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Imunologia/Imunidade

Terapia de Anticorpos Monoclonais em Doença Inflamatória Intestinal

25/07/2003
ERICA A. VASILIAUSKAS


Avanços recentes na tecnologia estabeleceram as bases para uma melhor compreensão da doença de Crohn e colite ulcerativa, proporcionando uma visão dos mecanismos da patogênese das doenças e dos alvos terapêuticos potenciais. Paralelamente, pesquisas farmacêuticas conceberam novos e notáveis tratamentos com drogas, em particular, com respeito a drogas específicas da citocina. Como as respostas às drogas específicas da citocina podem estar relacionadas com a natureza do processo inflamatório da mucosa, a sub-estratificação dos pacientes dentro de cada uma destas entidades de doenças pode permitir a identificação daqueles que, muito provavelmente, serão beneficiados com intervenções terapêuticas.
Uma tal abordagem incomum na DII consiste no tratamento com anticorpos monoclonais específicos da citocina direcionado contra a citocina pró-inflamatória, fator de necrose tumoral-alfa (TNF-a). Isto não apenas oferece um benefício potencial direto para o paciente, mas também tem aumentado a nossa compreensão destas doenças. Foi mostrado que o TNF-a tem as seguintes propriedades: (1) Ele estimula a liberação de outras citocinas inflamatórias, prostaglandinas e proteases; (2) Ele participa nos "loops" autócrinos, ativando os macrófagos e intensificando a capacidade de apresentar antígenos; (3) Ele aumenta a permeabilidade das junções epiteliais apertadas; (4) Ele intensifica a expressão das moléculas de aderência endoteliais envolvidas no recrutamento de agentes inflamatórios adicionais para migrar para locais extra-vasculares de inflamação (inclusive a mucosa); (5) Ele inibe a eritropoiese; (6) Ele intensifica o metabolismo celular; (7) Ele induz proteínas de fase aguda; (8) Ele induz a atividade pirogênica; (9) Ele media a formação de granulomas.
Assim, ele tem um amplo espectro de propriedades biológicas e é regulado de forma ascendente na mucosa intestinal inflamada de crianças e adultos com Doença Inflamatória Intestinal.
Experiências clínicas têm sido realizadas empregando-se anticorpos monoclonais quiméricos (infliximab) e "humanizados" geneticamente desenvolvidos (CDP571). Os achados de experiências clínicas com infliximab no tratamento da doença de Crohn relatados até hoje fornecem evidências diretas de que a inibição de TNF-a induz resposta clínica ou remissão em dois terços dos pacientes com doenças moderada a seriamente ativas e em dois terços de pacientes com fístulas enterocutâneas [1-3]. Isto reforça a teoria de que o TNF-a pode desempenhar um papel central no processo inflamatório em, pelo menos, dois terços dos pacientes com doença de Crohn. Em colite ulcerativa, o infliximab é bem tolerado por pacientes com grave doença refratária a esteróides e pode constituir um tratamento eficaz em indivíduos selecionados [4]. Geralmente, os efeitos colaterais têm sido brandos, embora dois pacientes tenham desenvolvido uma síndrome semelhante ao lúpus. Um acompanhamento de longo prazo é necessário para garantir a segurança.
Tanto a doença de Crohn como a colite ulcerativa apresentam heterogeneidade imunológica e genética. A especificidade destas formas de tratamento proporciona uma oportunidade única para avaliar as respostas clínicas com relação a sub-grupos de pacientes imunológica ou geneticamente determinados.


Referências
  1. Van Dullemen HM, van Deventer SJH, Hommes DW, et al. Treatment of Crohn's disease with anti-tumor necrosis factor chimeric monoclonal antibody (cA2). Gastroenterology 1995;109:129-35.
  2. Targan SR, Hanauer SB, van Deventer SJH, et al. A short-term study of chimeric monoclonal antibody cA2 to tumor necrosis factor a for Crohn's disease. N Engl J Med 1997;337:1029-35.
  3. Stack WA, Mann SD, Roy AJ, et al. Randomised controlled trial of CDP571 antibody to tumour necrosis factor-a in Crohn's disease. Lancet 1997;349:521-4.
  4. Sands BE, Podolsky DK, Tremaine WJ, et al. Chimeric monoclonal anti-tumor necrosis factor antibody (cA2) in the treatment of severe, steroid-refractory ulcerative colitis. Gastroenterology 1996;110:A1008.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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