Psiquiatria e Psicologia - Tire Suas Dúvidas Sobre A Epilepsia
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Psiquiatria e Psicologia

Tire Suas Dúvidas Sobre A Epilepsia

11/07/2003

 

 

 O que é um ataque epiléptico?  

Um ataque epiléptico, ou uma convulsão, é uma alteração transitória do estado de consciência, do comportamento, da atividade motora, das sensações ou das funções autônomas de um indivíduo, provocada por uma excessiva e súbita descarga de energia ao nível dos neurônios.  Ou seja, é como se de repente uma intensa descarga elétrica no sistema nervoso provocasse movimentos e outras alterações no nosso corpo e na nossa consciência, independentemente da nossa vontade.

 

Tive um ataque, significa que tenho epilepsia? 

Não necessariamente. Define-se epilepsia como a ocorrência de vários episódios, repetidos ao longo do tempo, de convulsões, na mesma pessoa, que não tenham sido provocadas por febre ou por outras alterações transitórias do metabolismo ou por tóxicos. Deste modo, qualquer pessoa pode, em condições extremas de doença física, sofrer uma convulsão sem que, por este fato, venha a manifestar epilepsia.

 

Acho que tive um ataque, o que devo fazer? 

Ao suspeitar de ter sofrido de um ataque epiléptico, deve procurar ser observado por um médico que o orientará no processo de esclarecimento da situação e no eventual tratamento. Se estiver sozinho em casa, ou num local público, deve pedir para ser transportado a um serviço de urgência.

 

Existe cura para a epilepsia? 

A evolução de um doente epiléptico depende muito do seu tipo de epilepsia e das circunstâncias específicas da sua doença.

O objetivo da medicação é o de controlar o maior número possível de crises, causando o mínimo de efeitos desagradáveis.

Se o doente não sofrer convulsões por mais de um determinado período de tempo (habitualmente de dois anos), poderemos dizer que a epilepsia está controlada e tentar manter o doente sem qualquer medicação anti-epiléptica.

Para os doentes nos quais não foi possível obter o controlo, existe a esperança do desenvolvimento de novos medicamentos e de novas combinações de medicamentos já existentes e o eventual recurso a outros tipos de tratamento como a cirurgia.

 

Tenho epilepsia. Posso fazer desporto? 

A prática regular de desporto é importante para manter o equilíbrio físico e psicológico.

As pessoas com epilepsia podem fazer desportos adequados à sua idade e à sua condição física, desde que sejam tomadas precauções apropriadas.

No que diz respeito à ginástica, por exemplo, não são aconselhados os exercícios com cordas e espaldares.

A prática de natação em piscina ou na praia deve ser sempre acompanhada por pessoas que sejam capazes de nadar devidamente e resolver qualquer problema de eventual perda de consciência que surja.

Na praia, os doentes devem sempre nadar junto à beira-mar e as crianças deverão usar coletes salva-vidas e toucas de cores que sejam facilmente visíveis.

Alguns desportos são demasiado perigosos na eventualidade da ocorrência de uma crise e a sua prática é desaconselhada para as pessoas com epilepsia, como, por exemplo, o alpinismo, o montanhismo, a exploração de grutas, o ciclismo, o hipismo e o mergulho.

 

Gostava de ter filhos mas tenho epilepsia. Posso engravidar?  

As mulheres com epilepsia devem ter um acompanhamento médico global que oriente todos os aspectos da sua vida.

Alguns casos de epilepsia podem acompanhar-se de situações na mulher que diminuem a fertilidade. Por outro lado, a medicação e as crises não controladas podem produzir efeitos prejudiciais no feto.

No entanto, caso não se verifique qualquer contra-indicação, poderão fazer uma gravidez segura para elas próprias e para os seus filhos, desde que cumpram todas as orientações adequadas.

 

As pessoas com epilepsia podem ter uma vida profissional normal? Existem algumas restrições em termos de carreira?

Quando a epilepsia está bem controlada ou se o doente tem apenas crises esporádicas durante o sono, é possível ter uma vida profissional idêntica à dos outros profissionais com as mesmas habilitações. No entanto, ao escolher uma carreira, a pessoa com epilepsia deve ter em consideração alguns aspectos, como  os seus próprios gostos e a sua vocação, as hipóteses de emprego, a distância entre o local de trabalho e o local de residência, o tipo de transportes a utilizar e a freqüência e o tipo das crises epilépticas. Existem, contudo, algumas profissões que não deverão ser exercidas por pessoas com epilepsia, como condutor profissional (automóveis, barcos, comboios, camiões e transportes aéreos), mergulhador, bombeiro ou elemento das forças armadas ou da polícia.

Estão também contra-indicados todos os trabalhos com máquinas que façam perigar a integridade física, como as industriais ou elétricas, tal como as tarefas acima do chão, em andaimes.

 

O que devo fazer para ajudar uma pessoa que está a ter um ataque epiléptico?

Os cuidados a tomar devem estar de acordo com o tipo de ataque que se está a verificar.

Deste modo, nas convulsões pequenas, em que não ocorreu queda, ou nas crises apenas com perturbação de consciência, o doente deverá ser protegido de um eventual perigo durante a crise e deve ser mantido apoio até à recuperação completa da consciência.

Nas crises em que se verificou queda ou movimentos intensos dos membros é importante manter a calma, evitar que o doente bata com a cabeça, segurando-a se necessário, deitar o doente de lado e desapertar-lhe a roupa, mantendo a assistência até que se verifique recuperação completa da consciência.

