Gravidez/Parto/Obstetrícia - Entendendo sobre a diabetes gestacional
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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Entendendo sobre a diabetes gestacional

19/09/2003
Mulheres que nunca sofreram de diabetes e apresentam altos níveis de glicemia durante a gestação têm o diagnóstico de diabetes gestacional. O diabetes gestacional afeta cerca de 4% das gestantes, representando nos Estados Unidos cerca de 135.000 casos por ano.

A causa exata do diabetes gestacional não está esclarecida, mas existem algumas hipóteses. Os hormônios da placenta ajudam a desenvolver e manter o bebê, mas também bloqueiam a ação normal da insulina no corpo da mãe durante a gestação. Este problema é conhecido como resistência à insulina, fato que torna mais difícil para o organismo da mãe utilizar a insulina produzida.

Os hormônios da placenta têm ação "contra-insulina" e esta ação geralmente começa por volta da 20ª a 24ª semanas de gestação. Quanto mais a placenta cresce, mais hormônios são produzidos e maior é a resistência à insulina. Neste caso, a necessidade de insulina da mãe pode aumentar até três vezes durante a gestação. Quando o pâncreas produz a quantidade máxima de insulina e ainda assim ela não é suficiente para superar os efeitos dos hormônios placentários, surge o diabetes gestacional.

No final da gestação, quando a placenta é removida, não existe mais o efeito dos hormônios placentários e o quadro de diabetes materno desaparece.

Qual é o risco de desenvolver Diabetes Gestacional e como detectá-la?

Qualquer mulher pode desenvolver diabetes gestacional. Existe aumento de risco nos casos de obesidade, história familiar de diabetes, história anterior de parto com o nascimento de bebê muito grande, natimorto ou bebê com defeito congênito. Também existe aumento do risco quando há excesso de líquido amniótico e para mulheres com mais de 25 anos de idade.

A Associação Americana de Diabetes recomenda que todas as gestantes sejam testadas para diabetes gestacional entre a 24ª e 28ª semanas, porque nesta época a placenta produz maior quantidade de hormônios que vão provocar resistência à insulina.

É realizado um teste de tolerância à glicose no qual a gestante ingere 50 gramas de glicose com medida da glicemia após uma hora. Um resultado menor ou igual a 140mg/dl é considerado normal e não é necessário outro tipo de teste. Caso o resultado seja maior que 140mg/dl, é feito um novo teste de tolerância à glicose, desta vez com medidas da glicemia até 3 horas. O diagnóstico de diabetes gestacional é feito quando o resultado deste teste de 3 horas está alterado.

O que fazer para reduzir os problemas associados ao Diabetes Gestacional?

Uma dieta balanceada é fundamental para a mulher com diabetes gestacional. A dieta deve suprir as necessidades da mãe e do feto e também manter a glicemia dentro de níveis normais.

A gestante deve aprender a monitorizar a glicemia em casa.
A necessidade da utilização de insulina será determinada pelos valores de glicemia.

Como o Diabetes Gestacional pode afetar a gestação e o bebê?

As complicações do diabetes gestacional são previsíveis e podem ser evitadas.

O diabetes gestacional afeta a mãe no final da gestação, depois que o corpo do bebê já está formado, mas ele ainda está crescendo. Os defeitos de nascimento que às vezes aparecem em bebês de mulheres que já eram diabéticas antes da gravidez não costumam ser observados no diabetes gestacional.

Quando a mulher tem diabetes gestacional, o seu pâncreas trabalha para produzir insulina, mas a produção não é suficiente para controlar a glicemia. Embora a insulina não atravesse a placenta, o açúcar e outros nutrientes atravessam. Os níveis de açúcar do bebê ficam altos e o pâncreas do bebê produz insulina extra para diminuir a glicemia. O resultado desta situação é que o bebê fica grande (macrossomia), porque a quantidade extra de açúcar faz com que ele produza mais gordura.

A macrossomia pode causar dificuldades durante o parto, como a fratura de clavículas, que são ossos dos ombros. O tamanho do bebê pode ser avaliado e acompanhado através do ultra-som. O parto por cesariana está recomendado nos casos de macrossomia fetal.

Como o bebê produzia mais insulina durante a gestação, ele corre o risco de apresentar hipoglicemia logo após o parto, porque não recebe mais o excesso de açúcar da mãe. A glicemia do bebê deve ser monitorizada no berçário e caso seja detectada a hipoglicemia será administrado soro glicosado por via endovenosa.

Existe também o risco de o bebê apresentar problemas respiratórios porque, apesar de grande, muitas vezes ele é prematuro e nasce antes de os pulmões estarem prontos para realizar as suas funções.

Os bebês de gestantes diabéticas tornam-se crianças com risco de obesidade e adultos com risco de diabetes do tipo 2

Como monitorizar a glicemia durante a gestação?

A melhor forma de controlar a glicemia durante a gestação é a automonitorização - a própria paciente checa a glicemia algumas vezes por dia.

Para isso existe um aparelho conhecido como glicosímetro que lê o valor da glicemia em uma fita especial com uma gota de sangue.

