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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Incontinência anal: o que esperar do tratamento?

15/10/2011

A continência anal se refere à capacidade de retardar a eliminação de gases ou fezes até um determinado instante quando se julgar conveniente fazê-lo.

INTRODUÇÃO

A continência anal se refere à capacidade de retardar a eliminação de gases ou fezes até um determinado instante quando se julgar conveniente fazê-lo. É mais freqüentemente resultado de interrelação complexa entre diversos determinantes tais como o volume e a consistência do conteúdo retal, a capacidade de distensão ou complacência do reto, a sensibilidade retal, a integridade da musculatura esfinctérica anal bem como a qualidade de sua inervação 1.

A incontinência anal (IA) é definida pela incapacidade, em graus variados, de reter a matéria fecal e de evacuá-la voluntariamente. A perda de controle sobre a eliminação de fezes sólidas é geralmente denominada de incontinência anal total enquanto a perda de controle restrita à eliminação de gases ou fezes líquidas é chamada de incontinência anal parcial. A perda de gases associada ao escape de fezes líquidas em pequena quantidade manchando as vestes íntimas também pode ser chamado de incontinência leve. Trata-se de condição incapacitante, constrangedora e de repercussão sócio-econômica significativa. Por esses motivos, sua real prevalência na população é de difícil avaliação e é correto dizer que é desconhecida2. Acredita-se que até 5% da população dos Estados Unidos apresente incontinência anal se o escape fecal for considerado modalidade de incontinência 3. Acima dos 65 anos, a prevalência pode triplicar. Em nosso meio, a incidência da IA foi determinada em 10,9% da população geriátrica atendida em regime ambulatorial 2. Apesar de a IA implicar em significativa morbidade na população geriátrica, em indivíduos mais jovens, a IA é muito mais prevalente entre as mulheres, sobretudo entre as quais é possível extrair antecedente de parto pélvico difícil ou prolongado.

A IA adquirida no adulto é mais freqüentemente secundária a trauma obstétrico ou cirúrgico, pode resultar de neuropatia do pudendo (neurogênica), de atrofia muscular generalizada secundária ao envelhecimento e também ter origem desconhecida (idiopática). A IA congênita geralmente está associada a malformações da coluna vertebral, os chamados disrafismos de coluna (espinha bífida e meningomielocele) ou é secundária a malformação anorretal (imperfuração anal).

No que se refere ao tratamento da IA, objetivo desse capítulo, observar-se-á que um conjunto relativamente abrangente de medidas não-cirúrgicas oferecidas isoladamente ou em associação a operações poderão na maioria dos casos minorar o sofrimento dos indivíduos com IA e devolvê-los ao convívio social o mais próximo possível da normalidade. A escolha dessas opções resulta de dedicada avaliação clínica (ressalte-se a possibilidade de avaliar objetivamente o grau de IA através da obtenção de um índice de gravidade 4) e fisiológica anorretal, sendo que esta envolve a disponibilização da eletromanometria anorretal, da eletromiografia, da determinação do tempo de latência motora terminal do nervo pudendo e da ultrassonografia endoanal. Em que pese a causa da IA possa estar evidente em alguns casos, faz-se necessário apoiar a decisão da técnica operatória em dados em tese mais objetivos provenientes dessas avaliações.

Nos indivíduos idosos para os quais a verificação de grau leve ou incompleto de IA é comum e não raramente associado a más condições clínicas gerais, o tratamento não-cirúrgico produz bons resultados na maioria das vezes. A IA que produz sintomas mais significativos e refratários às medidas incruentas utilizadas é mais freqüentemente resultado de dano anatômico ao aparelho esfinctérico associado em maior ou menor grau a denervação do assoalho pélvico (neuropatia). Para esses pacientes, via de regra, reserva-se o tratamento cirúrgico.

 

TRATAMENTO CLÍNICO

As indicações de tratamento clínico da IA mais freqüentes são: como medida inicial em todos os casos, na IA de etiologia neurogênica ou idiopática e no insucesso das tentativas de correção cirúrgica. Modificação dietética, intervenções farmacológicas, reeducação intestinal e o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico representam os pilares do tratamento clínico da IA.

