Problemas Ocupacionais/Vigilância Sanitária - Acidentes de trabalho em zona rural
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Problemas Ocupacionais/Vigilância Sanitária

Acidentes de trabalho em zona rural

17/10/2003

 

 

Na zona rural não existem informações precisas sobre o número de acidentes que ocorrem pelo exercício do trabalho, pois, as pessoas trabalham por conta própria e sem carteira assinada e, raramente, registram a ocorrência de acidentes. Os trabalhadores rurais estão constantemente expostos a inúmeros agentes que podem causar acidentes, como máquinas e implementos agrícolas, ferramentas manuais, agrotóxicos, animais domésticos e animais peçonhentos.
A grande maioria dos estudos sobre acidentes de trabalho rural utilizou dados secundários obtidos de registros de hospitais, de comunicações de acidentes de trabalho (CAT) ou de atestados de óbito. Marta Fernanda Fehlberg e colaboradores, da Faculdade de Veterinária, da Universidade
Federal de Pelotas, estudaram a ocorrência de acidentes em trabalhadores rurais, em Pelotas, e investigaram as associações com alguns fatores socioeconômicos, demográficos, individuais, familiares e ocupacionais.
Uma amostra representativa dos trabalhadores rurais foi obtida, utilizando-se os setores censitários da Fundação IBGE. As entrevistas foram realizadas em um período de quatro meses, utilizando-se questionários padronizados. Os 580 trabalhadores entrevistados pertenciam a 258 famílias da zona rural.
Dos 580 trabalhadores rurais entrevistados, 63 (11%) sofreram, em um período de doze meses, pelo menos, um acidente no trabalho.
Os fatores de risco associados à maior ocorrência de acidentes, na análise estatística, foram: a classe social mais baixa (fator de risco = 1,81 ou seja 81% de maior chance de ter acidentes, quem é mais pobre do que quem não é), a cor não-branca (fator de risco = 3,50, ou seja é 3,5 vezes, ou 350% mais freqüente o acidente em que não é branco, comparado ao branco) e a insatisfação com o trabalho realizado (fator de risco = 2,77 ou seja 2, 77 vezes ou 277% mais freqüente no que trabalha insatisfeito do que o que trabalha contente).
Embora a proporção de trabalhadores do sexo masculino tenha sido ligeiramente maior do que a do sexo feminino, entre os que sofreram acidentes, a proporção de homens foi maior (62%) do que a de mulheres (38%). A grande maioria estava na faixa etária considerada produtiva: 16 a 60 anos. A maioria dos trabalhadores (56%) estudou até a quarta série do primeiro grau. Praticamente todos os trabalhadores utilizaram ferramentas manuais (foice, machado, faca), durante os doze meses, anteriores ao estudo. Mais de dois terços estiveram expostos a animais domésticos (bovinos, eqüinos), e outros tantos utilizaram implementos agrícolas (arado, grade, capinadeira). No mesmo período, um terço dos entrevistados estiveram em contato com produtos tóxicos utilizados na lavoura ou nos animais. A ocorrência de acidentes, conforme a exposição, aos agentes acima, obedeceu distribuição semelhante. Assim, excluídos aqueles que apresentaram acidentes com agrotóxicos, a maior parte dos trabalhadores acidentados feriu-se durante o uso de ferramentas manuais (23 dos 56 acidentados), sendo que a lesão decorrente do corte foi particularmente nas mãos (52,2%) e nos pés (34,8%). A jornada semanal de trabalho foi de mais de 48 horas, em dois terços da amostra, e também entre os acidentados. O total de acidentes foi de 82, que ocorreram com os 63 trabalhadores. As ferramentas manuais e os animais domésticos foram responsáveis por 56,1% dos acidentes.

 

Rev. Saúde Pública v.35 n.3 São Paulo jun. 2001


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