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Nutrologia/Alimentos/Nutrição

Tudo sobre limas ácidas e doces

16/04/2009
LIMAS ÁCIDAS E DOCES
 
 


CARACTERÍSTICAS

São um grupo de citros constituído por algumas espécies, com duas de limas ácidas de valor comercial, ou seja, o Tahiti e o Galego, ambos com diversas variedades ou clones. Usualmente chamadas de “limão”, denominação mais adequada aos limões verdadeiros, como os do tipo Siciliano. As limas doces são da espécie C. limettíoides. O Tahiti e o Galego, embora de espécies diferentes (o primeiro é Citrus latifolia e o segundo Citrus aurantifolia), têm várias características em comum, como as folhas lanceoladas, de ápice arredondado, os frutos de casca fina e lisa, de forma arredondada a elípticos, planta de hábito vigoroso de crescimento e com várias floradas ao ano, usualmente menores das que as do limão verdadeiro. As limeiras-doces têm características gerais semelhantes.
O Tahiti tem planta vigorosa, de tamanho grande e copa arredondada, precoce na entrada em produção, com varias floradas durante o ano, mas com uma produção mais concentrada no primeiro semestre do ano no Estado de São Paulo e regiões de clima semelhante. O fruto deve ser colhido ainda quando de cor verde, mas bem desenvolvido, o que ocorre de 120 a 160 dias após a florada. Seu plantio teve incremento a partir da década de 60 devido ser mais tolerante a algumas doenças do que o Galego, ao qual substituiu, como o cancro cítrico e a tristeza. O peso médio do fruto pode variar de 70 a 135 g, dependendo da época e volume da colheita. O fruto tem em média 50% de suco, acides de 5 a 6 % e sólidos solúveis (açúcares) de 9 °Brix. O conteúdo de vitamina C, ou ácido ascórbico varia de 20 a 40 mg por ml de suco.
O Galego tem uma planta pouco menos vigorosa que o Tahiti, devido também a intolerância à doença tristeza, folhas menores, copa arredondada, mas mais irregular, tem uma safra mais concentrada no inicio do ano e pouca produção temporã. O fruto é típico, menor e de cor amarela quando maduro. As características médias do fruto são de 50 g de massa, 58 % de suco, 8 graus brix de sólidos solúveis e acides de 5,5 %.
A lima comum ou doce é também chamada Lima-da-Pérsia. É a variedade mais representativa das limeiras-doces. A planta de limeira-doce é de forma esferóide, com capa aberta. Altura média, densidade média e superfície do tronco lisa. Vigor médio. As folhas são do tipo simples, de cor verde-clara, forma elipsóide e margem dentada, com pecíolo séssil. Medem em média 8,54 cm de comprimento por 5,45 cm de largura.Os frutos são de tamanho médio, subglobosos a oblongos, às vezes oblíquos ou elípticos, com base e ápice arredondados. O peso varia de 130 a 150 g, com altura de 6,42 cm e 6,83 cm de diâmetro, com relação altura/diâmetro de 0,93. A casca é de superfície lisa, espessura fina, aderente e com glândulas de óleo médias. A polpa é amarelo-pálida, com textura macia a firme, com eixo sólido.
Maturação usualmente na meia-estação, mas floradas temporãs podem produzir em outros períodos. Os frutos são suculentos, com mais de 50% de seu peso em suco, com sólidos solúveis ao redor de 7-8 °Brix e acidez baixa, usualmente menor que 0,10%. “ratio” de 70-80. A quantidade de sementes é média, com 6 a 10 por fruto.

























IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

O Galego perdeu sua importância, sendo plantado em poucos paises, com o México em primeiro lugar, e em pequenos plantios em alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro.O Tahiti predomina no Brasil,com o Estado de São Paulo sendo o primeiro produtor, com mais de 80 % da produção nacional, avaliada em mais de 800 mil toneladas. Entretanto, se agregada a produção do México (de Galego e Tahiti) com a do Brasil(predominantemente de Tahiti) e da Flórida, do total mundial de 12 milhões de toneladas, 70 % é de limões verdadeiros, principalmente produzidos na Europa, Estados Unidos (Califórnia) e Argentina. Portanto, nestes e em outros países, o limão verdadeiro é utilizado no lugar das limas ácidas, estas sendo consumidas apenas como frutos exóticos. Mesmo como tal, as exportações de Tahiti têm crescido a cada ano, tendo atingido cerca de 15 mil toneladas por ano, mas isso representa menos de 2 % da produção nacional.
A importância da lima doce tem crescido nos últimos anos e tem presença constante nos mercados do Estado de São Paulo, de plantações da região norte do Estado.


























