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Geriatria/Gerontologia/Idoso

Tratamento da incontinência urinária em idosos.

19/05/2011

 

Frank C, Szlanta A. Office management of urinary incontinence among older patients. Can Fam Physician. 2010 Nov;56(11):1115-20.


Objetivo: Fornecer aos médicos de família um guia para o manejo da incontinência urinária (IU) em pacientes idosos.

Fonte de informações: As bases de dados Ovid MEDLINE e Cochrane foram pesquisadas utilizando os termos incontinência urinária, incontinência de estresse, bexiga hiperativa, urgeincontinência, idoso e geriátrico.

Mensagem principal: Uma variedade de condições que afetam o sistema nervoso central e o trato urinário inferior pode afetar a função da bexiga e a IU. Entre os pacientes idosos, os efeitos do decréscimo na cognição e da limitação da mobilidade podem ser substanciais, podendo haver contribuição das barreiras ambientais. Quando pacientes idosos são tratados para IU, a ênfase no tratamento das condições associadas, a otimização das medicações e o trabalho sobre o estilo de vida e sobre os fatores comportamentais são tão importantes quanto o tratamento farmacológico. As medicações são relevantes, mas o potencial para efeitos adversos aumenta entre os pacientes mais idosos.

Conclusão: Vários recursos estão disponíveis para ajudar os médicos de família no tratamento da IU. Estes médicos podem melhorar os sintomas e a qualidade de vida dos pacientes através da triagem e do auxílio no manejo da incontinência urinária.





Comentários

Anderson Ferreira Leite
Clínico geral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A incontinência urinária (IU) representa uma entidade clínica subdiagnosticada e de difícil manejo para o médico da família. Uma recente publicação do periódico Canadian Family Physician versa sobre a os princípios básicos de abordagem de IU em idosos.

A IU afeta 15% a 30% das pessoas com idade acima de 65 anos, afetando negativamente a saúde física, o bem estar psicossocial e os gastos na área de saúde1. Está associada a isolamento social, quedas, fraturas e institucionalização2.

Cerca de dois terços dos portadores de IU não procuram assistência médica, devido ao conceito errôneo de que ela faz parte do processo normal de envelhecimento3. Portanto, a investigação de IU deve fazer parte da entrevista médica, tendo em vista que uma simples anamnese e exame físico incluindo testes básicos são suficientes para o diagnóstico e instituição de tratamento efetivo4. Mesmo quando não pode ser curada, são possíveis melhorias na qualidade de vida dos pacientes.

Existem quatro tipos de IU: incontinência de esforço, urgeincontinência, incontinência por transbordamento e o tipo misto5. O tratamento de IU inclui fisioterapia para musculatura do assoalho pélvico, estratégias de esforço e urge-supressão, manejo de fluidos, fármacos e pressários intravaginais2. A terapêutica sempre deve considerar as comorbidades e os efeitos adversos sobre o paciente idoso. Uma gama de opções terapêuticas cirúrgicas está disponível para IU refratária a tratamentos conservadores e farmacológicos. Mulheres com IU de esforço podem ser tratadas através de diversas técnicas cirúrgicas, como agentes injetáveis, cirurgia de sling, colpossuspensão e próteses. Já a urgeincontinência refratária a agentes anticolinérgicos pode ser tratada com opções minimamente invasivas, como injeções vesicais de toxina botulínica e neuromodulação sacral, bem como cirurgias urológicas mais invasivas6,7.

O artigo versa de forma abrangente sobre IU, baseada em um caso clínico visto com freqüência no cotidiano dos médicos da família. São citados métodos mnemônicos sobre causas transitórias de IU, as diversas opções terapêuticas disponíveis e as situações em que o paciente deve ser referenciado a um especialista.

O grande objetivo da publicação é reforçar ao médico da família que é sua função identificar, avaliar e tratar a IU baseado nas evidências disponíveis em guidelines sobre o assunto, tendo em vista seu grande impacto biopsicossocial na saúde do idoso.




Referência

1. Gibbs CF, Johnson TM 2nd, Ouslander JG. Office management of geriatric urinary incontinence. Am J Med. 2007 Mar;120(3):211-20.

2. Goode PS, Burgio KL, Richter HE, Markland ADJAMA. Incontinence in older women. 2010 Jun 2;303(21):2172-81.

3. Santiagu SK, Arianayagam M, Wang A, Rashid P. Urinary incontinence-pathophysiology and management outline. Aust Fam Physician. 2008 Mar;37(3):106-10.

4. Gamble T, Sand PK. Evaluation and treatment of female urinary incontinence. Minerva Urol Nefrol. 2007 Dec;59(4):431-50.

5. Loh KY, Sivalingam N. Urinary incontinence in the elderly population. Med J Malaysia. 2006 Oct;61(4):506-10; quiz 511.

6. McKertich K. Urinary incontinence-procedural and surgical treatments for women. Aust Fam Physician. 2008 Mar;37(3):122-31.

7. Shaban A, Drake MJ, Hashim H. The medical management of urinary incontinence. Auton Neurosci. 2010 Jan 15;152(1-2):4-10. Epub 2009 Nov 8.


Fonte:

http://www.medicalservices.com.br/atualizacao/literatura_comentada/index.php?menu=linkAtualizacao

 

 


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