Pneumologia/Pulmão - Sons do Pulmão
Esta página já teve 115.683.642 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 27.709 acessos diários
home | entre em contato
 

Pneumologia/Pulmão

Sons do Pulmão

08/08/2003

 

Ausculta Pulmonar

 

 


Ausculta é um método semiológico básico no exame físico dos pulmões, é funcional por excelência e permite analisar o funcionamento pulmonar. Para a sua realização exige-se o máximo de silêncio, além de posição cômoda do paciente e ao terapeuta. De início o examinador coloca-se atrás do paciente, que não deve forçar a cabeça ou dobrar excessivamente o tronco; o paciente deve estar com o tórax despido e respirar pausada e profundamente, com a boca entreaberta, sem fazer ruído.
A ausculta dos pulmões se faz com o auxílio do estetoscópio; a ausculta se inicia pela face posterior do tórax passando a seguir para as faces laterais e anteriores. Deve se ter em mente que os limites dos pulmões estão aproximadamente a quatro dedos transversos abaixo da ponta da escápula. Auscultam-se as regiões de maneira simétrica; é aconselhável e solicitado ao paciente a fazer algumas respirações profundas e tossir várias vezes visando com isso separar ruídos permanentes dos eventuários de menor valor diagnóstico.

SONS PLEUROPULMONARES


Os sons são assim classificados:
Sons Normais: Som Traqueal,
Respiração Brônquica,
Murmúrio Vesicular,
Respiração Broncovesicular.
Sons Anormais: Descontínuos: Estertores Finos e Grossos,
Contínuos: Roncos, Sibilos e Estridor,
Origem Pleural: Atrito Pleural.

SONS RESPIRATÓRIOS NORMAIS


Som traqueal e respiração brônquica: Reconhecem-se dois componentes, o inspiratório e o expiratório cujas as características estetoacústicas são específicas para cada assunto. O som traqueal, audível na região de projeção da traquéia, no pescoço e na região esternal, origina-se na passagem do ar através da fenda glótica e na própria traquéia; diferenciam-se com facilidade seus dois componentes, sendo um inspiratório constituído de um ruído soproso mais ou menos rude após o qual há um curto intervalo silencioso que separa os dois componentes inspiratórios e o expiratório, um pouco mais forte e mais prolongado.
A respiração brônquica muito se assemelha ao som traqueal, dela se diferenciando apenas por ter o componente expiratório menos intenso. Nas áreas que correspondem à condensação pulmonar, atelectasia ou nas regiões próximas de cavernas superficiais ouve-se respiração brônquica no lugar de murmúrio vesicular.
Murmúrio vesicular: Os ruídos expiratórios ouvidos na maior parte do tórax são produzidos pela turbulência do ar circulante ao chocar-se contra as saliências das bifurcações brônquicas, ao passar por cavidades de tamanhos diferentes tais como dos bronquíolos para os alvéolos e vice versa. O componente mais intenso é o inspiratório, mais duradouro e de tonalidade mais alta em relação ao componente expiratório que, por sua vez, é mais fraco e de duração mais curta e de tonalidade mais baixa; não se percebe diferentemente do que ocorre na respiração traqueal, intervalo silencioso entre as duas fases da respiração. Quando se compara o murmúrio vesicular com respiração brônquica verifica-se que o murmúrio vesicular é mais fraco e mais suave.
Auscultam-se o murmúrio vesicular em quase todo o tórax, com exceção apenas das regiões esternal superior, interescápulo-vertebral direita e ao nível das terceira e quartas vértebras dorsais, nessas áreas ouve-se a respiração broncovesicular. Cumpre salientar que o murmúrio vesicular não tem intensidade homogênea em todo o tórax, é mais forte na parte ântero-superior, nas axilas e nas regiões infra-escapulares; além disso sofrem variações em sua intensidade na dependência de amplitude dos movimentos respiratórios e da espessura da parede torácica, sendo mais débil nas pessoas musculosas e obesas.
As principais modificações da respiração vesicular são a diminuição ou o aumento de sua intensidade e o prolongamento do componente expiratório. Respiração vesicular mais intensa ocorre quando o paciente respira amplamente com a boca aberta, após esforço, em crianças e em pessoas emagrecidas. Nos portadores de afecções pulmonares unilaterais, como mecanismo vicariante, o murmúrio vesicular torna-se mais intenso no lado não afetado.
Constitui importante alteração do murmúrio vesicular o prolongamento da fase expiratória, que, em condições normais, é mais curta e mais suave pela fase inspiratória. Este prolongamento da expiração aparece na asma brônquica, no enfisema e na bronquite espastiforme e traduz de modo objetivo a dificuldade da saída do ar.
Respiração Broncovesicular: Neste tipo de respiração, somam-se as características brônquicas com do murmúrio vesicular. Deste modo, a intensidade e a duração da inspiração e da expiração têm igual magnitude, ambas um pouco mais fortes que no murmúrio vesicular, mas sem atingir a intensidade da respiração brônquica.
A densidade do parênquima pulmonar é menor, e a interferência sobre a transmissão dos sons deverá ser menor que no som vesicular. Existe uma maior contaminação de notas de alta freqüência. Também a maior proximidade com a traquéia e grossos brônquios faz com que a expiração seja melhor audível trata-se, portanto, de um som intermediário entre o bronquial e o vesicular. A interferência parcial do parênquima faz com que o som broncovesicular não seja tão rude e intenso quanto o bronquial.
Sua presença em outras regiões indica condensação pulmonar, atelectasia por compressão ou presença de caverna , isto é, nas mesmas condições em que se observa a respiração brônquica. Para que surja este tipo de respiração, é necessário que haja na área lesada alvéolos mais ou menos normais capazes de originar ruídos deste tipo.

