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Arte/Cultura/Diversão/Agenda

De Dentro para Fora/De Fora para Dentro” expõe urbanidade com sabor de século 21

26/11/2009

arte é arte

“De Dentro para Fora/De Fora para Dentro” expõe urbanidade com sabor de século 21

Masp espera receber 150 mil visitantes durante os 3 meses de mostra

por Adriana Guivo - 20 de novembro de 2009
Visões panorâmicas durante a montagem da exposição “De Dentro para Fora/De Fora para Dentro” (Foto: Alexandre Urch)Visões panorâmicas durante a montagem da exposição “De Dentro para Fora/De Fora para Dentro” (Foto: Alexandre Urch)

Traços descontínuos, pinceladas imprimindo a velocidade das cenas captadas, cores criando um campo vibracional próprio, retratos com alongados rostos e corpos distorcidos são elementos observados nas pinturas de Renoir, Degas, Modigliani e Bonnard. Artistas que possuem um pé no acadêmico, ainda que tenham rompido com as regras básicas de seus antecessores, e deixado muita gente indignada com representações tão descabidas e feias. Ao menos para o gosto reinante à época.

Um salto de pouco mais de cem anos e as mesmas características de traços, pinceladas, cores e distorções são vistas em meio a uma produção nascida no ambiente urbano. Ao conquistar espaços expositivos institucionalizados, o grafite dessacralizou o que ainda insistem em definir rótulos para se sustentar: a arte contemporânea. A discordância entre curadores e críticos sobre o lugar que essa manifestação deve ser exibida dá ao público a chance de espanar a poeira das ideias e se fartar com o sabor de novidade – e de polêmica – próprio dos inícios de séculos.

As formas em azul de ZezãoAs formas em azul de Zezão
Motivos que são suficientes para se perceber o valor histórico de uma mostra como “De Dentro para Fora/De Fora para Dentro”. No mesmo Masp onde se encontram os Mestres da Pintura acima citados podemos admirar uma encorpada safra nacional de grafiteiros, muralistas, artistas urbanos ou simplesmente artistas.

Titi Freak, Daniel Melim, Stephan Doitschinoff, Zezão, Carlos Dias e Ramon Martins já expuseram em diversas galerias mundo afora e quem transita por São Paulo poderá já tê-los visto à céu aberto. O que fazem é inspirado numa dinâmica de fiação elétrica, postes, publicidade, tapumes, e os muitos personagens esfacelados e invisíveis do dia a dia. Boa parte foi expressa diretamente em muros, portões de ferro, estacionamentos, terrenos baldios e calçadas. Tatuando dessa forma a cidade conseguiram uma forma livre de serem vistos, sem precisar de alguém lhes dando aval para o que, quando e como produzir.

Ao serem convidados a exporem no subsolo do Masp, deram conta do recado de não serem engolidos pela arquitetura de Lina Bo Bardi e ainda criarem em conjunto a primeira grande instalação específica para o museu, além de serem também individuais para apresentar seus trabalhos.

 A POÉTICA DE CADA ARTISTA EXPOSTO

“Foco na Verdade, Foco na Realidade”, de Stephan Doitschinoff“Foco na Verdade, Foco na Realidade”, de Stephan Doitschinoff
Stephan Doitschinoff, vulgo Calma, mergulha fundo nos ícones de fundo religioso e em mitologias ancestrais, presentes ou não nos dias atuais. Suas figuras possuem fortes traços geométricos, numa rigidez que se quebra diante de delicadas cores e sombreados. Em uma vitrine é possível ver os muitos desenhos a lápis que serviram de estudo para suas pinturas e que também estão impressos nos livros dispostos pelo piso de sua instalação. Uma sequência de fotografias nos mostra o resultado dos três anos em que conviveu com uma comunidade baiana, reconstruindo uma igreja e inserindo sua arte nos muros das casas e em túmulos do cemitério – sempre com autorização e contribuição simbólica e espontânea das famílias locais.

A instalação de Titi Freak foi pensada previamente para ser uma casa. Sobrou um cantinho com cara de oratório, em que o público pode se sentir a vontade para adentrar, e uma fachada externa que estampa um peixe e um rosto gigantes, com uma dinâmica de orgânico e geométrico particulares de sua nova fase de expressão. Dá para perceber o contraste das fases com os desenhos da parte “interna”, que conquistou galerias no Japão, onde passou três meses montando uma exposição e precisou se conter para não burlar a lei que impede que haja grafite pelas ruas. Segundo ele, seu traço nasce de um desejo de relacionar suas cores e formas de maneira harmônica ao ambiente urbano.

Grafite feita por Titi Freak fora do BrasilGrafite feita por Titi Freak fora do Brasil
Os desenhos azuis de Zezão se desdobram em formatos similares e ainda assim adaptáveis a cada área onde interage. O espaço destinado a ele dentro da exposição cria um ambiente de túnel, com suas luzes filtradas por bueiros e que constituem um universo subterrâneo pouco visto. São em lugares assim, pouco percebidos, que insere seus traços, que pode lembrar esqueletos de animais, como os expostos em museus de História Natural. Seus desenhos são um sinal da vida que se infiltra por todas as partes.

Daniel Melim é responsável por uma Ong no Jardim Limpão, em São Bernardo do Campo.  Nela, tira do próprio bolso a compra dos materiais usados pelas crianças, pelo prazer de vê-las se divertindo ao mesmo tempo em que se instruem em uma técnica profissional: o estêncil. É com ela que cria seus quadros, sob suportes diversos: uma porta de madeira, um pedaço de vidro, uma chapa de metal. Partindo de referências da Pop Art, insere elementos da publicidade e de resquícios de seu cotidiano, com um excepcional domínio da pintura.

A instalação de Ramon Martins ganha o espaço do chão após nascer de uma imensa pintura na parede. Os mesmos traços que configuram o cabelo de uma menina se transformam num grande lago de muitas cores. A vontade pode ser a de andar sobre ele, como muitos fizeram durante a noite de abertura. Mas a ideia é aproveitar os buracos existentes para saltar entre eles.

O trabalho em estêncial do artista Daniel MelimO trabalho em estêncial do artista Daniel Melim
As pinturas de Carlos Dias se encontram expostas ao longo de todo Hall Cívico do Masp, no patamar acima do subsolo onde se encontram os demais artistas. Com um traço espontâneo, dialogam com a paisagem vista através dos vidros das janelas do museu. Vão desde painéis a pequenas telas, onde se observa uma expressividade desorganizada de cores, ainda que mantenham sua assinatura evidente.

Talvez o sétimo elemento a ser considerado nessa exposição seja o fotógrafo Gal Oppido. Suas sintéticas imagens concentram o que foi o período de montagem da mostra, e se encontram expostas juntamente com o vídeo do making of de Doitschinoff na Bahia e de lousas para os que desejarem se expressar ao término da visita.

Para os curadores Mariana Martins, Eduardo Saretta e Baixo Ribeiro, que comandam a galeria Choque Cultural, a combinação de tanta gente boa com uma linguagem tão atual e comunicativa será suficiente para levar os estimados 150 mil visitantes ao museu. Um número alto assim só artistas como Dali e Monet conseguiram até hoje, mas esses contaram com uma publicidade maciça para incentivar o público.

Uma arte nascida com a força das ruas te leva para dentro de um museu?

"De Dentro para Fora/De Fora para Dentro" até 5 de fevereiro de 2010 no Masp. Avenida Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo. Tel: (11) 3251-5644. Às terças-feiras a entrada é gratuita a todos.
 
 
 
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