meses a anos antes do diagnóstico. Um cordoma é visto  como uma lesão óssea destrutiva e expansível. A metástase hematogênica não é usual. Cordomas localizados na região esfenoccipital usualmente são inacessíveis à cirurgia mas podem responder à radioterapia. Na região sacrococcígea eles podem ser curados por excisão radical em bloco.

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Maj BM José

 

Fonte:

 

http://www.3apoliclinica.cbmerj.rj.gov.br/modules.php?name=News&file=print&sid=335

 

 


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