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Teen/Hebeatria/Adolescência/Jovem

Contracepção Na Adolescência

29/08/2003
 
 

 


 

Prof. Antônio Aleixo Neto

Depto de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina

Coordenador do Serviço de Planejamento Familiar do Hospital das Clínicas da UFMG

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência  abrange a faixa entre 10 e 19 anos de idade, período da vida que liga a infância à vida adulta. Nesta fase, principalmente após os 15 anos (22%), pode ocorrer a primeira relação sexual, a qual, na maioria das vezes é desprotegida. Naquela faixa etária só 23% das adolescentes usaram algum método anticoncepcional naquele momento. Porquê?
 Inúmeros pretextos são atribuídos ao pouco uso de métodos anticoncepcionais por adolescentes: medo dos pais descobrirem, medo de encarar a própria sexualidade, falta de conhecimento sobre os riscos de se engravidar, pensamento "mágico", etc. Não importando as causas, o resultado é conhecido: milhares de gravidezes em adolescentes, com suas conseqüências nefastas tanto para a sua saúde quanto para sua integração e desenvolvimento social.
 No entanto, um fator se ressalta entre todos: a falta de orientação e o desconhecimento total ou parcial dos diversos métodos anticoncepcionais, seu modo de uso, suas vantagens e desvantagens, suas contra-indicações, sua eficácia e até mesmo os chamados efeitos benéficos não contraceptivos. O que seria isto? Daremos como exemplo, a camisinha (preservativo masculino). Um casal pode estar fazendo uso da mesma para contracepção, mas além disso ela evita uma série de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a AIDS, o que seria então um grande benefício não contraceptivo da camisinha.
 Agora veremos os principais métodos anticoncepcionais que podem ser usados na adolescência.
 

PÍLULA ANTICONCEPCIONAL


Pode ser usada à partir de 6 meses da menarca ( primeira menstruação). Caracteriza-se por possuír um ou dois hormônios que atuam através da inibição da ovulação e também pela modificação do endométrio (camada interna que reveste o útero) e do muco cervical. As pílulas combinadas (que contém dois hormônios) são as mais utilizadas e são muito eficazes se tomadas corretamente. Deve-se  iniciar seu uso no primeiro dia da menstruação e tomar um comprimido diariamente aproximadamente no mesmo horário durante 21 dias. A seguir ficar 7 dias sem ingerir a pílula. Neste período deve ocorrer sangramento semelhante ao menstrual. Após esta pausa de 7 dias, iniciar uma nova cartela independentemente de ter cessado ou não o sangramento. Em caso de esquecimento de tomar 1 pílula deve-se tomá-la o mais rápido possível, de preferência até no máximo 12 horas do horário habitual. Caso passe desse prazo, tomar assim mesmo a pílula atrasada, continuar a cartela, passar a usar um método anticoncepcional adicional (camisinha, por exemplo) e procurar um médico ginecologista para orientações.
 Às vezes a pílula pode causar uma série de efeitos colaterais desagradáveis, tais como: dores de cabeça, dores nos seios, enjôos, perdas de sangue fora da época e aumento de peso. Isto vai depender da pílula e de cada organismo e deve ser avaliado pelo médico. Um pouco de paciência ajuda: a maioria dos sintomas desagradáveis desaparece com o tempo. A motivação também ajuda. O que é melhor, um pouco de dor de cabeça ou a dor de cabeça de uma gravidez não desejada?
 Em relação às contra-indicações, a adolescente se beneficia do seu fator idade e raramente apresenta alguma doença em que os riscos superem as vantagens do seu uso. Os riscos de complicações sérias também são baixos. De qualquer modo deve-se fazer sempre uma avaliação médica prévia ao seu uso seguidas de uma avaliação anual.

 Além de evitar a gravidez com uma grande eficácia, a pílula anticoncepcional pode trazer também os seguintes benefícios para a saúde da usuária:
 

    • Diminuição do fluxo menstrual:  diminui os dias de incômodo e diminui a incidência de anemia
    • Controle do ciclo: o ciclo costuma ficar mais regular. A usuária pode também adiantar ou atrasar uma menstruação por motivos diversos ( viagens, casamento, competição esportiva, etc.)
    • Cólicas menstruais:  em grande parte das usuárias, esse incômodo, tão comum entre as adolescentes, melhora acentuadamente.
    • Infecções: a pílula protege contra alguns tipos de infecções das trompas. Somente nos EUA ocorrem menos 13  mil internações ao ano devido a essa proteção.
    • Câncer do endométrio: a usuária de pílula tem a metade do risco de ter este tipo de câncer
    • Câncer do ovário: também diminui em cerca de 40% a incidência deste tipo de câncer
    • Cistos ovarianos funcionantes: a incidência é diminuída em cerca de 90%

 

ALGUNS MITOS SOBRE A PÍLULA
 
 

  • O uso prolongado da pílula causa infertilidade?
     Não. O que acontece é que na população em geral nós temos um determinado número de casais inférteis, digamos 10 - 20%. Muitas mulheres inférteis estão tomando a pílula por não saberem deste fato e ao interromper o método para engravidar logicamente não irão engravidar. A pílula não tem nada a ver com isto.

 

  • Precisa-se "descansar " todo ano de tomar a pílula?
     Não. Não existe nenhuma prova científica que esse descanso seja necessário. A usuária de pílula pode tomá-la sem tempo pré-determinado, desde que faça acompanhamento médico anual para controle.

 

  • A pílula engorda?
     Depende de cada organismo e da pílula. Existem várias marcas de pílulas. As de baixa dosagem e mais modernas apresentam menor tendência de ganho de peso do que as mais antigas. Com essas pílulas, o ganho de peso (se houver) não passa de 1-2 kg. Já as garotas mais "gordinhas" de fato são mais susceptíveis a um aumento maior de peso.


 

INJEÇÕES


Consistem em injeções de hormônios parecidos com os da pílula anticoncepcional, só que em forma de injeção de depósito, que podem ser tomadas em doses mensais. No Brasil existe uma marca de injeção que é tomada sempre no 8o. dia do ciclo e outra que é tomada no 1o. dia do ciclo e depois a cada 30 dias.  A grande vantagem das injeções é a praticidade ( uma dose ao mês ) e a eficácia ( dificilmente falham ). Os efeitos colaterais mais comuns são a irregularidade menstrual, a dor nas mamas e o aumento de peso. Os riscos de complicações importantes são baixos, mas, assim como no caso da pílula, exige-se um acompanhamento médico para seu uso.
 

DIU


O dispositivo intra-uterino (DIU) é um método que difere fundamentalmente dos dois anteriores (pílula e injetável) porque só age no local em que se situa: cavidade uterina. Não tem nenhuma ação sistêmica. Consiste num pequeno objeto de plástico com cerca de 3 cm, em forma de um "T" ou de uma ferradura, envolvidos parcialmente com fios de cobre. O seu mecanismo de ação é por ação espermaticida, destruindo os espermatozóides dentro da cavidade uterina. Dependendo do modelo o DIU pode durar de 5 até 10 anos dentro da cavidade. Pode ser colocado 1 mês após o parto ou durante o período menstrual, num procedimento simples e rápido. Devem ser efetuadas revisões periódicas, para se avaliar o seu correto posicionamento.
O DIU tem como vantagens não causar nenhum efeito sistêmico (dores de cabeça, aumento de peso, nervosismo, enjôos, etc). É também altamente eficaz e muito prático porque não exige nenhuma manipulação por parte da usuária. Tem como desvantagens um aumento variável do fluxo menstrual e exige que o casal tenha um comportamento sexual monogâmico, sob pena um aumento do risco de infeções pélvicas. Não é um bom método para quem não tenha tido ainda um filho.

Alguns mitos sobre o DIU:
 

  • O DIU é abortivo?

 Não uma vez que ele age como espermicida, "matando" ou inativando os espermatozóides antes que eles entrem em contato com o óvulo.

 

  • Nos casos de falha do DIU o feto corre risco de má-formação?
     
    Não há este risco, no entanto, sempre que possível o DIU deve ser retirado para se evitar uma interrupção precoce da gravidez por ruptura da bolsa.


 
 

ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA (pílula pós-coito)


São métodos que podem ser usados após uma relação potencialmente fecundante, para se evitar uma gravidez indesejada. Geralmente são utilizados hormônios e/ou pílulas existentes no mercado, ingeridos em dose maior que o usual. A FEBRASGO (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia) recomenda seu uso em situações de emergência, como em casos de violência sexual, relação sexual desprotegida e nos casos de possível falha de outro método (ex: ruptura de camisinha). Não podem ser utilizados rotineiramente. O médico deve ser procurado no máximo até 72h do fato ocorrido, após o qual não há mais possibilidade de prescrição.
 
 
 
 
 

MÉTODOS DE BARREIRA E NATURAIS


A grande vantagem dos métodos de barreira, especialmente a camisinha, é a prevenção da gravidez associada à prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), inclusive a AIDS. Na adolescência a camisinha é um dos métodos que merece maior disseminação para seu uso, devido à freqüente situação de instabilidade sexual-afetiva dos parceiros. Além da AIDS, a grande vilã, existem diversas outras DST  que vem grassando por entre os adolescentes: gonorréia, clamídia, tricomoníase, sífilis e HPV são alguns exemplos.
O diafragma não conta com uma boa aceitação entre os adolescentes.

Tabela
A tabela (método rítmico) baseia-se na abstinência sexual nos períodos férteis. Não é muito segura, mas deve ser sempre ensinada para que a adolescente e mulher possa ter uma plena consciência do seu ciclo menstrual e que possa ser utilizada em caráter eventual .

Maneira de se fazer uma tabela:

1. Anote cerca de 6 ciclos menstruais
2. Subtraia 18 do número de dias do ciclo mais curto
3. Subtraia 11 do número de dias do ciclo mais longo
4. O resultado das subtrações dará o período de fertilidade da mulher

       Ex: Ciclo mais curto: 26 dias
             Ciclo mais longo: 30 dias
 
Assim: 26 - 18 = 8
            30 - 11 = 19             Período fértil ou de risco de gravidez: do 8o. ao 19o. dia de cada ciclo



Autor: Prof. Antônio Aleixo Neto - aleixo@medicina.ufmg.br

 

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