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Álcool

Expansão do Programa Saúde da Família (PSF) e identificação de problemas relacionados ao uso de álcool no Brasil

27/01/2009

Revista Brasileira de Psiquiatria

 

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.27 no.4 São Paulo Dec. 2005

doi: 10.1590/S1516-44462005000400017 

CARTAS AOS EDITORES

 

Expansão do Programa Saúde da Família (PSF) e identificação de problemas relacionados ao uso de álcool no Brasil

 

Expansion of the Family Health Program (FHP) and identification of alcohol-related problems in Brazil

 

 

Em 1994, o Ministério da Saúde do Brasil implantou o Programa Saúde da Família (PSF) com propósito de "reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros".1 A estratégia do PSF prioriza as ações de vigilância, prevenção, promoção e recuperação da saúde, de forma integral e contínua.

Os problemas relacionados ao uso de álcool vêm sendo reconhecidos como relevantes agravos à saúde pública no Brasil, relacionando-se a acidentes de trânsito e a impactos relevantes nos anos potenciais de vida perdidos por doença ou morte precoce.2-3

Reconhecendo a potencialidade do PSF em tornar-se uma importante estratégia para abordagem de problemas na área de saúde mental,4 o presente trabalho apresenta dados sobre a relação entre a expansão da cobertura do PSF na população com mais de 15 anos, no período de 1998 e 2004, e sua relação com a identificação nesta população de pessoas com "alcoolismo", utilizando o Sistema de Informações da Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SIAB/SUS).

Observa-se um incremento progressivo no número absoluto de pessoas cadastradas no PSF ao longo dos anos avaliados (Tabela 1). Considerando os extremos do período, o número passou de 2.058.054 para 48.364.457, havendo aumento superior a 23 vezes. Verificou-se que, no mesmo período, houve um aumento superior a 13 vezes no número de pessoas cadastradas com "alcoolismo", elevando-se de 28.821, em 1998, para 398.165, em 2004. Desta forma, verificou-se um declínio progressivo no percentual da população cadastrada no PSF identificada com "alcoolismo", passando de 1,4%, em 1998, para cerca de 0,82% em 2004; portanto uma redução em torno de 41,43%. A redução do percentual de pessoas cadastradas com "alcoolismo" se correlaciona estatisticamente com o aumento da população cadastrada (p = 0,001, r = -0,985, n = 7, Teste de Pearson).

 

 

Inicialmente, questiona-se a utilização da categoria "alcoolismo" no SIAB/SUS, visto que esta sequer faz parte da nomenclatura de doenças adotadas no Brasil, o que dificulta compreender qual dimensão do uso problemático de álcool está sendo registrada. A expansão da cobertura (evidenciada pelo número de pessoas cadastradas) veio acompanhada de uma redução na identificação das pessoas com "alcoolismo" (redução do percentual de cadastrados com "alcoolismo"), apontando para diminuição da capacidade de vigilância em saúde. Considera-se improvável que esta redução esteja associada à atuação do PSF junto à população, uma vez que, embora as ações na área de álcool e drogas tenham sido apontadas como essenciais, estas não foram efetivamente implantadas no âmbito do PSF.4 Por outro lado, pode-se considerar esta identificação como baixa em todos os anos investigados, se compararmos com dados nacionais que apontam para uma prevalência da dependência ao álcool em torno de 11,2% na população geral do país.5

Por fim, aponta-se para a necessidade de estudos prospectivos que busquem minimizar os possíveis vieses associados ao uso de fontes secundárias, bem como a premência de uma política nacional que possa capacitar, oferecer educação permanente e supervisão na temática de problemas relacionados ao uso de álcool para os profissionais que atuam no PSF.

 

Maximiliano Loiola Ponte de Souza
Sociodiversidade em Saúde, Centro de Pesquisa Leônidas &
Maria Deane, Fundação Oswaldo Cruz, Manaus (AM), Brasil

 

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde/Secretaria de Assistência à Saúde/Coordenação de Saúde da Comunidade; 1998.

2. Melcop AG. Impacto do uso de álcool e outras vítimas de acidentes de trânsito. Brasília: ABDETRAN; 1997.

3. Meloni JN, Laranjeira R. Custo social e de saúde do consumo de álcool. Rev Bras Psiquiatr. 2004;26(Supl I):7-10.

4. Marques ACPR, Furtado EF. Intervenções breves para problemas relacionados ao álcool. Rev Bras Psiquiatr. 2004;26(Supl I):28-32.

5. Carlini EA, Galduróz JCF, Noto AR, Nappo SA: CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas. I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas no Brasil - 2001. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, CEBRID/SENAD; 2002. p. 480.

 

 

Financiamento: Inexistente
Conflito de interesses: Inexistente

 

 

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462005000400017&nrm=iso&tlng=pt

 

 


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