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Curiosidades da Dra Shirley

Bacuri da Amazônia

16/04/2009
Doces e exóticos sabores da floresta no mercado externo    
http://www.pantanalecoturismo.tur.br/galeria.php?cod_linguagem=2&btnAct=ChangeLanguage&cod_evento=6
Na trilha de sucesso do cupuaçu e do açaí, a fruta nativa brasileira ganha projeção no mercado externo. É o caso de espécies como o bacuri.


GEOVANA PAGEL
DA AGÊNCIA MEIOS

SÃO PAULO - As frutas da Amazônia são conhecidas há séculos. Quando os primeiros colonizadores chegaram ao Brasil, várias espécies já eram familiares aos índios - como abiu, beribá, pupunha, cubiu ou maná e umari. No entanto, como os portugueses preferiram cultivar frutas da Europa e da Ásia, as nativas ficaram em segundo plano. A boa notícia é que muitas dessas espécies estão sendo redescobertas pelo Brasil e atraindo a atenção do mundo.

Na trilha de sucesso do cupuaçu e o do açaí, hoje a fruta nativa com maior projeção no mercado internacional, surgem saborosas espécies como o bacuri. Fruta preferida do famoso diplomata brasileiro Barão do Rio Branco, é uma das grandes apostas para conquistar os importadores. Mas o bacuri é apenas uma das 220 espécies de frutíferas nativas existentes na Amazônia, que representam 44% das 500 variedades de plantas produtoras de frutos comestíveis do Brasil. No mundo, existem três mil espécies de frutas tropicais.

"O bacuri é uma das frutas com grandes chances de entrar no mercado externo devido ao sabor quase sempre muito doce e aroma agradável", diz o pesquisador José Urano de Carvalho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental, especializado em fruticultura tropical.

A afirmação do pesquisador tem como base as consultas crescentes de importadores, distribuidores, fruticultores e a demanda cada vez maior no mercado internacional por produtos exóticos, benéficos à saúde.

A lista de frutas nativas com potencial produtivo, segundo Urano, inclui também outras frutas regionais como abiu, araçá, buriti, camu-camu, cubiu (ou maná), uxi, pequiá, tucumã, taperebá, umari, sorva, mari-mari, pajurá, muruci (murici, no Nordeste), murumuru, sapota-do-solimões e pupunha.

De acordo com o pesquisador, hoje existe grande apelo para frutas que contêm substâncias ou elementos bioativos que podem agir no organismo humano prevenindo doenças. Segundo ele, o camu-camu é outro exemplo de fruta amazônica bastante procurada pelo mercado internacional.

"O interesse pelo camu-camu está associado ao seu elevado teor em vitamina C", explica. Há ainda, frutas desconhecidas no Brasil, como a borojoa, que já são exportadas. "Essas frutas geralmente são utilizadas como matéria-prima na formulação de mix (mistura de sucos de frutas). Um dos mix mais comercializado no mercado internacional envolve o açaí e o guaraná", conta.

No final de 2006, a Mintel, grupo britânico de pesquisas e análises de mercado, identificou entre as tendências para 2007 um movimento global favorável aos produtos da Amazônia. Segundo informações divulgadas pelo grupo, haverá um interesse cada vez maior dos consumidores por ingredientes e aromas únicos, especialmente quando considerados recursos indígenas da floresta tropical.

Entraves

O grande problema da produção de frutas nativas é a acentuada sazonalidade. A safra de açaí se concentra no segundo semestre, especialmente nos meses de agosto, setembro e outubro. "Isto é um grande problema. O açaí, em particular no estado do Pará, é alimento para considerável parcela da população, sendo consumido durante a refeição principal acompanhado de farinha de mandioca e de peixe ou camarão", explica.

Para o ribeirinho, o açaí é o almoço e muitas vezes jantar e café da manhã. Na entressafra o preço do produto aumenta muito. A medida padrão de comercialização é a lata de 14,2 quilos. Durante a safra, a lata é comercializada em Belém do Pará ao preço de R$ 7. Este mês, período de entressafra, já atingiu a marca de R$ 100.

O bacuri, ainda totalmente extrativista, "amadurece e cai" no período de janeiro a abril. O cupuaçu é colhido de dezembro a junho. A pupunha e o pequiá também são frutas produzidas no primeiro semestre. "Na verdade, aproximadamente 80% das espécies nativas da Amazônia produzem frutos no primeiro semestre. São poucas as frutas produzidas no segundo semestre, exemplos: açaí, abricó e abiu", cita.

