Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Sexo e o coração
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Sexo e o coração

11/07/2003

 

Quando utilizamos a palavra «sexo» queremos dizer «atividade sexual» e cada um pode exprimir das mais diversas maneiras o seu interesse pelo sexo. Para maioria das pessoas «atividade sexual» significa relação sexual mas pode simplesmente querer dizer ter o companheiro junto de si, ou só tocar, agarrar, expressar ternura.

Durante a «atividade sexual» ocorrem várias alterações fisiológicas normais. Assim, a freqüência respiratória vai aumentando com a estimulação. A pele torna-se mais rosada. A freqüência cardíaca e a pressão arterial sobem ligeiramente e um pouco mais à medida que a excitação aumenta. No orgasmo a tensão acumulada, liberta-se. A freqüência cardíaca aumenta para 90 até 145, em média, 115 batimentos por minuto e a pressão arterial sobe cerca de 30 a 50 mm de Hg. Com o orgasmo a pressão arterial, a freqüência cardíaca e respiratória voltam aos valores de repouso.

Nas pessoas que foram operadas ou sofreram um ataque cardíaco, a resposta cardiovascular é igual à das outras. Deve perguntar ao seu médico a altura em que pode retomar a atividade sexual. O interesse sexual pode ser afetado pela idade, a duração da ligação e a forma como corria o sexo anteriormente à doença. Tanto o homem como a mulher pode retomar atividade sexual dentro de poucas semanas após um ataque cardíaco e ainda mais cedo no caso de cirurgia cardíaca. Quando a atividade sexual diminui, tal pode ter a ver com ansiedade, depressão ou perda de interesse e, nestes casos, os cuidados e conselhos médicos podem ajudar. Quando se está a recuperar de um ataque cardíaco é normal que se seja mais preocupado com os batimentos cardíacos, a respiração e a tensão muscular, portanto não se aflija. Você pode continuar a acarinhar, a mexer sem ter como objetivo o orgasmo e sentir amor com a sua esposa, serenamente, sem a obrigação de cumprir o ato sexual formal.

Estas atividades não exigem a mesma energia que as relações sexuais, e podem começar logo a seguir à saída do hospital e, gradualmente, retomar a vida sexual em pleno, com a sua companheira e cada vez mais confiantes. A maioria das pessoas está aptas a retomar a sua atividade sexual quatro semanas após o ataque cardíaco e duas a três semanas após cirurgia cardíaca. Se não se sentir à vontade ou surgirem sintomas durante o sexo, deve falar com o seu médico que poderá fazer-lhe um exame cardíaco ou uma prova de esforço para se certificar da sua capacidade física.

 

O sexo é afetado pelos fatores psicológicos?

Os fatores psicológicos podem reduzir o interesse e a capacidade sexual. Mesmo, após a sua recuperação, pode: § Estar deprimido, ansioso e com medo; ter problemas de sono ou dormir muito, especialmente durante o dia; comer demais ou menos do que o habitual; ganhar ou perder peso e mostrar menos interesse pela vida; e sentir-se sempre cansado (especialmente após uma atividade física ou psíquica).

Estes sintomas são comuns e normalmente desaparecem dentro de três meses após o ataque cardíaco ou a cirurgia. Se permanecer deprimido, podem aumentar os problemas com o sexo e perder o interesse por ele. O casal pode parar a atividade sexual durante meses ou mesmo anos devido ao falso receio de que o sexo pode causar problemas cardíacos. Não tem de ser assim. Fale com o seu médico e peça conselhos.

A idade afeta o sexo?

A freqüência sexual vai diminuindo com o avançar da idade. O seu interesse pode manter-se desde que se sinta saudável. A idade pode afetar a ereção e esta demorar mais tempo, o que requer mais estimulação que no passado, o que não o deve preocupar. Na mulher pode haver receio de já não ser atraente devido à idade, o que somado à doença cardíaca e à menor lubrificação da vagina, pode afetar o seu desejo.

Os medicamentos afetam o sexo?

Alguns medicamentos podem afetar o desejo e a realização sexual. Estes incluem:
§  Medicamentos para tratar a hipertensão, a dor no peito e arritmias, pílulas, descongestionantes nasais, tranqüilizantes e antidepressivos.

