Câncer/Oncologia/Tumor - Câncer do Estômago
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Câncer/Oncologia/Tumor

Câncer do Estômago

30/06/2003

 

No Brasil, o câncer do estômago representa o segundo tumor maligno mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres, levando, em São Paulo, a uma taxa de mortalidade de 15 a 30 por 100.000 habitantes. Normalmente aparece na 6ª e 7ª décadas de vida sendo mais freqüente nos homens com uma relação de 2 homens para 1 mulher.
Existem vários tipos de câncer do estômago. Porém, na maioria das vezes (mais de 95%) o tumor se origina na mucosa que é a camada de células que reveste internamente o órgão. Neste caso o tumor é denominado adenocarcinoma.

Outros tipos também encontrados são os linfomas gástricos e os leiomiossarcomas que são neoplasias que se originam na parede do órgão.
Os tumores gástricos tendem a crescer e podem acometer, por continuidade o esôfago ou o intestino delgado. Eles podem também crescer infiltrando progressivamente a parede do órgão até atingir sua camada mais externa (serosa) tendendo a extender-se por contigüidade a orgãos vizinhos como pâncreas e cólon. Células tumorais podem também desprender-se da serosa e, através da cavidade abdominal, envolver o peritôneo ou implantar-se em órgãos intra-abdominais como o ovário (tumor de Krukenberg).
Metástases do tumor gástrico freqüentemente desenvolvem-se em gânglios linfáticos regionais, através da circulação linfática, ou em órgãos à distância como o fígado e os pulmões, através da circulação sangüínea.
Ao tumor que acomete apenas as camadas mucosa e submucosa da parede gástrica dá-se o nome de tumor precoce ou inicial e está associado a excelente prognóstico.

 

Causas

Não existe um fator causal único estabelecido para o câncer gástrico. Existem, no entanto, fatores de risco bem definidos e que tornam mais freqüente o surgimento da neoplasia.
Existe uma marcante variação geográfica na incidência de câncer do estômago sendo este bem mais comum em regiões como o Japão, Coréia, Europa oriental e América latina incluindo Costa Rica, Chile e Brasil. Nessas regiões existe grande consumo de alimentos preservados no sal ou defumados (contendo substâncias como nitrosaminas) que desempenham papel na gênese do câncer gástrico.

Pessoas que apresentam forte história familiar para câncer gástrico apresentam risco de 2 a 4 vezes maior que a população geral de ser acometido pela doença.
Úlceras gástricas benignas não parecem aumentar a chance de desenvolver câncer do estômago. No entanto, alguns estudos sugerem que um tipo de bactéria chamada Helicobacter pylori que, quando presente no estômago, pode causar gastrites e úlceras, parece tratar-se de um importante fator de risco para a doença.

Pessoas que se submeteram a cirurgias gástricas prévias principalmente ressecções parciais do órgão apresentam um maior risco de desenvolver neoplasia no coto gástrico remanescente 15 a 20 anos após a operação.
Portadores de anemia perniciosa que se associa a um tipo de gastrite denominada gastrite atrófica apresentam incidência de câncer gástrico de cerca de 10% durante a evolução.
Estudos indicam que o tabagismo pode ser um fator de risco.

 

Sintomas

No início, a doença é silenciosa e praticamente não leva ao aparecimento de sintomas mas, em alguns casos, a dor na região superior do abdomen (epigástrio) pode estar presente. Estes sintomas podem muitas vezes ser confundidos com os de gastrite ou úlcera péptica.
Com a evolução da doença, podem aparecer a perda de apetite e o emagrecimento. Nos estágios mais avançados podem-se encontrar dificuldade na deglutição (disfagia) e vômitos pós alimentares, sintomas resultantes da obstrução, pelo tumor, da junção esôfago-gástrica e do esvaziamento gástrico, respectivamente.
O sangramento do tumor exterioriza-se pelo tubo digestivo. Sangramentos de pequena monta podem passar despercebidos gerando perda sangüínea crônica nas fezes e freqüentemente causando anemia por deficiência de ferro. Os sangramentos digestivos mais volumosos podem manifestar-se através de vômitos com sangue (hematêmese) ou sangue digerido presente nas fezes (melena) que se apresenta de coloração escura com aspecto de borra de café.

