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Hipertensão/Pressão Alta

Insônia e duração do sono como mediadores da relação entre depressão e incidência de hipertensão.

19/05/2011

20-01-2010 -

Gangwisch JE, Malaspina D, Posner K et al. Insomnia and Sleep Duration as Mediators of the Relationship Between Depression and Hypertension Incidence. American Journal of Hypertension 2010; 23 1, 62–69.

Cenário – estudos prospectivos mostram que a depressão prediz a incidência de hipertensão e outros eventos cardiovasculares adversos. A insônia e o sono de curta duração, sintomas típicos da depressão, também aumentam o risco para hipertensão. A insônia está associada a uma maior ativação do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal e o sono de curta duração eleva a pressão arterial média de 24h, que por sua vez pode levar a adaptações estruturais que, gradualmente, podem levar todo o sistema cardiovascular a operar em níveis de equilíbrio pressórico mais elevados.
Nenhum estudo populacional publicado anteriormente examinou se a insônia e a duração do sono são capazes de mediar a relação entre depressão e incidência da hipertensão.

Métodos – utilizando modelos de risco proporcional de Cox, foi conduzida uma análise multivariada longitudinal (1982-1992) estratificada por idade da Primeira Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES I) (n = 4.913).

Resultados – pacientes de meia idade que sofriam de depressão no momento da admissão no estudo apresentaram um risco 44% maior de serem diagnosticados com hipertensão durante o período de acompanhamento, após controle de covariantes (razão de risco (RR) = 1,44, intervalo de confiança 95% (IC95%) 1,15–1,80). Tanto o sono de curta duração quanto a insônia também se associaram de modo significativo à incidência de hipertensão. Consistente com a insônia e o sono de curta duração atuando como mediadores na relação entre depressão e incidência de hipertensão, a inclusão destas variáveis nos modelos de análise multivariada atenuou consideravelmente a associação (RR = 1,27; IC95% 1,00–1,61). Depressão, duração do sono e insônia não se associaram de modo significativo à incidência de hipertensão em pacientes idosos.

Conclusões – estes resultados sugerem a hipótese de que o tratamento de transtornos do sono em indivíduos de meia idade sofrendo de depressão pode reduzir o risco de hipertensão e complicações cardiovasculares associadas.





Comentários

Alessandro Loiola
Clínico e cirurgião geral

Há algum tempo, a insônia e o sono de curta duração - ambos alterações bastante comuns em portadores de transtornos depressivos - vêm sendo implicados como possíveis mecanismos envolvidos na etiologia da hipertensão arterial. Estudos mostraram que a restrição do sono é capaz de elevar agudamente a pressão arterial e a atividade do sistema nervoso simpático.

Durante o sono, a pressão arterial cai cerca de 10-20%. O sono de curta duração aumenta a carga hemodinâmica, a pressão média de 24h e a frequência cardíaca – alterações que podem, com o tempo, resultar em adaptações estruturais e em uma calibragem mais alta da pressão arterial de equilíbrio. A restrição do sono também é capaz de comprometer a sensibilidade insulínica e aumentar o apetite, reduzindo os níveis de leptina e elevando os níveis de grelina. Por estes motivos, não surpreende que o sono de curta duração esteja associado à incidência de diabetes e obesidade, ambos fatores de risco reconhecidos para hipertensão.

O sono de curta duração e a insônia são entidades diferentes, mas relacionadas. A insônia consiste em pouca satisfação com a qualidade do sono e incapacidade de dormir, a despeito de um cenário adequado para tanto. A insônia pode resultar em sono de curta duração, mas nem todo indivíduo com sono de curta duração sofre necessariamente de insônia. Estas pessoas podem dormir menos por escolha própria ou porque não possuem tempo suficiente para dormir o que desejam.

Curiosamente, apesar destas relações íntimas, nenhum estudo publicado anteriormente havia examinado se a insônia e a duração do sono seriam de fato capazes de mediar a relação entre depressão e incidência da hipertensão. Com esta premissa em mente, Gangwisch e colaboradores realizaram uma análise multivariada longitudinal envolvendo mais de 4.900 indivíduos, entre 1982 e 1992.

Os pesquisadores descobriram que pacientes de meia idade que sofriam de depressão no momento de admissão no estudo apresentavam um risco 44% maior de serem diagnosticados com hipertensão durante o período de acompanhamento. Tanto o sono de curta duração quanto a insônia também se associaram de modo significativo à incidência de hipertensão. Consistente com a insônia e o sono de curta duração atuando como mediadores na relação entre depressão e incidência de hipertensão, a inclusão destas variáveis nos modelos de análise multivariada atenuou consideravelmente a associação. Depressão, duração do sono e insônia não se associaram de modo significativo à incidência de hipertensão em pacientes idosos.

Os resultados deste estudo se mostraram consistentes com a hipótese de que a insônia e a duração do sono influenciam o desenvolvimento de hipertensão em indivíduos de meia idade que sofrem de depressão. Este dado valioso sugere que intervenções voltadas para a melhora do padrão de sono poderiam servir tanto como tratamento quanto como medidas preventivas primárias para a hipertensão nestes pacientes.




Referência

1.    Gottlieb DJ, Redline S, Nieto FJ, Baldwin CM, Newman AB, Resnick HE, Punjabi NM. Association of usual sleep duration with hypertension: the Sleep Heart Health Study. Sleep 2006; 29:1009–1014.

2.    Gangwisch JE, Heymsfield SB, Boden-Albala B, Buijs RM, Kreier F, Pickering TG, Rundle AG, Zammit GK, Malaspina D. Short sleep duration as a risk factor for hypertension: analyses of the first National Health and Nutrition Examination Survey. Hypertension 2006; 47:833–839.

3.    Tochikubo O, Ikeda A, Miyajima E, Ishii M. Effects of insufficient sleep on blood pressure monitored by a new multibiomedical recorder. Hypertension 1996; 27:1318–1324.

4.    Spiegel K, Leproult R, Van Cauter E. Impact of sleep debt on metabolic and endocrine function. Lancet 1999; 354:1435–1439. 

5.    Rodenbeck A, Hajak G. Neuroendocrine dysregulation in primary insomnia. Rev Neurol (Paris) 2001; 157:S57–S61.


Fonte:

http://www.medicalservices.com.br/atualizacao/literatura_comentada/index.php?menu=linkAtualizacao

 


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