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Geriatria/Gerontologia/Idoso

Prevalência de atividade sexual e fatores associados em homens com 75 a 95 anos

19/05/2011

Prevalência de atividade sexual e fatores associados em homens com 75 a 95 anos: um estudo de coorte.

Hyde Z, Flicker L, Hankey GJ, Almeida OP, McCaul KA, Chubb SA, Yeap BB. Prevalence of sexual activity and associated factors in men aged 75 to 95 years: a cohort study. Ann Intern Med. 2010 Dec 7;153(11):693-702.


Prévio: O conhecimento sobre a sexualidade em pessoas idosas é limitado e faltam dados normativos.

Objetivo: Determinar a proporção de homens idosos que são sexualmente ativos e explorar os fatores preditivos de atividade sexual.

Desenho: Estudo de coorte com base populacional.

Local: Homens residentes da comunidade de Perth, Oeste da Austrália, Austrália.

Participantes: 3.274 homens com 75 a 95 anos.

Medidas: Questionários de 1996 a 1999, 2001 a 2004 e 2008 a 2009 investigaram fatores sociais e médicos. Foram dosados hormônios sexuais de 2001 a 2004. A atividade sexual foi avaliada por um questionário administrado de 2008 a 2009.

Resultados: Um total de 2.783 homens (85%) forneceu dados sobre a atividade sexual. O sexo foi considerado pelo menos importante por 48,8% (IC 95%, 47,0% a 50,6%) e 30,8% (IC, 29,1% a 32,5%) relataram pelo menos 1 encontro sexual nos últimos 12 meses. Destes últimos, 56,5% estavam satisfeitos com a frequência da atividade sexual, enquanto 43,0% tinham sexo com frequência inferior à desejada. Em análises transversais, aumento da idade, falta de interesse da parceira, limitações físicas da parceira, osteoporose, câncer de próstata, diabetes, uso de antidepressivo e -bloqueador associaram-se de forma independente à redução na taxa de atividade sexual. Viver com uma parceira e falar idioma que não o inglês foram associados a um aumento na chance. Em análises longitudinais, maiores níveis de testosterona foram associados a um aumento na chance de ser sexualmente ativo. Outros fatores foram similares ao modelo transversal.

Limitações: O viés de resposta pode ter influenciado os achados, pois a sexualidade pode ser um tópico sensível. A seleção pode ter resultado em uma amostra de homens idosos mais saudáveis.

Conclusão: Metade dos homens idosos considera o sexo importante e um terço relata ser sexualmente ativo. Problemas de saúde dos homens estão associados à falta de atividade sexual. Fatores chave modificáveis incluem diabetes, depressão e uso de medicamentos. Os níveis endógenos de testosterona predizem a atividade sexual, mas o papel da terapia com testosterona permanece incerto.





Comentários

Anderson Ferreira Leite
Clínico Geral do Hospital das Clínicas da UFMG.

A atividade sexual na senilidade foi considerada um tabu por muito tempo, havendo um número limitado de estudos sobre o tema.

A sexualidade nos idosos não é influenciada somente pelas funções orgânicas, sendo também relevantes fatores como confiança, amor e comunicação com o parceiro1. A atividade sexual reduz o estresse e melhora a qualidade de vida2.

Sabidamente, a incidência de disfunções sexuais aumenta com a idade3, no entanto muitos idosos não buscam assistência médica por não considerarem o problema sério, não se incomodar com ele, pela dificuldade de atendimento e/ou falta de conhecimento de que existem tratamentos4. As disfunções mais comuns entre homens são ejaculação precoce e dificuldades de ereção. Entre as mulheres, prevalece a falta de interesse sexual, incapacidade de obter orgasmo e dificuldades de lubrificação5.

