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Pneumologia/Pulmão

Tratamento de pacientes com HPA beneficia doentes de HP-Sch

08/06/2011
Tratamento de controle da hipertensão pulmonar custa de R$5 mil a R$10 mil

Pacientes com hipertensão pulmonar diagnosticada como decorrência da esquistossomose ou barriga d’água (HP-Sch) não recebem do Estado o mesmo tratamento medicamentoso que os pacientes com hipertensão pulmonar idiopática (HPA), sem motivo caracterizador da patologia. A possibilidade de ter o tratamento adequado, no entanto, poderia trazer aos portadores de HP-Sch melhor qualidade de vida e até mesmo maior sobrevida.

O médico Caio Fernandes acompanhou em sua pesquisa os casos de 54 pacientes com HP-Sch, e 95 com HPA, no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), entre 2004 e 2008. No estudo, foi realizada uma análise comparativa que considerou a qualidade de vida e a sobrevida destes pacientes após três anos do diagnóstico.

A pesquisa serviu para entender a história natural da doença, ou seja, compreender a evolução da mesma, independente do tratamento — se era grave o suficiente para precisar de medicação. No Brasil, a administração de medicamentos para a hipertensão pulmonar são autorizados apenas em casos que envolvem associação a doenças do tecido conectivo (doenças provocadas pelo sistema imunológico do paciente, às vezes conhecidas como reumatismos) ou a doenças cardíacas congênitas, aquelas que passam de pai para filho, ou são assim designadas por não terem sua causa definida, conhecidas como idiopáticas.

Embora seja uma doença rara, a hipertensão pulmonar tem maior incidência em pacientes com esquistossomose. Estima-se que dos 6,3 milhões de infectados pelo Schistosoma no mundo, há cerca de 450 mil doentes com HP-Sch e que não recebem os medicamentos para esta patologia. Em contraste com aproximadamente 200 mil enfermos com HPA que recebem os medicamentos.

O pesquisador explica que “os remédios servem para aumentar a vasodilatação, diminuir a quantidade de células doentes das paredes dos vasos. Além de remodelar os músculos dos capilares e diminuir a fibrose, tecido mais grosso após a cicatrização do vaso machucado pela passagem do parasita.”

Conforme dados da pesquisa, “as taxas de sobrevida para 1, 2 e 3 anos após o diagnóstico de hipertensão pulmonar foram de 95,1%, 95,1%, 85,9% para pacientes com HP-Sch sem tratamento específico. Já , em pacientes com HPA e sem tratamento, as taxas de sobrevida estimadas são de  71, 61 e 52%.”

Assim, caso o tratamento fosse feito para os casos de HP-Sch “a sobrevida com qualidade seria ainda maior.” conclui Fernandes.

Hipertensão Pulmonar
O médico explica que “a hipertensão pulmonar é uma doença que afeta a pequena circulação do sangue, do coração para o pulmão. Ela ocorre devido a um aumento da pressão interna dos pulmões ou das artérias que levam o sangue do coração para os pulmões. Quando não se consegue encontrar a causa para o distúrbio, ela é denominada hipertensão idiopática”.

Nos casos em que a doença ocorre devido à esquistossomose — patologia causada por um parasita que se instala no fígado do paciente — o parasita produz ovos e os joga no sangue. Alguns destes ovos, quando entram na circulação do sangue, ao invés de se dirigirem para o intestino, vão em direção a outros órgãos como os pulmões. Pelo caminho, machucam e causam inflamações nos vasos sanguíneos. Quando os ferimentos cicatrizam, endurecem os vasos. A falta de flexibilidade dos vasos gera a necessidade de aumento da pressão do sangue que vai do coração para os pulmões.

Pacientes sujeitos a este tipo de hipertensão, devido ao maior esforço do coração para enviar sangue aos pulmões, são mais propensos a desenvolver doenças cardíacas, falta de ar e dores no peito. “Com a medicação correta, o paciente não se cura, mas, com certeza, os efeitos são diminuídos.Esta é uma das principais justificativas para a administração de remédios que podem ser distribuídos pelo governo”, reflete Fernandes.

Esquistossomose

O Schistosoma causa coceira ao penetrar na pele

A esquistossomose é uma das principais infecções parasitárias de áreas tropicais, relacionada à pobreza e à falta de saneamento básico.O problema é tão intenso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) promulgou uma resolução em 2001, pedindo a intensificação de esforços para reduzir a transmissão do parasita para crianças de idade escolar e reduzir a mortalidade causada pela doença.

Ao defecar próximo a regiões de água corrente, o homem portador de parasitas pode contaminar a água. No caso da esquistossomose, a infecção é gerada pelo parasita da família Schistosomatidae, cujas larvas se alojam em caramujos que vivem em ambientes extremamente úmidos (reservatórios de água doce como lagoas e açudes). Após a evolução de larva para cercária, dentro do caramujo, o parasita deixa seu hospedeiro intermediário em busca de um hospedeiro definitivo. Quando o homem entra em contato com a água contaminada facilita a penetração do parasita na pele e transforma-se no hospedeiro definitivo.

No sistema venoso humano os parasitas eliminam ovos que podem se alojar em diversos órgãos humanos. Como o fígado, em que geram a ascite, ou inchaço do órgão devido a um maior acúmulo de água, o que confere à doença o nome de barriga d’água.

A tese de doutorado Sobrevida em hipertensão pulmonar associada à esquistossomose mansônica foi defendida em 2010, na Faculdade de Medicina (FM) da USP pelo pesquisador Caio Fernandes e orientada pelo professor Rogério de Souza.

Mais informações: cjcfernandes@yahoo.com.br

 

Fonte:

http://www.usp.br/agen/?p=60606

 

 


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