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Hipertensão/Pressão Alta

HAS no idoso

16/12/2010
 Em menos de duas décadas, a população brasileira com mais de 60 anos ultrapassará os 30 milhões de pessoas..

Dr. Roberto Dischinger Miranda
Serviço de Doenças Cardiovasculares da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM) - CRM-SP 64.140.

Dr. Carlos André Uehara

Serviço de Doenças Cardiovasculares da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Unifesp/EPM - CRM-SP 97.211.

Em menos de duas décadas, a população brasileira com mais de 60 anos ultrapassará os 30 milhões de pessoas. Uma conseqüência direta do envelhecimento populacional é o aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Entre estas, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a mais prevalente e é considerada o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares na população geriátrica.

O enrijecimento arterial decorrente do envelhecimento vascular manifesta-se clinicamente com a elevação da pressão arterial sistólica (PAS). Em idosos, o mais comum é a elevação isolada ou predominante da PAS, a qual apresenta maior correlação com eventos cardiovasculares.

O diagnóstico e a classificação da HAS no idoso são semelhantes aos do adulto. Nos gerontes, os cuidados na medida da pressão arterial (PA) devem ser muito valorizados, como palpar a artéria radial ao insuflar o manguito, aferir a PA ao menos duas vezes em repouso, sempre medir a PA na posição ortostática, entre outros.


O tratamento não-farmacológico deve ser encorajado em todos os estágios da HAS e se baseia na prática de um estilo de vida saudável. Algumas orientações comprovadamente benéficas em idosos são: atividade física regular, abandono do tabagismo e etilismo, perda de peso, dieta hipossódica, pobre em gorduras, rica em frutas e verduras.

Para a terapia inicial, qualquer classe de anti-hipertensivo pode ser utilizada, e a melhor escolha deve ser fundamentada nas comorbidades existentes (Tabela 1). Os betabloqueadores não devem ser utilizados como monoterapia inicial em idosos sem comorbidades.


 Tabela 1. Anti-hipertensivo em presença de comorbidade
 
ICC: insuficiência cardíaca congestiva; HSI: hipertensão sistólica isolada; IAM: infarto agudo do miocárdio; AVE: acidente vascular encefálico; DAC: doença arterial coronariana; DM: diabetes melito; IRC: insuficiência renal crônica; IECA: inibidor da enzima de conversão de angiotensina; BRA: bloqueador do receptor da angiotensina

A combinação fixa de diferentes classes de anti-hipertensivos deve ser considerada, mesmo na terapia inicial, em decorrência do caráter multifatorial da HAS e da presença de inúmeras comorbidades nesta faixa etária. Em geral, é mais eficaz e apresenta menor incidência de eventos adversos do que a monoterapia em doses altas. Preferir as combinações fixas de tomada única diária, pois melhoram a adesão.

Até a publicação recente do estudo HYVET (Hypertension in the Very Elderly Trial), não existiam evidências claras se havia benefício no tratamento da HAS na população muito idosa (acima de 80 anos). O estudo foi interrompido precocemente, pois o braço com tratamento ativo (indapamida de liberação lenta com ou sem perindopril) apresentou redução significativa de acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade global.

Dessa forma, todos os idosos hipertensos devem manter seus níveis pressóricos em patamar adequado, mesmo os muito idosos. Para melhor adesão, devemos lembrar as peculiaridades deste estrato populacional e respeitar seus anseios e expectativas.


Bibliografia

Beckett NS, Peters R, Fletcher AE, et al.; for the HYVET Study Group. Treatment of hypertension in patients 80 years of age or older. N Engl J Med. 2008;358:1887-98.

 
Fonte:
 
 
 


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