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Diabete/Diabetes

Maior pesquisa sobre doenças cardiovasculares e diabetes

27/04/2009

Fiocruz participa da maior pesquisa sobre doenças cardiovasculares e diabetes

Informe Ensp*

Dois mil servidores da Fiocruz farão parte da primeira etapa do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), o maior estudo epidemiológico realizado na América Latina sobre os fatores determinantes das doenças cardiovasculares e do diabetes. A pesquisa teve início no segundo semestre de 2008 e, na Fiocruz, 369 voluntários (183 homens e 186 mulheres) já participaram dessa primeira fase, composta de entrevistas e exames clínicos. O trabalho está sendo conduzido em seis instituições públicas federais, com um total de 15 mil voluntários entre 35 e 74 anos. A previsão é que a pesquisa dure, pelo menos, dez anos. 

 A Fiocruz é uma das seis instituições públicas federais que participam do Elsa-Brasil (Foto: Ana Limp/CCS/Fiocruz) 
A Fiocruz é uma das seis instituições públicas federais que participam do Elsa-Brasil (Foto: Ana Limp/CCS/Fiocruz) 

O Elsa-Brasil é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos, e do Ministério da Ciência e Tecnologia, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A pesquisa está sendo desenvolvida por um consórcio de instituições de ensino e pesquisa nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste: Fiocruz (Rio de Janeiro), Universidade de São Paulo (USP) e as universidades federais da Bahia (UFBA), Espírito Santo (Ufes), Minas Gerais (UFMG) e Rio Grande do Sul (UFRGS).

"As doenças cardiovasculares são as maiores causas de mortalidade no mundo desenvolvido, principalmente após os 40 anos de idade", explica Dora Chor, coordenadora do Elsa na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Na instituição, segundo Dora, a adesão dos servidores ao estudo foi surpreendente. "Surpreendeu-me de forma muito positiva. Não só porque participar do estudo é uma oportunidade para os servidores realizarem exames de rotina sem sair do campus da Fiocruz no Rio, mas, principalmente, porque participar do Elsa é ser voluntário, é contribuir para a pesquisa científica no Brasil", destaca.

De acordo com Dora, o Elsa é um estudo pioneiro no Brasil porque é realizado em várias cidades e porque acompanha as pessoas estudadas por um longo período de tempo. "Graças às pesquisas semelhantes desenvolvidas em outros países, hoje se sabe, por exemplo, da importância de cuidados com a pressão arterial e com a dieta para a prevenção dessas doenças", ressalta Dora. O objetivo do estudo é investigar fatores que podem levar ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes ou ao seu agravamento. Visa também sugerir medidas mais eficazes de prevenção ou tratamento. Os fatores identificados incluem aspectos relacionados aos hábitos de vida, família, trabalho, lazer e saúde em geral, inclusive fatores genéticos.

Marilia Sá Carvalho, vice-coordenadora do Elsa na Fiocruz, acredita que o estudo terá também papel essencial na formação de pesquisadores de ponta no país. "Estudantes de pós-graduação inseridos no estudo terão contato com o que de mais avançado existe em termos de pesquisa epidemiológica, não só no Brasil, mas comparáveis aos países mais avançados. Por exemplo, estamos propondo cursos sobre metodologia de análise de redes sociais, entendendo que as redes têm papel fundamental nos comportamentos humanos, relacionados às doenças pesquisadas no Elsa", afirma. 

"A participação do servidor é inteiramente voluntária, mas é fundamental que ocorra em todas as etapas do estudo", explica Dora. Segundo a pesquisadora, os exames e medidas realizados no estudo não têm por objetivo fazer o diagnóstico médico de nenhuma doença. "Todas as informações são confidenciais, identificadas por um número e sem menção ao nome do participante. O voluntário recebe todos os resultados dos exames em 45 dias. Caso seja detectada alguma alteração em relação aos padrões considerados normais, o voluntário é orientado a procurar o serviço médico de sua escolha para diagnóstico e tratamento. O Elsa utilizará os resultados exclusivamente para fins de análise científica, e apenas pesquisadores envolvidos no projeto terão acesso a eles", conta.

Após completar a primeira fase com os dois mil voluntários da Fiocruz, o Elsa fará o acompanhamento da saúde de cada participante nos três anos posteriores, registrando e monitorando internações ou problemas relacionados às doenças pesquisadas. Para isso, o voluntário receberá um telefonema, todos os anos, de um componente do Elsa. Após três anos, todos os exames e questionários serão repetidos. "Serão avaliadas variáveis que vão desde o acesso a frutas e verduras até marcadores bioquímicos, além de condições sociais e gênero", diz Dora.