 

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Diagnóstico

Com a suspeita clínica deve-se proceder a avaliação através de alguns exames complementares:
Pesquisa de sangue oculto nas fezes - É um método barato, capaz de identificar sangramentos digestivos de pequena monta. É inespecífico visto que outras condições patológicas não neoplásicas do aparelho digestivo podem cursar com sangramento.

Radiografia contrastada do esôfago e estômago (EED) - Radiografias são retiradas após o paciente deglutir uma solução com bário (contraste). O contraste possibilita avaliar alterações no interior do órgão examinado permitindo determinar a localização e a extensão da lesão bem como a presença de obstrução.
Durante o exame pode-se insuflar o estômago com ar (duplo contraste) para aumentar a acurácia do método.

Endoscopia - É o método de eleição para o diagnóstico de tumores gástricos. Tem elevada acurácia pois possibilita, além da visualização da lesão, a realização de biópsias que confirmam o diagnóstico.

Marcadores tumorais (CEA, CA19-9, CA72.4) - São substâncias produzidas pelo tumor e que podem ser dosadas no sangue periférico. Não são úteis para o diagnóstico por sua baixa sensibilidade, porém devem ser dosadas no seguimento dos pacientes já tratados, pois ajudam no diagnóstico de recidivas.

A biópsia guiada por endoscopia permite o exame histológico sendo o único método definitivo para o diagnóstico. Tem elevada acurácia diagnóstica quando a biópsia é realizada adequadamente. Pode não diagnosticar lesões que se originam na parede e não na mucosa do estômago como os linfomas e sarcomas gástricos.
Após o diagnóstico, procede-se o estadiamento que visa avaliar a extensão da doença tanto no local quanto à distância. Para tanto utilizam-se a ultrasonografia abdominal e a tomografia computadorizada do abdome e tórax.

 

Tratamento

O tipo de tratamento a ser instituído é dependente de fatores como o tamanho, localização e extensão do tumor, o estádio da doença e as condições clínicas do paciente. Quando em seus estádios precoces o câncer de estômago tem boas chances de cura, o que torna-se difícil nas fases mais avançadas da doença. No entanto o câncer de estômago avançado pode ser tratado com alívio dos sintomas e importante melhora na qualidade de vida.

 

Modalidades de Tratamentoo

CIRURGIA:
O tratamento cirúrgico, quando indicado, é o único método capaz de oferecer a possibilidade de cura. A cirurgia é denominada gastrectomia e envolve a retirada de parte ou todo o estômago.
Nos tumores gástricos localizados na porção inferior do órgão (antro) realiza-se a gastrectomia subtotal preservando-se o terço proximal do estômago. Para tumores de corpo ou fundo gástricos está indicada a gastrectomia total.
Para reestabelecer o trânsito alimentar o cirurgião conecta o remanescente gástrico (gastrectomias subtotais) ou o esôfago ao intestino delgado.
Pela capacidade do câncer de estômago de acometer gânglios linfáticos próximos, procede-se a linfadenectomia regional que consiste na retirada de todos os linfonodos que drenam a região do tumor.

QUIMIOTERAPIA:
Trata-se de tratamento sistêmico utilizando uma a uma combinação de drogas com atividade antineoplásica. As drogas são administradas por via intravenosa sendo transportadas pelo sangue e estando aptas a atuar tanto no local do tumor quanto em metástases à distância.
A quimioterapia está indicada, em algumas situações, após o tratamento cirúrgico (adjuvante) com a finalidade de esterilizar possíveis remanescentes tumorais.
A quimioterapia também pode ser utilizada isoladamente com finalidade paliativa para tumores não passíveis de ressecção cirúrgica.

RADIOTERAPIA:
Tem uso restrito no tratamento do câncer gástrico. Atualmente existem estudos visando esclarecer o papel da associação da radioterapia com a quimioterapia administradas de forma adjuvante à cirurgia.

 

Hospital do Câncer-SP

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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