A freqüência dos testes será orientada pelo médico. Geralmente é necessária uma glicemia de jejum e glicemias duas horas após as refeições, mas o esquema deve ser individualizado.

Como avaliar a saúde do bebê durante a gestação?

A saúde e o bem-estar do bebê podem ser avaliados durante a gestação por meio de:

1. Exames de ultra-som que avaliam o tamanho do bebê e a posição da placenta.

2. Registro dos movimentos fetais. A própria mãe pode aprender a contar quantas vezes o bebê se movimenta; três ou mais movimentos em um período de duas horas é considerado normal.

3. Monitorização fetal. Um monitor externo registra, através de transdutores colocados sobre o abdômen da mãe, os batimentos cardíacos do feto. Durante o exame podem ser feitos estímulos sonoros que devem provocar aumento do número de batimentos cardíacos do feto, fato que é considerado normal. Quando não há reação ao estímulo sonoro pode ser feito um teste de estresse com a utilização de um hormônio, a ocitocina, que provoca contrações do útero como as que ocorrem na hora do parto. As contrações são um desafio para o bebê e devem provocar aumento do número de batimentos cardíacos. Quando isso não acontece, pode estar havendo sofrimento fetal.

4. Amniocentese. Neste exame uma pequena quantidade de líquido amniótico é retirada e analisada. O resultado pode informar se os pulmões do bebê estão maduros e prontos para a hora do parto.

Como é feito o tratamento do Diabetes Gestacional?

O objetivo do tratamento é manter os níveis de glicemia iguais aos das gestantes que não têm diabetes. É necessária uma dieta especial e um programa de atividades físicas. Também podem ser necessários testes de glicemia diários e aplicações de insulina. O auxílio do médico, da nutricionista e do educador em diabetes é importante para o sucesso do tratamento, que evitará os problemas no momento do parto e futuros problemas de saúde do bebê.

Qual a importância do exercício físico para a gestante diabética?

Um programa de exercícios diários é importante para uma gestação saudável. A atividade física aumenta o bem-estar e reduz o estresse, além de proteger contra dores nas costas e manter o tônus e a força da musculatura.

O melhor programa de exercícios deve ser discutido com o médico. Andar de bicicleta, andar e correr com esforço moderado são bons exercícios para a gestação. A mulher que já praticava esportes antes da gestação geralmente pode continuar durante. Aquelas que nunca tiveram atividade física regular devem iniciar com exercícios leves e orientação especializada.

Para controlar os níveis de glicemia é importante a constância dos exercícios, ou seja, praticá-los 4 a 5 vezes por semana. Caso a pessoa utilize insulina, é importante conhecer os sintomas de hipoglicemia e sempre levar alimentos doces para combatê-la.

O uso de insulina é sempre necessário?

Em alguns casos a dieta e a atividade física podem conseguir manter os níveis de glicemia dentro dos valores adequados. Porém, na maior parte das vezes será necessário iniciar o uso de insulina para controle do diabetes gestacional.

Geralmente a insulinização é iniciada caso a glicemia de jejum esteja acima de 105mg/dl ou a glicemia após duas horas da alimentação esteja acima de 120mg/dl em duas ocasiões separadas.
O que acontece depois da gestação?

O diabetes gestacional desaparece após o parto. As chances são de duas em três de que em uma próxima gestação o problema reapareça.

Algumas mulheres continuam diabéticas após o parto. Neste caso, pode ser que a gestação tenha revelado um caso de diabetes do tipo 1 ou 2 e será necessário continuar o tratamento após o nascimento do bebê.

É preciso checar a glicemia 6 semanas após o parto. Caso ela esteja normal, são recomendadas novas dosagens a cada 3 anos.

Muitas mulheres que tiveram diabetes gestacional desenvolvem diabetes tipo 2 após alguns anos. Parece existir uma relação entre as duas condições, que têm como base a resistência à insulina.

Modificações no estilo de vida podem evitar o surgimento do diabetes após a gestação:
• Perder peso

• Ter uma alimentação saudável, consumindo frutas e vegetais e evitando alimentos gordurosos.

• Fazer exercícios. Eles fazem com que o corpo utilize o açúcar, sem precisar aumentar a secreção de insulina, combatendo a resistência à insulina. Deve-se sempre conversar com o médico antes de iniciar o programa de exercícios.

O Diabetes Gestacional é muito grave?

Embora o diabetes gestacional seja uma condição preocupante, a gestante e seu médico podem conseguir manter a glicemia dentro dos níveis normais, garantindo uma gestação saudável e um parto sem problemas. A saúde do bebê também estará protegida.

A mãe que teve Diabetes Gestacional deve amamentar?

O aleitamento materno está fortemente recomendado. Além dos benefícios para o bebê, o aleitamento ajuda a mãe a voltar para o peso normal. O organismo utiliza aproximadamente 800 calorias por dia durante os 3 primeiros meses de produção de leite e o gasto de calorias pode aumentar após estes 3 primeiros meses.

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