Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Marcadores bioquímicos de injúria cardíaca 1
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Marcadores bioquímicos de injúria cardíaca 1

25/06/2003

 

 

 

MARCADORES BIOQUÍMICOS DE INJÚRIA CARDÍACA (1ª PARTE)

 


O diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio (IAM) tem uma importância crítica para a sobrevivência do paciente. O grau de eficácia da terapia trombolítica depende da maior ou menor precocidade do diagnóstico do IAM. Pelo menos um de cada três IAM não são clinicamente reconhecidos, nem pelo paciente, nem pelo médico devido a dor torácica atípica ou a ausência da mesma.

Para modificar esta estatística, uma das maiores preocupações da atualidade nas salas de emergência dos hospitais em todo o mundo é o diagnóstico precoce e preciso dos IAM que não são detectados pelo eletrocardiograma (cerca de 50% segundo a Associação Americana de Cardiologia). Estes dados sugerem a necessidade de dispor de marcadores cardíacos no soro capazes de detectarem cada vez mais precocemente os danos causados no organismo pela necrose das células miocárdicas.

Segundo a OMS o IAM deve ser diagnosticado na presença de pelo menos dois dos critérios seguintes: dor torácica do tipo isquêmica, de mais de 20 minutos de duração; evolução típica das variações eletrocardiográficas sugestivas de IAM; elevação ou diminuição das enzimas cardíacas séricas, indicativos de necrose miocárdica.

Vários marcadores específicos surgiram nos últimos anos com esta finalidade. Após a lesão cardíaca, substâncias intracelulares passam para a circulação e suas concentrações no sangue dependem do tempo, da extensão, gravidade e caráter agudo das lesões celulares. A atividade enzimática e a concentração das proteínas na corrente sangüínea, refletem normalmente um quadro atual. A velocidade (tempo) de aparecimento e de eliminação de cada um dos marcadores cardíacos no sangue, é constante e específica, o que proporciona o estudo de suas sensibilidade e especificidade no diagnóstico. Além disso, a avaliação dos marcadores de injúria cardíaca é importante porque promove a confirmação do diagnóstico de IAM, proporciona um início precoce do tratamento adequado com, conseqüente melhora do prognóstico, permite um melhor acompanhamento do processo com redução no tempo de observação e menor tempo de internação (diminuição do custo).

É importante salientar que essas análises permitem também a redução de altas com IAM não detectados, ocasionando uma diminuição da morbidade e mortalidade.
Para melhor avaliação do estado atual do paciente e diagnóstico mais preciso, faz-se necessário a dosagem de mais de um marcador sérico e em tempos diferentes, dependendo do semi-período de eliminação dos mesmos pelo organismo.

O questionamento central é: O que pedir e quando pedir?
Dependendo do tempo do início da dor precordial, podemos afirmar que cada marcador tem um ponto ótimo de dosagem e que nem sempre são necessários todos os testes. É importante que o próprio serviço defina um protocolo padronizado a ser seguido, que atenda as necessidades técnicas e econômicas do serviço de saúde em que ele será empregado.

Creatino Kinase (CK)
É uma enzima citoplasmática e mitocondrial que cataliza a fosforilação reversível da creatinina com formação de ATP. A CK é composta de duas subunidades (M e B) que se combinam em três tipos: MM, MB e BB que são encontradas em maior proporção respectivamente, no músculo esquelético, cardíaco e nos tecidos. Elevações de MM são encontradas nas disfunções tireoideanas e BB nas doenças gastrointestinais, adenomas, carcinomas, doenças vasculares, autoimunes e cirrose. Portanto, a sua elevação não significa necessariamente Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A associação clínica com ECG e outras provas laboratoriais aumenta o seu valor diagnóstico no IAM. A elevação do CK Total ocorre 4 a 8 horas após o início da dor peitoral, tendo o seu pico máximo de 12 a 24 horas, retornando ao normal em 3 a 4 dias.

Considerando as limitações da CK total, o CKMB é um marcador mais específico para detecção de lesões no miocárdio, pois 25 a 46% da concentração desta enzima encontram-se no músculo cardíaco e apenas 5% no músculo esquelético. Elevações de CKMB ocorrem de 2 a 6 horas após as manifestações cardíacas, com pico máximo em torno de 24 horas, retornando ao normal dentro de 48 horas. Precocidade de sua detecção e maior especificidade faz com que ela seja o marcador de escolha em relação ao CK Total.

CK-MB massa
Enquanto na dosagem de CK-MB é determinada a atividade da enzima, o teste de CK-MB massa detecta sua concentração, independentemente de sua atividade, o que torna o CK-MB massa mais confiável que os testes de CK-MB atividade. Desta maneira, o CK-MB massa apresenta melhor sensibilidade analítica pois detecta enzimas ativas e inativas.
A sensibilidade analítica também aumenta, já que pode detectar lesões no miocárdio 1 a 2 horas antes do CK-MB.

A menor incidência de resultados falso-positivos ocorre devido ao fato de o teste não sofrer interferência de outras enzimas com atividade semelhante. Na prática laboratorial pode-se encontrar valores de CK-MB maiores que CK total, isso ocorre devido a formas macromoleculares da enzima (macro-CK), que levam a resultados falso-positivos em ensaios de CK-MB.

Nota:
Os demais marcadores cardíacos como outras considerações a respeito do assunto estarão descritos na próxima edição do jornal do CRFMG, entretanto a partir do próximo mês o artigo estará disponível na íntegra através do site: www.crfmg.org.br/geac/geac.htm


GEAC-CRF/MG
(Grupo de Estudo em Análises Clínicas do Conselho Regional de Farmácia de MG)

 

 

 


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