Nos homens podem prejudicar a ereção (impotência) e, por vezes, provocar a ausência de ejaculação ou esta ser muito rápida. Na mulher o fluido vaginal pode não ser o suficiente o que torna a relação sexual dolorosa e deixa de haver desejo sexual (frigidez) ou não se atinge o orgasmo (disfunção orgásmica). Como estas situações podem ter outras causa, não deixe de tomar os seus medicamentos e não se sinta envergonhado, fale com o seu médico. Em geral, uma mudança de medicamentos ou de dosagem pode resolver o problema.

Como se preparar para o sexo?

O casal pode preparar-se de diversas maneiras:

§ Praticar um estilo de vida saudável com dieta, atividade física regular, repouso adequado e uso correto dos medicamentos;

§ A atividade física regular, recomendada pelo médico, faz bem e dá confiança; os chamados exercícios aeróbicos que incluem a marcha, «jogging», ciclismo e dança, podem reduzir o aumento brusco dos batimentos cardíacos, a dificuldade em respirar ou a dor no peito associados à atividade sexual;

  • Se fuma, é muito importante deixar de fumar;
  • Seja paciente e compreenda as suas emoções. Após um problema cardíaco você e a sua companheira ficam mais vulneráveis, e as emoções podem mudar rapidamente, de lágrimas para sorrisos, de alegria para tristeza. Estas oscilações de humor são geralmente temporárias. Não se irrite e tenham paciência um com o outro.

A vida em comum...

O doente cardíaco nem sempre é a única vítima, porque o seu par também costuma ficar ansioso ou deprimido. Os sintomas de um e outro podem causar uma certa tensão no casamento. Ambos têm de reconhecer, respeitar, e tentar perceber o que o outro sente. A companheira do doente luta para atingir um equilíbrio, é extremamente cuidadosa e protetora, o que nem sempre é ajuda suficiente. A mulher não gosta de fazer tentativas e deixar desgostoso o marido, ou então, tem medo que ele seja normalmente ativo. Pode sentir-se culpada e atormentar-se pensando que a doença cardíaca é por causa dela. Os outros familiares podem também estar muito preocupados. Esta situação em que todos se apresentam deprimidos e ansiosos pode dar origem a problemas sérios. A vida de um casal pode ser modificada por uma cirurgia ou um ataque cardíaco. Por exemplo: a mulher pode passar a ser quem tem o maior salário, ou passar a ter tarefas domésticas e não gostar de as desempenhar por inteiro ou mesmo só em parte. Na maior parte dos casos o parceiro já ouviu falar dos sintomas cardíacos e dos riscos durante o sexo, o que irá ter um papel importante quanto ao seu comportamento e adaptação. Os problemas com a prática de sexo podem ser anteriores ao problema cardíaco e com ele irão piorar. Os principais são:

  • O par escolhe uma altura errada para ter relações sexuais;
  • É incapaz de se descontrair; perderam o interesse ou as carícias são insuficientes.

Em geral se havia queixas de pouco sexo antes, irão ter menos sexo depois. Os casais que conversam sobre as suas necessidades e preocupações sexuais adaptam-se melhor, e uma comunicação leva a uma mais rápida e melhor atividade sexual.

Principais regras para retomar a atividade sexual

  • Escolha um momento em que os dois estejam calmos e livres de «stress». A melhor altura será de manhã cedo após um sono repousante ou após uma sesta. 
  • Deve esperar uma a três horas após uma refeição para praticar sexo. Tal como a outras atividades físicas, a digestão dos alimentos requer mais sangue e o seu coração terá de trabalhar mais para garantir o sangue necessário às outras atividades. 
  • Utilize um lugar familiar e calmo, onde não seja interrompido. 
  • Não se esqueça de tomar a medicação prescrita pelo médico.