A modificação da dieta objetivando a correção do hábito intestinal representam as medidas iniciais no tratamento da IA. A adoção de dieta rica em fibras associadamente ao emprego de agentes formadores de bolo fecal (farelo de trigo ou aveia, psyllium) resultarão na formação de fezes mais consistentes. Associadamente, agentes antiperistálticos (loperamida, na dose de 1 a 2 mg, 3 a 4 vezes ao dia) poderão ser utilizados com efeito de aumento das pressões anais após a infusão de salina 5.

Enemas evacuatórios podem ser empregados isoladamente como adjuvantes no tratamento da IA a fim de evitar a ocorrência de perdas fecais inesperadas e aumentar a confiança no tratamento mas sobretudo como instrumentos do “treinamento intestinal”, método que contempla um programa de evacuações programadas associado a reeducação alimentar capaz de surtir efeito em até 97% dos pacientes portadores de IA associada a disrafismo de coluna 6. Lavagens intestinais empregando grandes volumes de solução salina vem sendo utilizadas, como resultado das lições oriundas dos procedimentos de irrigação de colostomias, com o objetivo de esvaziar o cólon esquerdo, retardar a evacuação e eliminar o risco de perda fecal. O intervalo entre essas lavagens pode estar entre duas vezes ao dia até duas vezes por semana.

Em que pese haja dificuldade na avaliação da eficácia e do mecanismo de ação dos programas de exercícios perineais diários com o objetivo de fortalecer a musculatura estriada do assoalho pélvico, esse método foi demonstrado capaz de diminuir a ocorrência de escape fecal 7. Em contrapartida, técnicas de estimulação elétrica da musculatura do canal anal 8 ou perianal 9 revelaram-se de um modo geral desanimadoras.

 

BIOFEEDBACK

Opções terapêuticas outras que não as operações reconstrutivas ou reforçadoras do aparelho esfinctérico representam aliadas importantes do tratamento cirúrgico. A reeducação esfinctérica auto-controlada (biofeedback) descrita incialmente por Engel 10 em 1974, representa uma atraente alternativa terapêutica para a IA pois pode ser utilizada isoladamente ou como coadjuvante do tratamento cirúrgico. Vem, portanto, sendo utilizado há mais de 20 anos para o tratamento de IA secundária a uma variedade de condições clínicas ou cirúrgicas tais como malformações congênitas (da coluna vertebral ou anorretais), afecções neurológicas e roturas esfinctéricas pós-cirúrgicas ou obstétricas, em que pese pacientes com significativa deformidade ou assimetria esfinctérica provavelmente não se beneficiarão dessa modalidade de tratamento. Pacientes com resultado sub-ótimo após operações de reparo esfinctérico, desde que, novamente, o mapeamento dos esfíncteres anais não demonstre evidente defeito (gap), representam bons candidatos.

Trata-se de terapia não-cirúrgica, ambulatorial, relativamente barata que objetiva aprimorar a sensibilidade retal, aumentar a força de contração do esfíncter externo do ânus e otimizar a contração esfinctérica em resposta à distensão retal. Durante as sessões de treinamento esfinctérico, o paciente é encorajado a:

  • perceber e memorizar a sensação produzida pela distensão do balão retal (treinamento sensorial) — fase I;
  • melhorar a força de contração do músculo esfíncter externo do ânus e esse esforço (registrado por um sensor posicionado no canal anal com o auxílio do equipamento de eletromanometria) é exibido a ele na forma de uma curva que é projetada em um monitor de vídeo ou impressa em fita de polígrafo — fase II; e
  • coordenar o esforço de contração do músculo esfíncter externo do ânus com a distensão retal a fim de se obter algum grau de automatismo — fase III.

 

Em nosso meio o treinamento por biofeedback aplicado a 28 pacientes portadores de IA predominantemente idiopática foi capaz de tornar continentes 21% dos doentes e minorar a incontinência em 57% 11.

