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Laser de pulso ultracurto permite tratamento odontológico mais preciso

02/03/2011
01.03.2011

 

Método atinge uma área menor e possui uma interação diferenciada com a superfície, que não coloca em risco o tecido dental

A dentista Marina stella Bello Silva, autora da pesquisa

O uso odontológico de lasers com pulsos ultracurtos, experimentado na Faculdade de Odontologia (FO) da USP, poderá realizar remoção de cárie de modo mais preciso e sem causar grandes alterações na superfície dos dentes. No método testado pela dentista Marina Stella Bello Silva, os pulsos mais rápidos atingem uma área menor e possuem uma interação diferenciada com a superfície, que não coloca em risco o tecido dental. A técnica, ainda não adotada clinicamente, poderá ser usada em aplicações que os lasers comuns não são adotados, como preparo de sítio de implantes e em microcirurgias.

Os lasers de érbio, usados atualmente em odontologia, emitem pulsos da ordem de microssegundos (1.10-6 segundos), ou seja, cerca de 1 milhão de vezes mais curtos que um segundo. Os lasers de pulsos ultracurtos são empregados na indústria automobilística e de biomateriais, bem como nas modernas cirurgia oftamológicas para correção de miopia. " A pesquisa experimentou pulsos da ordem de picossegundos (1.10-12 segundos) e femtossegundos (1.10-15 segundos), respectivamente 1 milhão e 1 bilhão de vezes mais curtos que os equipamentos atualmente disponíveis na Odontologia" , descreve a dentista.

O calor emitido pelo laser convencional durante a remoção de cáries pode causar danos nos tecidos adjacentes à área tratada. " Por meio de um processo conhecido como ablação, a energia do laser absorvida pela água do tecido irradiado sofre uma microexplosão" , diz Marina. " Cada pulso gera uma cavidade de 400 a 600 micrômetros, resultando em uma superfície irregular e alterando significativamente a subsuperfície" .

Os lasers de picossegundos e femtossegundos causam um aumento máximo de 4 graus na temperatura dos tecidos (o nível considerado seguro para a polpa do dente é de 5,6 graus), sem necessidade de refrigeração, obrigatória no laser de érbio. " Com os pulsos mais curtos, a interação do laser não depende tanto do material, pois se dá em um nível enérgetico extremamente alto , com a formação de plasma" , explica a dentista. " Assim, é possível fazer cortes mais precisos, de até 2 micrômetros, sem afetar a subsuperfície " . Os melhores resultados para os pulsos ultracurtos foram obtidos com comprimento de onda na faixa do infravermelho , com irradiação de 100 kilohertz (100.000 pulsos por segundo).

Adesão

No tratamento com o laser convencional, a restauração do dente com a aplicação de resina necessita de um tratamento prévio da superfície, para melhorar a adesão. " Se a adesão não for boa, há risco de infiltrações, que podem provocar recidiva de cárie" , conta Marina. " Com o uso dos pulsos ultracurtos, que não danificam a superfície, verificou-se boa adesão sem necessidade de condicionamento adicional da área em que a resina é aplicada" , conta Marina.

De acordo com a dentista, as pesquisas contribuirão para o desenvolvimento de uma odontologia minimamente invasiva. " A nova técnica mantém as vantagens do laser, como a redução microbiana e a remoção seletiva das cáries" , destaca. " Ao mesmo tempo, é possível tratar apenas a parte cariada do tecido do dente, preservando ao máximo as áreas sadias" , destaca.

Marina observa que os estudos com lasers de pulsos ultracurtos em odontologia ainda estão na fase incial. " Serão necessários alguns anos para se desenvolver uma peça de mão que dê acesso à cavidade oral e permita a sua utilização" , aponta. " A precisão da técnica poderá levar no futuro ao desenvolvimento de aplicações em que o laser não é utilizado atualmente, como preparo de sítios para implantes e em microcirurgias" .

A pesquisa com os lasers é descrita na tese de doutorado de Marina Stella Bello Silva, defendida simultaneamente na FO e na Universidade de Aachen (Alemanha), e apoiada pela FAPESP, CAPES e DAAD. No Brasil, o trabalho teve a orientação do professor Carlos de Paula Eduardo, do Laboratório Especial de Laser e Odontologia (LELO) do Departamento de Dentística da FO. Na Alemanha, o trabalho foi realizado sob a orientação do professor Friedrich Lampert, da RWTH Aachen University, em parceria com Dr. Martin Wehner, do Centro de Laser do Instituto Fraunhofer (ILT, Aachen).

Fonte: USP
 
 
 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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