-
Esta página já teve 135.314.567 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.661 acessos diários
home | entre em contato
 

Teen/Hebeatria/Adolescência/Jovem

Uso de camisinha no Brasil é metade do necessário

29/11/2003
 

 
Camisinha: meio seguro de evitar a Aids
Produção de camisinhas ainda é considerada baixa no Brasil
 

Os países em desenvolvimento, como o Brasil e os da África, ainda têm um vácuo de bilhões de unidades de camisinha em relação à quantidade de preservativo disponível e a necessário para frear a epidemia de Aids, avaliam o Unaids (órgão da ONU para o combate à Aids) e outras organizações especializadas em mapear o uso do preservativo no mundo.

Segundo uma das organizações mais atuantes no setor, a americana Population Services International (PSI), apesar de ser o continente responsável por 40% das contaminação pelo HIV, a África consome cerca de 6 a 9 bilhões de camisinhas por ano - quando 24 bilhões seriam necessárias para frear a epidemia da Aids.

No Brasil, cerca de 600 milhões de preservativos são usados anualmente, mas entre 1 e 1,2 bilhão seriam necessários para prevenir a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis de forma satisfatória, segundo o Ministério da Saúde.

As realidades do Brasil e, em escala muito mais elevada, da África provavelmente são as mesmas dos demais países em desenvolvimento como Índia, China e países árabes cujos dados sobre Aids e uso da camisinha não são amplamente divulgados.

Consumo

O diretor do Programa Nacional de DST e Aids, Alexandre Grangeiro, diz que entre 35% e 40% dos preservativos usados no Brasil são distribuídos pelo Ministério da Saúde e o restante é comercializado. Todos os preservativos distribuídos pelo governo são importados.

"No Brasil, há três fábricas, mas elas não têm a capacidade ainda de suprir a demanda e fica mais barato importar. Esperamos uma mudança em 2005, quando deve começar a funcionar uma fábrica de camisinha com látex nacional administrada pelo governo no Acre", diz Grangeiro.

Os tipos de camisinha
 
Látex: o tipo mais popular. O látex é uma espécie de borracha contendo poros finíssimos, por onde não passam nem o esperma nem vírus pequenos como o HIV. O látex é um material forte mas pode romper caso seja muito friccionado e sofra pressão. Lubrificantes à base de água ou silicone podem ser usados para evitar o problema.
Membrana animal: era o material inicial da camisinha, porque dá mais sensibilidade ao pênis. Mas as camisinhas deste tipo, apesar de bloquearem o esperma, não são tão eficazes para conter o HIV, porque são porosas demais.
Poliuretano: o material mais novo de que é feita a camisinha. Como é um plástico até duas vezes mais resistente do que o látex, o preservativo é bastante fino e não tem nem odor nem gosto. A sensibilidade do pênis também é aumentada e os riscos de o preservativo romperem são menores do que do preservativo de látex. Ao contrário do látex, pode ser usada junto com lubrificantes à base de óleo.
Camisinha feminina: desenvolvida no final dos anos 90, é eficaz contra o HIV e a gravidez. Mas muitas mulheres afirmam que ela é difícil de colocar e anti-estética. Por isso, talvez, tenha caído em desuso.
Fonte: Safesense.com
 

Para o Unaids, a camisinha deixa de ser consumida basicamente por três motivos: quantidade ainda insuficiente de produção, falhas na distribuição (o que inclui preços elevados) e resistência do usuário ao produto. Se usada de forma correta, a camisinha previne até 98% das transmissões do HIV, sendo o único método hoje existente para evitar a Aids em populações sexualmente ativas.

Luiz Antonio Loures, diretor para Europa e Américas do Unaids, afirma que fazer com que os preservativos cheguem aos diversos países do mundo, principalmente em desenvolvimento, é um desafio atualmente tão grande como fornecer tratamento gratuito para os infectados pelo HIV.

Na visão do Unaids, a melhor forma dessa distribuição ser feita é por meio dos programas de marketing social do preservativo.

"Essas organizações têm basicamente três estratégias: fazer com que a necessidade do preservativo seja conhecida, facilitar o acesso e fazer com que a camisinha chegue ao preço mais baixo possível ao consumidor", avalia Loures.