Se a crise demorar mais do que cinco minutos e não conhecer o doente, chame uma ambulância.

Deve tomar-se especial atenção em nunca introduzir qualquer objeto ou os dedos entre os dentes do doente, em não tentar impedir os movimentos ou transportá-lo para outro lado exceto em situação de perigo e em não dar de beber.

 

São mais freqüentes os ataques noturnos ou os diurnos?

Os ataques que ocorrem durante o dia são mais freqüentes do que os que se verificam durante o sono.

 

É possível ter um ataque epiléptico durante a noite e não o sentir?

Sim, e apesar dos doentes se sentirem irritados e cansados durante o dia, podendo ter dores de cabeça, podem não se aperceber que tiveram convulsões durante o sono.

 

Qual a relação entre a epilepsia e os problemas de memória?

Nos doentes bem controlados, parece não haver relação entre epilepsia e memória.

No entanto, quando as crises são muito intensas e repetidas e se torna necessário usar doses mais altas de medicamentos podem ocorrer perturbações da memória.

 

Em que medida é que a epilepsia pode afetar a minha vida sexual?

As pessoas com epilepsia, desde que corretamente tratadas e controladas, podem ter uma vida sexual completamente satisfatória e normal.

 

O meu companheiro(a) tem ataques noturnos. O que devo fazer?

As convulsões noturnas podem ser tônico-clônicas (o padrão que habitualmente se conhece como convulsão) e ocorrer logo após a pessoa adormecer, um pouco antes de acordar, ou durante o período de sono. As pessoas que sofrem convulsões noturnas podem encontrar dificuldades em acordar e em permanecer acordadas durante o dia, podendo sofrer de dores de cabeça e alterações do humor durante o dia. As convulsões noturnas são pouco freqüentes, verificando-se mais em doentes com epilepsia idiopática (de causa desconhecida).

Para o correto diagnóstico deste tipo de crises, é muito importante o estudo dos registos em EEG (eletroencefalograma) e em vídeo do doente durante o sono. Existem medicamentos anti-epiléticos, como a fenitoína, que são mais utilizados nestes casos, se possível.

Por isto, é importante a orientação de um médico experiente neste tipo de situações.

 

Que é uma epilepsia lobular temporal?

A epilepsia do lobo temporal manifesta-se por convulsões parciais complexas, verificando-se também convulsões tônico-clônico generalizadas em cerca de 50% dos doentes.

Os doentes referem várias sensações (auras) que anunciam a convulsão, como medo, sensação de déja-vu, queixas epigástricas e cheiros. Após a aura, o doente mostra uma paragem no seu comportamento e não responde, seguindo-se movimentos da cabeça e outros movimentos automáticos, habitualmente da boca e das mãos. As pessoas que sofrem de epilepsia temporal podem ter dificuldades de aprendizagem e também alterações de comportamento.

Este tipo de convulsões é com freqüência difícil de controlar.

A designação de epilepsia temporal deve-se ao fato de estes doentes apresentarem alterações no traçado eletroencefalográfico correspondentes à área do lobo temporal, sendo também possível encontrar em alguns destes doentes alterações nos exames de imagem como a ressonância magnética nuclear.

Nos casos de difícil tratamento, está por vezes indicada a cirurgia.

 

Qual a relação entre a epilepsia e o distúrbio bipolar?

As pessoas que sofrem de tipos de epilepsia mais difíceis de tratar, como é o caso da epilepsia temporal, podem com mais probabilidade sofrer de perturbações psicóticas como a doença bipolar.

Nestes doentes verifica-se uma variação muito grande do humor, que pode ir de períodos de euforia em que o doente gasta muito dinheiro, age por impulsos e formula projetos grandiosos, quase sempre de difícil realização prática, a períodos em que se encontra irritado e hostil. Os doentes podem vestir-se de maneira estranha e mudar rapidamente de comportamento.

Alguns doentes podem ter alucinações visuais e auditivas em que pensam que estão a ouvir ou a ver coisas que de fato não estão a acontecer.

A necessidade de dormir pode estar muito reduzida.

Noutros períodos, o doente apresenta-se muito triste e com sentimentos de culpa e de baixa auto-estima.

 

O que é que significa uma epilepsia infantil lobular idiopática e temporal?

Trata-se de um tipo de epilepsia que se manifesta na criança, com traçado eletroencefalográfico que mostra alterações na região temporal e para a qual não se consegue detectar nenhuma causa.

 

Pode acontecer um ataque epiléptico intra-uterino?

Em determinadas condições de sofrimento, o feto pode ter convulsões, que muitas vezes são percebidas pela mãe, que distingue os movimentos convulsivos dos movimentos habituais do bebê.

 

Qual a relação entre a epilepsia e o síndrome pré-menstrual?

Sabe-se atualmente que existe uma relação estreita entre a variação periódica do nível de hormônios no sangue que acontece na mulher e o desencadear de crises epilépticas.

No entanto, não nos parece que as doentes com epilepsia controlada sofram mais de Síndroma Pré-menstrual do que as outras mulheres.

A orientação de uma doente que sofra simultaneamente destes dois problemas é no entanto muito delicada, dados os múltiplos fatores envolvidos e ao fato das terapêuticas efetuadas necessitarem de ser compatíveis entre si.

 

É possível superar ataques epilépticos?

Na maior parte dos doentes, desde que corretamente orientados em termos do diagnóstico e da escolha e ajustamento dos medicamentos, é possível conseguir um controlo dos ataques epilépticos 

 

Autor Dr. Jorge Marcelino (FML-IMP)

 


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