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AIDS / HIV

Acompanhamento fonoaudiológico ajuda crianças com HIV

02/06/2011

Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Coordenadoria do Campus de Ribeirão Preto
imprensa.rp@usp.br

Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP avaliou a relação entre as alterações na linguagem oral na infância e uma posterior dificuldade no aprendizado da leitura e escrita em crianças portadoras do vírus HIV. O trabalho comprovou, por meio de análise estatística, que o Transtorno Fonológico pode levar futuramente a dificuldades no aprendizado da leitura e escrita, independente da gravidade do quadro clínico da Aids. De acordo com o estudo, o atendimento fonoaudiológico, simultâneo a um trabalho interdisciplinar, traz resultados positivos no desenvolvimento das crianças soropositivas.

Alterações de linguagem oral não têm relação significativa com gravidade da Aids

O Transtorno Fonológico é a dificuldade quanto a aquisição de sons de fala, não superada dentro do caráter evolutivo, que pode comprometer a aprendizagem da leitura e escrita.  A pesquisa avaliou 26 crianças soropositivas, que receberam atendimento multiprofissional durante cinco anos, na Unidade Especial de Tratamento em Doenças Infecciosas (UETDI), do Hospital das Clínicas da FMRP. Em 2005, essas crianças apresentaram Transtorno Fonológico. Já em 2010, elas não apresentavam mais essas alterações de linguagem, sendo que nesse mesmo período o quadro clínico e imunovirológico se mantiveram estáveis. “Mas o comprometimento do aprendizado já estava estabelecido e isso pode ser comprovado pelos resultados das avaliações a que essas crianças se submeteram”, explica a autora do estudo, a fonoaudióloga Raphaela Barroso Guedes Granzotti.

O objetivo, diz ela, foi verificar o desenvolvimento da linguagem oral e a influência das alterações no desenvolvimento da leitura e escrita e nas habilidades da consciência fonológica – habilidade metalingüística, ou seja, a grosso modo a capacidade do indivíduo de identificar os sons que compõem uma palavra – dessas crianças, com idade entre 7 e 11 anos, sendo 46,2% do sexo masculino e 53,8% do sexo feminino. Todas faziam uso de antirretrovirais há mais de cinco anos e com sinais e sintomas graves da doença. Segundo Raphaela, pela idade e série escolar das crianças, era esperado que todas estivessem alfabetizadas, entretanto, 88,5% apresentaram desempenho inadequado na prova escrita e 84,6% na prova de leitura. Já na avaliação de consciência fonológica, 42% das crianças apresentaram respostas inadequadas, mesmo com os resultados positivos quanto à superação do Transtorno Fonológico.

A pesquisadora afirma que já está descrito na literatura que crianças infectadas pelo HIV apresentam diversos fatores que concorrem e contribuem para alterações no desenvolvimento, como os neurológicos, assim como os ambientais, com hospitalizações frequentes, privação de estímulos, estresse familiar, debilidade materna, por ela ser portadora do HIV, a orfandade precoce pela perda dos pais decorrentes da Aids, a impossibilidade de amamentação e condição sócio econômica precária.

Avaliações
As crianças foram submetidas a três tipos de avaliação, todas capazes de analisar apenas crianças falantes do português brasileiro, portanto, com parâmetros de normalidade validados para a população. Para o sistema fonológico da linguagem oral foi utilizado o ABFW (Teste de Linguagem Infantil), que avalia a presença ou não de Transtorno Fonológico. Já para a avaliação da leitura e da escrita, a pesquisadora utilizou o TDE ( Teste de Desempenho Escolar), que verifica se o nível de leitura e escrita está adequado, quando comparado ao esperado para a idade e série escolar que a criança frequenta. E, para avaliação da consciência fonológica utilizou o CONFIAS (Consciência Fonológica: Instrumento de avaliação seqüencial), que verifica as habilidades de consciência fonológica tanto em nível de sílaba como de fonemas.

Outro importante achado do estudo foi o fato de não ter havido relação estatisticamente significativa entre as alterações de linguagem oral e escrita e a gravidade da Aids. “Esse fato pode ser explicado pela alta incidência de alterações e pela grande maioria das crianças já estarem em estágio mais avançado da doença”, ressalta a fonoaudióloga.

A pesquisadora afirma que ficou demonstrado que o acompanhamento fonoaudiológico em crianças com distúrbio fonológico é essencial para prevenir alterações no desempenho escolar em leitura e escrita, independentemente da criança ser portadora ou não do HIV. “O acesso a medicamentos antirretrovirais mais modernos que diminuem a ação lesiva do vírus, associado ao acompanhamento de uma equipe multiprofissional capaz de abordar todos os aspectos que envolvem uma doença crônica que ainda não tem cura, são essenciais para minimizar as alterações causadas pelo impacto da doença e proporcionar a essas crianças uma melhor qualidade de vida”, destaca.

A pesquisa Estudo da consciência fonológica e do desempenho escolar em leitura e escrita de crianças soropositivas para o HIV: um acompanhamento longitudinal é  descrita na tese de Doutorado de Raphaela, apresentada neste mês no Programa de Pós-Graduação em Neurociências, da FMRP, O estudo foi orientado pelo professor Osvaldo Massaiti Takayanagui.

Mais informações: (16) 3602-1808 begin_of_the_skype_highlighting (16) 3602-1808 end_of_the_skype_highlighting / 32349016, e-mail raphaelabgg@ig.com.br , com Raphaela Barroso Guedes Granzotti

 

Fonte:

http://www.usp.br/agen/?p=59410

 

 


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