Oftalmologia/Olhos - Tratamentos das doenças degenerativas da retina
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Oftalmologia/Olhos

Tratamentos das doenças degenerativas da retina

20/10/2003

 

 

 

Pelo fato de serem várias as causas da degeneração da retina acredita-se que não haverá um único tratamento para deter a progressão de todas as formas de distrofias da retina. Até o momento não há nenhum tratamento aceito pela comunidade médica internacional que possa trazer a CURA da doença. Tratamentos como os de Cuba e da Rússia, para falar de alguns deles, são considerados experimentos alternativos, e não têm reconhecimento científico. Em vários países os cientistas estão buscando tratamentos para as várias formas de doenças da retina. A Foundation Fighting Blindness (Fundação de Combate à Cegueira), entidade norte-americana formada por portadores de doenças degenerativas da retina, financia cerca de dezoito centros de pesquisa, nos EU e em outros paises e trabalha articulada com o National Eye Institute, o organismo governamental responsável por pesquisas sobre a visão. Nesses centros estão sendo realizados experimentos de transplante de retina, de recuperação do tecido retiniano através de uma substância conhecida como fator de sobrevivência celular, terapia genética, entre outros.

São várias as abordagens que estão sendo testadas, em caráter experimental, e que buscam deter o processo degenerativo, restaurar as células da retina e manter ou recuperar a visão. Poderíamos destacar algumas delas:

1) tratamentos medicamentosos visando à desaceleração da progressão da doença.

Vitamina A Palmitato para Retinose Pigmentar e Síndrome de Usher - Pesquisas recentes feitas no Massachussets Eye and Ear Institute, em Boston, Estados Unidos, mostraram que o uso de vitamina A sob a forma de palmitato, na dosagem diária de 15.000 u.i., detém a progressão da retinose pigmentar em cerca de 20% ao ano, o que representa oito anos a mais de visão para os afetados ao longo de sua vida.

Vários laboratórios estão produzindo vitamina A - palmitato nos Estados Unidos. No Brasil, várias farmácias de manipulação fazem esta vitamina, possibilitando aos afetados por retinose pigmentar tratar-se com esta medicação, tendo sempre acompanhamento médico (esta pesquisa não foi feita com outras formas de DDR e se aplica apenas aos casos de RP). Nos Congressos da Associação Retina International, tem sido recomendado o uso da vitamina A palmitato.

Axokine - O National Eye Institute, nos EU está produzindo experimentalmente em parceria com o laboratório Regeneron, uma medicação que visa retardar a degeneração das células da retina, impedindo o avanço de alguns tipos de RP. Trata-se do axokine, um fator de sobrevivência celular que atua sobre as células da retina, impedindo-as de se degenerarem. Os testes clínicos desse medicamento com animais apresentaram sucesso, faltando agora realizá-los com pessoas. As expectativas para o uso do axokine em alguns casos de RP são promissoras dentro de alguns anos.

Luteína e Zeaxantina para DM – estas duas substancias nutrientes têm propriedades antioxidantes e apresentam-se concentradas em torno da mácula, dando-lhe suas aparências características amarela. O uso destas substancias como suplementos nutritivos ainda se encontra em fase experimental, mas já é possível encontrá-las em farmácias nos Estados Unidos. Julga-se que elas agem protegendo a mácula da ação oxidante dos raios ultravioletas solares. A luteína é encontrada na gema do ovo, no milho, no kiwi, abóbora, espinafre, uvas vermelhas, pepino e aipo. A zeaxantina é encontrada no milho, laranja, melão, brócolis, maçã e pêssego.

Uso do medicamento Visudine, associado à terapia fotodinâmica – esta nova terapia destina-se a um tipo específico de degeneração macular ligado à idade (DMI) – o tipo exudativo. O visudine é um medicamento ativador de luz que injetado no paciente atinge os vasos sanguíneos anormais, responsáveis pela DMI exudativa. Iluminados pelo medicamento, esses vasos podem receber aplicação de uns lasers específicos, que estimula o medicamento que passa a destruir os vasos sem danificar o tecido saudável que os circunda. Este tratamento parece trazer melhores resultados que o uso do laser tradicional.

2. Uso de lentes de proteção contra a luz solar - Sabe-se através de pesquisa que é importante a proteção da retina contra a radiação solar, em especial nos que têm doenças degenerativas da retina, pois a radiação acelera um processo de catarata precoce e anula o efeito da vitamina A na retina. Por isso recomenda-se o uso de lentes protetoras contra raios ultravioletas e raios azuis.