SONS OU RUÍDOS ANORMAIS DESCONTÍNUOS


Estertores: Estes sons superpõem-se aos sons respiratórios normais e são ruídos descontínuos. Podem ser crepitantes (finos) ou bolhosos (grossos).
Os sons crepitantes podem ser explosivos, agudos e de curta duração, ocorrendo no final da inspiração. São gerados principalmente pela abertura dos alvéolos que se acham colapsados ou ocluídos por líquido viscoso. Podem ser comparados ao som percebido ao se abrir um fecho tipo velcro. São ouvidos principalmente nas zonas pulmonares influenciadas pela força da gravidade. Não se modificam com a tosse. Esses estertores indicam a existência de doença alveolar inflamatória ou congestiva, com exsudação ou transudação de líquidos para o interior das cavidades alveolares.
Os sons bolhosos são menos agudos e duram mais do que os crepitantes. Sofrem nítida alteração com a tosse e podem ser ouvidos em todas as regiões do tórax. São audíveis no início da inspiração e durante toda a expiração. Têm origem na abertura e fechamento de vias aéreas contendo secreção viscosa e espessa, bem como pelo afrouxamento da estrutura de suporte das paredes brônquicas, sendo comuns na bronquite crônica e nas bronquiectasias.

SONS OU RUÍDOS ANORMAIS CONTÍNUOS


Roncos: São ruídos longos, graves e musicais, gerados pelo turbilhão aéreo que se forma com a movimentação de muco e de líquido dentro da luz das vias aéreas (geralmente brônquios de grosso calibre). Indicam asma brônquica, bronquites, bronquiectasias e obstruções localizadas. Aparecem na inspiração e, com maior freqüência, na expiração. São fugazes, mutáveis, surgindo e desaparecendo em curtos períodos de tempo.
Sibilos: São sons contínuos, musicais e de longa duração. Como as crepitações, os sibilos também têm sua origem nas vias aéreas e requerem o fechamento prévio dos brônquios. As paredes brônquicas devem ser trazidas aos pontos de oclusão para que ocorra os sibilos. Por outro lado, em vez de acontecer uma reabertura súbita, as paredes brônquicas passam a vibrar ao serem atingidas por fluxo aéreo em alta velocidade. Trata-se portanto de um verdadeiro "flutter" das paredes brônquicas impulsionadas por um jato de ar sob uma velocidade crítica.
Os sibilos acompanham as doenças que levam à obstrução de fluxo aéreo, como a asma e DPOC, mas podem acontecer em inúmeras outras doenças que acometem as vias aéreas. Em geral são múltiplos e disseminados por todo o tórax, quando provocados por enfermidades que comprometem a árvore brônquica toda como acontece na asma e na bronquite.
Quando os sibilos são localizados numa determinada região, indicam a presença de uma semi-obstrução por neoplasia ou corpo estranho.
Estridor: O estridor pode ser considerado como um tipo especial de sibilo, com maior intensidade na inspiração, audível à distância, e que acontece nas obstruções altas da laringe ou da traquéia, fato que pode ser provocado por difteria, laringites agudas, câncer da laringe e estenose da traquéia.

SOM DE ORIGEM PLEURAL


Atrito pleural: Em condições normais, os folhetos visceral e parietal da pleura deslizam um sobre o outro, durante os movimentos respiratórios, sem produzir qualquer ruído. Nos casos de pleurite, por se descobrirem de exsudato, passam a produzir um ruído irregular, descontínuo mas intenso na inspiração, comparado ao ranger de couro atritado. Representa um som de duração maior e tonalidade grave, sendo de fácil distinção dos estertores. Devido à sua proximidade com a pele, o atrito pleural pode ser percebido pelo tato, fenômeno ao qual se denomina de frêmito pleural.
A sede mais comum do atrito pleural são as regiões axilares inferiores, onde os pulmões realizam movimentação mais ampla. O aumento da pressão do receptor do estetoscópio sobre a parede torácica pode torná-lo mais intenso.
Sua causa principal é a pleurite seca. A instalação de derrame pleural determina seu desaparecimento.

 

 www.junebastein.hpg.ig.com.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos
 
Hacked by
#TeaMGh0sT

~ DB GOT DROPPED ~