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Imunologia/Imunidade

Influências Nutricionais Sobre a Inflamação

25/07/2003

ROBERT F. GRIMBLE


A inflamação é um processo de grande importância quanto à capacidade de combater infecções e remover e reparar tecidos danificados por lesões físicas e térmicas. O processo é mediado e modulado por uma ampla faixa de mediadores [1,2]. Entre estes se destacam as citocinas pró-inflamatórias interleucina 1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6) e fator de necrose tumoral a (TNFa) e a espécies reativas de oxigênio (ROS). Entretanto, tais mediadores estão estreitamente ligados à patologia em um grande número de doenças e distúrbios que têm uma base inflamatória.
A mortalidade e a morbidez, em uma faixa variada de doenças, têm sido associadas à produção excessiva ou inoportuna de citocinas oxidantes e pró-inflamatórias. Evidências de danos oxidativos têm sido observadas em sepse, infecção por HIV e de hepatite, câncer, diabetes mellitus, doenças hepáticas decorrentes do álcool e fibrose cística. A ROS produzida durante a resposta inflamatória intensifica a produção de citocinas oxidantes e pró-inflamatórias através da ativação do fator nuclear capa B (NFkB). Esta interação constitui uma importante parte da regulação dos aspectos inflamatórios da função imunológica. Recentemente, foi mostrado que os polimorfismos dentro dos genes TNFa e TNF-b intensificam a tendência para a produção de TNF, além do que eles têm sido associados a uma maior morbidez e mortalidade em uma ampla faixa de doenças inflamatórias e em malária e sepse.
As alterações na ingestão de gorduras, nutrientes antioxidantes, proteína e aminoácidos específicos alteram muitos aspectos da inflamação ao interagir com a biologia das citocinas e das espécies reativas de oxigênio (ROS). A interação entre a espécies reativas de oxigênio e as citocinas tem o potencial para danificar o hospedeiro, mas é contida pelas defesas antioxidantes. A ingestão de nutrientes influencia, direta e indiretamente, na defesa antioxidante. A glutationa é um importante antioxidante endógeno e fundamental para a replicação de linfócitos. A vitamina B-6 e a riboflavina participam na manutenção do estado do glutationa. A deficiência de aminoácidos sulfurados prejudica a capacidade de sintetizar a glutationa durante a inflamação e aumenta os neutrófilos nos pulmões de animais submetidos a experiências. O ácido ascórbico e os tocoferóis exercem efeitos anti-inflamatórios no homem e nos animais. Nos fumantes, os índices de inflamação são inversamente relacionados com as ingestões das vitaminas C e E.
Estudos em indivíduos saudáveis, doentes e animais submetidos a experiências mostram que as gorduras insaturadas e o colesterol modulam a inflamação através da interação com a biologia das citocinas. Em geral, os ácidos graxos poli-insaturados n-6 (PUFA) e o colesterol intensificam e os ácidos graxos mono-insaturados n-3 (PUFA) e os ácidos graxos "trans" que ocorrem naturalmente suprimem os aspectos da inflamação mediados pelas citocinas. Além disto, os PUFAs n-6 e o colesterol intensificam e os PUFAs n-3 suprimem a produção citocinas. Nos fumantes, os índices de inflamação são intensificados quando mais de 7% da energia dietética são consumidos na forma de PUFA n-6. As gorduras ricas em PUFA n-3 são úteis em várias doenças inflamatórias. As gorduras podem modular a biologia das citocinas por meio de diversos mecanismos estreitamente ligados às alterações na composição de fosfolipídios de membrana. Como resultado da alteração induzida pela dieta, podem ocorrer modificações na produção de prostaglandina, leucotrieno e diacil glicerol, na ativação da proteína cinasa C e na fluidez. Todavia, é improvável que alterações na fluidez da membrana estejam subjacentes aos efeitos moduladores substanciais das gorduras sobre a biologia das citocinas.



Figura 1 - Resumo dos Efeitos dos Nutrientes Sobre a Inflamação.

Os nutrientes podem modular os aspectos inflamatórios da função imunológica devido às suas interações em três áreas principais onde a inflamação é iniciada e controlada: primeiramente, modificando o fornecimento de substrato (proteína, aminoácidos sulfurados, glutamina) para a síntese de moléculas para os componentes do sistema de controle; em segundo lugar, modulando a composição das membranas das células envolvidas no processo inflamatório (ácidos graxos insaturados e colesterol); e, em terceiro lugar, influenciando a interação entre as espécies reativas de oxigênio (ROS), a ativação de fator nuclear capa B (NFkB) e outros aspectos da expressão dos genes (aminoácidos de enxofre, vitaminas C e E e vitamina A). Um resumo dos efeitos dos nutrientes sobre a inflamação é apresentado na Figura 1.


Referências
  1. Grimble RF. Interaction between nutrients, pro-inflammatory cytokines and inflammation. Clin Sci 1996;91:121-30.
  2. Grimble RF. Nutrition and cytokine action. Nutr Res Rev 1990;3:193-210.
    Nestlé


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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