Após um ataque cardíaco ou cirurgia cardíaca, mais de 75% das pessoas não alteram a maneira de se ocupar em carícias ou posições sexuais. Para alguns doentes cardíacos, será mais confortável ficarem por baixo, mas poderá sentir desconforto se, por exemplo, foi operado ao coração. Se tal fato acontecer, deite-se de lado, virado para o seu par ou com ela ou ele de frente ou atrás. Estas posições requerem menor pressão na parede torácica e tornam muito mais fácil a respiração. Se tiver dificuldade respiratória poderá sentar-se com o seu par numa cadeira de frente um para o outro. Será melhor utilizar uma cadeira com uma base larga e baixa de modo a que possa descansar os seus pés no chão. A masturbação ajuda algumas pessoas a ganhar autoconfiança e pode facilitar a transição para a relação. Causa menor resposta cardíaca e gasta menos energia metabólica do corpo. Os pontos genitais-orais do sexo não exercem excessivo stress no coração, mas a relação anal pode conduzir a ritmos cardíacos mais rápidos e irregulares. Os casais por recearem os sintomas cardíacos ou terem problemas sexuais, podem não estar interessados no sexo. Podem mesmo assim construir uma boa relação se se abraçarem.

O que acontece se tiver sintomas durante a atividade sexual?

Os batimentos por minuto do seu coração aumentam durante o sexo e a pele pode ficar avermelhada e úmida. Estas alterações são normais e não são sintomas de esforço cardíaco. Os sintomas de angina que traduzem incapacidade do coração para o trabalho cardíaco incluem:

  • Sensação de pressão, dor ou desconforto no queixo, pescoço, braço, peito ou estômago;
  • Marcada aceleração da respiração;
  • Batimentos cardíacos muito rápidos ou irregulares.

Se tiver algum destes sintomas durante o sexo, diga ao seu companheiro, reduza a sua atividade, repouse e tome os medicamentos de acordo com a prescrição do seu médico. Um comprimido de nitroglicerina tomado cerca de 15 minutos antes pode ajudar. Quando os sintomas desaparecem com os comprimidos, ou se aparecerem após ter retomado a atividade sexual, consulte o seu médico.

Diga ao seu médico se:

  • For difícil para si adormecer ou descansar após ter tido sexo.
  • Notar alteração na gravidade, número de vezes ou local da sua angina de peito.
  • Sentir muito cansaço. Você poderá ter que fazer uma ligeira alteração do seu dia-a-dia, tomar medicamentos ou fazer outros tratamentos.

O que acontece se já não for o mesmo?

Mesmo os casais que não têm doença podem ter problemas sexuais. Os principais fatores que podem contribuir para estes problemas incluem:

  • Ingestão exagerada de álcool;
  • Alguns tipos de medicamentos e problemas médicos não controlados;
  • Fadiga e o stress da recuperação.

As pessoas podem tornar-se inseguras quando ocorrem alterações nas suas vidas sexuais. Os problemas sexuais podem sempre piorar quando se adiciona:

  • Medo;
  • Conflitos sexuais prévios;
  • Problemas familiares, legais ou financeiros;
  • Depressão ou outras doenças que provoquem stress.

Existe necessidade de falar acerca dos seus sentimentos, a natureza e as possíveis causas dos problemas e tentar arranjar potenciais soluções para eles. Se não tentar resolvê-los, irá de certo aumentar a complexidade dos seus problemas sociais, físicos e emocionais.

Quando procurar conselhos sexuais?

Se as questões sobre o sexo se tornam uma preocupação importante, você e a sua companheira poderão perguntar ao vosso médico, isoladamente ou em conjunto.

Mitos e Preconceitos

 

O Mito

A Realidade

1

Homens e mulheres tornam-se impotentes aos 50/60 anos de idade. A impotência e a perda de interesse pela atividade sexual ocorre sempre que eles têm uma doença cardíaca.

Os idosos poderão ter uma ereção mais lenta, mas muitas vezes fazem sexo mais prolongado e controlam melhor a ejaculação do que os jovens. Após a menopausa, a mulher ainda pode desfrutar e ter prazer com o sexo. Em alguns casos, até têm maior prazer. Tal fato poderá ser explicado em parte pelo fato de não estar preocupada em poder engravidar.