Em que pese a avaliação objetiva dos resultados do biofeedback seja de difícil realização considerada a difícil definição e graduação da IA bem como a heterogeneidade de grupos que se pretenda comparar, a eficácia do biofeedback no tratamento da IA está bem documentada na forma de estudos em sua maioria de coorte onde taxas de sucesso (definido mais comumente como continência completa ou redução nos episódios de incontinência superior a 90%) entre 50 e 92% são contempladas 12,13.

Embora represente opção terapêutica incruenta, simples e barata, alguns desafios se impõem à aplicação mais disseminada do método:

  1. é necessário dispor de equipamento de eletromiografia ou eletromanometria;
  2. resultados de estudos prospectivos e randomizados acerca da eficácia do biofeedback em relação ao tratamento conservador da IA ainda não estão disponíveis;
  3. os resultados a longo prazo são controversos e escassos; e
  4. mínimo de cognição e cooperação do indivíduo são absolutamente necessários ao sucesso da técnica.

 

ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA DO PLEXO NERVOSO SACRAL

Para os pacientes onde se verificou insucesso do tratamento clínico, do tratamento por biofeedback e que não são candidatos a reparo esfinctérico direto, o tratamento por estimulação elétrica sacral pode ser indicado. O candidato ideal é o indivíduo portador de IA idiopática ou neurogênica.

Nesse procedimento, após verificação de uma resposta favorável à eletroestimulação contínua dos nervos sacrais por punção dos forames sacrais (habitualmente S3) e instalação de um eletrodo conectado a um eletroestimulador neural externo, um gerador de pulsos elétricos interno pode ser instalado.

As experiências clínicas disponíveis na literatura são escassas e envolvem, via de regra, pequeno número de pacientes. No entanto, em duas delas o potencial para reduzir a virtualmente zero a ocorrência de episódios de escape fecal foi observado pelos autores 59,60.

Os resultados inicias da eletroestimulação sacral ainda não estão disponíveis em nosso meio mas parecem encorajadores ainda que o exato mecanismo pelo qual atue não esteja completamente esclarecido. Analogamente ao que ocorre durante a técnica de neoesfíncter pela graciloplastia seguida de eletroestimulação contínua, parece que a otimização da contração do músculo esfíncter externo do ânus é resultado de uma maior população de fibras musculares estriadas do tipo I (resistentes à fadiga). Associadamente e analogamente ao que ocorre durante o tratamento por biofeedback, uma otimização da sensibilidade retal parece ocorrer.

 

TRATAMENTO CIRÚRGICO

De uma forma geral, as operações que tentam reestabelecer a continência não devem ser negadas aos pacientes que padecem de IA grave. Uma variedade de operações está disponível e persiste em aperfeiçoamento para o tratamento da IA. As técnicas cirúrgicas disponíveis para o manejo de doentes com IA envolvem em isolado ou em associação (mais raramente) a execução de uma das ações abaixo:

  1. reparo direto de defeito/lesão esfinctérico isolado;
  2. reforço da massa muscular contrátil perianal;
  3. restauração do ângulo anorretal;
  4. substituição do aparelho esfinctérico (esfíncter anal artificial); e
  5. derivação fecal

 

A anamnese detalhada aliada à investigação fisiológica auxiliam na definição da melhor técnica cirúrgica.

 

Esfincteroplastias

O reparo esfinctérico direto vem sendo empregado desde 1984 no tratamento cirúrgico da IA e persiste como o padrão-ouro para a abordagem da IA secundária a trauma ano-reto-perineal, obstétrico ou pós-cirúrgico uma vez que os resultados dessa operação no tratamento da IA idiopática são desanimadores. Apesar da intensidade do trauma, nesses casos a musculatura esfinctérica preserva a capacidade de contrair ativamente A operação anorretal que mais comumente leva à IA é a correção de fístula anal.

A melhor indicação para a esfincteroplastia é a possibilidade de recontrução do esfíncter anal pelo reparo direto de uma lesão do músculo esfíncter externo e interno em uma localização isolada 14.