VARIEDADES COPAS E PORTA-ENXERTOS

Apesar de existirem clones de Tahiti e Galego em vários países, o primeiro por ser um triplóide é quase monotípico, ou seja, tem pouca variação, enquanto no Galego há mais tipos, por ter sido propagado por semente. Portanto a Bears lime dos Estados Unidos, Persa do México, Quebra-galho e Peruano do Brasil são muito parecidos, enquanto o Galego se assemelha ao ”limão“ Mexicano. Do Tahiti o clone mais conhecido no Brasil é o Peruano, ou IAC-5, além do Quebra-galho. Outros clones mais recentes foram lançados pela Embrapa, chamados CNPMF-2,5 e 2000. O IAC lançou um clone premunizado de Galego e a Unesp-EECB avaliaram um clone importado pelo Cenargen (Embrapa), tendo recebido o nome de Galegão.
O porta-enxerto predominante nos cultivos comercias de limas ácidas e doces é o limoeiro Cravo. Entretanto, por serem (copa e porta-enxerto) muito suscetíveis à gomose, há uma tendência de uso de outros cavalos, entre os quais o citrumelo Swingle e o trifoliata Flying Dragon tem sido os mais indicados também para as limeiras-doces. O 1° por sua resistência à seca e o trifoliata pela indução de nanismo à copa.Outros porta-enxertos testados, como algumas tangerinas, limões, citranges, tangelos e laranja-doce não deram bons resultados. Avaliações feitas na EECB indicaram ser o limoeiro Volkameriana o mais resistente à seca entre os porta-enxertos testados, para Tahiti.
A variedade de copa mais comum é Lima-da-Pérsia, de cor amarela. Há outra de cor alaranjada, chamada Lima Dourada ou de Goiás, de qualidade semelhante. A limeira-de-umbigo é de outra espécie. Como porta-enxertos para limeira doce, são usados também o Flying Dragon e citrumelo, mas ambos necessitam de irrigação.

























IMPLANTAÇÃO DO POMAR

Após feita a escolha do local segundo as suas características climáticas, de solo e favorável à comercialização, passa-se à fase propriamente de instalação do pomar, na qual deve-se observar o correto preparo e conservação do solo, plantio de quebra-ventos, correção do solo, escolha do espaçamento, coveamento e plantio.
As condições climáticas ideais para as limas ácidas e doces são aquelas dos citros em geral, entre 22 a 33 °C de temperatura média, não superior a 40 e inferior a 13 °C, livres de geadas. As chuvas devem ser superiores a 1000 mm/ano, bem distribuídas, com o déficit hídrico suprido por irrigação. O Tahiti adapta-se melhor em condições com chuvas maiores do que as citadas, até superiores a 2000 mm/ano.
Quanto aos solos, apesar de sua ampla adaptação, os citros preferem solos férteis, profundos, areno-argilosos, bem drenados e de boa topografia. Solos de baixada, mal-drenados facilitam a ocorrência de doenças, como a gomose. O pH ideal seria ao redor de 6 ou superior, devendo ser feita correção abaixo do limite citado, inclusive com antecedência ao plantio.
Os fatores favoráveis à comercialização são a proximidade de grandes mercados, bom acesso por vias de transporte bem conservadas ou pequena distância de portos e aeroportos, no caso de exportação.
As práticas que antecedem ao plantio como instalação de quebra-ventos, conservação do solo, preparo do local e escolha do espaçamento dependem das condições locais e devem seguir técnicas específicas recomendadas para cada caso, mas devem ser apoiadas em planejamento com base no uso adequado do solo, proteção de matas ciliares e reservas hídricas e florestais.
A escolha do espaçamento para Tahiti usualmente é baseada no porta-enxerto e outros fatores, sendo o comum para limoeiro Cravo e outros porta-enxertos vigorosos de 7 a 8 m na entrelinha e de 4 a 6 na linha, embora nos espaçamentos menores deverá ser usada poda mecânica após 8 a 10 anos do plantio. Para limeiras-doces seriam os mesmos espaçamentos do Tahiti. Para o Galego poderia se usar de 0,5 a 1 m a menos em cada sentido. Para o trifoliata Flying Dragon o espaçamento seria de 5 a 6 m na entrelinha e de 2,5 a 3 m na linha, ou menores em caso de se efetuar poda sistemática.
O preparo da cova para plantio pode ser feito usando o coveamento com sulcador ou com enxadão, o primeiro para áreas maiores e o segundo para pequenos plantios. Nos dois casos é recomendada a adubação de cova, principalmente com adubos fosfatados e orgânicos. O plantio propriamente dito deve ser feito no local demarcado, conforme o espaçamento usado, e de modo que a muda seja colocada na cova em altura adequada em relação ao nível do solo, ou seja de 5 a 10 cm acima, para que toda a porção do porta-enxerto fique acima do solo e proteja em relação a doenças. Chega-se a terra da superfície na cova e firma-se com o pé, após o que pode ser feita a bacia ou coroa para irrigação, a qual deve ser feita em seguida com 10 a 30 L de água.

