Apesar dos entraves, as espécies nativas estão começando a sair da lista das frutas não computadas nas estatísticas oficiais. "A expansão da fruticultura foi uma das transformações mais importantes da agricultura na Amazônia nos últimos 10 anos", afirma.

Hoje a fruticultura é a quarta atividade econômica da Amazônia, depois do minério de ferro, da madeira e da pecuária, englobando espécies de outras regiões do país ou de outros países cultivadas na região como laranja, maracujá, acerola e graviola. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), o PIB da fruticultura regional em 2005 (dado mais recente) foi de R$ 380 milhões, mais de 80% concentrado no Pará.

Com exceção do açaí e do cupuaçu, as frutas amazônicas ainda têm pouca expressão nesse ranking e visibilidade zero no item "outras frutas" da pauta de exportação.

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, atrás apenas da China e da Índia. Ainda segundo dados do Ibraf, dos produtos agropecuários nacionais com melhor desempenho nos últimos quatro anos, as frutas ficaram em quinto lugar no ranking dos exportadores, com 91% de crescimento nas vendas, atrás do álcool/açúcar, carnes, café e grãos. Hoje a produção brasileira de frutas é de 41,1 milhões de toneladas. Entre as frutas exportadas, destacam-se banana, melão, manga, limão, coco, uva, laranja, abacaxi, castanha de caju e a castanha-do-brasil.

Caminhos possíveis

Parte da solução para enfrentar a demanda do mercado nacional e internacional envolve investimentos em novas áreas de cultivo sustentável e estímulo à implantação de agroindústrias. Os investidores estrangeiros, aliás, são cada vez mais comuns na região.

Um dos caminhos encontrados pelos produtores para crescer e aparecer é a união por meio de cooperativas. A primeira a se estabelecer na região foi a Cooperativa Mista de Tomé-Açu (Camta), fundada em 1931 no município de Tomé-Açu, no Pará. As primeiras famílias de imigrantes japoneses chegaram ao estado no final da década de 1920. Hoje a cooperativa é modelo de atuação comunitária e integração ao meio ambiente. Com 124 cooperados, trabalha com 14 espécies de frutas tropicais, parte delas exportada sob forma de polpa congelada 100% natural.

"O carro-chefe da Camta é o açaí, com produção de 450 toneladas anuais", diz Francisco Wataru Sakaguchi, diretor presidente da Camta. A cooperativa exporta açaí e maracujá para o Japão, Estados Unidos e União Européia.

"Oferecemos aos associados, além da garantia da compra das frutas, financiamento para aumento de produção, assistência técnica, comercialização de pimenta do reino e cacau", explica o dirigente.

Nos últimos anos, a Camta passou a investir em mix de frutas, aproveitando a demanda mundial por alimentos funcionais - os chamados nutracêuticos ou superalimentos, aqueles que contêm substâncias benéficas à saúde. "É uma tendência mundial", garante Sakaguchi.

Um dos maiores fornecedores de açaí e cupuaçu para a Camta é o produtor Shigeru Hiramizu, 59 anos, que migrou para o Brasil com os pais em 1964. Em 2006, Hiramizu vendeu para a cooperativa 120 mil quilos de cupuaçu e 44 mil quilos de açaí. "Entrego cerca de 70% da produção na cooperativa. Depois de transformada em polpa, minha produção é exportada para os Estados Unidos e Japão", destaca o produtor, que também cultiva pimenta do reino e dendê em sua propriedade.

Outro associado da Camta, satisfeito com o cultivo de frutas, é Alberto Keichi Oppata. A família está na região há 70 anos. Oppata produz principalmente cupuaçu, acerola, maracujá e cacau. A propriedade emprega três funcionários fixos e mais 15 temporários na época da safra.

O produtor inovou no método de plantio das frutas. "Nós trabalhamos pelo sistema consorciado. Na mesma área plantamos cacau, maracujá, pimenta do reino, mogno e açaí", conta Oppata. Entre uma cultura e outra são deixados espaçamentos de três metros a cinco metros de distância. "O sistema consorciado, além de garantir melhor aproveitamento da área plantada, garante um controle maior das ervas daninhas", explica o produtor.

 

Fonte:

 

http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1073&Itemid=529

 

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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