Para a realização dessa operação, procede-se a preparo mecânico intestinal completo e antibioticoprofilaxia sistêmica. A posição do paciente e o local da incisão circum-anal depende da localização do defeito. A anoderme e a mucosa retal são separadas do músculo esfíncter externo. A cicatriz no esfíncter externo identifica o defeito. A cicatriz é incisada e os cabos esfinctéricos são dissecados lateralmente a fim de garantir o reparo sem tensão. Os cabos esfinctéricos são habitualmente ressuturados após sua sobreposição (overlapping sphincteroplasty) e geralmente a fim de melhor restaurar a anatomia original, inclui-se o imbricamento do esfíncter interno do ânus e a plastia dos músculos elevadores 15.

Com a exceção de poucos estudos, resultados considerados bons ou excelentes são relatados em até 70 a 90% dos pacientes. Esses resultados estão no Quadro 1.

 

ENTRA QUADRO 1

A principal complicação dessa operação é a infecção da ferida operatória que pode ocorrer em até 24% dos casos podendo levar à deiscência do reparo em até 10% 16. Nesses casos novo reparo deve ser realizado e a possibilidade de realizar derivação temporária deve ser considerada. Os melhores resultados associados ao reparo podem ser observados nos pacientes com lesão traumática ou iatrogênica do esfíncter anal. Podem ser considerados fatores de risco para maus resultados a obesidade, a incontinência de longa evolução, a idade, o diagnóstico de síndrome do cólon irritável e tentativas anteriores de reparo embora não haja consenso acerca do real papel preditivo dessas variáveis.

A neuropatia do nervo pudendo resulta em denervação da musculatura do assoalho pélvico. Acredita-se que na prática clínica resulta mais freqüentemente do trabalho de parto difícil ou prolongado ou do esforço evacuatório crônico. Foi demonstrada em 16% das mulheres após parto vaginal e em até 60% das pacientes com incontinência anal de etiologia presumidamente obstétrica. Atribuir a uma variável objetiva (a saber, o tempo de latência motora terminal do nervo pudendo, que se encontra alargado para o diagnóstico de neuropatia desse nervo) a causa por maus resultados observados após as operações de reparo esfinctérico parece-nos sobremaneira atraente pois se estabelece uma causa para o insucesso não relacionada à técnica cirúrgica e se obtém uma estimativa de prognóstico. A ocorrência de neuropatia do nervo pudendo uni ou bilateral vem sendo apontada como um dos principais determinantes de insucesso após operações de reparo esfinctérico 24,25,26. Infelizmente o valor prognóstico dessa variável persiste controverso conforme demonstraram outros autores 27. A determinação do tempo de latência representa exame de rara disponibilização em nosso meio resultante do alto custo do equipamento bem como da alta especialização que se faz necessária à sua adequada determinação. Ainda, pacientes sem evidência clínica de incontinência ou denervação do assoalho pélvico podem ter tempo de latência motora do pudendo alargado 28.

 

Reparo pós-anal

Essa operação foi descrita em 1975 por Sir Alan G. Parks 29 para o tratamento da IA idiopática ou neurogênica e também para o tratamento da IA persistente após a correção da procidência do reto.

Devido à central importância que à época era atribuída ao ângulo anorretal na manutenção da continência anal, nessa operação, uma plastia ou plicatura dos músculos elevadores do ânus (em especial o puborretal) e do esfíncter externo do ânus era realizada por meio de uma incisão curvilínea bilateralmente posterior ao ânus e com seu ápice situado ao nível do cóccix.

Parks correlacionou o grande sucesso dessa operação (83% de restauração da continência anal) à correção do ângulo anorretal e ao incremento do canal anal. Tratava-se de uma operação reservada preferencialmente aos pacientes com IA sem defeito esfinctérico demonstrável, com baixas pressões de repouso e para os quais o tratamento clínico ou por biofeedback revelaram-se insatisfatórios. Da mesma forma, para os indivíduos nos quais o reparo esfinctérico obteve correção anatômica mas não funcional, a operação poderia ser oferecida.

