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Endocrinologia/Glândulas

Metformina além dos efeitos metabólicos

14/04/2010

 

 
Há muitos anos atrás, o extrato da planta Galega officinalis demonstrou importante efeito terapêutico ao reduzir os sinais e sintomas clássicos de diabetes melito descompensado. Em seguida, quando foi melhor estudada demonstrou ser rica em guanidina, um composto altamente tóxico para o uso clínico diário. Por isso, em 1920 dois compostos químicos foram sintetizados, decametilene biguanida (Sintalina A) e dodecametilene biguanida (Sintalina B) que demonstraram boa tolerância e eficácia como opção terapêutica para o diabetes. Quase dez anos após, na Alemanha, foi sintetizada a dimetil biguanida, denominada metformina onde se tornou disponível para o uso no tratamento do diabetes melito. Mas na época, coincidente com o advento da insulina a metformina foi automaticamente esquecida como alternativa terapêutica. Em 1950, foram melhor estudas as suas atividades farmacológicas e liberadas em vários países europeus durante muito tempo, mas somente em 1995 foi aprovada nos EUA pela Food and Drug Administration (FDA).

Atualmente, a metformina é uma opção terapêutica consagrada para o diabetes melito tipo 2 nas suas diferentes fases evolutivas, ou seja, desde a fase de pré diabetes até a fase de falência total de síntese insulina pelas células beta. Está indicada em monoterapia ou em associação com outros hipoglicemiantes orais e até mesmo na fase de insulinização plena. Diferentemente da fenformina, que era mais potente, mas com maior risco de acidose lática a metformina quando indicada corretamente e de preferência em doses crescentes raramente desencadeia efeitos colaterais graves. A acidose lática, uma complicação muito temida na época do uso de fenformina, é extremamente rara com o uso de metformina. Além das suas ações na homeostase da glicose sanguínea, a metformina tem demonstrado por meio de marcadores plasmáticos, importante redução da atividade inflamatória, que normalmente evolui com o diabetes melito não controlado. Esse efeito terapêutico se traduz em atraso na evolução da aterosclerose e conseqüente redução do risco de complicações cardiovasculares. Por outro lado, na síndrome de ovários policísticos está se tornando cada vez mais evidente o seu efeito benéfico na indução da ovulação.

Mais recentemente, tem sido publicados vários estudos relacionando a metformina a redução de risco de alguns tipos de cânceres. Por exemplo, em mulheres com diagnóstico de diabetes melito e câncer de mama, houve melhor resposta à quimioterapia naquelas em uso de metformina. Além disso, há relatos de redução de mortalidade dos carcinomas de pâncreas e de próstata em pacientes em uso de metformina.

Finalmente, é muito claro que há necessidade de mais estudos controlados, prospectivos e com desenhos apropriados para que possamos pensar na metformina como adjuvante no tratamento quimioterápico de algumas neoplasias malígnas. Esses resultados promissores, apenas sugerem uma possível atividade protetora da metformina na incidência e na evolução de alguns tipos de neoplasias malignas.

Referências

1.    Gonzáles-Ângulo AM et. al. Metformin and pathologic complete responses to neoadjuvant chemotherapy in diabetic patients with breast câncer. J Clin Oncol 2009;27:3297-3302.

2.    Abbruzzese JL et al. Antidiabetic therapies affect risk of pancreatic cancer. Gastroenterology 2009;137(2):482-488.

3.    Wright JL et al. Metformin use and prostate cancer in Caucasian men: Results from a population-based case control study. Cancer Causes Control 2009;20(9):1617-1622.

4.    Josie MM et al. New users of metformin are at low risk of incident cancer. Diabetes Care 2009;32:1620-1625.
 
 
 
 
 


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