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Enxaqueca/Cefaléia/Dor de cabeça

Enxaqueca, saiba um pouco mais

26/07/2003

 

 

O que é enxaqueca?

A enxaqueca, também chamada migrânia, é uma entidade clínica que acompanha o homem, através dos registros médicos históricos, há pelo menos dois mil anos, e acomete cerca de 5% da população mundial. Cefaléia do tipo pulsátil, com variação de intensidade, duração de poucas horas até cerca de dois dias, configura uma manifestação periódica, geralmente unilateral, ou seja, comprometendo um lado da cabeça, e pode ser acompanhada de outros sintomas como náusea, vômitos, tonturas, alterações visuais entre outras. Costuma aparecer na infância, adolescência ou no adulto jovem, e evolui na maioria dos casos com diminuição de sua expressão sintomática com o avanço da idade.

A enxaqueca tem uma apresentação uniforme?

A enxaqueca não se apresenta de modo uniforme, mas bastante variável, tanto em relação à intensidade e localização da dor, quanto ao conjunto geral dos sintomas. Cerca de um quinto dos pacientes com enxaqueca, tem o que denominamos "aura"; um cortejo sintomático que pode incluir alterações visuais, tonturas, vertigens, hipersensibilidade ao som, luz, odores, sabores, náuseas, vômitos, entre outras. Estes usualmente aparecem na primeira hora antes da crise dolorosa, ou concomitante a mesma. Em alguns casos, estes sintomas podem suplantar em importância a própria dor, cabendo então a denominação de equivalente enxaquecoso. Outros sintomas como sensação de fadiga, indisposição, irritabilidade, alterações de humor, diminuição da concentração, para destacar alguns, podem aparecer com maior antecedência, de horas ou dias, nos indivíduos que apresentam aura, bem como nos que não a têm. Mesmo em um único indivíduo com enxaqueca, os sintomas não obrigatoriamente se repetem da mesma forma em todas as crises.

Qual o mecanismo fisiopatológico da crise de enxaqueca?

Não é de conhecimento exato. Várias teorias permearam a literatura médica ao longo do tempo. Em nossos dias, a hipótese vascular, mais aceita, repousa sobre uma contratura, com diminuição do calibre das artérias (vasoconstricção), levando a uma diminuição do fluxo sanguíneo encefálico (oligoemia), na primeira fase, onde pode acontecer a aura. Segue-se a esta, uma fase de relaxamento, com o aumento do calibre (vasodilatação), e consequente aumento do fluxo sanguíneo encefálico, fase dolorosa. Uma alteração primária da vasculatura, ou uma desordem do metabolismo, que participa da regulação dos calibre dos vasos, podem estar por trás deste fenômeno.

Quais os fatores predisponentes e precipitantes?

Como mais importante fator predisponente, podemos citar a presença de outras pessoas com enxaqueca na família; relação positiva em cerca de 60 a 80% dos casos. Em relação ao gênero, as mulheres são acometidas cerca de três vezes mais do que os homens. Vários são os fatores precipitantes das crises de enxaqueca, e distintos de caso para caso. Nas mulheres, sabidamente os fatores hormonais são importantes, sendo precipitadas as crises nos períodos mentruais e no climatério. Fatores psíquicos como stress e ansiedade, também se alinham ao grupo. Alterações do sono, tanto a privação quanto o excesso, fatores alimentares, desde o jejum prolongado até alguns tipos de alimentos específicos, como os queijos, chocolates, frios, para citar alguns, além de alterações ambientais, como exemplo alterações barométricas bruscas, entre outros, são fatores que podem precipitar uma crise de enxaqueca.

Como se faz o diagnóstico da enxaqueca?

O diagnóstico da enxaqueca deve sempre ser concebido por um médico, através de uma história clínica detalhada, e um exame físico aprofundado. Este é um diagnóstico fundamentalmente clínico. Algumas vezes, no entanto, se faz necessária a realização de exames complementares. Estes servem para investigar outras alterações clínicas, que podem, em determinado momento, mimetizar a enxaqueca, como por exemplo distúrbios tireoideanos, da pressão arterial, alterações anatômicas dos vasos cerebrais, entre outras. Não há exame de rotina, laboratorial ou de imagem, que configure alteração confirmatória característica do diagnóstico da enxaqueca.

Existe tratamento para a enxaqueca?

A enxaqueca após diagnosticada, pode ter dois tipos de abordagem terapêutica. Há um tratamento para a crise dolorosa, ou seja, o momento da ocorrência dos sintomas; e outro profilático, ou seja, para evitar que o paciente venha a desenvolver uma crise dolorosa. O primeiro deve sempre ser realizado, e de modo mais precoce possível, ao que chamamos abortamento da crise dolorosa. Sabemos, pela conhecimento da fisiopatologia, que quanto mais tardia a medicação, mais dificilmente se consegue uma reversão rápida e suave dos sintomas. Dispomos atualmente, de um acervo vasto e competente de medicamentos para esta abordagem. Já o tratamento profilático, estará indicado, na dependência da intensidade e da frequência das crises.

O tratamento tem como pedra fundamental, a redução ou melhor, a abolição das crises. Evitando desta forma o desconforto e o banimento das atividades cotidianas, seja no trabalho, estudo ou lazer, fenômeno muito freqüente entre os indivíduos com enxaqueca. Também aqui, vários são os recursos disponíveis. Um aspecto complementar, e fundamental ao tratamento, é a individualização do paciente. Ou seja, conhecer com detalhe o indivíduo e o seu problema, em todos os seus aspectos, pois cada pessoa com enxaqueca tem as suas particularidades. Desta forma se escolhe o tratamento profilático de melhor perfil, o momento mais adequado da administração do medicamento na crise, bem como, em relação aos fatores precipitantes, uma orientação justa sobre o que fazer e o que evitar.


Dr. Augusto Cesar Penalva de Oliveira
                    Neurologista clínico


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