Os excelentes resultados funcionais obtidos por Parks não foram confirmados por outros autores — Quadro 2 — e, à despeito de algum grau de resposta clínica, a melhora de variáveis fisiológicas nem sempre foi confirmada.

 

ENTRA QUADRO 2

Por fim, vários autores identificaram que o sucesso observado após as operações de reparo pós-anal não estava relacionado à agudização do ângulo anorretal. Como resultado dessas inconsistências e face aos bons resultados obtidos com o biofeedback no manejo da IA neurogênica, a operação idealizada por Parks vem enfrentando crescente desuso.

Transposições musculares / neoesfíncteres

Por neoesfíncter, pressupõe-se o emprego de músculo autólogo ou a utilização de próteses artificiais. As últimas serão objeto da próxima seção. O músculo estriado autólogo pode ser levado em posição circum-anal por meio de um transplante livre ou ser transposto com cuidadosa preservação de seu pedículo vásculo-nervoso. Uma vez que transplantes livres não são funcionais pois rapidamente degeneram em fibrose, as operações de transposição muscular são as mais habitualmente empregadas para a criação dos neoesfíncteres anais.

As operações que envolvem transposições musculares ao períneo estão habitualmente indicadas:

  • quando a avaliação clínica e fisiológica indica que lesão esfinctérica é múltipla ou grave e portanto irreparável por esfincteroplastia;
  • quando do insucesso de uma ou mais tentativas de reparo esfinctérico isolado ou em associação ao reparo pós-anal;
  • na situação de esfíncteres anatomicamente intactos mas na vigência de neuropatia grave;
  • nas malformações anorretais onde o volume da musculatura esfinctérica é mínimo ou ausente; e
  • após ou mesmo durante a realização de operações de ablação esfinctérica (amputação abdominoperineal do reto) mais comumente realizadas para o câncer do reto inferior ou do ânus na ausência de suspeita ou confirmação de doença disseminada ou operação paliativa.

 

Vários grupos musculares podem ser utilizados na substituição ou reforço funcional para o esfíncter anal deficiente. Entre eles figuram o músculo grácil, o glúteo maior, o pubococcígeo, adutor longo e o transverso superficial do períneo 37. Os associados a melhor resultado funcional até o momento atual são a graciloplastia e a transposição do músculo glúteo maior.

O músculo grácil, localizado na face medial da coxa, não é essencial à flexão, adução e rotação interna da coxa e sua mobilização não resulta em déficit. Nas operações de graciloplastia, através de uma incisão na coxa, esse músculo, o mais superficial dos adutores da coxa, é completamente dissecado unilateralmente, sua inserção distal é desfeita e o feixe vásculo nervoso que atinge o músculo proximalmente é cuidadosamente preservado. Através de incisões perianais, ele é transposto de forma a envolver o aparelho esfinctérico (existem vária configurações descritas) em uma posição subcutânea e o ancoramento do tendão em sua extremidade distal é realizado com emprego de sutura de fio inabsorvível ao periósteo da tuberosidade isquiática.

Desde a descrição feita por Pickrell e cols. 38 em 1952, onde preconizavam a transferência do músculo grácil ao períneo com o objetivo de contenção das fezes, esse grupo muscular ganhou a preferência da maior parte dos cirurgiões e tem sido até os dias atuais o mais utilizado. Em nosso meio, Simonsen e Habr 39 procederam à reconstrução do assoalho pélvico após a operação de amputação abdominoperineal do reto com bons resultados em cinco doentes. Nesses, empregaram a aponeurose da fácia interna da coxa associada à transposição do músculo grácil. Em 1972, os resultados alusivos a 21 doentes tratados por esta técnica foram apresentados por Simonsen 40 que obteve, nessa casuística, continência voluntária para fezes sólidas em 75% dos doentes.

No entanto, nas últimas três décadas, poucos centros têm realizado a gaciloplastia como descrita sobretudo como resultado de seus pobres resultados funcionais 41,42,43. Em nosso meio, Sobrado 37 avaliou os resultados relativos a 19 pacientes submetidos à técnica. Resultados excelentes, bons ou satisfatórios foram verificados em 78,9% da casuística.

As razões para a qualidade sub-ótima dos resultados funcionais observados após a gracilopalastia sem estimulação são:

  • o músculo grácil é de contração voluntária e dessa forma, ainda que transposto, só contrairá em resposta ao comando original de movimentação da perna o que confere certo grau de dificuldade à ação;
  • como todo músculo estriado, é composto por fibras musculares predominantemente do tipo II (contração vigorosa, voluntária e de fadiga precoce). Como resultado, só é possível ao indivíduo manter a contração muscular por pouco mais de um minuto expondo-o a incontinência após esse período. O músculo esfíncter externo do ânus, como resultado de sua ação tônica de moderada intensidade mas contínua é constituído por 80% de fibras musculares do tipo I.

 

Apesar dos pobres resultado funcionais observados com a graciloplastia estimulada, a absoluta maioria dos pacientes submetidos a essa operação acusa boa qualidade de vida, principalmente se confrontados com a opção de colostomia definitiva. Por esse motivo, a possibilidade de converter as fibras musculares que compõem o músculo grácil de predominantemente do tipo II para predominantemente do tipo I transformando o neo-esfíncter de uma mera barreira física 44 para um músculo resistente à fadiga através de estimulação elétrica contínua e de baixa frequência representou, no início dos anos 90, uma alternativa muito atraente 45,46. A essa técnica de implante de eletrodos e de um estimulador durante ou após uma operação de graciloplastia convencional convencionou-se chamar de gracilopastia dinâmica ou com eletroestimulação. Essa operação com algumas variantes técnicas que dizem respeito principalmente ao tipo de eletroestimulação que é realizada, se neural ou muscular, é hoje realizada em diversas instituições 45,46,47,48.

Os resultados relativos a 64 pacientes constituintes de estudo multicêntrico empregando estimulação neural e envolvendo sete centros indicam que, para 55 pacientes para os quais o estoma havia sido fechado após um intervalo mínimo de um mês, bons resultados foram observados em 44 (77%) pacientes 49. Baeten e cols. 50 publicaram os resultados relativos a estimulação intramuscular de 52 pacientes. Após 2 anos da operação, avaliou-se sucesso em 80% dos casos por meio de observador independente empregando escala para qualidade de vida. Os resultados de estudo multicêntrico relativos a eletroestimulação intramuscular foram avaliados recentemente por Madoff e cols 51. A avaliação de 133 pacientes provenientes de 12 centros indica que houve redução com sucesso dos episódios de IA em 70% dos casos.

No entanto, a graciloplastia não representa um caminho “fácil” à melhora do status de continência mesmo para os indivíduos com graves lesões esfinctéricas, múltiplos reparos, IA neurogênica ou associada a malformações. A infecção perineal representa a principal complicação podendo ser grave em alguns casos e superar até 40% das casuísticas iniciais. A sépsis ao redor do material implantado resultará, via de regra, na necessidade de remoção do dispositivo. Este, no entanto, pode ser reimplantado. Muitos casos de infecção grave parecem associados a erro técnico (lesão da anoderme com “perfuração anal”). Alguns problemas com os eletrodos que são inteiramente importados podem ocorrer, ainda que raros. A reposição ser realizada perfeitamente.

A graciloplastia é uma operação genial e ilustra os esforços de verdadeiros cientistas interessados em aliviar as mazelas que sofrem os pacientes portadores de IA grave. Alguns deles tivemos oportunidade de conhecer. É inegavelmente eficaz na melhora da continência anal em doentes selecionados para os quais a colostomia não representa alternativa aceitável. Representa, no entanto, procedimento complexo e associado a árdua curva de aprendizado. Com o aperfeiçoamento dos esfíncter artificial como veremos, o verdadeiro papel dessa operação torna-se de difícil definição e certamente não poderá aqui ser vislumbrado. Os esforços no sentido de baratear equipamentos e verdadeiramente disponibilizá-los em nosso meio contribuirão para esclarecer os pacientes a fim de orientar a seleção do melhor procedimento em cada caso.

 

Esfíncter anal artificial

O esfíncter anal artificial (EAA) é uma prótese destinada a simular a função esfinctérica normal sendo a abertura do canal anal mecanicamente acionada pelo paciente. Idealizado há aproximadamente 20 anos, as primeiras publicações acerca de seus resultados clínicos foram realizadas há 10 anos 53.

O EAA (American Medical Systems, Inc) é um dispositivo de silicone implantável constituído de três componentes preenchidos por fluído: a cinta oclusiva (cuff – que é implantada ao redor do canal anal e o oclui quando insuflada); o reservatório do fluido (que é implantado no espaço pré-vesical) e a bomba de controle (implantada no escroto ou grande lábio e regula, conforme acionamento pelo paciente a transferência de fluído entre o reservatório e a cinta oclusiva).

Os pacientes bons candidatos ao implante de EAA são habitualmente portadores de IA grave de etiologia congênita, idiopática, traumática ou iatrogênica conforme determinado pela avaliação clínica e eletromanométrica. Dentre as contraindicações, ressaltam-se o mau risco cirúrgico, deficiência mental com incapacidade de comandar a exoneração do conteúdo retal e a presença de fibrose excessiva em região perianal o que pode dificulatar sobremaneira o implante da prótese em posição perianal.

Os resultados disponíveis sobre a experiência clínica com o EAA estão dispostos no Quadro 3. Os índices de sucesso podem atingir até 75% e a taxa de complicações gira em torno de 30%. A infecção representa a principal delas não só pela sua prevalência mas como pela eventual necessidade de retirada da prótese. No momento atual, os resultados do emprego clínico do EAA estão sendo avaliados por estudo multicêntrico promovido pelo FDA (Food and Drug Administration) americano.

 

ENTRA QUADR0 3

Os resultados obtidos pelos diversos autores indicam que, apesar de seu elevado custo em nosso meio, o EAA representa uma alternativa eficaz e segura. Tecnicamente, representa procedimento simples e bem padronizado. Mais dados provenientes de estudos multicêntricos serão benvindos no sentido de determinar o papel do EAA no tratamento da IA grave.

 

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Quadro 1. Resultados da esfincteroplastia no tratamento cirúrgico da IA.

Autor, ano Número de pacientes Causa obstétrica (%) Resultados bons/ excelentes (%)
Fang e cols. 17, 1984 79 88 89
Cterkteco e cols. 18, 1988 58 69 64
Abcarian e cols. 19, 1989 43 40 100
Yoshioka e Keighley 20, 1989 27 70 74
Fleshman e cols. 21, 1991 55 100 72
Engel e cols. 22, 1994 55 100 66
Simmang e cols. 23, 1994 14 79 93
Oliveira e cols. 24, 1996 55 84 71

 

Quadro 2. Resultados do reparo pós-anal no tratamento cirúrgico da IA.

Autor, ano Número de pacientes< td> Resultados excelentes / bons (%)
Parks 29, 1975 75 83
Browning e cols. 30, 1984 140 74
Yoshioka e cols. 31, 1988 116 34
Habr-Gama e cols. 32, 1986 45 52
Keighley 33, 1984 89 73
Henry e Simson 34, 1985 129 56
Orrom e cols. 35, 1991 17 59
Mavantronis e cols. 36, 1998 21 35

 

Quadro 3. Resultados do esfíncter anal artificial no tratamento cirúrgico da IA.

Autor, ano Número de pacientes Resultados excelentes / bons (%)
Christiansen e Lorentzen 53, 1989 5 continência para sólidos e semi-sólidos em 100%
Christiansen e Sparso 54, 1992 12 50
Wong e cols. 55, 1996 12 75
Lehur e cols. 56, 1996 12 90
O’Brien e Skinner 57, 1999 13 80
Lehur e cols. 58, 2000 (multicêntrico europeu) 24 84
Habr-Gama e Jorge 52, 2000 3 continência para sólidos em 100%

 

Fonte:

 

http://www.colorretal.com.br/index.php/2011/04/15/incontinencia-anal-o-que-esperar-do-tratamento/

 

 


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