De acordo com Moyses Szklo, consultor do Ministério da Saúde e coordenador do comitê de publicações do Elsa-Brasil, o projeto é comparável aos melhores estudos epidemiológicos que são conduzidos em países desenvolvidos. "Trata-se de um estudo inédito na América Latina. Está sendo liderado por investigadores de categoria internacional e inclui exames tão sofisticados quanto os de estudos feitos nos Estados Unidos", afirma. "O Brasil está entrando no mapa da epidemiologia", acrescenta Reinaldo Guimarães, titular da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Gasto com internações por doenças cardiorespiratórias é alto no Brasil

As doenças do aparelho circulatório são a primeira causa de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) registra 1,15 milhão de internações por ano causadas por essas doenças, que têm como principais fatores de risco a hipertensão arterial e o diabetes mellitus. O gasto anual com essas internações é de cerca de R$ 475 milhões, sem incluir gastos com procedimentos de alta complexidade.

Cerca de 35% da população acima dos 40 anos no Brasil sofrem de hipertensão arterial - em torno de 12 milhões de pessoas. Na mesma faixa etária, 11% sofrem de diabetes - quatro milhões de pessoas. Só em 2007, o governo gastou R$ 209 milhões na compra de medicamentos para esses dois males.

Voluntários da Fiocruz

Segundo Dora Chor, o estudo está sendo feito com servidores públicos porque garante uma base de voluntários mais sólida devido à estabilidade no emprego até a aposentadoria, assegurando a realização de estudos com boa taxa de participação. Abaixo, alguns voluntários que já participaram da primeira etapa do estudo na Fiocruz:

"Trabalho com saúde pública há mais de 40 anos e, particularmente, sei da importância de uma pesquisa desse porte e da importância desse estudo longitudinal do adulto. Além disso, essa pesquisa epidemiológica tem uma relevância fundamental para a saúde pública. Em um país como o nosso, onde a população da terceira idade está aumentando cada vez mais, o Elsa é um instrumento muito importante".
Arlindo Fábio Gomes de Souza
66 anos, superintendente do Canal Saúde

"Considero que ser voluntária do Elsa é um duplo privilégio, pois, além da contribuição a um projeto de pesquisa de grande importância para a saúde pública, é uma oportunidade de se obter uma avaliação de saúde altamente qualificada. Sem dúvida, o Elsa representará um marco para a saúde pública brasileira. Além disso, o serviço é excelente, toda equipe é extremamente atenciosa e educada. Eles têm uma preocupação muito grande com o bem-estar do voluntário, esclarecendo todos os procedimentos executados em cada etapa".
Maria Inês Rodrigues Fernandes
41 anos, tecnologista da Ensp

"Sou uma pessoa de idade avançada e me cuido muito pouco. Além disso, acho que os planos de saúde são de difícil acesso. Assim, inserido no Elsa, eu tenho acesso a bons exames e, principalmente, farei um acompanhamento mais disciplinado da minha saúde".
Paulo Amarante
56 anos, pesquisador do Laboratório de Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Ensp

"Eu apresentava taxas altas de colesterol e vi, no projeto, a possibilidade de obter um acompanhamento regular e de ótima qualidade. Além disso, a equipe integrante é extremamente criteriosa e bem preparada para fornecer instruções fundamentais, que asseguram aos voluntários tranquilidade para continuar fazendo parte desse belo projeto".
Nildimar Alves Honório
39 anos, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

"Soube que era um projeto desenvolvido por epidemiologistas muito respeitados, que vêm atuando na área de doenças crônicas em vários centros importantes no Brasil. Além disso, ao saber que esse projeto irá acompanhar as pessoas por vários anos, percebi que se trata de um estudo diferenciado, semelhante àqueles realizados em outros países. Sinto-me muito privilegiada por ter a oportunidade de participar de um estudo desse porte, que, com certeza, vai contribuir de forma muito importante para ampliar nosso conhecimento sobre determinadas doenças".
Lúcia Rotenberg
53 anos, pesquisadora do IOC

*Com reportagem da revista Inovação, da Finep

 

Fonte:

 

http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2485&sid=9

 

 

 


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