Um estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine avaliou por meio de questionários, a atividade sexual de homens australianos com idade entre 75 e 95 anos , sendo determinados os níveis de hormônios sexuais no sangue. De uma amostra inicial de 19.352 homens selecionados aleatoriamente, participaram do estudo 3.274 homens, após descartados critérios de exclusão, abandonos e óbitos. Observou-se que cerca de metade dos homens considerava o sexo importante e 30,8% relatou ser sexualmente ativo. Destes, 56,5% estavam satisfeitos com sua freqüência de atividade sexual. A idade, falta de interesse do parceiro, limitações físicas do cônjuge, osteoporose, câncer de próstata, diabetes e uso de antidepressivos e betabloqueadores tiveram associação independente com redução da atividade sexual. Os níveis endógenos de testosterona predisseram a atividade sexual, mas o papel da terapia com testosterona permanece incerto.

Eplov e colaboradores demonstraram, num estudo realizado na Dinamarca, resultados parecidos. Cerca de metade dos homens com 60 anos de idade relataram sentir desejo sexual pelo menos uma vez por mês e dois terços estavam satisfeitos com sua vida sexual6.

Alguns pontos fortes dessa publicação merecem destaque, como o tamanho considerável da amostra, a seleção randomizada e avaliação de comorbidades por meio de um sistema de dados eletrônicos nacional. Por outro lado, devem ser ressaltadas limitações que eventualmente podem comprometer os resultados do estudo: viés de memória e resposta, principalmente por retratar o tema sexualidade; efeitos de sobrevivência; e análises não seriadas de hormônios sexuais. Além disso, em populações com condições sócio-culturais diferentes, os resultados podem não ser os mesmos.

De qualquer modo, a importância deste estudo está em ressaltar que a sexualidade não se esvai com a idade nem com as doenças que surgem com o envelhecimento. Este é um tema ainda pouco abordado em consultas médicas, tanto pela não exposição do assunto pelo paciente, quanto por falta de indagação por parte do médico7.

Sem dúvida, a natureza da expressão sexual na senilidade reflete a interface entre corpo, mente e contexto social8. Cabe ao médico criar abertura para que os pacientes se expressem em relação à sua sexualidade, independente da faixa etária.




Referência

1. Gunzelmann T, Rusch BD, Brähler E. Attitudes towards eroticism and sexuality in the elderly over 60 years of age. Gesundheitswesen. 2004 Jan;66(1):15-20.

2. Wang TF, Lu CH, Chen IJ, Yu SJ Clin Nurs. Sexual knowledge, attitudes and activity of older people in Taipei, Taiwan. 2008 Feb;17(4):443-50.

3. Panser LA, Rhodes T, Girman CJ, Guess HA, Chute CG, Oesterling JE, Lieber MM, Jacobsen SJJ Am Geriatr Soc. Sexual function of men ages 40 to 79 years: the Olmsted County Study of Urinary Symptoms and Health Status Among Men. 1995 Oct;43(10):1107-11.

4. Moreira ED Jr, Kim SC, Glasser D, Gingell C. Sexual activity, prevalence of sexual problems, and associated help-seeking patterns in men and women aged 40-80 years in Korea: data from the Global Study of Sexual Attitudes and Behaviors (GSSAB). J Sex Med. 2006 Mar;3(2):201-11.

5. Nicolosi A, Laumann EO, Glasser DB, Moreira ED Jr, Paik A, Gingell C; Global Study of Sexual Attitudes and Behaviors Investigators Group. Sexual behavior and sexual dysfunctions after age 40: the global study of sexual attitudes and behaviors. Urology. 2004 Nov;64(5):991-7.

6. Eplov LF, Weigner T, Solstad K. [The sexual life of 60-year-old Danish men]. Ugeskr Laeger. 2002 Oct 7;164(41):4819-23.

7. Smith LJ, Mulhall JP, Deveci S, Monaghan N, Reid MC. Sex after seventy: a pilot study of sexual function in older persons. J Sex Med. 2007 Sep;4(5):1247-53.

8. DeLamater J, Moorman SM. Sexual behavior in later life. J Aging Health. 2007 Dec;19(6):921-45.


Fonte:

http://www.medicalservices.com.br/atualizacao/literatura_comentada/index.php?menu=linkAtualizacao

 


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