Mas agências de marketing social dependem de financiamento de países como os Estados Unidos, avalia Nigel Tarling, diretor de relações internacionais da organização Internacional Family Health, que lida com planejamento familiar e Aids. "E a administração Bush vem cortando esses fundos", diz Tarling.

Atualmente, a maior distribuidora mundial de preservativos é a USAid, agência ligada ao governo americano que atua em países em desenvolvimento.

Um relatório recente de uma ONG no México, no entanto, mostrou que cerca de US$ 430 milhões investidos pela administração Bush na agência devem ser repassados para organizações em países em desenvolvimento que assinarem um compromisso de não permitir o aborto.

"Há uma prevalência de políticas conservadoras hoje nos Estados Unidos, que vêm cortando fundos para campanhas de prevenção ao HIV", afirma Claire Morris, da Marie Stopes International, organização especializada em saúde reprodutiva.

A ajuda da USAid, por exemplo, foi cortada para países que não concordaram com a política americana como Suazilândia, Chade, Burundi e Ilhas Maurício.

"Não basta realizar campanhas, é preciso fornecer camisinhas. A falta de financiamento desses projetos faz com que a distribuição seja prejudicada", avalia Tarling.

PSI

Douglas Call, vice-diretor do departamento de Aids da PSI, uma das empresas financiadas tanto pela USAid quanto por outras fundações americanas, diz estar preocupado com a distribuição de verba para programas que estimulam o uso da camisinha, por parte do governo Bush.

"Há um temor que a verba seja menor", diz.

A história da camisinha
 
1350-1220 AC: Os egípcios usavam camoas de espada em volta do pênis para proteger contra insetos, ferimentos e mordidas de mosquito.
100 - 200 DC: Pinturas encontradas nas cavernas de Dordogne, no sul da França, mostram que o homem já usava preservativos.
1500s - O médico italiano Gabrielle Fallopius fabricou uma camisinha à base de linho, cortada sob medida para cada homem. Dos mais de mil homens que usaram o produto, nenhum contraiu sifílis.
1700s - O uso da camisinha já era extremamente popular, principalmente como método anticoncepcional. Os preservativos eram feitos à base de tripa animal.
1800s - Os japoneses criaram uma camisinha feita com um couro bem fino.
1843 - A descoberta revolucionária da vulcanização da borracha (adicionando enxofre e submetendo-a ao calor) permitiu que as camisinhas se tornassem mais elásticas e fossem produzidas a custos baixos.
1930s - Outra revolução. O látex líquido substituiu a vulcanização da borracha na fabricação dos preservativos.
1990s - A tecnologia do látex continuou a se desenvolver e surgiram ainda as camisinhas de poliuretano.
Fonte: Durex
 

A PSI tem uma bem-sucedida campanha no marketing social da camisinha, fazendo com que o produto chegue a um preço mais baixo para o consumidor de países em desenvolvimento.

"O consumo da camisinha ainda não é o ideal no mundo, por razões bastante distintas. É claro que o custo da camisinha conta, principalmente nos países pobres. Mas há países que ainda têm uma resistência cultural grande ao produto, temos que trabalhar com essas populações também", explica.

Uma avaliação recente da organização mostrou que a confiança no parceiro e o desconforto causado pela camisinha contribuem mais para a falta de uso do preservativo do que o custo dele em si, em alguns países africanos.

Brasil

O médico Dráuzio Varella vê a ainda baixa adesão ao uso da camisinha como um problema crônico no Brasil, que piora com a influência da Igreja católica, principalmente no interior do país.

"Nas grandes capitais, a distribuição do preservativo é feita de maneira mais independente. Mas muitas vezes a camisinha chega nas pequenas cidades, mas precisa de uma rede para ser distribuída. E aí a igreja intervém. E como nenhuma prefeitura quer brigar com a igreja, a distribuição do preservativo é barrada", conta Varella.

Para ele, os integrantes da igreja têm outro papel na epidemia de Aids: confortar os infectados, prestar assistência às suas famílias e inclui-los ao máximo na comunidade.

"Mas estratégias cientificamente provadas como eficazes, como o uso da camisinha, não devem ser combatidas", diz.

BBC Brasil
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos