Oftalmologia/Olhos -
Esta página já teve 134.590.919 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.668 acessos diários
home | entre em contato
 

Oftalmologia/Olhos

Uso de líquido amniótico: novas perspectivas no tratamento da síndrome do olho seco

08/09/2009


Pesquisa pretende testar em humanos o uso de líquido amniótico como terapia para a doença.

Estimativas apontam que de 10% a 15% da população mundial sofre com a doença ocular crônica conhecida como síndrome do olho seco. Caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência de seus componentes, o distúrbio no filme lacrimal e na superfície ocular pode produzir áreas secas sobre a conjuntiva e a córnea, capazes de gerar lesões.

Os sintomas são desde o ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, até a dificuldade para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente ao computador. Existem várias causas do olho seco: o ambiente, queimaduras químicas, medicamentos, lentes de contato, idade avançada e em mulheres após a menopausa. Pode estar associada com doenças sistêmicas ou imunológicas como síndrome de Sjögren – em que o sistema imunológico do paciente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva – síndrome de Steven-Johnson, Parkinson entre outras. “Pacientes que tem paralisia facial e não conseguem piscar com freqüência ou a falta de higiene da margem das pálpebras, que desestabiliza a camada mais externa do filme lacrimal e faz a lágrima evaporar muito mais rápido”, explica o oftalmologista Guilherme Quinto que desenvolveu uma pesquisa junto ao Wilmer Eye Institute (Johns Hopkins University, Baltimore/EUA) sobre os efeitos do líquido amniótico e soro humano como terapia para síndrome do olho seco. A proposta é buscar opções mais expressivas para tratar o problema.

Tratamentos - “Casos avançados da síndrome podem causar cegueira. A maior parte, 80% das vezes, resolvemos com lágrima artificial (colírio lubrificante)”, comenta o oftalmologista. Este tratamento é o convencional, seguido da oclusão dos pontos lacrimais que possibilita que a lágrima fique nos olhos por mais tempo e não escoem para o nariz.

De acordo com Quinto, existem também drogas promissoras, antiinflamatórias. “Sua utilização é crônica e o efeito é sentido em seis semanas”. Outra alternativa é a terapia com soro autólogo, proveniente do sangue do paciente, que é centrifugado, separado e empregado sob forma de colírio.

A pesquisa do oftalmologista iniciou em 2007 e analisou os resultados no tratamento da síndrome com o soro humano e com a nova prática, o uso de líquido amniótico humano. “Percebeu-se que quando eram feitas cirurgias intra-uterinas, mais próximas da data do nascimento, as crianças nasciam sem cicatrizes na pele”, diz. Segundo ele, a membrana amniótica, por apresentar propriedades antiinflamatórias e regenerativas, tem sido aplicada em queimaduras oculares e doenças que causam inflamação nos olhos. Os problemas são diminuídos e as chances do paciente não perder completamente a visão são grandes. “A partir disso surgiu a ideia de usar de forma tópica”, comenta.

A pesquisa foi testada primeiramente em camundongos e o próximo passo do médico é avançar as pesquisas em humanos, aplicação inédita no Brasil, que será desenvolvida durante seu curso de pós-graduação em nível doutorado na Universidade de São Paulo (Unifesp). A proposta do pesquisador é buscar novas soluções no tratamento tão comum em vários países do mundo, mas ele ressalta que o mais importante é prevenir, nos casos possíveis, cuidando da higiene dos olhos.

Perfil do oftalmologista Guilherme Quinto - Guilherme Quinto participou, na condição de membro associado, do encontro anual da Association for Research in Vision and Ophthalmology (Arvo), em Fort Lauderdale (Florida/EUA), no período de 02 a 07 de maio do corrente ano, cujo tema principal foi “Reduzindo Disparidades na Doença e Tratamento dos Olhos”. A ARVO (www.arvo.org) é uma comunidade de mais de 12.000 pesquisadores da visão e da oftalmologia do mundo inteiro que tem como propósito ajudar na cura e prevenção da cegueira através da pesquisa, treinamento, publicação e conhecimento compartilhado.

Participou, pelo segundo ano consecutivo através do Wilmer Eye Institute (Johns Hopkins University, Baltimore/EUA), com seis contribuições que abordaram os seguintes temas: Efeitos do líquido amniótico humano e soro humano como terapia para síndrome do olho seco; Substituição da sutura por cola sintética na incisão de cirurgia de catarata; Diferentes configurações de incisões corneanas para cirurgia de catarata; Utilização de riboflavina e raios ultra-violeta A (CxL).

Oftalmologista certificado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), fez sua especialização na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (2004-2007). No período de 2007 a 2008 participou de um Research Fellowship na Johns Hopkins University, Wilmer Eye Institute, Baltimore/EUA, onde desenvolveu diversos trabalhos, inclusive em associação com especialistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), Los Angeles (Califórnia/EUA), e também com profissionais da Universidade da Carolina do Norte (UNC/North Carolina/EUA).

Suas pulicações mais recentes em jornais indexados Medline e LILACS como Current Opinion of Ophthalmology, Cochrane Database of Systematic Reviews, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, Conf Proc IEEE Eng Med Biol Soc, Revista Brasileira de Oftalmologia, abrangem os temas de síndrome do olho seco após cirurgia refrativa, lise de sutura de córnea com laser diodo vermelho, soro autólogo para doenças de superfície ocular, líquido amniótico para doenças da superfície ocular, mitomicina C para prevenção de haze em ablação de superfície para miopia moderada a alta, indicações de ceratoplastia penetrante, entre outros.

Membro da American Academy of Ophthalmology (AAO, www.aao.org), que contempla mais de 27.000 membros pelo mundo inteiro, sendo o maior congresso de oftalmologia do mundo realizado anualmente. Em 2008, no encontro realizado em Atlanta, a comissão científico lhe conferiu o prêmio de melhor pôster da sessão de catarata com o trabalho entitulado de A New Reabsorbable Sealant for Ocular Use.

Ingressou recentemente na pós-graduação em nível doutorado pela Universidade de São Paulo (Unifesp).

Atualmente é membro do Corpo Clínico do Hospital Mãe de Deus e do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre. Atua no Serviço de Oftalmologia do Mãe de Deus Center.

Áreas de interesse: Doenças de córnea e segmento anterior; cross-linking para doenças da córnea; transplante de córnea; cirurgia de catarata e cirurgia refrativa (miopia e astigmatismo com laser).

Fonte: Portal Fator Brasil

 

Fonte:

 

http://www.retinaecatarata.com.br/index.asp?menu=exibe_noticias&cod=60

 

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos