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Arte/Cultura/Diversão/Agenda

Oswald de Andrade: o culpado de tudo- exposição

06/12/2011
Oswald de Andrade

Exposição celebra obra de um dos mais controversos escritores brasileiros Oswald de Andrade: o culpado de tudo

Exposição celebra a obra de um dos mais controversos escritores brasileiros no Museu da Língua Portuguesa

A nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa, instituição do Governo do Estado de São Paulo, celebra a obra de Oswald de Andrade. A frase “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas”, escrita pelo escritor em 1933 no verso da folha de rosto da edição original de Serafim Ponte Grande – foi o ponto de partida dos idealizadores da exposição.

Em Oswald de Andrade: o culpado de tudo, o público terá a oportunidade de conhecer profundamente o polêmico escritor, um dos criadores da Semana de Arte Moderna. A curadoria é de José Miguel Wisnik, com a curadoria-adjunta de Cacá Machado e Vadim Nikitin, e consultoria de Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz. O projeto expográfico é de Pedro Mendes da Rocha.

É a primeira vez que o público do Museu pode ver uma exposição sobre a vida e obra de um escritor paulista. O secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, fala sobre a importância de revermos a obra de Oswald. “Ele é o mais paulista dos nossos escritores. Conheceu e viveu essa cidade como ninguém. Para nós, da Secretaria da Cultura, é um privilégio dar a nossa contribuição para a lembrança do escritor, um artista que revolucionou a nossa literatura e que, ao participar ativamente da criação da Semana de Arte Moderna, inseriu São Paulo no mapa mundial das artes.” 

Para Wisnik, “O projeto teve por objetivo organizar uma exposição sobre Oswald de Andrade, reforçando seu papel decisivo para a formação da cultura contemporânea e destacando a consistência de sua obra, de maneira a que a sua atualidade esteja patente sem que se perca de vista a situação histórica em que ela foi gerada.”

A exposição contempla três dimensões de leitura: poética, Histórico-biográfica e filosófica.

Essas dimensões não devem ser entendidas como “partes” em que se divide a exposição, mas como níveis de manifestação da vida-e-obra que se articulam de maneira inseparável no processo expositivo.

Dimensão Poética: Não se fala estritamente de poesia, mas da poética da forma, do envolvimento com a linguagem em todos os seus aspectos. Oswald é um escritor muito próximo das artes visuais, pioneiramente consciente das implicações técnicas trazidas pela reprodutibilidade da arte, dialogando com a fotografia, o cinema, o cartaz. A exposição tem como ponto de partida os princípios formais que ele mesmo traçou no Manifesto da Poesia Pau-Brasil: agilidade, síntese, equilíbrio geômetra, acabamento técnico, invenção e surpresa.

A condensação do pensamento em frases e boutades, a verve anedótica, a paródia, o fragmento, o design, o reclame, a espacialização das palavras na página, são, todos, procedimentos de economia verbal, altamente visualizáveis, de cuja agilidade dessacralizante a exposição não fica a dever.

Dimensão Histórico-biográfica: Poucos escritores têm, como Oswald, uma biografia que é também um diagrama de seu tempo. O jovem burguês viajante boêmio acompanhando in loco os movimentos da vanguarda europeia nos anos 10; o artífice do movimento modernista e agitador antropofágico, poeta e autor de narrativas experimentais na década de 20; o dilapidador de fortuna arruinado pela crise de 29, militante comunista editando O Homem do Povo, “casaca de ferro da Revolução Proletária”, escrevendo romance cíclico e teatro cáustico na década de 30; o intelectual em ruptura com a ortodoxia estalinista, retomando a vertente utópica do seu pensamento em textos de fôlego discursivo e filosofante, nos anos 40, e condenado ao ostracismo na fase final, até a morte em 1954, são figuras gritantes dos grandes temas ideológicos da primeira metade do século XX, indo da belle époque ao segundo pós-guerra.

Duplas criativas, formadas a cada momento entre Oswald e Mário, Oswald e Tarsila, Oswald e Blaise Cendrars, Oswald e Pagu, Oswald e Flavio de Carvalho, são significativas dos trânsitos culturais envolvidos, e são objeto de tratamento expositivo. Os espaços do hotel, do automóvel, da garçonnière, do navio, da ferrovia e da estação de trem, sempre em forte ligação com a cidade São Paulo, e redobrados pela própria inserção do Museu da Língua na Estação da Luz, têm um valor decisivo para a concepção espacial da exposição.

Dimensão Histórico-biográfica: Oswald de Andrade é um pensador original da cultura contemporânea e da inserção original do Brasil nesse quadro. A exposição deve contrapor-se a toda e qualquer visão epidérmica desse pensamento, ressaltando o que há de rigoroso e radical nos seus critérios, mesmo quando sob a forma do epigrama, que Oswald leva a consequências inéditas. Sua influência marcante a partir dos anos 60, graças às intervenções fortes da poesia concreta, do Teatro Oficina e do movimento tropicalista, pode ser entendida também pelo que havia de antecipatório em suas ideias: questões como as do sentimento órfico contra o produtivismo prometeico encontram-se depois no Eros e civilização de Herbert Marcuse; a ideia da revolução sexual e da utopia do matriarcado se vê em Wilheim Reich; o primitivismo tecnológico pode ser reconhecido na “aldeia global” de MacLuhan.

O percurso da exposição

As paredes do segundo andar do Museu foram pintadas de branco e os tapumes que escondiam as janelas da esquerda do espaço foram retirados propositadamente. Considerando a forte relação de Oswald de Andrade com a cidade e suas questões, o projeto expográfico de Pedro Mendes da Rocha propôs um diálogo entre a exposição (espaço interno) e a cidade (espaço externo), permitindo que a paisagem urbana, contemplada pelas janelas do edifício, assuma protagonismo. À direita, o visitante contemplará o Jardim da Luz e, à esquerda, a gare da Estação da Luz.

Módulos

As Quatro Gares

Painéis ilustrados com poema e desenho retirados do poema As quatro gares introduzem o visitante às quatro fases da vida e obra de Oswald de Andrade: boemia (o pirralho sob as ordens de mamãe), vanguarda (a década da arte moderna), revolução (o homem do povo) e utopia (a retomada antropofágica no ostracismo). Eles são ilustrados com poema e desenho retirados do poema As quatro gares.

As Mulheres

Em seguida, o visitante passa ao próximo ambiente: As Mulheres. Sob as ordens das mulheres / Contra as ordens dos homens, o módulo faz uma contraposição do patriarcado paulista com o matriarcado de Oswald, do qual as mulheres compõem uma maravilhosa galeria. Etiquetas informarão nomes de cada uma e brevíssimos resumos da relação com Oswald.

Semana de Arte Moderna

Neste módulo, a Semana de Arte Moderna de 1922 é acompanhada de afirmações de Oswald sobre o movimento em diversas datas. Ele fica em frente ao módulo Pau Brasil, que apresenta em contrapondo Oswald, Paulo Prado, Tarsila e Blaise Cendrars. Ele será ilustrado com pílulas do “Manifesto Pau Brasil” com legendas – títulos. Jogando com eles, as imagens devem formar uma espécie de terceiro elemento.

Descoberta do Brasil

Uma nota antiga de mil Cruzeiros com a figura de Pedro Álvares Cabral recebe o carimbo do artista plástico Cildo Meirelles: “O culpado de tudo”. Neste módulo estarão em evidência as cenas da colonização: descoberta, catequese, escravidão. E também os personagens: Zé Pereira e o bumbo do carnaval; Gonçalves Dias e o indianismo romântico; e o engenho do açúcar cozinhando escravos.

Praça da Apoteose

Nesta praça o visitante viajará pelos seguintes módulos:

1. Finanças: Crack (Crise do café) – Imagens da crise de 1929.

2. Manifesto Antropófago – Reprodução integral do texto com passagens saltando visualmente do conjunto, maiores e em cores.

3. Traição de Classe – Fonte: “João Miramar” / “Serafim Ponte Grande”.

4. Traição de Classe – Fonte: “O Homem do Povo”.

5. MariOswald – Frases: contraponto das duas personalidades.

6. Totem & Tabu

7. Pós Oswald – O legado de Oswald nas gerações seguintes.

8. Antena da Raça – Afirmações atualíssimas, intempestivas, colhidas em épocas diversas.

9. Na parede do fundo serão projetados fragmentos de filmes baseados na obra de Oswald

10. Desdobramentos da antropofagia: Zé Celso, Teatro Oficina, Tropicália

Também na Praça da Apoteose será instado um cenário que reproduzirá a garçonnière onde Oswald produziu O perfeito cozinheiro das almas deste mundo – o diário coletivo da garçonnière onde os amigos deixavam poemas, desenhos e recados. Num canto da sala haverá uma mesinha com um abajur com um fac-símile do diário onde os visitantes da exposição poderão deixar seu recado.

Língua Pátria

O corredor de saída da exposição, denominado Língua Pátria, terá poemas estrategicamente colocados nas paredes entre as janelas voltadas para o Jardim da Luz.

Banheiro

Nos banheiros do museu será instalada seleção de frases ligeiramente pornográficas de Oswald.

Trilhos

Todo o perímetro da exposição será circundado por painéis suspensos em um trilho contínuo fixado no teto. Estes painéis conterão frases emblemáticas de Oswald como “Tupi ou not Tupi, that is the Question” ou “Eu menti”. Elas percorrerão a exposição lentamente e os visitantes as encontrarão em diferentes momentos. A cada encontro, as frases assumirão um significado relativo àquele momento da obra oswaldiana.

A exposição Oswald de Andrade: o culpado de tudo ficará em cartaz até o dia 30 de janeiro de 2012 e é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura, do Instituto Poiesis, com apoio da Editora Globo.

Exposição Oswald de Andrade: o culpado de tudo
Visitação: Até 30 de janeiro de 2012

Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº, Centro
Tel.: (11) 3326-0775
www.museudalinguaportuguesa.org.br
Ingresso: R$ 6,00 (pagamento somente em dinheiro).
Estudantes com carteira de estudante do ano e documento de identidade pagam meia-entrada. Crianças com até 10 anos e idosos a partir de 60 anos não pagam ingresso, bem como professores da rede pública.

Fonte: Assessoria - Museu da Língua Portuguesa

http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.71b090bd301a70e06d006810ca60c1a0/?vgnextoid=9daf3063b740b110VgnVCM100000ac061c0aRCRD&idNoticia=eac0f46e61d62310VgnVCM1000004c03c80a____

 

 


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