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Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica

Visão e cheiro de comida elevam níveis de dopamina em comedores compulsivos

02/03/2011

Aumento dos níveis da substância ligada à recompensa e motivação no cérebro se relaciona com o desencadeamento da compulsão

"Resultados identificam a neurotransmissão da dopamina, que instrui o cérebro a buscar a recompensa, como sendo de relevância para a neurobiologia do transtorno da compulsão alimentar", diz Gene-Jack Wang

A visão e o cheiro de comida fazem os níveis de dopamina atingir níveis máximos no cérebro de comedores compulsivos. É o que revela estudo realizado pelo Brookhaven National Laboratory, nos Estados Unidos.

Pesquisadores descobriram uma sutil diferença entre indivíduos obesos comuns e aqueles que comem compulsivamente. Em comedores compulsivos, a mera visão ou o cheiro das comidas favoritas provoca o aumento da dopamina - substância química do cérebro ligada à recompensa e motivação. Resultados do estudo sugerem que este aumento da dopamina pode desempenhar um papel no desencadeamento da compulsão por comida.

"Estes resultados identificam a neurotransmissão da dopamina, que instrui o cérebro a buscar a recompensa, como sendo de relevância para a neurobiologia do transtorno da compulsão alimentar", observou o autor Gene-Jack Wang.

Estudos anteriores realizados pela equipe de Wang identificaram um aumento de dopamina semelhante em indivíduos dependentes de drogas quando foram mostradas imagens de pessoas usando drogas, bem como semelhanças neuroquímicas entre a toxicodependência e a obesidade, incluindo um papel da dopamina no desejo de consumo de drogas e /ou alimentos.

"Em estudos anteriores com pessoas saudáveis com peso normal que tinham sido privadas de alimento por 16 horas, verificou-se que a liberação de dopamina esteve significativamente correlacionada com auto-relatos de fome e desejo por comida. Estes resultados forneceram evidências de uma resposta de sinalização condicionada à alimentação", disse Wang.

No estudo atual, os investigadores suspeitaram que indivíduos obesos com compulsão por comida apresentam maior resistência a respostas condicionadas a estímulos alimentares, quando comparados com indivíduos obesos não compulsivos.

"Entender os mecanismos neurobiológicos do estímulo alimentar pode apontar-nos para novas formas de ajudar indivíduos a regularem seus comportamentos alimentares anormais", disse Wang.

Metodologia

Os cientistas estudaram dez indivíduos obesos com diagnóstico clínico de transtorno de compulsão alimentar e oito indivíduos obesos que não eram comedores compulsivos.

Eles utilizaram a tomografia por emissão de pósitrons (PET) para examinar os cérebros dos sujeitos após a injeção de um radiofármaco concebido para se ligar a receptores de dopamina no cérebro.

Como o marcador concorre com a dopamina natural do cérebro para se ligar a esses receptores, o sinal captado pelo scanner PET fornece uma medida inversa dos níveis de dopamina no cérebro: um sinal forte do radiofármaco indica baixos níveis de dopamina no cérebro natural, um baixo sinal do marcador indica altos níveis de dopamina no cérebro.

Cada indivíduo foi testado quatro vezes em dois dias diferentes para testar os efeitos da estimulação de alimentos versus estímulo neutro com e sem pré-administração de uma droga conhecida para amplificar sinais de dopamina. A droga, o metilfenidato, bloqueia a recaptação de dopamina das sinapses cerebrais, permitindo que elas persistem por mais tempo. Em exames sem metilfenidato, os participantes receberam um placebo.

Na condição de estimulação de alimentos, as comidas favoritas dos participantes foi aquecida (se necessário) e colocada em frente de suas bocas e narizes de modo que eles podiam sentir o cheiro e até o sabor de pequenas quantidades esfregadas em suas línguas.

Para os exames estímulo neutro, os pesquisadores mostraram fotos não relacionadas com os alimentos e objetos inanimados, como brinquedos e itens de vestuário próximas aos participantes para que eles pudessem sentir o cheiro deles enquanto estavam deitados no scanner. Em todos os casos, os sujeitos da pesquisa estavam em jejum de 16 horas antes do exames.

Resultados

A estimulação de comida com metilfenidato aumentou significativamente os níveis de dopamina nas regiões caudado e putâmen do cérebro em comedores compulsivos, mas não no cérebro dos participantes que não eram compulsivos.

Indivíduos com o transtorno da compulsão alimentar mais grave, avaliado por testes psicológicos, tinham os maiores níveis de dopamina no núcleo caudado.

Os níveis de dopamina não aumentaram significativamente em outras regiões do cérebro, ou sob qualquer outra condição (estímulo neutro com ou sem o metilfenidato, ou estimulação alimentar sem metilfenidato) em ambos os grupos, e não foram correlacionados com o índice de massa corporal dos sujeitos da pesquisa. As avaliações dos níveis de receptores de dopamina também não diferiram entre os dois grupos.

"Assim, a principal diferença que encontramos entre comedores compulsivos e comedores não compulsivos obesos foi uma elevação bastante sutil dos níveis de dopamina no núcleo caudado em comedores compulsivos em resposta ao estímulo de alimentos", explicou Wang.

"Essa resposta da dopamina acontece em uma parte diferente do cérebro da que temos observado em estudos de dependência de drogas, que encontrou picos de dopamina no centro de recompensa do cérebro em resposta às sugestões associadas a drogas. O núcleo caudado, em contraste, acredita-se estar envolvido no reforço da ação potencialmente levando a recompensa, mas não no processamento da recompensa em si. Isso significa que essa resposta eficaz instrui o cérebro a buscar a recompensa, que também é observada em indivíduos dependentes de drogas", acrescentou Wang.

Na medida em que a compulsão alimentar não é exclusivamente encontrada em indivíduos obesos, os cientistas acreditam que mais estudos são necessários para avaliar os fatores neurobiológicos que podem diferenciar os comedores compulsivos obesos e não obesos.

Fonte: Isaude.net
 
 


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