TRATOS CULTURAIS DO POMAR

Após a implantação do pomar há duas fases nas quais os tratos culturais são importantes, a de formação e a de produção. Em ambas, os principais tratos culturais são o manejo das plantas infestantes, as podas, o controle fitossanitário de pragas e doenças, a adubação, a irrigação e a colheita. O manejo das plantas infestantes pode ser feito pela roçagem, uso de herbicidas, gradeação e plantio de adubos verdes, geralmente leguminosas. Na fase de formação do pomar quando há mais espaço entre as linhas e o controle pode ser feito pela gradeação ou roçagem ou plantio de leguminosas nas entrelinhas e carpa ou uso de herbicidas nas linhas. As podas principais são as de desbrotas durante a formação do pomar e posteriormente de controle do tamanho, aos 8 a 10 anos do plantio, com podadeiras mecânicas. Podas de limpeza de ramos internos da planta ou doentes ou afetadas por pragas devem ser feitas no mínimo a cada ano, principalmente para limeiras-doces.

O controle fitossanitário deve ser feito sempre que necessário para combater as principais pragas e doenças e também as ocasionais. As principais pragas das limeiras ácidas são os ácaros branco e da falsa ferrugem, as cochonilhas ortézia, branca, pardinha e parlatória e a larva minadora. Os ácaros citados são as pragas chaves, mas a ortézia pode se tornar importante.Para todas as pragas citadas há controle específico que deve ser seguido, utilizando-se do manejo integrado.
As principais doenças que devem ser controladas no pomar de limeiras ácidas e doces são a gomose e a queda prematura (estrelinha), sendo as demais de menor importância, ou controladas pelo uso de plantas matrizes sadias, como no caso da exocorte, tristeza, ou na pós-colheita, como no caso dos bolores e outras doenças. Cuidado especial deve ser dado às limeiras-doces, pela morte dos ramos.
A adubação e correção do solo devem ser feitas segundo critérios de análises de solo e foliar, disponíveis para as limeiras em nossas condições. Segundo os citados critérios há tabelas de doses de nutrientes que podem ser utilizadas no pomar de limeiras, tanto para formação do pomar como para produção.






















































Os micronutrientes podem ser necessários e as doses mais comuns usadas são as seguintes: zinco-500 a 1000 mg/L, manganês-300 a 700 mg/ , boro-200 a 400 mg/L, cobre-600 a1000 mg/L, em solução em água para pulverização.
A opção pela irrigação dos pomares de limeiras tem aumentado a cada ano e os efeitos benéficos resultantes são a possibilidade de controle da época e a melhoria da produção e do tamanho do fruto principalmente para limeiras-doces. Os efeitos negativos são a maior possibilidade de ocorrência de gomose, o custo e o aumento do vigor da planta, no caso do Tahiti.A irrigação deve ser baseada em critérios técnicos específicos.
A colheita deve ser feita segundo padrões de qualidade tanto para consumo local, como para exportação. Esses padrões levam em conta as manchas dos frutos, o tamanho, a % de suco, as quais dependem da idade do fruto e da condução do pomar, inclusive da operação de colheita. Esta pode ser exigida até semanalmente. É recomendado não colher frutos com orvalho ou úmidos, pois haveria a ocorrência de manchas. Essas também ocorrem se não for feita colheita com cuidado e adequado manuseio e embalagem em caixas, as quais devem ficar à sombra até serem transportadas ao galpão para embalagem. Para serem embaladas em caixas para comercialização, os frutos devem ser classificados, eliminando-se os defeituosos ou com manchas e doenças. Mesmo para mercado interno, se os frutos forem ser comercializados em mais de 3 dias devem ser tratados com cera. A classificação recomendada para mercado interno é a da tabela 3 e para exportação a classificação é a seguinte:

Data Edição: 11/11/03    
Fonte: Toda Fruta

 

 

Fonte:

http://www.todafruta.com.br/todafruta/mostra_conteudo.asp?conteudo=4698

 

 

 


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