 

 

Avanço das pesquisas

 

 

Nos últimos cinco anos mais atenção tem sido dada às doenças degenerativas da retina, especialmente pela ação de entidades formadas por portadores das DDR. As associações de pessoas afetadas pela doença em vários países do mundo têm captado recursos e financiadas pesquisas que buscam conhecer as várias causas da degeneração hereditária da retina e descobrir a forma de tratá-las, preveni-las e estancá-las. Os avanços científicos apontam para as seguintes áreas de tratamento e cura das DDR:

1. Genética e biologia molecular: um grande esforço de mapeamento dos genes causadores de DDR e da busca das proteínas envolvidas nas mutações desses genes vem sendo feito nos últimos anos, viabilizando o surgimento da pesquisas de genotipagem e de terapia genética. Reconhece-se, contudo que existe ainda um campo extenso a ser percorrido, uma vez que cada gen apresenta uma enorme quantidade de mutações, tornando a tarefa da genotipagem e da terapia muito complexa. Há quem diga que já encerramos a fase do genoma, a pesquisa dos genes causadores de doenças, e que estamos entrando na etapa da proteômica, a nova área da ciência que busca identificar e analisar as proteínas que são responsáveis por mutações genéticas. Como a análise das proteínas parece ser uma tarefa gigantesca, o desafio parece bastante grande. Mas a tecnologia está caminhando rapidamente, e já existe um Banco de Dados de Proteínas na Internet, tal como o banco de dados do Genoma e dos genes da Retina (a Retnet, mencionada atrás).

2. Terapia genética: pode vir a envolver dois tipos de tratamentos: 1) terapia genética estrita senso, isto é a correção do defeito genético a partir da interferência na mutação. Como esta advém de um defeito na proteína que codifica o gene, corrigindo o defeito elimina-(se o comando genético para que as células da retina degenerem 2) terapia farmacêutica com base genética – nesse caso o medicamento é feito em laboratório, mas sua administração é feita através da via genética: vetores transportam o medicamento para o DNA de uma célula, para reabilitá-la. Nesse caso não se trata de corrigir o gen, mas de medicar a célula.

3. Medicamentos farmacêuticos e biotecnológicos: estão sendo testados em animais em busca de tratamentos que detenham a progressão das doenças degenerativas da retina. Os medicamentos mais conhecidos são os fatores de sobrevivência celular (também chamados de fatores neurotróficos), que são substâncias naturais do organismo, responsáveis pela saúde das células nervosas. Pesquisas em laboratório com vários tipos de animais provaram a eficácia desses medicamentos na recuperação do tecido retiniano. Um deles é o axokine, mencionado atrás. Estes medicamentos, contudo ainda não começaram a ser testados clinicamente em pessoas.

Também há pesquisas buscando medicamentos anti-apoptóticos, que sejam capazes de inibir o processo genético de destruição programada das células da retina, conhecido como apoptose. Este medicamento é altamente promissor, pois trabalhando com um mecanismo comum a todas as DDR, pode ser um tratamento único para todas elas, e não diferenciado como os demais tratamentos em teste.

3. No campo cirúrgico, há várias frentes de pesquisa: os transplantes de retina, especialmente das células do epitélio pigmentar da retina continuam em fase experimental com pessoas, sendo necessário resolver o problema de falta de conexão do tecido transplantado com o cérebro do paciente. Para os afetados por degeneração macular ligada à idade do tipo exudativo, está em experimento a cirurgia da translocação da mácula. A técnica reside em descolar a retina (macula) e recolocar a macula longe da região onde se encontram os vasos sanguíneos com crescimento anormal.

4. Células tronco: As células tronco da retina são a grande descoberta revelada recentemente. Elas são células imaturas, que cumprem um papel de precursoras e que tem a capacidade de assumir a forma de qualquer célula do organismo. Uma única célula tronco pode se reproduzir infinitas vezes fora do organismo, em laboratório, Um mecanismo inibidor do seu crescimento opera nos organismos humanos. Se os cientistas forem capazes de controlar esse mecanismo inibidor, acredita-se que as células tronco poderão vir a ser a fonte de produção de novas células para a retina, que poderão ser usadas para um autotransplante, evitando-se assim os riscos de rejeição do material transplantado. A recente descoberta das células tronco da retina está motivando muitos estudos e traz muitas esperanças de tratamento para as DDR.

5. Por fim a técnica tão esperada pelos que já não têm a visão, a prótese retiniana ou olho eletrônico: um chip eletrônico que imita a função da célula fotoreceptora. Este dispositivo, implantado na superfície da retina ou no córtex cerebral, visa restaurar a visão e já tem sido testado com pessoas, requerendo ainda algum tempo de pesquisa e experimento.

 

 

Equipamentos de ajuda à visão subnormal

 

 

Paralelamente às pesquisas em busca de tratamento, a tecnologia tem colocado inúmeros recursos à mão dos que têm problemas de visão advindos de degeneração da retina. Os recursos para o aproveitamento da visão subnormal vão desde lentes especiais de aumento, softwares de computador, leitores eletrônicos de texto, máquinas que aumentam letras e figuras, lanternas entre outros. Vários países fabricam estes equipamentos e dispõem de catálogos especializados com especificações e preços. Em cidades maiores, há bibliotecas com livros gravados em fitas cassete. Oftalmologistas estão se especializando em visão subnormal, de modo a orientar seus pacientes sobre os recursos disponíveis para melhor aproveitamento da visão. Cientistas americanos e alemães estão pesquisando óculos especiais para compensar a falta de visão periférica e de visão noturna.

 

 www.acapo-centro.rcts.pt

 


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