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Fertilização in vitro/Infertilidade/Reprodução

Infertilidade feminina: um breve panorama

10/02/2011

Bruno Ramalho de Carvalho, ginecologista com formação em Reprodução Humana e mestrado pela USP/Ribeirão Preto e membro do corpo clínico do GENESIS

A crescente inserção da mulher no mercado profissional, fruto da força dos movimentos feministas ocorridos ao longo da segunda metade do século XX, tem sido um fator determinante da remodelação de seu papel social e resulta em nítida tendência de se postergar a maternidade. Há estudos recentes demonstrando a expressiva multiplicação na proporção dos nascimentos em mulheres com 35 anos de idade ou mais desde a década de 1970, especialmente nos países desenvolvidos, onde se estima que tais eventos possam corresponder a mais de um quarto dos nascimentos até o final desta década.

Embora seja reflexo de um processo que vislumbra a equidade sócio-econômica entre homens e mulheres (diga-se de passagem, essência e justo motor da civilização moderna), nota-se que a opção pelo adiamento da maternidade desconsidera inadvertidamente a finitude da função reprodutiva feminina e implica o aumento do número de mulheres com dificuldades reprodutivas, tornando-se cada vez maior a procura por serviços de assistência especializada.

É sabido que a função ovariana tem um prazo de validade, determinado geneticamente para cada mulher e que não se pode calcular por fórmulas matemáticas. Em princípio, a perda progressiva dessa função acelera-se entre 30 e 40 anos de idade, mas grande parcela das mulheres subférteis nessa faixa etária pode permanecer com ciclos menstruais aparentemente normais, sendo a sua identificação um grande desafio à medicina reprodutiva.

Em centros de assistência em reprodução humana, especial atenção tem sido dada à avaliação individualizada do potencial reprodutivo feminino (reserva ovariana), com a expectativa de se identificarem dificuldades de se obter uma gestação espontânea ou como tentativa de estimar as chances de resposta aos tratamentos de reprodução assistida. Infelizmente ainda não se conseguiu determinar uma seqüência de exames complementares suficientemente capazes de identificar com acurácia a queda da reserva ovariana e, mais importante, predizer a resposta à indução hormonal.

Um teste de avaliação da reserva ovariana ideal seria o que permitisse a determinação da quantidade e da qualidade dos óvulos obtidos no ciclo em curso e do estoque de óvulos restantes nos ovários após este ciclo. Em outras palavras, capaz de estimar as chances de gravidez no ciclo acompanhado (espontâneo ou induzido) e garantir a sucessão dos ciclos férteis em longo prazo.

Por todo o exposto, a proposta atual é de uma avaliação baseada nas características clínicas e nos potenciais fatores específicos para a infertilidade (ou subfertilidade) de cada casal, a partir de um histórico detalhado em uma boa primeira conversa. Afinal, não é somente a idade o fator determinante da redução da fertilidade feminina. Além dela, há fatores outros que exigem ainda mais rigor na individualização do atendimento ao casal, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos, os problemas masculinos (que podem estar presentes em até metade dos casais), e, ainda, os quadros de infertilidade sem causa aparente.

Conhecer bem o casal pode abrir a possibilidade de eleger exames complementares individualizados, norteando o aconselhamento, amenizando encargos emocionais e financeiros de tratamentos cujos resultados, é bem verdade, ainda se encontram aquém do desejado. Mas na propedêutica da infertilidade ainda há muito que se desenvolver e é na avaliação presencial, com boa anamnese e exame físico criterioso, que se encontram as diretrizes fundamentais da assistência em medicina reprodutiva.

Fonte: Isaude.net
 
 
 


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