2

Praticar sexo após um ataque cardíaco causa enfarte do miocárdio e, muitas vezes, morte súbita

Isto pode acontecer excepcionalmente, sobretudo quando um membro do casal tem sexo fora do casamento. A prática do sexo extra-matrimônio causa mais stress do que o praticado com o cônjuge ou parceiro habitual. Muitas vezes existe a ingestão de uma necessidade imperiosa de se comportar muito bem com uma nova companheira. Por vezes existe a ingestão de uma refeição pesada e de álcool. O sexo fora do casamento usualmente ocorre num sítio diferente e desconhecido

3

O álcool é um grande estimulante para o sexo

Pequenas quantidades de álcool poderão ajudar a reduzir pequenas tensões, medos e culpas. Mas o álcool é um forte agente depressivo. Os alcoólicos que se tornam impotentes podem nunca recuperar, mesmo após terem interrompido o vício da bebida

4

Os hormônios masculinos podem aumentar a atividade sexual do homem

Os homens em que os níveis de hormônios masculinos estão diminuídos podem ter maior atividade e capacidade sexual após terem tomado um medicamento chamado testosterona. Este hormônio, contudo, não ajuda os homens que possuam níveis normais no sangue, que são, aliás, a grande maioria.

5

Os hormônios femininos (terapêutica com estrogênios) tomados pela mulher após a menopausa, aumentam a atividade sexual.

Não existem estudos que demonstrem que os estrogênios aumentam a atividade sexual nas mulheres. Mas estes hormônios (como também os cremes) podem lubrificar a vagina e tornar a penetração do pênis mais fácil. Assim a mulher pode ter uma relação sexual mais confortável

6

A freqüência cardíaca é mais baixa quando alguém se masturba comparada com a verificada durante o ato sexual

A freqüência cardíaca é menor durante a masturbação, mas não muito menor.

7

Não há qualquer relação entre as doenças cardiovasculares e a disfunção erétil (impotência sexual)

Os fatores de risco que causam as doenças cardiovasculares são os mesmos que provocam disfunção erétil, tais como o tabagismo, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e a diabetes. Por isso num doente com disfunção erétil é importante investigar se há fatores de risco cardiovasculares ou mesmo doença cardíaca. Fazer a prevenção cardiovascular é assegurar ao mesmo tempo uma boa saúde sexual

8

O declínio da atividade sexual após um ataque cardíaco é devido ao coração não responder às exigências físicas do sexo.

Excetuados alguns casos, o grande impacto de um ataque cardíaco na função sexual é psicológico, não físico. As exigências físicas do sexo são moderadas. Elas são semelhantes a subir a pé dois lanços de escadas a um passo acelerado

9

Se ocorrer angina durante o sexo, deverá abster-se para sempre.

É raras as dores no peito durante o sexo serem graves o bastante para que alguém com doença cardíaca tenha que interromper a atividade sexual. O médico pode sugerir que coloque debaixo da língua, nitroglicerina (ou comprimido equivalente) 15 minutos antes da prática do sexo. Isto irá facilitar o trabalho cardíaco e aliviar a dor no peito. O seu médico também lhe pode fazer uma prova de esforço para avaliar a capacidade do seu coração e receitar-lhe medicamentos ou outros tratamentos, como a angioplastia, para impedir o aparecimento de dores no peito.

10

O Sildenafil é um medicamento perigoso no doente cardíaco

Este medicamento pode ser utilizado com segurança na maioria dos doentes cardíacos, desde que empregue segundo as indicações, posologia e precauções estabelecidas pelo seu médico assistente. Devemos sublinhar que o Sildenafil deve ser utilizado apenas mediante prescrição médica, tornando-se por vezes necessário efetuar previamente uma avaliação cardiológica, que inclua nomeadamente uma prova de esforço.

Conclusões

A atividade sexual faz parte integrante da vida do ser humano. Quem sofre de problemas cardíacos pode, na esmagadora maioria dos casos, continuar a manter uma atividade sexual normal. Fazer a prevenção da doença cardiovascular é assegurar ao mesmo tempo uma boa saúde sexual, dado que os fatores de risco que provocam estas doenças são comuns.

 

 

 


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